É normal a agência cobrar uma taxa de setup separada pra criar a marca/identidade visual, além do fee mensal de gestão de tráfego?
Cobrar setup de marca separado do fee mensal é prática comum e tem lógica: um é trabalho que acontece uma vez, o outro é trabalho que se repete todo mês. O problema não é a cobrança em si, é o escopo vago. Veja o que deve estar dentro do setup, o que é cobrança em duplicidade, a taxa oficial do INPI e a cláusula de cessão que quase ninguém lê.
Sim, é normal e defensável: setup remunera trabalho não recorrente (marca, contas, medição, estrutura de campanha) e o fee mensal remunera a gestão que se repete. O que não é normal é setup com escopo vago, sem entregáveis nomeados, sem prazo e sem cláusula escrita de cessão de direitos.
- Pagar pelo setup não te torna dono dos arquivos de marca. A Lei nº 9.610/1998, art. 50, determina que a cessão total ou parcial dos direitos de autor se fará sempre por escrito e se presume onerosa, ou seja, sem instrumento escrito de cessão a titularidade não migra junto com a nota fiscal ([Câmara dos Deputados](https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1998/lei-9610-19-fevereiro-1998-365399-publicacaooriginal-1-pl.html)).
- Setup de marca quase nunca inclui o registro. O serviço oficial do Governo Federal informa taxa de R$ 880,00 (sem desconto) ou R$ 440,00 (com desconto) para pedido com especificação pré-aprovada, e estima até 22 meses para a prestação do serviço, sendo 18 meses para pedidos sem oposição e 22 meses para pedidos com oposição, valores e prazos consultados em setembro de 2026 ([gov.br / INPI](https://www.gov.br/pt-br/servicos/solicitar-o-registro-de-marca-de-produto-ou-servico)).
- O setup só se paga se deixar a medição pronta até o agendamento, não até o lead. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa de 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026. Dados internos da Odonto Results.
Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- O que a agência chama de "setup"
- Por que setup e fee mensal são duas cobranças diferentes
- Os modelos de remuneração de agência (e onde o setup entra em cada um)
- Por que você não vai achar uma faixa de preço confiável de setup
- O que de fato move o preço do setup
- Quem executa o setup muda o preço justo
- Bis in idem: quando o setup cobra de novo o que o fee já paga
- O que exigir no contrato do setup, item a item
- Titularidade: pagar pela marca não transfere o direito autoral
- Registro no INPI: a linha que quase nenhuma proposta de "setup de marca" inclui
- Trocar de nome com o Perfil da Empresa no Google já verificado
- O que o Conselho Federal de Odontologia restringe na peça criativa
- O setup termina, a leitura de performance ainda não começou
- Prazo, rescisão e o teto de quatro anos
- Como comparar propostas quando cada agência empacota o setup de um jeito
- E se a clínica já tem marca pronta?
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"É normal a agência cobrar uma taxa de setup separada pra criar a marca e a identidade visual, além do fee mensal de gestão de tráfego?"
É normal, sim. E na maior parte dos casos é mais honesto do que a alternativa.
A alternativa é a agência embutir o trabalho de implantação no fee mensal e recuperar o custo alongando o contrato. Você paga do mesmo jeito, só não enxerga onde.
Mas tem um detalhe que muda a conversa: a discussão certa não é "cobra ou não cobra". É o que exatamente está dentro dessa cobrança, com nome, prazo e dono do arquivo no fim.
Setup com escopo vago é o item de proposta que mais gera briga no terceiro mês. Setup com escopo escrito é o item que mais acelera a operação.
Neste guia você vai ver:
- Tudo que cabe dentro da palavra "setup" antes do primeiro anúncio no ar
- Por que trabalho não recorrente e trabalho recorrente são cobranças diferentes
- Os modelos de remuneração de agência e onde o setup entra em cada um
- Como identificar cobrança em duplicidade entre setup e fee mensal
- O que exigir no contrato: entregáveis, prazo, cessão de direitos e o registro no INPI
O que a agência chama de "setup"
"Setup" é um guarda-chuva. Antes de discutir preço, force a agência a abrir a sigla.
Na prática, ele costuma reunir tudo que acontece antes do primeiro anúncio no ar:
- Contas e acessos: conta de anúncio no Google e no Meta, gerenciador de negócios, verificação de domínio, permissões nomeadas.
