Contratar dentista CLT ou pagar por repasse: a partir de quanto compensa cada um
Custo fixo do CLT contra custo variável do repasse. Veja qual sai mais barato na sua produção e a partir de quanto o jogo vira.
CLT ou repasse: a pergunta não é qual paga melhor, é a partir de quanto cada um compensa
Quando o dono de clínica monta o time de especialistas, a dúvida que aparece é sempre a mesma: contrato o próximo dentista no regime CLT, com salário e encargos fixos, ou pago por repasse, um percentual sobre a produção que ele realiza? A resposta não é uma escolha de gosto. É um cruzamento de custos que depende de um número só: a produção mensal esperada desse profissional.
O CLT é um custo fixo. Você paga salário mais encargos mais o custo extra (benefícios, posto de trabalho) todo mês, produza ele muito ou pouco. O repasse é um custo variável: você paga um percentual sobre o que ele fatura, então o custo sobe junto com a produção. Em produção baixa, o repasse quase sempre sai mais barato, porque você paga pouco. Em produção alta, o fixo do CLT dilui e o repasse vira mais caro, porque aquele percentual incide sobre um faturamento grande.
O ponto de equilíbrio é o número que decide
Existe uma produção exata em que os dois modelos custam igual: é o ponto de equilíbrio. Abaixo dele, o repasse é mais barato. Acima dele, o CLT é mais barato. A conta é direta: o custo total do CLT dividido pelo percentual de repasse. Se o CLT custa R$ 14.400 por mês e o repasse é de 40%, o equilíbrio fica em R$ 36.000 de produção. Se o dentista produz menos que isso, repasse. Se produz mais, CLT. A calculadora faz esse cálculo com os seus números e mostra os dois custos lado a lado na produção que você espera, mais a diferença em reais por mês.
O que esta conta não resolve (e por que isso importa)
A comparação é só de custo mensal. Ela não pesa o risco trabalhista de um vínculo nem o passivo jurídico de contratar por PJ ou repasse, que existe e precisa de orientação contábil e jurídica. Também não captura o intangível: o CLT costuma entregar previsibilidade e dedicação de agenda, enquanto o repasse alinha o seu custo à produção, mas nem sempre garante compromisso de horário. E os encargos variam muito por enquadramento. Use o número como base da decisão, não como veredito. Rode um cenário conservador e um otimista de produção, porque o vencedor muda conforme o dentista produz mais ou menos.
Como usar
- Coloque o salário CLT que você pretende pagar e ajuste o percentual de encargos do seu enquadramento (confirme com o contador, é faixa ampla).
- Se houver custo fixo extra com o CLT (benefícios, vale, posto de trabalho dedicado), some no campo opcional; senão deixe 0.
- Informe o percentual de repasse que você pratica e a produção mensal que espera desse dentista.
- Veja os dois custos lado a lado, qual sai mais barato na sua produção e o ponto de equilíbrio (a produção a partir da qual o CLT fica mais barato que o repasse).
- Rode de novo num cenário conservador de produção: o vencedor muda quando o dentista produz menos.
Perguntas frequentes
A partir de quanto de produção o CLT fica mais barato que o repasse?
No ponto de equilíbrio, que é o custo total do CLT dividido pelo percentual de repasse. Se o CLT custa R$ 14.400 por mês e o repasse é 40%, o equilíbrio fica em R$ 36.000 de produção: acima disso o CLT é mais barato, abaixo o repasse ganha.
Quanto de encargo eu coloco para um dentista CLT?
Varia muito pelo enquadramento e pelos acordos. A CLT cheia (com INSS patronal, FGTS, férias mais 1/3, 13º, RAT e outros) costuma ficar na faixa de 70% a 100% sobre o salário, mas o número certo é o do seu contador. O padrão da calculadora é só ponto de partida.
Esta calculadora considera o risco trabalhista do repasse?
Não. Ela compara apenas o custo mensal de cada modelo. O passivo trabalhista e o risco jurídico de pejotização ou repasse existem e precisam de orientação contábil e jurídica; não entram nesta conta.
O repasse é sempre mais barato porque não tem encargo?
Não. Em produção baixa o repasse costuma sair mais barato, mas como é custo variável ele cresce junto com o faturamento do dentista. Acima do ponto de equilíbrio, o percentual sobre uma produção alta supera o custo fixo do CLT, e o CLT passa a ser mais barato.
Como o resultado muda se eu errar a produção esperada?
Muda o vencedor. Por isso vale rodar dois cenários: um conservador e um otimista de produção. Se o dentista produzir perto do ponto de equilíbrio, os dois modelos custam quase o mesmo, e aí a decisão é pela previsibilidade do CLT contra a flexibilidade do repasse.
CLT e repasse deram quase o mesmo custo. O que faço?
Quando a diferença é mínima, o custo deixa de ser o critério. Decida pelo intangível: o CLT dá previsibilidade e dedicação de agenda; o repasse alinha o custo à produção e exige menos caixa fixo, mas pode não garantir compromisso de horário.