Escolher Agência

Agência oferece um brand sprint de uma semana pra definir toda a marca da clínica: funciona ou é raso demais pra uma decisão que dura anos?

O brand sprint nasceu como sessão de alinhamento, não como entrega final de identidade. Ele funciona pra decidir posicionamento, público e personalidade com o dono na sala. Fica raso quando a agência vende a semana como marca pronta, sem naming verificado, sem registro no INPI e sem aplicação clínica. Veja o que cabe na semana, o que fica de fora e como contratar.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 6 de setembro de 2026 · 19 min de leitura
TL;DR

Funciona como diagnóstico e alinhamento, não como identidade final: a semana decide posicionamento, público e personalidade com o dono presente, mas nome verificado, registro de marca e aplicação na clínica seguem depois, num prazo que se mede em anos.

Pontos-chave
  • O nome decidido na semana entra numa fila de quase dois anos. O tempo estimado pelo governo federal para a prestação do serviço de registro de marca no INPI é de até 22 meses, e o registro concedido vigora por 10 anos renováveis sucessivamente, com prorrogação fora do prazo aceita no máximo seis meses após o fim do decênio (gov.br / INPI).
  • Identidade de clínica tem camada regulatória que nenhum sprint pode pular. A Resolução CFO-196/2019 exige que as imagens de diagnóstico e de resultado divulgadas tragam o nome do profissional que realizou o procedimento e o número da inscrição junto ao respectivo CRO, e restringe a divulgação ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, não à clínica como pessoa jurídica. A vedação da imagem do transcurso vem do art. 44, item 12, do Código de Ética Odontológica, que a resolução não alterou (CFO).
  • Marca entra no funil, mas quem paga a conta é o atendimento. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. O que é um brand sprint, de verdade
  4. Os seis exercícios do sprint original (e o que cada um decide)
  5. A distorção comercial: diagnóstico vendido como identidade pronta
  6. O que entra no pacote de uma semana e o que sempre fica de fora
  7. Os critérios que decidem se o formato serve pra sua clínica
  8. Os formatos de projeto de marca, um a um
  9. Para quem a semana funciona
  10. Quando a semana falha
  11. Naming: a decisão da semana que amarra dez anos
  12. A camada que nenhum sprint de agência pode pular: as regras do CFO
  13. Se a marca nova troca o domínio, o custo vira técnico
  14. Brand debt: o preço de refazer depois
  15. Como preparar a semana pra ela não ser rasa
  16. O que tem que acontecer depois do sprint
  17. Por que a decisão de marca em odontologia é de horizonte longo
  18. A estatística de branding que aparece na proposta
  19. Seu próximo passo
  20. Perguntas frequentes

"A agência ofereceu um brand sprint de uma semana pra definir toda a marca da minha clínica. Isso funciona mesmo ou é raso demais pra uma decisão que vai durar anos?"

As duas coisas, e a diferença está no que você contratou.

O brand sprint é um instrumento legítimo. Ele foi desenhado pra fazer um time decidir rápido o que a marca representa, antes que alguém abra o software de desenho.

O problema aparece quando ele é vendido como o projeto inteiro.

Aí você paga por uma semana de alinhamento e recebe a promessa de uma identidade terminada, com nome, aplicação e regra de uso. Não é o mesmo produto.

E na odontologia o buraco é mais fundo que em outros negócios, porque marca de clínica carrega nome, registro de dez anos e regra de conselho. Nada disso se resolve na sexta-feira.

Neste guia você vai ver:

  • De onde veio o brand sprint e o que ele foi feito pra resolver
  • Os seis exercícios do formato original e o que cada um decide de fato
  • O que entra no pacote de uma semana e o que sempre fica de fora
  • Os formatos de projeto de marca lado a lado, com a lacuna honesta de cada um
  • Para quem a semana funciona e em qual configuração ela falha
  • O que a semana não resolve: naming, registro no INPI e regra do CFO
  • Como preparar o sprint e o que exigir contratado pra depois dele

O que é um brand sprint, de verdade

O brand sprint é uma sessão estruturada de decisão. Ele foi criado por Jake Knapp, o mesmo autor do design sprint no Google Ventures, como um bloco curto de exercícios pra alinhar o time antes de qualquer desenho.

A finalidade original era destravar. Time parado discutindo "quem a gente é" há meses entra na sala, roda os exercícios e sai com as respostas escritas na parede.

Repare no que isso é: diagnóstico e alinhamento. Não é produção de identidade.