- Medição: pixel, tag de conversão, GA4, integração de eventos, marcação de origem do lead até o agendamento.
- Pesquisa: palavras-chave, termos de busca do seu nicho, análise de praça, mapeamento de oferta.
- Estrutura de campanha: arquitetura de campanhas, grupos, públicos, orçamento por objetivo, primeiras variações de anúncio.
- Marca: naming quando é o caso, logo, paleta, tipografia, aplicações, tom de voz e manual de marca.
- Base de conversão: landing page ou destino, fluxo de WhatsApp, script de atendimento inicial.
Repare que isso é um projeto, não um mês de trabalho. Tem começo, meio e fim.
E é justamente por ter fim que ele não cabe bem dentro de uma mensalidade.
Lembre: setup não é "a taxa de entrada". É um projeto com entregáveis nomeados. Se a proposta não lista o entregável, ela não vendeu um projeto, vendeu uma palavra.
Por que setup e fee mensal são duas cobranças diferentes
A separação tem uma lógica econômica simples: trabalho que acontece uma vez não pode ser precificado como trabalho que se repete todo mês.
O manual de marca é feito uma vez. A tag de conversão é instalada uma vez. A gestão da campanha acontece todo dia.
Se a agência jogar o projeto inteiro dentro do fee, ela precisa de contrato longo para não trabalhar no prejuízo nos primeiros meses. Aí o prazo mínimo deixa de ser uma escolha estratégica sua e vira uma necessidade de caixa dela.
A base legal para separar é direta. O Código Civil, no art. 594, estabelece que "toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, pode ser contratada mediante retribuição" (Planalto).
Ou seja: implantação e gestão continuada são dois serviços. Nada impede que cada um tenha a sua retribuição, desde que ambos estejam descritos no contrato.
O que a lei não conserta é escopo mal escrito.
Os modelos de remuneração de agência (e onde o setup entra em cada um)
Antes de julgar a proposta na sua mesa, entenda qual modelo ela está usando. Cada um trata o setup de um jeito.
| Modelo | Como cobra | Onde o setup entra | Risco pra clínica |
|---|---|---|---|
| Fee fixo mensal | Valor fechado por mês | Cobrado à parte, no início | Escopo mensal vago faz o fee virar caixa-preta |
| Por hora / timesheet | Horas apontadas | Diluído nas horas do projeto inicial | Conta imprevisível e difícil de auditar |
| Por projeto / entregável | Preço por entrega nomeada | É o próprio modelo do setup | Sem gestão contínua depois da entrega |
| Percentual sobre a mídia | Fatia da verba de anúncio | Cobrado à parte, porque não há mídia ainda | Incentiva subir verba, não subir eficiência |
| Success fee | Pagamento atrelado a resultado | Setup costuma ser pré-requisito e cobrado antes | Definição frouxa de "resultado" |
| Híbrido | Fee menor mais variável | Setup separado, fee reduzido | Contrato complexo, mais pontos de atrito |
Repare no padrão: em quase todos os modelos o setup aparece fora do recorrente. Não porque a agência quer cobrar mais, mas porque não existe base de cálculo recorrente para um trabalho que não se repete.
O modelo de percentual sobre a mídia é o caso mais evidente. No mês zero não há verba rodando, então não há de onde tirar a remuneração do trabalho que faz a verba começar a rodar.
Por que você não vai achar uma faixa de preço confiável de setup
Aqui entra a parte que ninguém gosta de dizer.
Você vai encontrar dezenas de páginas com "quanto custa setup de tráfego", "quanto custa uma identidade visual completa" e "quanto reservar do faturamento para marketing". Todas publicadas por quem vende o serviço.
Não existe, hoje, levantamento neutro e auditável de preço de setup de agência no Brasil. Sem instituto, sem amostra declarada, sem metodologia aberta.
Isso tem duas consequências práticas pra você:
- Toda faixa de preço que circula é material comercial, não referência de mercado. Ela foi escolhida para posicionar quem publicou, não para te orientar.
- A regra de bolso do percentual do faturamento também não tem estudo por trás. Ela aparece repetida em página de agência porque é conveniente, não porque foi medida.
Então não negocie contra uma tabela imaginária. Negocie contra escopo.
O que fazer no lugar: peça a mesma lista de entregáveis para todas as agências e compare o custo total do primeiro ano (setup mais doze meses de fee), com escopo idêntico. Essa conta você consegue auditar. A tabela de mercado, não.
