Tenho duas propostas de agência na mesa: como comparo de verdade, em vez de olhar só o preço da mensalidade?
Duas propostas de agência lado a lado, mensalidades diferentes, e você quase decide pelo menor número. Erro caro. O preço do fee não é o custo: o custo é por paciente que comparece e fecha. Veja como comparar escopo, métrica de sucesso, propriedade dos ativos, garantia e contrato numa matriz ponderada que decide pelo que importa.
Compare as duas propostas pelo custo total de 12 meses e pela métrica de sucesso, não pela mensalidade: some fee, verba, setup, criativo e ferramentas, confira se a proposta promete paciente agendado (não número de posts) e se os ativos ficam com você. O menor fee costuma esconder o maior custo por paciente.
- A mensalidade isolada engana porque o que paga a clínica é o custo por paciente que comparece, não o fee: some o custo total de 12 meses (fee, verba, setup, criativo, ferramentas, multa) e divida pelo número de pacientes que cada proposta projeta gerar.
- Exija que a proposta defina sucesso como meta de negócio, não tarefa: nas clínicas atendidas pela Odonto Results, a IA responde o lead em mediana 4,4 segundos e 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial, então velocidade e cobertura 24h entram na comparação, não só o número de posts, dados internos da Odonto Results.
- Conformidade com o CFO é critério de eliminação: a Resolução CFO-196/2019 exige nome e número de inscrição no CRO em toda imagem e vídeo, veda imagens do "durante" do procedimento e só permite antes e depois pelo dentista que executou, com autorização escrita do paciente, segundo o Conselho Federal de Odontologia.
Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- Por que a mensalidade isolada engana
- O custo total de 12 meses: some tudo, não só o fee
- O que está dentro do fee e o que vira cobrança extra
- Modelos de cobrança: fee, projeto ou performance
- Escopo real: só posta nas redes ou cobre do anúncio ao agendamento?
- Como a proposta define sucesso: paciente agendado ou número de posts?
- Métricas que a proposta promete reportar: resultado ou vaidade?
- Cadência e formato de relatório: você enxerga o que está acontecendo?
- Diagnóstico personalizado ou proposta de copiar e colar?
- Cases e prova social de pares de verdade
- Especialização em odontologia ou generalista?
- Conformidade com o CFO: o critério de eliminação que ninguém olha
- Quem é o interlocutor e a equipe é própria ou terceirizada?
- Contrato: fidelidade, saída por desempenho e multa
- Propriedade dos ativos: você fica dono ou a agência retém?
- Garantia: reembolso sob condição ou promessa vazia?
- SLA: tempo de resposta a pedido urgente e a erro crítico
- Velocidade de resposta ao lead: o critério que decide o paciente
- Red flags: o que reprova uma proposta na hora
- A matriz de comparação: decida por critério, não por preço
- O passo que falta antes de decidir: a conversa de diagnóstico
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Tenho duas propostas de agência na mesa: como comparo de verdade, em vez de olhar só o preço da mensalidade?"
Você abriu os dois PDFs lado a lado. Um cobra mais, outro menos. E a tentação é circular o menor número e fechar.
Não faça isso.
A mensalidade é a parte mais visível e a menos importante da conta. Ela não diz quase nada sobre quanto cada paciente vai te custar no fim do mês.
O que paga a sua clínica não é o fee baixo. É o paciente que comprou, comparece e fecha. E a proposta mais barata, com frequência, é a que entrega o maior custo por paciente.
Este guia te dá a régua certa: como transformar duas propostas em números comparáveis, o que olhar além do preço e como decidir por critério, não por simpatia nem por desconto.
Neste guia você vai ver:
- Por que a mensalidade isolada engana e o que medir no lugar
- O custo total de 12 meses (e os custos escondidos que ninguém soma)
- Escopo, métrica de sucesso e relatório: o que separa proposta séria de slide bonito
- Conformidade com o CFO, propriedade dos ativos e contrato (os critérios de eliminação)
- A matriz de comparação ponderada que decide pelo que importa
Por que a mensalidade isolada engana
Comece pela armadilha mais comum. Olhar só o fee é como escolher carro pelo preço do tanque cheio: ignora o que de fato custa.