Depois o formato virou produto. Agências passaram a vender versões de um, três, cinco e dez dias, cada uma prometendo mais entregável no final. O mercado esticou uma sessão de horas até virar um pacote de semana.

Nada de errado nisso, desde que a etiqueta diga a verdade.

Os seis exercícios do sprint original (e o que cada um decide)

O formato clássico roda seis exercícios em sequência. Vale conhecer, porque é o jeito mais rápido de auditar a proposta que chegou na sua mesa.

  1. Roadmap de vinte anos. Onde a clínica quer estar no horizonte longo. É o exercício que impede a marca de ser desenhada só pro problema deste trimestre.
  2. What, how, why. O que você faz, como faz e por que existe. O "por que" é o que separa posicionamento de descrição de serviço.
  3. Os três valores. Escolher poucos princípios inegociáveis. Se sobrarem oito, você não escolheu nada.
  4. Os três públicos. Priorizar quem a marca precisa convencer primeiro. Numa clínica de alto ticket, o público de reabilitação e o de ortodontia infantil não são o mesmo alvo.
  5. Sliders de personalidade. Régua entre polos (clássico ou moderno, sóbrio ou expressivo, acessível ou premium). É o que o designer traduz depois em cor e tipografia.
  6. Mapa competitivo. Onde os concorrentes da sua cidade estão posicionados e qual espaço sobra.

Veja o que essa lista tem em comum: todo exercício é uma decisão sua, não uma entrega da agência.

O sprint é bom exatamente nisso. Ele extrai de você, em dias, o que uma agência levaria semanas pra arrancar em reuniões espaçadas.

Lembre: o brand sprint é o instrumento que faz o dono decidir. Se na sua proposta a agência decide e você aprova no final, não é um sprint. É um pacote gráfico com nome bonito.

A distorção comercial: diagnóstico vendido como identidade pronta

Aqui está a raiz do seu incômodo, e ele é justificado.

O sprint foi criado como etapa. Vendido como projeto completo, ele passa a prometer o que a estrutura dele não sustenta.

Três sinais de que a proposta fez essa troca:

  • O cronograma termina na entrega dos arquivos. Sem fase de aplicação, sem revisão, sem teste em ponto de contato real.
  • O critério de sucesso é estético. "Marca mais forte", "visual mais premium". Nenhuma amarra em agendamento, ticket aceito ou percepção medida.
  • O nome aparece no meio da semana, sem verificação. Sugestão criativa apresentada como decisão fechada.

Um diagnóstico honesto é valioso. Um diagnóstico vendido como tratamento completo é o que gera o retrabalho que você quer evitar.

O que entra no pacote de uma semana e o que sempre fica de fora

Quando o prazo comprime, alguma coisa cede. Ela cede sempre nos mesmos lugares.

Costuma entrar na semana Costuma ficar de fora
Logo principal e variações básicas Pesquisa qualitativa com paciente real
Tipografia escolhida de biblioteca Tipografia própria ou customizada
Paleta de cores Auditoria competitiva aprofundada da praça
Guia de uso curto Design system multicanal com regras de exceção
Identidade de perfis sociais Arquitetura de marca de várias unidades
Papelaria básica Aplicação testada em fachada, uniforme e recepção
Às vezes um site simples Verificação de anterioridade e registro do nome

Repare que a coluna da direita é justamente a que dura anos. A da esquerda você refaz sem drama. A da direita, não.

Isso não condena o formato. Só define o que ele é: o começo bem feito de um projeto, não o projeto.

Os critérios que decidem se o formato serve pra sua clínica

Antes de comparar formatos, responda a estas sete perguntas. Elas separam o caso em que a semana resolve do caso em que ela produz empate caro.

  1. Existe um dono da decisão? Uma pessoa que aprova sem consultar mais ninguém depois.
  2. Quantas unidades a marca precisa cobrir? Uma clínica é um problema. Três unidades com especialidades diferentes é outro.
  3. O nome muda? Mudança de nome puxa verificação, registro e domínio, e isso não cabe na semana.
  4. A clínica já tem base de pacientes que reconhece a marca atual? Quanto maior o reconhecimento, maior o risco de mexer rápido.
  5. Qual problema de negócio está aberto? Percepção de valor baixa, confusão de posicionamento, ticket travado. Ou nenhum, e o pedido é só estético.
  6. Quem vai aplicar a marca depois? Se não há equipe nem contrato de implementação, o material vira arquivo parado.
  7. Você tem o material pronto pro sprint? Fotos, dados, histórico, números da operação. Sprint sem insumo vira sessão de achismo.