O que de fato move o preço do setup
Preço de setup varia muito, e por motivos concretos. Vale saber quais são para negociar o que interessa.
- Escopo real. Marca do zero com naming e manual custa diferente de adaptar uma marca existente. Medição de e-commerce custa diferente de medição de lead.
- Senioridade de quem executa. Estrategista sênior conduzindo pesquisa e posicionamento é outro custo, e outro resultado, comparado a um júnior aplicando template.
- Verba de mídia sob gestão. Conta que vai rodar verba alta exige arquitetura de campanha mais elaborada e governança de conversão mais rígida desde o primeiro dia.
- Praça e concorrência. Cidade com muita clínica disputando os mesmos termos exige pesquisa e diferenciação mais profundas.
- Número de unidades. Cada unidade multiplica perfil no Google, extensão de local, segmentação e leitura de resultado por praça.
O que não move o preço legitimamente: "é o nosso padrão", "todo mundo cobra assim" e "o valor da nossa marca". Isso é âncora de negociação, não custo.
Quem executa o setup muda o preço justo
Essa é a pergunta que quase nenhum dono faz, e que explica boa parte da diferença entre duas propostas parecidas.
O setup pode ser feito por três arranjos diferentes:
- Time próprio da agência. Custo maior, continuidade melhor: quem desenhou a marca está lá quando a campanha precisar de variação nova.
- Freelancer contratado pontualmente. Custo menor, risco de descontinuidade: o arquivo editável e o racional da marca podem sair junto com o freelancer.
- Outra agência em regime de terceirização. Você paga a margem de dois intermediários e fala com quem não executa.
Nenhum dos três é errado por natureza. O que é errado é você não saber qual está comprando.
Pergunte por escrito: quem executa cada entregável do setup, se é interno ou terceirizado, e quem responde pelo retrabalho. A resposta muda o preço justo e muda o risco.
Bis in idem: quando o setup cobra de novo o que o fee já paga
Agora a parte que dói no bolso.
Bis in idem, aqui, é cobrar duas vezes pelo mesmo fato gerador. Acontece com frequência quando o escopo do setup e o escopo do fee não são escritos lado a lado.
Os pontos de sobreposição mais comuns:
| Entrega | Cabe no setup | Cabe no fee mensal | Sinal de cobrança dupla |
|---|---|---|---|
| Manual de marca | Sim, uma vez | Não | Aparecer como "gestão de marca" recorrente sem entrega nova |
| Instalação de pixel e tags | Sim, uma vez | Não | "Manutenção de tracking" cobrada sem mudança de plataforma |
| Criativos iniciais | Sim, um lote nomeado | Sim, os novos do mês | Setup diz "criativos" sem quantidade e o fee cobra os mesmos |
| Estrutura de campanha | Sim, a arquitetura inicial | Sim, a otimização contínua | Setup vender "otimização", que é por definição recorrente |
| Landing page | Sim, a construção | Sim, testes e ajustes | Setup cobrar a página e o fee cobrar a mesma página de novo |
| Relatório | Não | Sim | Setup listar "relatório mensal" como entregável |
A regra de leitura é simples: se o item se repete todo mês, ele é fee. Se ele acontece uma vez e termina, ele é setup. Item que aparece nos dois lados sem quantidade definida é o que você precisa questionar antes de assinar.
Esse é o momento de perguntar em voz alta: "o que exatamente eu recebo no mês 2 que eu não recebi no setup?"
O que exigir no contrato do setup, item a item
Setup bem contratado cabe em uma página. Exija estes pontos:
- Lista nominal de entregáveis, com quantidade. Não "criativos", e sim quantas peças, em quais formatos.
- Prazo de cada entrega e prazo total do setup, com data de encerramento explícita.
- O que acontece se atrasar: desconto proporcional no fee, suspensão do início da cobrança mensal ou multa. Sem cláusula, atraso não tem consequência.
- Dependências suas. Prazo de agência costuma parar quando falta aprovação sua. Deixe claro o que você precisa fornecer e em quanto tempo.
- Rodadas de revisão incluídas e o custo da rodada extra.
- Formato de entrega dos arquivos: editáveis, não só PDF e PNG.
- Cláusula de cessão de direitos (o próximo tópico explica por que ela é decisiva).