O fee é um custo de entrada. O custo que importa é o custo por paciente que comparece e fecha.
Pensa assim: uma proposta cobra um fee menor, mas gera lead barato e curioso que ninguém responde rápido. Outra cobra mais, mas entrega lead qualificado, respondido em segundos, com follow-up de orçamento em aberto. A segunda pode ter o fee maior e, ainda assim, o menor custo por paciente na cadeira.
A orientação vale pra qualquer fornecedor. O SEBRAE alerta que escolher só pelo preço prejudica qualidade, reputação e fidelização: avalie também qualidade, pontualidade, atendimento e os valores compartilhados.
Lembre: lead barato é a coisa mais cara que existe. O fee baixo que entrega curioso custa mais por paciente do que o fee alto que entrega quem está pronto pra fechar.
O custo total de 12 meses: some tudo, não só o fee
Antes de comparar, transforme cada proposta no número que importa: quanto você vai desembolsar em um ano inteiro, somando todas as peças.
A mensalidade é uma linha. Tem várias outras que decidem o custo real:
- Fee mensal recorrente (o número que você estava olhando).
- Verba de anúncio (o que vai pro Google e pro Meta, separado do fee).
- Taxa de setup ou onboarding (cobrança única de início).
- Custo de criativo (foto, vídeo, copy, novas variações).
- Ferramentas (CRM, call tracking, landing page, automação).
- Multa de cancelamento (o que você paga se sair antes do prazo).
Some os doze meses de cada uma e você vê a verdade. Uma proposta com fee menor e setup alto, criativo cobrado à parte e multa pesada pode custar mais no ano do que a "mais cara".
| Item de custo | Proposta A | Proposta B |
|---|---|---|
| Fee mensal x 12 | preencha | preencha |
| Verba de anúncio (12 meses) | preencha | preencha |
| Setup / onboarding (único) | preencha | preencha |
| Criativo (foto, vídeo, copy) | dentro do fee? extra? | dentro do fee? extra? |
| Ferramentas (CRM, LP, call tracking) | dentro do fee? extra? | dentro do fee? extra? |
| Multa de cancelamento | preencha | preencha |
| Custo total de 12 meses | soma | soma |
Preencha as duas colunas com os números de cada proposta. O total de 12 meses é o ponto de partida real da comparação, não a primeira linha.
O que está dentro do fee e o que vira cobrança extra
Esse é o ponto que mais gera surpresa no segundo mês. Duas propostas com o mesmo fee podem ter escopos completamente diferentes.
A pergunta a fazer por escrito, pra cada uma: o que está incluído e o que é cobrado à parte?
Itens que costumam virar extra (e detonar o orçamento de quem não perguntou):
- Estratégia e planejamento (algumas cobram o "diagnóstico" à parte).
- Criativo (foto, vídeo, copy, e principalmente novas variações por mês).
- Landing page (criar, otimizar, página nova por campanha).
- Relatório (algumas só entregam relatório robusto no plano de cima).
- Novos testes (testar ângulo novo, público novo, oferta nova).
Peça a lista do que está dentro de cada fee. Se a proposta é vaga ("acompanhamento completo", "gestão full"), exija o detalhamento. Vago na proposta vira fatura no mês seguinte.
Dica: monte uma checklist única e mande pras duas agências responderem item a item (incluído / extra / não fazemos). Comparar respostas no mesmo formato expõe na hora qual escopo é mais raso.
Modelos de cobrança: fee, projeto ou performance
As duas propostas podem nem cobrar do mesmo jeito. Entender o modelo evita comparar laranja com maçã.
Existem três modelos principais, e cada um encaixa numa situação:
- Fee mensal recorrente: valor fixo por mês pela gestão contínua. É o modelo padrão pra clínica que quer captação rodando o ano todo, com otimização constante. Previsível, mas exige acompanhar o que está sendo entregue.
- Projeto pontual: valor fechado por uma entrega específica (uma campanha, um site, um lançamento). Bom pra necessidade isolada, ruim pra quem precisa de fluxo contínuo de paciente.
