Quanto custa de verdade um dentista associado depois de repasse, material e cadeira ocupada?
O custo real de um dentista associado não é o repasse. É repasse mais material, mais a hora da cadeira ocupada, descontando taxa de cartão, imposto e cadeira parada. Veja a conta completa, a fórmula da hora clínica e como montar a planilha de margem por procedimento.
O custo real do associado é repasse mais material mais o custo da hora da cadeira que ele ocupa, sempre calculado sobre o líquido (depois de taxa de cartão e imposto), não sobre o bruto: por isso o lucro está na margem por procedimento, não no percentual do repasse.
- O repasse certo sai do líquido, não do bruto. O valor que entra na conta da clínica já perdeu taxa de maquininha e imposto antes de virar base de cálculo, então calcular o percentual do associado sobre o preço cheio de tabela corrói a margem de forma silenciosa, dados internos da Odonto Results.
- Convênio repassa muito menos que o CFO sugere. Estudo da revista Arquivos em Odontologia (UFMG) mostra que os planos odontológicos aplicaram desconto médio de 54,51% sobre os preços sugeridos pelo Conselho Federal de Odontologia, o que torna o caso de convênio estruturalmente apertado pra remunerar associado e clínica ao mesmo tempo.
- A cadeira parada custa mesmo vazia. Os custos fixos da clínica correm com a cadeira ocupada ou ociosa, então toda hora sem procedimento dilui a margem; a conta real do associado é margem de contribuição por procedimento, não o número do repasse, dados internos da Odonto Results.
Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- Os modelos de remuneração do associado
- Por que o repasse certo sai do líquido, nunca do bruto
- Como o material muda o repasse (e a conta)
- Particular x convênio: o repasse muda de régua
- O custo da hora clínica (a fórmula que falta na sua planilha)
- A taxa de ocupação: por que a cadeira parada custa caro
- O equipamento: cadeira, depreciação e o custo que dorme no consultório
- No-show: a cadeira reservada e vazia
- O custo de aquisição do paciente que ocupa a cadeira
- Margem de lucro e ponto de equilíbrio do associado
- Faturamento por porte e o lugar do associado na escala
- Tributação e capital de giro: dois custos invisíveis
- Como montar a planilha de custo real do associado
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Quanto custa de verdade um dentista associado depois de repasse, material e cadeira ocupada?"
A maioria dos donos responde isso com um número só: o percentual do repasse.
Mas o repasse é só a parte visível. O custo real do associado é repasse mais material, mais a hora da cadeira que ele ocupa, tudo calculado sobre o que a clínica de fato recebe, não sobre o preço de tabela.
E é nessa diferença que mora o vazamento de margem.
Quem decide remuneração olhando só o percentual paga o associado por dinheiro que a maquininha e o imposto já levaram, e nunca enxerga o custo da cadeira parada na hora vazia entre um caso e outro.
Aqui a conta vira matemática de margem por procedimento, não de percentual de repasse. É assim que a clínica que fatura alto decide com clareza.
Neste guia você vai ver:
- Os modelos de remuneração do associado e quando cada um faz sentido
- Por que o repasse certo sai do líquido, nunca do bruto
- Como material, taxa de cartão e imposto mudam a conta de verdade
- A fórmula da hora clínica e o peso da cadeira ocupada (e da parada)
- Como montar a planilha de margem por procedimento por dentista
Os modelos de remuneração do associado
Antes de calcular custo, alinhe o modelo. A forma como você remunera o associado define onde o risco mora e como a margem se comporta.
Existem cinco modelos comuns no mercado:
- Repasse percentual sobre o procedimento: o associado leva uma fatia (%) de cada tratamento que executa. O mais usado.
- Valor fixo por procedimento: uma tabela combinada paga R$ X por cada tipo de procedimento, independente do preço cobrado do paciente.
- Diária fixa: o associado recebe um valor por dia de atendimento, com ou sem meta.
- Hora clínica: paga-se por hora de cadeira ocupada, comum em especialidades de sessão longa.
- Comissão sobre o faturamento do dia: percentual sobre tudo o que o associado produziu naquele turno.
Cada modelo desloca o risco de um jeito. No percentual, clínica e associado ganham juntos e perdem juntos. No fixo por procedimento, a clínica fica com o risco do preço (se der desconto, a margem dela encolhe, não a do associado).
Lembre: o modelo não muda só quem ganha quanto. Muda quem absorve a queda de preço, o no-show e o material caro. Antes de discutir o percentual, decida quem carrega cada risco.