- Encerramento formal do setup: um termo de aceite, que é o gatilho para começar o fee mensal.
Para montar a lista de entregáveis de marca sem esquecer nada, use o checklist de entregáveis de um projeto de branding.
Titularidade: pagar pela marca não transfere o direito autoral
Este é o erro mais caro e o mais silencioso.
Você paga o setup, aprova o logo, usa a marca por dois anos. Troca de agência. E descobre que os arquivos editáveis não são seus.
A Lei nº 9.610/1998, no art. 50, é explícita: "a cessão total ou parcial dos direitos de autor, que se fará sempre por escrito, presume-se onerosa" (Câmara dos Deputados).
Traduzindo pro seu contrato: pagamento não é cessão. Sem instrumento escrito, o que você comprou foi o serviço e o uso, não a titularidade da criação.
O que a cláusula precisa dizer:
- Cessão total e definitiva dos direitos patrimoniais sobre as criações do setup.
- Sem limite de prazo, território ou modalidade de uso.
- Lista dos arquivos-fonte que serão entregues, com formato.
- Direito de modificar a criação sem autorização adicional, inclusive por terceiros.
Se essa cláusula não existir, negocie antes de assinar. Depois do desgaste com a agência, o assunto vira disputa. Veja o que fazer quando a coisa já azedou em a agência não entrega os arquivos de marca ao final do contrato.
Registro no INPI: a linha que quase nenhuma proposta de "setup de marca" inclui
Criar a marca e registrar a marca são coisas diferentes. Muita proposta de setup entrega a primeira e deixa a segunda em silêncio.
O serviço oficial do Governo Federal para registro de marca informa taxa de R$ 880,00 (sem desconto) ou R$ 440,00 (com desconto) para pedido com especificação pré-aprovada, e R$ 1.720,00 ou R$ 860,00 para especificação de livre preenchimento (valores consultados em setembro de 2026, gov.br).
O prazo é a parte que mais surpreende. O mesmo serviço estima até 22 meses para a prestação, detalhando 18 meses para pedidos sem oposição e 22 meses para pedidos com oposição (estimativa vigente na consulta de setembro de 2026, gov.br).
O que isso significa na prática pra você:
- A taxa oficial é uma ordem de grandeza modesta perto do custo criativo. Não incluir isso no setup é escolha, não impossibilidade.
- O relógio do registro é longo. Quanto antes o pedido entra, antes ele termina.
- Fazer o logo primeiro e checar a disponibilidade depois é inverter a ordem, e o retrabalho sai caro.
Uma ressalva importante sobre em nome de quem o pedido é feito: o titular deve ser a sua pessoa jurídica, não a agência. Se a proposta sugerir o contrário, leia a agência pode registrar a marca da minha clínica no INPI em nome dela.
Trocar de nome com o Perfil da Empresa no Google já verificado
Setup de marca com mudança de nome tem um efeito operacional que raramente aparece na proposta.
Se a sua clínica já tem Perfil da Empresa no Google verificado, alterar o nome do negócio pode disparar uma nova verificação. Enquanto isso acontece, o perfil pode ficar com edições pendentes de revisão.
Não é motivo para não mudar de nome. É motivo para planejar a janela.
O que combinar com a agência antes de aprovar um rebranding:
- Quem executa a alteração do perfil e acompanha a revisão.
- O que fica no ar durante a transição (nome antigo, placa, site, anúncios).
- O plano para as avaliações e o histórico do perfil, que são um ativo que você levou anos para construir.
- A ordem: mudar o perfil no meio de uma campanha ativa, sem aviso, é como trocar a fachada com a porta aberta.
O que o Conselho Federal de Odontologia restringe na peça criativa
Marca de clínica odontológica não é marca de varejo. A comunicação da sua clínica está sujeita às regras de publicidade do Conselho Federal de Odontologia, e isso muda o escopo do trabalho de marca.
Na prática, o criativo odontológico opera dentro de limites que o designer generalista costuma desconhecer: promessa de resultado, sensacionalismo, uso de imagem de paciente e concorrência de preços entram no radar ético.
Isso tem efeito direto no setup que você está contratando:
- O manual de marca precisa de uma seção de compliance, não só de paleta e tipografia.
- A aprovação do responsável técnico entra no fluxo de criação, o que adiciona uma etapa e um prazo.