- Performance (por lead ou por resultado): você paga atrelado ao resultado. Soa atraente, mas o diabo mora na definição: pagar "por lead" premia volume de lead barato, não paciente que fecha. Veja como cada modelo muda o incentivo em agência cobra por lead, resultado ou fixo: qual modelo escolher.
Pra clínica em crescimento que já fatura e quer previsibilidade, o fee recorrente com métrica de paciente costuma encaixar melhor que projeto solto ou performance por lead. O ponto não é o modelo em si, é o que ele te incentiva a otimizar.
Escopo real: só posta nas redes ou cobre do anúncio ao agendamento?
Aqui mora a diferença que mais pesa no resultado. Duas propostas podem dizer "marketing odontológico" e cobrir coisas radicalmente diferentes.
Pergunte: a proposta para na criação de conteúdo, ou vai até o paciente agendado?
Compare o escopo de cada uma neste espectro:
- Só presença: posta no Instagram, cuida das redes. Não gera paciente, gera audiência.
- Captação: roda anúncio no Google e no Meta, gera lead. Melhor, mas o lead ainda pode vazar.
- Captação + atendimento: gera lead E cobre a resposta (CRM, IA de atendimento, follow-up, confirmação). É aqui que o lead vira paciente.
A maior parte do dinheiro perdido em marketing odontológico não vaza no anúncio. Vaza entre o lead chegar e alguém responder. Uma proposta que para no "geramos leads" te deixa com o gargalo mais caro sem dono. Veja por que o lead não agenda a consulta.
Como a proposta define sucesso: paciente agendado ou número de posts?
Esse é o critério que separa uma agência que pensa no seu negócio de uma que pensa na própria entrega.
Leia com atenção como cada proposta define o que é "dar certo". Há dois mundos:
- Entrega de tarefa: "12 posts por mês", "X stories", "Y alcance". Mede o trabalho da agência, não o seu resultado.
- Meta de negócio: "X leads qualificados", "custo por agendamento abaixo de Y", "Z pacientes que compareceram". Mede o que paga a sua clínica.
A diferença é brutal. Uma agência que se compromete com número de posts entrega posts mesmo que nenhum paciente apareça. Uma que se compromete com paciente agendado tem o incentivo certo: o sucesso dela é o seu faturamento.
Lembre: se a proposta define sucesso por atividade (posts, alcance), o sucesso dela pode acontecer com a sua agenda vazia. Exija que sucesso seja definido por paciente que comparece.
Métricas que a proposta promete reportar: resultado ou vaidade?
Métrica revela prioridade. O que a agência promete medir é o que ela vai otimizar, e o que ela otimiza é o que você recebe.
Separe as métricas em duas categorias na hora de comparar:
| Métrica de resultado (cobre) | Métrica de vaidade (desconfie) |
|---|---|
| Lead qualificado | Alcance |
| CPL (custo por lead) | Curtidas |
| Custo por agendamento | Impressões |
| Comparecimento | Seguidores |
| Custo por paciente que fechou | Visualizações |
| ROI por paciente | Engajamento solto |
Uma proposta que destaca alcance, curtida e impressão está te vendendo vaidade. Bonito no slide, irrelevante no caixa. A proposta séria fala em lead qualificado, custo por agendamento, comparecimento e ROI por paciente. Aprenda a identificar métrica de vaidade no relatório da agência.
A régua final de qualquer agência é simples: ela traz paciente ou só lead? Veja como medir se a agência traz paciente ou só lead.
Cadência e formato de relatório: você enxerga o que está acontecendo?
Comparar propostas é também comparar transparência. Duas agências podem prometer "relatórios", mas com profundidade e frequência muito diferentes.
Confira em cada proposta:
- Cadência: relatório mensal? quinzenal? semanal? E quem apresenta, o gestor ou um e-mail automático?
- Formato: PDF estático ou painel ao vivo que você acessa quando quiser?
- Acesso ao dado bruto: você vê a conta de anúncio e o CRM por dentro, ou só o que a agência resolve mostrar?