A faixa de repasse de mercado costuma ser citada como "até cerca de 30%", mas é uma referência grosseira. O número real varia por especialidade, por forma de pagamento e, principalmente, por quem fornece o material. Tratar "30%" como regra é o primeiro erro da conta.
Por que o repasse certo sai do líquido, nunca do bruto
Esse é o ponto que mais corrói margem em silêncio. O repasse precisa incidir sobre o que a clínica realmente recebe, não sobre o preço cheio do orçamento.
Pensa assim: um tratamento de R$ 1.000 quase nunca vira R$ 1.000 no caixa.
Antes de virar base de cálculo, esse valor perde duas camadas:
- Taxa da maquininha: cartão de crédito, parcelamento e antecipação comem um percentual do valor.
- Imposto sobre o serviço: o tributo sobre o faturamento odontológico sai antes de o dinheiro ser "seu".
Se o associado leva 30% e você calcula sobre os R$ 1.000 brutos, paga R$ 300. Mas o que entrou no caixa foi menos que R$ 1.000. Você acabou de repassar um percentual de receita que não existiu inteira.
A correção é simples e muda tudo: o percentual incide sobre o líquido, depois de taxa de cartão e imposto. Nos dados internos da Odonto Results, donos que ajustam a base de cálculo do bruto pro líquido recuperam margem sem mexer no percentual nominal nem na relação com o associado.
Lembre: repasse sobre o bruto é pagar o associado com dinheiro que a maquininha e o Leão já levaram. O número parece justo no papel e drena o caixa na prática.
Como o material muda o repasse (e a conta)
O material é a peça que mais confunde a negociação de repasse. E ela não é detalhe: é custo variável do procedimento.
Há dois arranjos comuns:
- Material do associado: ele compra e leva o próprio material e instrumental. Assume o custo variável, e por isso o percentual de repasse dele tende a ser maior.
- Material da clínica: a clínica fornece tudo. Arca com o custo variável, e o percentual de repasse tende a ser menor.
Repare no que isso significa: um repasse de 50% com material do associado pode custar à clínica o mesmo (ou menos) que um repasse de 35% com material da casa. O percentual sozinho não diz nada sem saber quem paga o material.
O custo variável por procedimento inclui mais do que se imagina:
- Materiais e descartáveis (resina, broca, fio, anestésico).
- Instrumental e seu desgaste.
- Laboratório (prótese, peça, trabalho terceirizado).
- Luvas, máscara, EPI, esterilização.
Quem negocia repasse sem fechar primeiro de quem é o material está comparando dois números que não são comparáveis.
Particular x convênio: o repasse muda de régua
O mesmo dentista, no mesmo dia, gera margens completamente diferentes dependendo da origem do paciente. E isso muda o repasse.
No particular, o preço é seu. A margem por procedimento é maior, sobra mais pra dividir, e o percentual de repasse costuma ser menor sobre um valor maior.
No convênio, o preço é da operadora. E aqui o número é brutal.
Estudo publicado na revista Arquivos em Odontologia, da UFMG, mostra que os planos odontológicos aplicaram desconto médio de 54,51% sobre os preços sugeridos pelo Conselho Federal de Odontologia. No grupo de procedimentos preventivos, o desconto foi ainda maior: 57,09% em média.
O Conselho Federal de Odontologia reforça o tamanho do aperto: na modalidade Odontologia de Grupo, os valores pagos pelas operadoras aos cirurgiões-dentistas não chegam a 20% do previsto pela CBHPO, e mesmo a melhor modalidade (autogestão) não atinge 50% da CBHPO. Entre operadoras, a diferença pelo mesmo procedimento chega a 200%.
A consequência prática é direta:
| Origem | Preço | Margem por caso | Como remunerar o associado |
|---|---|---|---|
| Particular | Cheio (definido pela clínica) | Maior | % menor sobre valor maior |
| Convênio | Tabelado, com forte desconto | Apertada | Volume + régua específica, nunca o mesmo % do particular |
Aplicar no convênio o mesmo percentual de repasse do particular é receita de margem negativa. O convênio compensa por volume e por ocupação de agenda, não por margem por procedimento. O repasse precisa de outra conta.
O custo da hora clínica (a fórmula que falta na sua planilha)
Aqui está o número que quase nenhum dono calcula e que decide tudo: quanto custa uma hora da sua cadeira funcionando.