Quem responde "não sei" em três ou mais dessas não tem um problema de formato. Tem um problema de briefing de marca, e ele precisa ser resolvido antes de contratar qualquer coisa.

Os formatos de projeto de marca, um a um

Agora dá pra comparar com critério. Estes são os formatos que circulam no mercado, com o que cada um de fato entrega e a lacuna honesta de cada um.

Sessão de um dia (o sprint enxuto)

O que decide: posicionamento, valores, público prioritário e personalidade. Sai com as respostas escritas, não com desenho.

Diferencial: é o formato mais fiel à intenção original. Barato em tempo do dono, alto em clareza.

A lacuna: você sai sem nenhum ativo visual. Se esperava logo na sexta, esperou errado.

Sprint de três dias

O que decide: tudo do formato de um dia, mais um território visual (direção de arte, referência, primeiro esboço de identidade).

Diferencial: entrega direção sem fingir que entrega sistema. É o ponto ótimo pra quem quer decidir rápido e contratar a aplicação depois.

A lacuna: o visual apresentado é rota, não produto final. Cobrar dele consistência de sistema é injusto e gera atrito.

Sprint de cinco dias (o "brand sprint de uma semana")

O que decide: a estratégia completa da sessão original, mais logo, paleta, tipografia e um guia curto.

Diferencial: é o formato que mais concentra decisão por unidade de tempo. Com o dono presente os cinco dias, ele resolve em uma semana o que costuma se arrastar por meses de reunião.

A lacuna: a dependência de biblioteca e template é alta, e é aí que nasce a identidade genérica. O prazo não deixa espaço pra pesquisa com paciente nem pra teste de aplicação no ambiente físico.

Sprint estendido de dez dias

O que decide: o mesmo escopo da semana, com folga pra uma rodada de revisão e um guia de aplicação mais sério.

Diferencial: a rodada de revisão é o que separa "gostei" de "está certo". Ela derruba boa parte do retrabalho posterior.

A lacuna: continua sem arquitetura de marca e sem verificação jurídica do nome. Mais dias não viram outra natureza de trabalho.

Sprint mais implementação contratada (o híbrido)

O que decide: a semana decide, e um contrato subsequente aplica em todos os pontos de contato, com prazo próprio.

Diferencial: é o desenho que mais respeita a natureza do instrumento. Você usa o sprint pro que ele é bom (decisão) e paga separado pelo que ele nunca foi (execução e consistência).

A lacuna: exige disciplina de escopo. Sem o segundo contrato assinado, o híbrido vira um sprint solto com boa intenção.

Projeto completo de identidade

O que decide: posicionamento, naming, sistema visual, aplicação multicanal e manual de uso, com pesquisa e validação no meio do caminho.

Diferencial: é o único formato que entrega sistema, e não peça. Ele aguenta a clínica crescer sem que tudo precise ser refeito.

A lacuna: o prazo se mede em meses, e a agenda do dono é exigida em várias janelas. Pra uma clínica que precisa lançar rápido, esse calendário pode ser inviável.

Rebranding estrutural com arquitetura de marca

O que decide: a relação entre marca mãe e submarcas, unidades, especialidades e o nome de cada nível.

Diferencial: é obrigatório quando existem múltiplas unidades ou especialidades com ticket muito distinto. É o único formato que resolve marca mãe e submarcas de forma coerente.

A lacuna: é o formato mais caro e mais lento, e ele só se justifica quando a estrutura do negócio mudou de verdade. Contratar isso pra uma unidade só é exagero.

O comparativo lado a lado

Formato O que de fato decide O que não cabe nele Quando faz sentido
Um dia Estratégia e personalidade Qualquer ativo visual Time travado na definição
Três dias Estratégia e território visual Sistema e aplicação Decidir rota antes de investir
Cinco dias Estratégia, logo, paleta, guia curto Pesquisa, nome verificado, ambiente físico Negócio novo com decisor único
Dez dias Escopo da semana com revisão Arquitetura de marca e registro Quem quer reduzir retrabalho
Sprint mais implementação Decisão na semana, execução no contrato seguinte Nada, se o segundo contrato existir O desenho mais seguro na maioria dos casos
Projeto completo Sistema de marca inteiro Prazo curto Clínica consolidada mudando de patamar
Rebranding estrutural Marca mãe, submarcas e níveis Orçamento e calendário enxutos Várias unidades ou especialidades

Para quem a semana funciona

O formato rápido tem um perfil de sucesso bem definido, e ele é reconhecível.

