Calculadora de reserva tributária: quanto separar de cada recebimento para o imposto

O imposto incide quando você fatura, mas vence depois. Veja a fatia a guardar de cada entrada e não gaste o dinheiro do leão.

Por que o dono de clínica leva susto quando o imposto vence

O imposto incide sobre o faturamento no momento em que você emite a nota, mas você só paga depois: o DAS do Simples vence no mês seguinte, e os encargos da sua retirada de sócio também caem fora do mês da receita. Entre faturar e pagar, o dinheiro fica na conta corrente. E o que está na conta corrente parece disponível. Aí você usa para repor estoque, pagar fornecedor, fazer a sua retirada, e quando o boleto do leão chega, falta caixa. Esse descasamento é a causa mais comum de aperto em clínica que fatura bem e ainda assim vive no vermelho no fim do mês.

Esta calculadora resolve isso virando o jogo em disciplina de caixa. Em vez de descobrir o imposto no susto, você separa a fatia certa de cada recebimento numa conta de impostos, assim que o dinheiro entra. O que sobra na conta corrente é de verdade seu para operar. O que está reservado já era do governo.

Como o cálculo funciona

A conta tem duas camadas. A camada do mês: o imposto sobre a receita é o faturamento previsto multiplicado pela sua alíquota efetiva, somado ao pró-labore com INSS e IRPF do dono e a outros encargos recorrentes que você queira provisionar (um parcelamento, taxas). O resultado é quanto guardar no mês e qual fatia da sua receita total isso ocupa. A camada por recebimento: quando uma entrada cai agora, a fatia a separar dela é o valor do pagamento multiplicado pela alíquota efetiva (os encargos fixos do dono não escalam por recebimento, então só o imposto sobre a receita entra aqui). É a regra cola-e-checa: a cada PIX ou repasse de cartão que entra, você confere quanto vai para a conta de impostos.

De onde tirar a sua alíquota efetiva

Não use número de mercado. A sua alíquota efetiva varia pelo anexo do Simples em que a clínica caiu, pelo Fator R, pela faixa de faturamento, e se você é Lucro Presumido ou Real, ela precisa somar IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, que entram por fora do Simples. O jeito honesto de obter o seu número é pegar o último DAS pago e dividir pela receita daquele mês, ou pedir ao contador a alíquota efetiva atual. Esta ferramenta opera o regime que a sua clínica já escolheu, ela não decide regime nem faz a apuração fiscal oficial: o imposto real sai do cálculo do contador. O que ela faz é manter o seu caixa em ordem para que esse imposto nunca seja surpresa.

Como usar

  1. Coloque o faturamento que você prevê para o mês.
  2. Informe a sua alíquota efetiva de impostos: pegue do último DAS (valor do DAS dividido pela receita daquele mês) ou pergunte ao contador. Não use um número de mercado.
  3. Se quiser, some o pró-labore com INSS e IRPF do dono e outros encargos recorrentes que você provisiona todo mês.
  4. Veja quanto separar no mês e o percentual da receita que isso ocupa.
  5. Para conferir uma entrada específica, coloque o valor do recebimento que está caindo agora e veja a fatia a guardar só dele.
  6. Separe esse valor na conta de impostos assim que o dinheiro entra, antes de gastar.

Perguntas frequentes

Quanto devo separar de cada recebimento para o imposto?

A fatia de cada entrada é o valor do recebimento multiplicado pela sua alíquota efetiva. Se a sua alíquota efetiva é 10% e cai um PIX de R$ 5.000, separe R$ 500 na conta de impostos. Os encargos fixos do dono (pró-labore, INSS) você provisiona pelo total do mês, não por recebimento.

Como descubro a minha alíquota efetiva?

Pegue o seu último DAS pago e divida pela receita daquele mês: o resultado é a alíquota efetiva real da sua clínica. Ou peça ao contador. Não use um número de mercado, porque a alíquota muda por anexo do Simples, Fator R, faixa de faturamento e regime (no Lucro Presumido entram IRPJ, CSLL, PIS e COFINS por fora).

Essa calculadora faz a apuração do meu imposto?

Não. Ela é uma disciplina de caixa: ajuda você a separar a fatia certa antes de gastar, para o imposto não virar surpresa. A apuração fiscal oficial é do contador, e o valor real do DAS sai do cálculo dele.

Por que preciso reservar se ainda não venceu nada?

Porque o imposto incide quando você fatura, mas vence depois: o DAS cai no mês seguinte. O dinheiro fica na conta corrente parecendo disponível, e o dono acaba gastando o que já era do leão. Reservar assim que entra evita o aperto quando o boleto chega.

Sou Lucro Presumido, a conta muda?

A lógica é a mesma, mas a sua alíquota efetiva precisa somar os tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS) e o ISS, que no Presumido entram separados e não como um DAS único. Calcule a alíquota efetiva total a partir da sua apuração e use esse número aqui.

Posso usar o dinheiro reservado se sobrar caixa no mês?

Não trate a reserva como caixa livre. Ela cobre o imposto de amanhã, não some na conta corrente. Se ao fim do trimestre houver excesso comprovado pelo contador, aí sim você libera, mas a regra é manter o reservado intocado até o vencimento.

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