Sem esse número, você não sabe se o associado dá lucro ou prejuízo, porque o repasse esconde o custo da estrutura que sustenta o atendimento.
A fórmula tem três partes:
Hora clínica = custo fixo por hora + custo variável do procedimento + margem desejada
Veja como cada parte se monta:
1. Custo fixo por hora. Some todo o custo fixo mensal da clínica e divida pelas horas produtivas do mês. Custo fixo inclui:
- Aluguel e condomínio.
- Energia, água, internet.
- Salários da equipe (recepção, CRC, auxiliar, limpeza).
- Software, contabilidade, manutenção.
2. Custo variável do procedimento. O material e o laboratório daquele procedimento específico (a conta da seção anterior).
3. Margem desejada. O lucro que a clínica precisa embutir pra crescer, não só empatar.
Some as três e você tem o preço mínimo da hora daquela cadeira. Qualquer atendimento abaixo disso dá prejuízo, mesmo que o repasse pareça justo.
Lembre: o repasse remunera o associado. A hora clínica remunera a estrutura. Se você só olha o repasse, está pagando o dentista e esquecendo de cobrar pela cadeira, pela equipe e pelo aluguel que tornam o atendimento possível.
A taxa de ocupação: por que a cadeira parada custa caro
Tem uma armadilha na conta da hora clínica: ela só funciona se a cadeira estiver ocupada. E ela nunca está 100% do tempo.
Você paga 8 horas de cadeira por dia. Mas vende menos que isso. A diferença é prejuízo puro.
Nenhuma cadeira fica produtiva 100% do tempo: parte das horas pagas sempre corre vazia. E o custo fixo não para na hora vazia: o aluguel corre, a equipe está lá, a energia está ligada.
O que isso significa na prática:
- Se você divide o custo fixo por todas as horas pagas, subestima o custo da hora produtiva.
- O cálculo honesto divide o custo fixo pelas horas vendidas (as produtivas de verdade).
- Cada buraco na agenda do associado encarece todas as outras horas dele.
Pensa assim: a cadeira parada não é "perda de oportunidade". É custo fixo gasto sem nenhuma receita pra cobrir. Por isso ocupação da cadeira é uma alavanca de margem tão forte quanto o repasse, e quase ninguém olha pra ela.
É aqui que captação e atendimento entram na conta financeira. Cadeira cheia não é só faturamento: é o que dilui o custo fixo e faz a hora clínica fechar. Veja como reduzir o no-show e o que fazer quando o funil vaza entre avaliação e fechamento.
O equipamento: cadeira, depreciação e o custo que dorme no consultório
A cadeira odontológica também entra no custo fixo, por um caminho que muita planilha esquece: a depreciação.
O equipamento é um investimento alto que se gasta com o tempo. Espalhar esse valor pelos meses de vida útil é o que evita a ilusão de que a cadeira "já foi paga e não custa mais nada".
A faixa de preço de uma cadeira nova varia bastante por nível de equipamento, e o ponto pro cálculo não é o preço de etiqueta, é o seguinte:
- O valor da cadeira, dividido pela vida útil estimada, vira custo de depreciação por mês.
- Esse custo entra no custo fixo, junto com aluguel e salários.
- Uma cadeira parada deprecia igual: ela perde valor ocupada ou ociosa.
Tratar o equipamento como custo afundado ("já comprei, tanto faz") é o que faz o dono aceitar agenda vazia sem dor. A cadeira que não atende continua custando, todo mês.
No-show: a cadeira reservada e vazia
Existe uma diferença que muda o custo real do associado: cadeira ocupada não é cadeira reservada.
Quando o paciente marca e não comparece, a hora foi bloqueada, a estrutura ficou de pé, e nada foi produzido. O custo fixo daquela hora aconteceu sem receita nenhuma.
O no-show ataca a conta por dois lados:
- Some a receita daquele procedimento que não aconteceu.
- Mantém o custo fixo daquela hora reservada, que poderia ter atendido outro paciente.
Por isso a taxa de comparecimento entra direto na margem do associado. Uma agenda "cheia" no papel, com faltas frequentes, produz menos margem que uma agenda menor com comparecimento alto.
Nos dados internos da Odonto Results, no recorte do WhatsApp das clínicas atendidas, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial, e responder rápido a esse lead é o que enche a agenda da semana seguinte. Cadeira cheia de paciente que comparece é o que faz o custo do associado fechar no azul. Veja como medir o funil da clínica em números.