  • Decisor único presente. Um dono que aprova na hora, sem "vou levar pros sócios".
  • Time pequeno. Poucas vozes na sala, todas com contexto do negócio.
  • Negócio novo ou unidade nova. Sem base de reconhecimento pra proteger, o risco de mexer é baixo.
  • Necessidade real de lançar. Data de inauguração marcada, obra andando, contratação feita.
  • Escopo honesto contratado. A proposta diz que é ponto de partida e já prevê a fase seguinte.

Nessa configuração, a semana não é rasa. É eficiente.

Quando a semana falha

E a falha também é previsível. São quatro configurações.

1. Decisão por comitê de sócios. Cada sócio traz um gosto e uma referência. O sprint não foi feito pra negociar gosto, foi feito pra registrar decisão. Sem um dono, a sexta-feira termina em empate.

2. Ausência de dono da decisão. Se ninguém pode dizer "é este" sem consultar, todo exercício produz uma lista de opções em vez de uma escolha.

3. Expectativa de consenso universal. Marca que agrada todo mundo não posiciona ninguém. Se o critério de aprovação é "ninguém discordou", o resultado tende ao genérico.

4. Pedido puramente cosmético. "Quero um logo mais bonito", sem problema de negócio atrás. Aí o sprint responde com estratégia uma pergunta que era de gosto, e os dois lados saem frustrados. Esse cenário é primo do que já tratamos em rebranding: entrega real ou upsell.

Naming: a decisão da semana que amarra dez anos

Este é o ponto onde o prazo curto cobra mais caro, e é o que responde direto à sua pergunta sobre "decisão que dura anos".

Escolher um nome na quinta-feira é fácil. O que vem depois não é.

O tempo estimado pelo governo federal para a prestação do serviço de registro de marca no INPI é de até 22 meses. O nome aprovado na semana entra numa fila de quase dois anos até virar registro.

E a taxa oficial já está definida. Pelo mesmo serviço, o pedido com especificação pré-aprovada (código 389) custa R$ 880,00 sem desconto e R$ 440,00 com desconto. Com especificação de livre preenchimento (código 394), R$ 1.720,00 sem desconto e R$ 860,00 com desconto.

O horizonte é ainda mais longo depois da concessão. Segundo o INPI, o registro vigora por 10 anos renováveis sucessivamente, e o pedido de prorrogação fora do prazo ordinário só é aceito, no máximo, seis meses após o fim do decênio, com taxa maior.

Pensa no que isso significa: a decisão de cinco dias amarra um ciclo de década.

A boa notícia é que a checagem básica cabe dentro da própria semana. O INPI mantém a pePI, a Pesquisa em Propriedade Industrial, busca pública de marcas já depositadas que pode ser feita de forma anônima, sem login. Bastam alguns cliques pra descobrir que o nome dos sonhos já tem dono.

Exija isso no cronograma do sprint, junto com os critérios de naming da clínica. E confira em nome de quem o pedido será feito, porque registro depositado em nome da agência é um problema que você só descobre quando quer trocar de fornecedor.

A camada que nenhum sprint de agência pode pular: as regras do CFO

Marca de clínica não é marca de cafeteria. Existe conselho profissional regulando o que a identidade pode fazer no mundo.

A Resolução CFO-196/2019 exige que as imagens de diagnóstico e de resultado divulgadas tragam o nome do profissional que realizou o procedimento e o número da inscrição junto ao respectivo CRO. A norma também restringe a divulgação ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, não à clínica como pessoa jurídica. E a imagem do transcurso segue proibida pelo art. 44, item 12, do Código de Ética Odontológica, que a resolução não alterou.

Traduzindo pro que isso muda no material: o template de antes e depois precisa de espaço fixo pra crédito profissional e CRO, em toda peça, em todo canal.

Identidade desenhada em cinco dias por quem nunca leu a resolução do Conselho Federal de Odontologia costuma entregar um grid lindo que não comporta essa linha. E aí volta pra prancheta.

É a pergunta mais barata que você faz na reunião de apresentação da proposta: "como o seu template de resultado acomoda nome e CRO?".

Se a marca nova troca o domínio, o custo vira técnico

Muita troca de marca leva junto a troca de endereço do site. Esse é um custo que não aparece no orçamento do sprint.