Acesso a painel em tempo real é sinal de quem não tem o que esconder. Quem só manda PDF mensal controla a narrativa. Defina o que você quer acompanhar em dashboard de marketing da clínica: o que acompanhar.
Diagnóstico personalizado ou proposta de copiar e colar?
Aqui você descobre quem realmente ouviu a sua clínica. E o teste é fácil de aplicar.
Leia as duas propostas procurando sinais de personalização:
- Ela cita a sua especialidade, o seu ticket, a sua cidade, o seu concorrente?
- Ela aponta um gargalo específico do seu caso, ou fala de "clínicas odontológicas" em geral?
- O diagnóstico parece feito pra você, ou parece um template com o seu nome trocado no cabeçalho?
A proposta genérica é um sinal de alerta. Se a agência não se deu ao trabalho de entender a sua operação antes de fechar, ela não vai entender depois. A proposta que aponta o seu problema real (lead que vaza no atendimento, ticket que não escala, agenda que não comparece) é de quem pensou no seu negócio.
Cases e prova social de pares de verdade
Toda agência mostra case bonito. O seu trabalho é furar o slide.
Não basta "temos resultado". A pergunta é: resultado em clínica parecida com a minha?
Compare a prova de cada proposta por estes filtros:
- Mesma especialidade: implante prova implante, ortodontia prova ortodontia. Resultado de clareamento não prova nada sobre protocolo.
- Mesmo porte: quem só atendeu clínica pequena não tem como provar que escala a sua.
- Mesma realidade comercial: clínica que já fatura e quer romper o teto é outro jogo.
E vá além do print: peça o número por trás do case. Um antes e depois bonito não diz quantos pacientes fecharam. Pergunte de quantos leads, quantos compareceram, em quanto tempo. Case sem métrica é foto de um momento bom, não prova.
O sinal mais forte é o contato de referência: peça pra falar com um cliente atual da agência, da sua especialidade. Quem entrega de verdade não tem medo de te conectar.
Especialização em odontologia ou generalista?
Esse critério muda a curva de aprendizado. Uma agência que já fez dezenas de clínicas começa do quilômetro 50; a generalista começa do zero na sua conta.
Compare: a agência domina o vocabulário e as objeções do seu paciente, ou trata implante como se fosse e-commerce?
A especializada conhece o jogo: o ticket de cada procedimento, o ciclo de decisão do paciente de alto valor, as regras do CFO, o gargalo do atendimento. A generalista vai aprender tudo isso na sua verba. Veja a fundo em agência especializada em odontologia ou generalista.
Especialização não é só selo. É menos erro de iniciante pago com o seu dinheiro.
Conformidade com o CFO: o critério de eliminação que ninguém olha
Esse é o critério que reprova uma proposta na hora, e quase nenhum dentista confere antes de fechar. Uma agência que não conhece as normas do CFO pode te expor a processo ético.
A publicidade odontológica tem regra clara. Segundo a Resolução CFO-196/2019, do Conselho Federal de Odontologia, imagens de diagnóstico e de resultado de tratamento podem ser publicadas em redes sociais, mas com condições:
- Só pelo dentista que executou o procedimento.
- Com nome e número de inscrição no CRO na peça.
- Mediante autorização escrita do paciente.
- Imagens do "durante" o procedimento são vedadas.
E as normas éticas do CFO para redes sociais reforçam: em toda imagem e vídeo deve constar o nome do profissional e o número de inscrição no CRO; é vedado conteúdo com sensacionalismo, autopromoção, concorrência desleal ou mercantilização; e antes e depois só pelo dentista que realizou o procedimento, com consentimento formal do paciente.
Confira na proposta de cada agência:
- Ela menciona conformidade com o CFO ou trata isso como detalhe?
- Os criativos de exemplo trazem nome e CRO?
- Ela sabe a regra do antes e depois e do consentimento do paciente?
Uma agência que não cita o CFO numa proposta de saúde está te oferecendo risco junto com o serviço. Aprofunde em o que o CFO permite e proíbe no marketing odontológico e em se pode usar antes e depois nos anúncios.