- Agência que nunca operou em odonto vai descobrir essas restrições no retrabalho, e o retrabalho aparece no cronograma.
Peça exemplos de peças já aprovadas em odontologia. É o teste mais barato de saber se a agência conhece o terreno.
O setup termina, a leitura de performance ainda não começou
Aqui mora a expectativa que mais gera conflito no mês 2.
O setup acaba no dia em que a campanha sobe. Mas campanha nova passa por um período de aprendizado da estratégia de lances, em que o sistema ainda está calibrando entrega e público. Ler performance nesse intervalo produz decisão ruim, não diagnóstico.
Combine duas datas diferentes no contrato:
- Data de encerramento do setup (termo de aceite dos entregáveis).
- Data da primeira leitura formal de performance, depois do aprendizado.
E defina desde já o que vai ser lido. Custo por lead sozinho não decide nada: ele é o começo do funil, não o fim.
Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, o lead de clínica odontológica custa de R$ 12 a R$ 14 no Meta Ads. Base: cerca de 94,6 mil leads, 36 meses. Janela: agosto de 2023 a agosto de 2026. Dados internos da Odonto Results.
Só que o número que decide é o degrau seguinte. Ainda nos dados internos da Odonto Results, 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa de 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
É por isso que a medição precisa estar pronta no setup, e não "depois que estabilizar". Se a tag, o evento de agendamento e a origem do lead não foram amarrados antes do primeiro anúncio, você vai discutir CPL por meses sem saber quantos pacientes chegaram na cadeira.
Lembre: o entregável mais valioso do setup não é o logo. É a capacidade de saber, no mês 3, quanto custou cada paciente que compareceu.
Prazo, rescisão e o teto de quatro anos
Contrato com setup pesado quase sempre vem com prazo mínimo. A justificativa é razoável: a agência investiu antes de faturar o recorrente.
Razoável não significa aceitar qualquer prazo. Negocie três pontos:
- A relação entre o setup e o prazo. Se você paga o setup integral, o argumento de "preciso de contrato longo para recuperar o investimento" perde força. Aponte isso.
- A multa proporcional ao tempo restante, não fixa. Sair no penúltimo mês não pode custar o mesmo que sair no segundo.
- O aviso prévio, com prazo e forma escritos, e a lista do que a agência entrega no desligamento (acessos, arquivos, históricos).
Existe um limite duro que muita gente ignora. O Código Civil, no art. 598, determina que "a prestação de serviço não se poderá convencionar por mais de quatro anos", e que decorrido esse prazo o contrato se dá por findo ainda que a obra não esteja concluída (Planalto).
É teto, não referência. Nenhum contrato de agência deveria chegar perto disso.
Como comparar propostas quando cada agência empacota o setup de um jeito
Duas propostas, dois pacotes diferentes, e a sensação de comparar laranja com maçã. Veja como resolver.
Normalize antes de comparar. Monte uma tabela sua, com as suas linhas, e obrigue as propostas a preencherem:
| Linha da sua tabela | Agência A | Agência B |
|---|---|---|
| Valor do setup | ||
| Entregáveis de marca (nomeados e quantificados) | ||
| Entregáveis de medição (tag, evento, GA4, CRM) | ||
| Prazo do setup e consequência do atraso | ||
| Cessão de direitos por escrito | ||
| Registro no INPI incluso | ||
| Fee mensal e escopo mensal | ||
| Verba de mídia mínima exigida | ||
| Prazo mínimo e multa de rescisão | ||
| Custo total do primeiro ano |
A última linha é a que decide. Setup baixo com fee alto e prazo longo pode custar mais que setup alto com fee menor.
O que costuma faltar no pacote mais barato: pesquisa de praça, arquitetura de medição até o agendamento, arquivos editáveis, cessão escrita e senioridade na condução. O barato entrega o artefato visível e omite a estrutura invisível, que é justamente a que sustenta os doze meses seguintes.
Exemplo hipotético, só para ilustrar a aritmética da normalização (números inventados): um setup de R$ 10.000 diluído em 12 meses adiciona cerca de R$ 833 por mês à sua conta. Uma proposta sem setup e com fee R$ 1.000 mais caro sai igual no primeiro ano, e mais cara a partir do décimo terceiro mês. É essa conta que precisa aparecer, não o número da primeira página.