O Google orienta manter os redirecionamentos ativos pelo maior tempo possível, em geral no mínimo 1 ano, quando um site muda de URL.

Ou seja: a decisão de marca tomada na semana cria uma obrigação técnica de pelo menos doze meses, que alguém precisa manter viva. Se ninguém for responsável por isso, o tráfego que você levou anos construindo cai junto com o nome antigo.

Coloque isso por escrito na proposta, com dono e prazo.

Brand debt: o preço de refazer depois

Toda economia de prazo vira dívida em algum lugar. Em marca, essa dívida tem nome e endereço.

Ela aparece de três formas:

  • Identidade genérica por dependência de template. Quando o prazo não deixa explorar, o desenho converge pro que a biblioteca já oferece. O resultado parece profissional e não parece seu.
  • Sistema sem regra de exceção. O guia curto cobre o caso feliz. Quando chega a placa da fachada, o post de campanha e o jaleco, ninguém sabe o que fazer, e cada peça inventa uma versão.
  • Custo de refazer com base instalada. Refazer no primeiro mês é barato. Refazer depois de fachada, uniforme, embalagem, sinalização e material clínico impressos é outro orçamento inteiro.

O jeito de não pagar essa dívida não é recusar o sprint. É contratar a fase seguinte junto.

Lembre: o sprint barato que precisa ser refeito em um ano custou mais caro que o projeto completo. A conta certa não é o preço da semana, é o preço da semana somado ao retrabalho previsível.

Como preparar a semana pra ela não ser rasa

A maior parte da culpa pelo sprint raso não é do formato. É da preparação.

Antes de o cronômetro começar, garanta estes cinco itens.

  1. Material na mesa. Números da operação, histórico da clínica, fotos reais do espaço e da equipe, lista de especialidades e ticket por tipo de tratamento.
  2. Decisor presente do começo ao fim. Não em duas reuniões. Nos dias inteiros. Sprint com dono aparecendo só na apresentação final não é sprint.
  3. Limite de participantes. Poucas pessoas, cada uma com papel definido. Sala cheia vira debate de gosto.
  4. Problema de negócio escrito numa frase. "Ticket aceito caiu", "somos confundidos com a clínica popular da esquina", "vamos abrir a segunda unidade". Sem essa frase, o sprint decide no vazio.
  5. Busca de anterioridade agendada. Se há chance de trocar o nome, a consulta na pePI entra no cronograma da semana, não depois dela.

Cumprido isso, cinco dias rendem muito. Sem isso, nem dez dias salvam.

O que tem que acontecer depois do sprint

Aqui está a parte que quase nenhuma proposta de uma semana descreve, e que é onde a marca de fato passa a existir.

  • Guia de aplicação de verdade. Não o resumo de duas páginas: o documento que resolve os casos difíceis (fundo escuro, peça vertical, versão monocromática, tamanho mínimo).
  • Produção dos pontos de contato. Site, perfis, apresentação de orçamento, mensagens de WhatsApp, material clínico entregue ao paciente.
  • Aplicação no ambiente físico. Fachada, sinalização interna, recepção, uniforme e jaleco. É o ponto em que a marca encosta no paciente, e é o mais esquecido nas entregas rápidas.
  • Treinamento de equipe. Recepção e CRC precisam saber o que a marca promete, porque são elas que respondem quem pergunta preço. Marca que a equipe não sabe explicar não muda percepção de valor.
  • Linha de base medida antes. Anote custo por agendamento, ticket aceito e comparecimento de hoje. Sem isso, ninguém consegue dizer se a nova marca pagou a si mesma.

Esse último item costuma incomodar a agência que vendeu embalagem. E é exatamente por isso que ele é o mais importante.

Por que a decisão de marca em odontologia é de horizonte longo

Sua pergunta parte de uma intuição correta: marca de clínica não é campanha, é infraestrutura. Vale entender por quê.

Primeiro, a densidade profissional. Segundo estatísticas compiladas pelo Conselho Federal de Odontologia e divulgadas em outubro de 2025, o Brasil alcançou a marca de 450 mil cirurgiões-dentistas inscritos nos 27 Conselhos Regionais de Odontologia. Num mercado dessa densidade, a marca é um dos poucos ativos que não se copia numa tarde.

Segundo, o ciclo de decisão do paciente de alto ticket é longo. Ele pesquisa, compara, adia, volta. A marca é o que sustenta a lembrança nesse intervalo.