Lembre: consulte sempre o seu CRO e o seu jurídico. Conformidade com o CFO não é diferencial de marketing, é condição de existência da campanha. Uma proposta que ignora isso já te custou antes de começar.
Quem é o interlocutor e a equipe é própria ou terceirizada?
Você não contrata uma logo. Contrata as pessoas que vão tocar a sua conta. E isso muda entre as duas propostas.
Pergunte, pra cada uma:
- Quem é o interlocutor direto? Você fala com o gestor que opera, ou com um atendimento que repassa recado?
- Qual a periodicidade das reuniões de alinhamento? Tem call de estratégia ou só relatório por e-mail?
- A operação é própria ou terceirizada? Tráfego, criativo e atendimento são da casa, ou subcontratados (o que dilui responsabilidade e atrasa)?
Equipe própria responde mais rápido e tem o jogo inteiro na mão. Operação terceirizada vira telefone sem fio: erro demora a achar dono. Avalie o time que vai cuidar da sua conta em quem da agência vai tocar minha conta.
Contrato: fidelidade, saída por desempenho e multa
A proposta vende o sonho. O contrato define a realidade. Leia as duas cláusulas a cláusula antes de assinar.
Compare estes pontos de contrato lado a lado:
- Prazo de fidelidade: 12 meses travados ou possibilidade de saída? Veja o trade-off em contrato de 12 meses com agência.
- Cláusula de saída por desempenho: se a agência não bater o combinado, você consegue sair sem multa? Essa cláusula separa quem confia na entrega de quem te prende.
- Multa de cancelamento: quanto custa sair? Multa pesada é a forma de uma agência te manter mesmo entregando mal.
Contrato bom protege os dois lados. Contrato que só prende você, com fidelidade longa e multa alta sem cláusula de desempenho, é sinal de quem aposta em te segurar, não em te entregar resultado.
Propriedade dos ativos: você fica dono ou a agência retém?
Esse é o critério que mais gente esquece e mais dói quando dá errado. Quem é o dono da conta de anúncio, do pixel, dos criativos e dos dados?
A resposta certa é: você.
Confira em cada proposta o destino destes ativos:
- Conta de anúncio: deve estar no seu Business Manager, não no da agência.
- Pixel e tags de rastreamento: no seu domínio, medindo o seu histórico.
- Criativos: as peças que você pagou pra produzir são suas.
- Dados e leads: a base de contatos é patrimônio da clínica.
Se a agência retém tudo, você fica refém. No dia que quiser trocar, perde o histórico de aprendizado, o pixel maduro e a base que custou caro pra construir, e recomeça do zero com o próximo. Coloque a propriedade dos ativos no contrato. Veja a conta de anúncios e o pixel ficam comigo.
Garantia: reembolso sob condição ou promessa vazia?
Garantia numa proposta soa bem. Mas há dois tipos, e só um vale algo.
Garantia séria é reembolso sob condição clara e auditável. A clínica paga normalmente e recebe de volta se uma condição combinada não bater (por exemplo, se um indicador acordado não for atingido no período). É um compromisso real porque tem dinheiro em jogo dos dois lados.
Promessa vazia é "primeira página garantida", "agenda cheia em 30 dias", "resultado garantido". Ninguém controla o algoritmo do Google nem a decisão do paciente. Quem garante o que não controla está vendendo palco, não método.
Na hora de comparar, leia a garantia de cada proposta procurando a condição. Se houver condição clara e reembolso, é compromisso. Se for só adjetivo ("garantimos resultado"), é marketing. Entenda a diferença em garantia de resultado em marketing odontológico existe.
Lembre: garantia é a clínica pagar e receber de volta sob uma condição combinada, nunca "você não paga". Promessa de resultado sem condição auditável é red flag, não diferencial.
SLA: tempo de resposta a pedido urgente e a erro crítico
A proposta diz como será no dia bom. O SLA diz como será no dia ruim. E o dia ruim chega.
Pergunte, pra cada agência:
- Tempo de resposta a pedido urgente: se você precisar pausar uma campanha ou ajustar uma oferta hoje, em quanto tempo respondem?
