Financiar no consultório ou passar pra financeira: qual caminho rende mais hoje

Carnê próprio ou financeira? Veja quanto cada caminho vale hoje em reais e até que taxa da financeira ainda compensa.

Carnê próprio ou financeira: a decisão de crédito por caso, na régua de hoje

Num tratamento de alto ticket (implante, protocolo, ortodontia, reabilitação), o paciente quer parcelar em 10, 12, 18 vezes e o dono decide ali, na hora, como vai receber. São dois caminhos com naturezas diferentes, e o erro é compará-los pelo valor de fachada. Esta calculadora coloca os dois na mesma régua: quanto cada um vale hoje, em reais.

No carnê próprio, você recebe as parcelas ao longo dos meses, mas carrega duas coisas que custam dinheiro: o capital fica preso (o dinheiro que entra em 12 meses vale menos que o mesmo dinheiro na mão hoje) e existe o risco de calote. A calculadora desconta cada parcela futura pelo seu custo de capital e ainda tira a inadimplência esperada. O que sobra é o valor de hoje do carnê.

Na financeira ou antecipadora de mensalidade, você recebe quase tudo agora, menos a taxa que ela retém. Sem coobrigação, o risco de calote sai de você: se o paciente não pagar, o problema é dela. Por isso o valor de hoje desse caminho é simplesmente o valor do tratamento menos a taxa, sem desconto de tempo e sem provisão de calote.

O ponto de virada é o número que decide

Além de dizer qual caminho ganha e por quanto, a ferramenta calcula o ponto de virada: a taxa da financeira na qual os dois empatam. Acima dela, o carnê próprio vale mais; abaixo, vale passar pra financeira. Com esse número você negocia tabela com a financeira sabendo exatamente até onde a conta fecha a seu favor, em vez de aceitar a taxa de balcão.

O que esta ferramenta não decide por você

Ela opera a decisão de crédito por caso, não o funding geral da clínica. E compara só o valor financeiro: o efeito de fechamento fica de fora. Oferecer parcelado próprio às vezes fecha um caso que a financeira reprovaria (paciente negativado), e esse paciente na cadeira não aparece na conta. O custo de capital e a inadimplência são os seus números, não médias de mercado, então a saída é tão boa quanto a honestidade dos inputs. Comece com o histórico real do seu carnê e a antecipação que a sua adquirente te dá, não com um chute otimista.

Como usar

  1. Coloque o valor do tratamento e em quantas parcelas você pensaria em carregar no carnê próprio.
  2. Pegue a taxa que a sua financeira ou antecipadora retém na tabela e use a versão SEM coobrigação, para a comparação ficar justa.
  3. Informe o seu custo de capital ao mês (a antecipação que você consegue ou o retorno do caixa) e a inadimplência que você estima pelo seu histórico de carnê.
  4. Leia os dois cards (quanto cada caminho vale hoje), o card de decisão e o ponto de virada: a taxa da financeira até a qual ainda compensa passar.

Perguntas frequentes

Por que comparar pelo valor de hoje e não pelo total recebido?

Porque receber R$ 20.000 em 12 parcelas não é a mesma coisa que receber R$ 20.000 hoje. O dinheiro preso tem custo (o que você deixa de fazer com ele) e ainda corre risco de calote. Trazer tudo para o valor de hoje é a única forma de comparar o carnê com o adiantamento da financeira na mesma régua.

O que é o ponto de virada da taxa da financeira?

É a taxa na qual os dois caminhos empatam. Abaixo dela, passar pra financeira vale mais; acima, é melhor financiar no consultório. Serve para negociar tabela: você sabe exatamente até que taxa ainda compensa antecipar.

E se a financeira exigir coobrigação?

Coobrigação significa que você devolve o dinheiro se o paciente não pagar, então o risco de calote continua com você. Nesse caso a comparação fica injusta se você zerar a inadimplência só do lado da financeira. Use a taxa sem coobrigação aqui, ou some a mesma inadimplência aos dois lados.

Que custo de capital eu coloco?

É o seu custo de oportunidade ao mês: a taxa de antecipação que a sua adquirente te oferece, ou o retorno que o caixa renderia parado. Não é um número de mercado fixo. Quanto mais alto o seu custo de capital, pior fica carregar o carnê e melhor fica receber adiantado.

Essa conta vale para decidir todo o financiamento da clínica?

Não. Ela opera a decisão por caso, na hora que o paciente quer parcelar. Para escolher entre antecipar recebíveis, pegar empréstimo ou usar caixa próprio como fonte de giro da clínica, a comparação é outra, de fontes de caixa, não de quem carrega o risco do paciente.

Parcelar no próprio carnê nunca compensa, então?

Compensa quando a taxa da financeira está alta, quando o seu custo de capital é baixo e quando a sua inadimplência é controlada. E tem o ganho que não entra na conta: o parcelado próprio fecha casos que a financeira reprovaria. Esse paciente na cadeira pode justificar carregar o carnê mesmo quando o número puro empata.

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