Terceiro, o registro amarra dez anos, como já vimos, e a aplicação física amarra o dinheiro já gasto em fachada e sinalização.

Mas cuidado com a conclusão fácil. Horizonte longo não significa que decidir devagar seja melhor. Significa que decidir sem os itens irreversíveis resolvidos é o que sai caro.

Uma semana bem usada pode resolver o reversível com sobra. O que ela não pode é fingir que resolveu o irreversível.

A estatística de branding que aparece na proposta

Toda proposta de marca chega com um número de retorno impressionante, atribuído a um estudo que ninguém mostra.

Peça a fonte primária. Não o blog que citou, não o infográfico: o estudo original, com ano, país e metodologia.

Duas coisas costumam acontecer. Ou a agência entrega o link e você ganha um argumento sólido pra decidir. Ou ela não entrega, e você acabou de aprender algo mais valioso sobre o rigor de quem vai cuidar da sua marca.

Vale a mesma régua pro sucesso do projeto: exija um critério que aponte pra paciente na cadeira, não pra "marca mais forte".

E não confunda as duas coisas. Marca certa melhora a entrada do funil, mas o número que paga a conta está depois dela. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

Se esse pedaço está quebrado, nenhum logo conserta.

Seu próximo passo

  1. Reclassifique a proposta que está na sua mesa. Pergunte à agência qual dos formatos da tabela acima ela está vendendo e o que fica explicitamente de fora. Proposta que não consegue responder isso em uma frase é escopo aberto.
  2. Exija os três itens irreversíveis no cronograma da semana. Consulta de anterioridade na pePI, previsão de crédito profissional e CRO nos templates, e responsável nomeado pelo redirecionamento se o domínio mudar.
  3. Contrate a implementação junto, ou combine a data dela. Sprint sem fase seguinte contratada vira arquivo parado. Marque a linha de base (custo por agendamento, ticket aceito, comparecimento) antes da primeira peça nova ir pro ar.

Quer uma leitura honesta de onde está o seu gargalo hoje, se é percepção de marca ou se é o atendimento que perde o paciente depois do clique, antes de comprometer uma semana e um ciclo de dez anos? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

Brand sprint de uma semana funciona para clínica odontológica?

Funciona como instrumento de decisão e alinhamento, não como entrega final de identidade. Em uma semana você decide posicionamento, público prioritário, personalidade da marca e o território visual. O que não cabe: pesquisa qualitativa com paciente, busca de anterioridade aprofundada de nome, arquitetura de marca de várias unidades e aplicação testada em fachada, uniforme e recepção.

Qual a origem do brand sprint?

O formato foi criado por Jake Knapp, o mesmo autor do design sprint no Google Ventures, como uma sessão curta de alinhamento antes de qualquer desenho. A proposta original era destravar decisão de time, não substituir um projeto de identidade. As versões de um, três, cinco e dez dias que circulam hoje são adaptações comerciais desse bloco original.

O que entra no pacote de um brand sprint de uma semana?

Em geral logo, tipografia escolhida de biblioteca, paleta, um guia curto de uso, capa e identidade de perfis sociais, papelaria básica e às vezes um site simples. É bastante coisa para o prazo. O risco não está no que entra: está em tratar esse conjunto como decisão terminada de marca.

Como sei se a minha clínica não é caso para o formato rápido?

Se a decisão passa por comitê de sócios sem um dono definido, se você espera consenso universal antes de aprovar, ou se o pedido é puramente cosmético sem problema de negócio atrás, a semana vai produzir empate e retrabalho. O formato rápido exige decisor único presente na sala inteira, com poder de aprovar.

Dá pra checar o nome dentro da própria semana do sprint?

Dá, e é obrigatório. O INPI mantém a pePI, busca pública de marcas já depositadas que pode ser feita de forma anônima, sem login. A checagem inicial de anterioridade cabe no cronograma da semana e evita a pior hipótese, que é aprovar um nome na sexta e descobrir o conflito depois de aplicar em fachada e uniforme.

Quanto custa registrar a marca decidida no sprint?

Pelo serviço do INPI, a taxa oficial do pedido com especificação pré-aprovada (código 389) é de R$ 880,00 sem desconto e R$ 440,00 com desconto. Com especificação de livre preenchimento (código 394), R$ 1.720,00 sem desconto e R$ 860,00 com desconto. Esses valores são a taxa do pedido e não incluem honorários de quem conduz o processo.