O custo de aquisição do paciente que ocupa a cadeira
Tem um custo que raramente aparece na conta do associado e deveria: o de trazer o paciente que ocupa a cadeira dele.
Se a agenda do associado depende de campanha paga, o custo por paciente que comparece é parte do custo real daquele atendimento. Não dá pra calcular margem por procedimento e ignorar quanto custou colocar o paciente ali.
A régua certa não é o custo por lead. É o custo por paciente que comparece e fecha:
- Lead barato que não comparece não ocupa cadeira, só infla relatório.
- O número que importa é quanto custou cada paciente que de fato ocupou a hora do associado e fechou tratamento.
- Esse custo entra na margem por procedimento, como qualquer outro custo variável de aquisição.
Quem mede captação por CPL e remuneração por repasse está olhando dois números soltos. A conta fecha quando você junta os dois na margem por paciente atendido. Veja quanto investir pra faturar acima de 100 mil e por que lead barato sai caro.
Margem de lucro e ponto de equilíbrio do associado
Com os custos na mesa, chega o número que decide se o associado dá resultado: a margem.
A margem líquida de uma clínica odontológica bem gerida fica numa faixa saudável de mercado, mas o ponto aqui não é decorar um percentual. É entender o que sobra depois de repasse, material e custo fixo da cadeira ocupada.
E o cálculo que organiza tudo é o ponto de equilíbrio:
Ponto de equilíbrio = custo fixo do período ÷ margem de contribuição por procedimento
A margem de contribuição é o que cada procedimento deixa depois de pagar material, custo variável e repasse, antes do custo fixo. É quanto aquele atendimento "contribui" pra cobrir a estrutura.
O passo a passo:
- Calcule a margem de contribuição de cada procedimento por dentista (preço líquido menos material menos repasse).
- Some o custo fixo do período (aluguel, equipe, depreciação, rateado pela cadeira do associado).
- Divida o custo fixo pela margem média por procedimento. O resultado é quantos atendimentos o associado precisa fazer só pra empatar.
Acima desse número, cada procedimento é lucro. Abaixo, a cadeira dá prejuízo, por mais cheia que pareça.
Faturamento por porte e o lugar do associado na escala
O associado não custa o mesmo em toda clínica. Depende do porte e da estrutura que sustenta a cadeira.
Clínicas solo, médias e estruturadas têm faturamentos e custos fixos muito diferentes, e isso muda o quanto cada hora de cadeira precisa render. Numa clínica enxuta, o custo fixo por hora é menor, mas a ociosidade dói mais. Numa estruturada, o custo fixo é alto e exige ocupação consistente pra diluir.
O recado pro dono que já fatura alto é direto: a entrada de um associado não é só "mais um dentista produzindo". É:
- Mais custo variável (material, laboratório).
- Mais pressão por ocupação (a cadeira nova precisa encher).
- Mais demanda de captação (paciente novo pra preencher a agenda dele).
Por isso colocar um associado funciona quando há demanda previsível pra encher a cadeira dele. Sem isso, você adiciona custo fixo e ociosidade ao mesmo tempo. Veja se faz mais sentido investir em marketing ou abrir nova unidade.
Tributação e capital de giro: dois custos invisíveis
Dois itens fecham a conta real e quase sempre ficam de fora da planilha.
Tributação. O repasse ao associado tem tratamento tributário próprio. Pagar como autônomo (RPA), ter o associado como pessoa jurídica, ou operar no Simples Nacional muda a carga sobre o serviço odontológico. Esse imposto sai antes da margem, e é por isso (de novo) que a base de cálculo do repasse precisa ser o líquido. Cada regime tem uma conta diferente, e isso é tema pro seu contador.
Lembre: o associado não é só o percentual que você combina. É o percentual mais o tratamento tributário do repasse mais o custo de oportunidade da cadeira. Ignorar a parte fiscal faz o "30%" combinado custar bem mais que 30%.
Capital de giro. Existe um descasamento de caixa perigoso: você paga o repasse ao associado quando o procedimento é feito, mas recebe do paciente parcelado, às vezes em muitos meses. O dinheiro sai antes de entrar.
Em tratamentos longos e de alto ticket, esse descasamento exige capital de giro pra cobrir o intervalo entre pagar o associado e receber do paciente. Quem não planeja isso aperta o caixa justamente quando a clínica está produzindo mais.
Como montar a planilha de custo real do associado
Junte tudo numa estrutura só e o custo real para de ser mistério. A planilha gira em torno de uma métrica: margem de contribuição por procedimento, por dentista.