- Tempo de correção de erro crítico: se o anúncio sair errado, a campanha parar de entregar ou o rastreamento quebrar, qual o prazo pra consertar?
- Canal e horário: existe um responsável acessível ou só um e-mail genérico?
Uma agência sem SLA definido te deixa no escuro justo na hora do problema. Velocidade de resposta importa pra você tanto quanto importa pro seu paciente. Que nos leva ao critério mais subestimado de todos.
Velocidade de resposta ao lead: o critério que decide o paciente
A maioria das propostas vende anúncio. Quase nenhuma vende o que de fato fecha o paciente: a velocidade da primeira resposta.
E os números explicam por quê.
Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, a IA de atendimento responde o lead em mediana 4,4 segundos, com 98,5% das respostas em até 60 segundos, dados internos da Odonto Results. O paciente que pesquisa manda mensagem pra mais de uma clínica. Quem responde primeiro larga na frente.
E ele decide fora de hora. Ainda nos dados internos da Odonto Results, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial (segunda a sexta, 8h às 18h) e 19,4% no fim de semana. Se a proposta da agência não cobre resposta rápida e cobertura 24h, o lead que chega à noite evapora.
O impacto disso aparece no funil. No recorte do WhatsApp e IA in-channel da base de clínicas atendidas pela Odonto Results, a mediana de quem responde e vira agendamento é cerca de 23%, e a de lead que vira agendamento dentro do canal fica em torno de 12%, com o funil completo (IA mais equipe com ligação) levando lead a agendamento na faixa de 20% a 40%, dados internos da Odonto Results.
Quando você comparar as duas propostas, confira se alguma sequer menciona velocidade de resposta e atendimento. A que cobre o anúncio mas larga o lead no WhatsApp da secretária está te entregando o gargalo mais caro sem solução.
Red flags: o que reprova uma proposta na hora
Antes da matriz, varra as duas propostas atrás de sinais de alerta. Um red flag forte elimina a agência antes de qualquer nota.
Os mais comuns:
- Garantia irreal: "primeira página garantida", "agenda cheia em 30 dias", "resultado garantido" sem condição.
- Erro de português e descuido na própria proposta (se erram no documento de venda, erram no seu criativo).
- Linguagem vaga: "acompanhamento completo", "solução full", "estratégia personalizada" sem nada concreto por baixo.
- Pressão pra fechar: "essa condição é só hoje", desconto relâmpago, urgência fabricada.
- Foco em vaidade: a proposta inteira fala de alcance, seguidor e engajamento, nenhuma palavra sobre paciente.
- Silêncio sobre o CFO numa proposta de saúde.
- Retenção dos ativos (conta, pixel, dados ficam com a agência).
Veja a lista completa em red flags na proposta de agência de marketing. Um red flag isolado pede conversa. Vários juntos reprovam.
A matriz de comparação: decida por critério, não por preço
Agora você junta tudo num só lugar e decide com método. A matriz tira a decisão da simpatia do vendedor e do número menor, e coloca no que importa.
Funciona em três passos:
- Liste os critérios que importam pra sua clínica (use a tabela abaixo como base).
- Dê um peso a cada um (de 1 a 3, conforme o quanto pesa na sua realidade).
- Dê uma nota de 1 a 5 pra cada agência em cada critério, multiplique pelo peso e some.
| Critério | Peso (1-3) | Proposta A (1-5) | Proposta B (1-5) |
|---|---|---|---|
| Custo total de 12 meses | preencha | nota | nota |
| Escopo (do anúncio ao agendamento) | preencha | nota | nota |
| Métrica de sucesso (negócio, não tarefa) | preencha | nota | nota |
| Velocidade de resposta ao lead | preencha | nota | nota |
| Relatório e acesso ao painel | preencha | nota | nota |
| Diagnóstico personalizado | preencha | nota | nota |
| Prova de pares (mesma especialidade) | preencha | nota | nota |
| Especialização em odontologia | preencha | nota | nota |
| Conformidade com o CFO | preencha | nota | nota |
| Propriedade dos ativos | preencha | nota | nota |
| Contrato (saída e multa) | preencha | nota | nota |
| Garantia (condição auditável) | preencha | nota | nota |
| Total ponderado | soma | soma |
A nota ponderada decide. Se uma proposta ganha em preço mas perde em métrica, escopo e propriedade dos ativos, a matriz mostra na hora que o "barato" sai caro. Use o guia completo em como escolher agência de marketing odontológico.