Para aprofundar o método de comparação, veja como comparar duas propostas de agência de verdade.
E se a clínica já tem marca pronta?
Se você já tem logo, manual e aplicações, o setup deve encolher. E o preço junto.
O que continua sendo trabalho legítimo mesmo com marca pronta:
- Auditoria e adaptação da marca para performance. Logo feito para fachada nem sempre funciona em anúncio de feed, story e display.
- Sistema de peças de campanha: modelos, grade, hierarquia de mensagem, versões por tratamento.
- Toda a camada técnica: contas, medição, estrutura, pesquisa e destino de conversão.
Como negociar isso sem desgaste:
- Envie o que você já tem antes da proposta, não depois. Agência que só descobre no mês 1 já precificou o trabalho completo.
- Peça a proposta com o bloco de marca separado, com preço próprio. Aí você remove a linha inteira, ou reduz para "adaptação".
- Não aceite desconto genérico. Peça a retirada do item. Desconto percentual sobre um escopo que caiu pela metade continua sendo cobrança a mais.
Se a agência insistir em refazer a marca inteira sem argumento técnico, você está diante de um upsell, não de uma necessidade.
Seu próximo passo
- Abra o setup da proposta que está na sua mesa. Escreva ao lado de cada linha se ela acontece uma vez ou se repete todo mês. O que se repete é fee, não setup, e precisa sair de lá.
- Exija as três cláusulas que ninguém pede: cessão total e escrita de direitos com arquivos editáveis, prazo do setup com consequência para o atraso, e a definição de quem executa cada entregável.
- Amarre a medição antes do primeiro anúncio. Tag, evento de agendamento e origem do lead marcados no setup são o que permite, no mês 3, discutir paciente na cadeira em vez de discutir custo por clique.
Quer uma leitura direta de qual parte do seu setup é investimento e qual parte é cobrança duplicada? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
Taxa de setup separada do fee mensal é cobrança abusiva?
Não por si só. Setup remunera trabalho que acontece uma vez (marca, contas, medição, estrutura inicial de campanha) e o fee mensal remunera trabalho que se repete. O Código Civil, no art. 594, prevê que toda espécie de serviço lícito, material ou imaterial, pode ser contratada mediante retribuição, o que sustenta remunerar implantação e gestão continuada de forma separada. Abusivo é o setup sem escopo escrito, sem entregável nomeado e sem prazo.
Como sei se o setup está cobrando de novo o que o fee mensal já paga?
Peça as duas listas de escopo lado a lado e marque toda linha que aparece nas duas. Se criação de criativo, relatório mensal, ajuste de campanha ou gestão de perfil aparecem no setup e também no fee, você está pagando duas vezes pela mesma entrega. Setup legítimo termina: tem data de encerramento e entregável final.
O registro da marca no INPI está incluso no setup de marca?
Quase nunca, e é a pergunta a fazer antes de assinar. O serviço oficial do Governo Federal informa taxa de R$ 880,00 (sem desconto) ou R$ 440,00 (com desconto) para pedido com especificação pré-aprovada, e R$ 1.720,00 ou R$ 860,00 para especificação de livre preenchimento, com estimativa de até 22 meses para a prestação do serviço (consulta de setembro de 2026). Criar o logo e registrar a marca são coisas diferentes.
Pagar pelo logo me torna dono dele?
Não automaticamente. A Lei nº 9.610/1998, no art. 50, exige que a cessão de direitos de autor se faça sempre por escrito. Sem cláusula de cessão nomeando os arquivos, os formatos e os usos, você comprou o uso, não a titularidade. Peça cessão total, definitiva e sem limite de território ou de prazo, mais a entrega dos arquivos editáveis.
Existe uma faixa de preço de referência para setup de marca no Brasil?
Não existe faixa neutra publicada. Todos os números que circulam vêm de páginas de agências que vendem o serviço, o que não é fonte independente. Compare propostas pelo escopo item a item e pelo custo total do primeiro ano, não por uma tabela de mercado que ninguém audita.
Quanto tempo depois do setup dá pra cobrar resultado?
Campanha nova passa por um período de aprendizado das estratégias de lance antes de qualquer leitura confiável de performance, e a marca nova precisa de volume acumulado para gerar sinal. Combine no contrato uma data de encerramento do setup e uma data de primeira leitura formal de performance, separadas, para não brigar sobre expectativa depois.