Monte assim, na ordem:
- Preço líquido por procedimento. Preço cheio menos taxa de cartão menos imposto. Essa é a base de tudo, nunca o bruto.
- Custo variável por procedimento. Material, descartáveis, laboratório, EPI.
- Repasse do associado. Calculado sobre o líquido, ajustado conforme quem fornece o material.
- Margem de contribuição. Preço líquido menos custo variável menos repasse. O que sobra pra cobrir o fixo.
- Custo fixo da hora ocupada. Custo fixo mensal dividido pelas horas vendidas (não pelas pagas), usando a ocupação real da sua agenda.
- Resultado por procedimento. Margem de contribuição menos custo fixo da hora daquele atendimento.
| Linha da planilha | O que entra | Por que importa |
|---|---|---|
| Preço líquido | Preço cheio menos cartão e imposto | Base correta do repasse |
| Custo variável | Material, laboratório, EPI | Muda conforme quem fornece |
| Repasse | % sobre o líquido | Remunera o associado |
| Margem de contribuição | Líquido menos variável menos repasse | Cobre o custo fixo |
| Custo fixo da hora | Fixo mensal ÷ horas vendidas | Conta a cadeira e a equipe |
| Resultado | Margem menos custo fixo da hora | Diz se a cadeira dá lucro |
Com essa planilha, você para de decidir remuneração por "achismo de percentual" e passa a ver, procedimento por procedimento, quem dá margem e quem dá prejuízo. É a diferença entre administrar a clínica pelo extrato e administrar pelo número que decide.
Seu próximo passo
- Calcule sua hora clínica de verdade. Some o custo fixo mensal, divida pelas horas vendidas (não pelas pagas; use a ocupação real da sua agenda, não as horas contratadas) e some o custo variável e a margem. Esse é o piso de qualquer atendimento.
- Reveja a base do repasse. Confirme que o percentual do associado incide sobre o líquido (depois de cartão e imposto), não sobre o bruto, e que material e regra de convênio estão na conta. Pequeno ajuste de base, grande recuperação de margem.
- Monte a planilha de margem por procedimento por dentista. Com ela você enxerga ponto de equilíbrio, cadeira ociosa e custo de aquisição do paciente num lugar só, e decide a expansão com número, não com intuição.
Quer encher a cadeira do associado com paciente previsível que comparece, pra diluir o custo fixo e fechar a conta no azul? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
O repasse do associado se calcula sobre o bruto ou sobre o líquido?
Sobre o líquido. O valor recebido já perdeu taxa de cartão e imposto sobre o serviço antes de virar base. Calcular o percentual sobre o preço cheio de tabela faz a clínica pagar o associado por dinheiro que ela não recebeu inteiro, o que aperta a margem sem ninguém perceber.
Por que o repasse muda quando o material é do associado?
Porque o material é custo variável do procedimento. Quando o associado leva o próprio material, ele assume esse custo e o percentual dele tende a ser maior. Quando a clínica fornece, ela arca com o custo variável e o percentual do associado tende a ser menor. O total que sai da clínica costuma se aproximar nos dois modelos.
Quanto a clínica perde com a cadeira parada?
Perde o custo fixo daquela hora. Aluguel, energia, água, internet e salários da equipe correm com a cadeira ocupada ou vazia. Cada hora sem procedimento é custo fixo sem receita, e é por isso que a taxa de ocupação da cadeira entra na conta real do associado.
Convênio paga menos que particular para o associado?
Em valor por procedimento, sim. Estudo da revista Arquivos em Odontologia (UFMG) registra desconto médio de 54,51% dos planos sobre a tabela do CFO. O convênio compensa por volume, mas o preço baixo deixa pouca margem pra dividir entre clínica e associado, então o percentual de repasse precisa de outra régua.
Como montar a planilha de custo real do associado?
Calcule a margem de contribuição por procedimento por dentista: preço líquido menos material e custo variável menos repasse, e veja o que sobra pra cobrir o custo fixo da hora ocupada. O lucro aparece quando a soma das margens dos procedimentos do mês supera o custo fixo total da cadeira.
Qual é o ponto de equilíbrio de um associado?
É o número mínimo de procedimentos que cobre o custo fixo da cadeira que ele ocupa. Some o custo fixo do período, divida pela margem de contribuição média por procedimento daquele dentista, e você tem quantos atendimentos ele precisa fazer só para empatar. A partir daí, cada procedimento vira lucro.