O passo que falta antes de decidir: a conversa de diagnóstico
Não decida só no papel. Antes da assinatura, faça as duas finalistas mostrarem o jogo.
Marque uma conversa de diagnóstico sem custo com cada uma. Nessa conversa, repare:
- Ela faz perguntas sobre o seu negócio (faturamento, ticket, gargalo) antes de pitchar?
- Ela aponta um problema real seu, ou só fala das soluções dela?
- Ela aceita te mostrar um painel ou CRM de demonstração, pra você ver como acompanharia o resultado?
A conversa de diagnóstico é onde a proposta de papel encontra a realidade. A agência que ouve, diagnostica e mostra o painel antes de fechar é a que vai operar assim depois. A que só apresenta slide e empurra contrato vai operar assim depois também.
Seu próximo passo
- Transforme as duas propostas em números comparáveis. Some o custo total de 12 meses de cada uma (fee, verba, setup, criativo, ferramentas, multa) e, se houver projeção, calcule o custo por paciente projetado. O menor fee quase nunca é o menor custo por paciente.
- Aplique a matriz ponderada e os critérios de eliminação. Dê nota de 1 a 5 por critério, reprove qualquer proposta com red flag forte (garantia irreal, silêncio sobre o CFO, retenção dos ativos) e deixe a nota ponderada decidir, não a simpatia.
- Faça a conversa de diagnóstico com as duas finalistas. Peça acesso a um painel ou CRM de demonstração e veja qual ouve a sua clínica antes de vender. A que diagnostica é a que entrega.
Quer comparar a sua proposta atual com uma régua que mede paciente na cadeira, não número de posts? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
Por que não posso decidir só pela mensalidade mais baixa?
Porque o fee é uma parte pequena do custo. O custo real é por paciente que comparece e fecha, e ele depende de verba, qualidade do atendimento e do funil inteiro. Uma proposta com fee menor que gera lead barato e curioso costuma sair mais cara por paciente do que uma com fee maior que entrega paciente pronto.
O que precisa estar incluído no fee e o que costuma virar cobrança extra?
Peça por escrito o que está dentro: estratégia, criativo (foto, vídeo, copy), landing page, relatório, novas variações e novos testes. O que vira extra com frequência é produção de criativo, página nova, integração de CRM e ferramentas. Sem isso explícito, o fee baixo vira surpresa no segundo mês.
Como sei se a proposta promete resultado de negócio ou só tarefa?
Leia como ela define sucesso. Se a meta é número de posts, alcance ou impressões, é entrega de tarefa. Se a meta é lead qualificado, custo por agendamento, comparecimento e paciente que fechou, é resultado de negócio. Só a segunda paga a clínica.
Os ativos (conta de anúncio, pixel, criativos, dados) ficam comigo ou com a agência?
Devem ficar com você. Conta de anúncio no seu Business Manager, pixel no seu domínio, criativos e dados de sua propriedade. Se a agência retém tudo, você fica refém: ao trocar, perde histórico, aprendizado e a base que custou caro pra construir. Coloque a propriedade no contrato.
Garantia de resultado numa proposta é bom sinal?
Depende de como funciona. Garantia séria é reembolso sob condição clara e auditável (a clínica paga e recebe de volta se a condição combinada não bater). Promessa de "primeira página garantida" ou "agenda cheia em 30 dias" é red flag: ninguém controla o algoritmo nem a decisão do paciente.
Como comparo duas propostas sem me deixar levar pela simpatia?
Monte uma matriz com critérios ponderados (escopo, métrica de sucesso, prova de pares, conformidade CFO, propriedade dos ativos, contrato) e dê nota de 1 a 5 pra cada agência em cada critério. A nota ponderada decide, não o vendedor mais simpático nem o número menor.