Custos e ROI

Custeio por procedimento: como descobrir o custo real de cada tratamento antes de precificar?

Você não sabe se ganha ou perde dinheiro em cada procedimento enquanto não somar material, laboratório, hora de cadeira e mão de obra do dentista. Veja como montar o custeio por procedimento, qual fórmula usar pra virar preço e por que precificar pelo vizinho é cego ao seu custo real.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 22 de junho de 2026 · 17 min de leitura
TL;DR

Custeio por procedimento é somar, pra cada tratamento, o custo de material, laboratório, hora de cadeira (custo mensal da operação dividido pelas horas produtivas, não pelas abertas) e a mão de obra do dentista. Só depois disso o preço fecha a conta, pelo markup divisor: preço = custo / (1 - margem).

Pontos-chave
  • A CBHPO da FIPE/USP foi construída com duas escalas de pontos independentes (uma pro honorário profissional, outra pro custo operacional), com a consulta inicial valendo 100 pontos, e a própria tabela afirma que NÃO informa preço, só a proporção entre procedimentos ([CRO-PE](https://www.cro-pe.org.br/site/adm_syscomm/legislacao/foto/582.pdf)).
  • Levantamento do SEBRAE estima cerca de R$ 74.250 pra montar um consultório pequeno (equipamentos R$ 30.000, reforma R$ 15.000, móveis R$ 4.500, material de consumo R$ 3.000, publicidade R$ 3.000, abertura R$ 2.000), e essa cadeira deprecia: ignorar isso no custeio subestima o custo real ([SEBRAE](https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/IDEIAS_DE_NEGOCIO/PDFS/ideia-de-negocio_clinica-odontologica.pdf)).
  • Custo da hora de cadeira só sai certo se você dividir o custo mensal da operação pelas horas REALMENTE produzidas, não pelas horas que a clínica fica aberta: dividir pela hora aberta embute a ociosidade e mente pra baixo, segundo a prática de custeio adotada nas clínicas atendidas pela Odonto Results.

Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. O que é custeio por procedimento (e por que copiar preço é cego ao custo)
  4. Separe custo fixo de custo variável
  5. Custo da hora de cadeira: divida pela hora PRODUTIVA, não pela aberta
  6. Tempo de cadeira por procedimento: cronometre o tratamento inteiro
  7. Custo de material por procedimento: monte um kit por tipo de tratamento
  8. Custo de laboratório e terceiros: o repasse que some no preço
  9. Custo do dentista: separe a mão de obra da margem de lucro
  10. Impostos e taxas: o custo que não passa pela cadeira
  11. Monte a ficha de custeio: cadastre uma vez, reaproveite sempre
  12. A fórmula certa: markup divisor, não soma de margem
  13. Margem coberta não é a mesma coisa que custo coberto
  14. A CBHPO serve de proporção, não de preço
  15. Os erros clássicos de custeio (que custam margem)
  16. Conecte o custeio à operação comercial: qual procedimento vale anunciar
  17. Custeio por procedimento vs custo de aquisição de paciente
  18. Seu próximo passo
  19. Perguntas frequentes

"Como descobrir o custo real de cada procedimento odontológico (material, laboratório, hora de cadeira, dentista) antes de precificar?"

Você sabe quanto fatura. Mas sabe quanto SOBRA em cada procedimento?

A maioria das clínicas que faturam bem não sabe. Elas precificam pelo concorrente, pela tabela ou pelo "sempre cobrei isso". E descobrem tarde que o procedimento que mais vende é o que menos lucra.

O custeio por procedimento resolve isso. É somar, pra cada tratamento, os quatro custos que ele consome de verdade: material, laboratório, hora de cadeira e a mão de obra do dentista. Só depois disso o preço fecha a conta.

Esse é o trabalho que separa a clínica que cresce com margem da que cresce no vermelho.

Neste guia você vai ver:

  • Por que precificar pelo concorrente ou pela tabela é cego ao seu custo real
  • Como separar custo fixo de custo variável (e onde quase todo mundo erra)
  • O cálculo da hora de cadeira pela hora PRODUTIVA, não pela hora aberta
  • Como montar a ficha de custeio por procedimento (material, lab, dentista, impostos)
  • A fórmula certa pra virar custo em preço (markup divisor, não soma)
  • Como o custo real define qual procedimento vale colocar em campanha

O que é custeio por procedimento (e por que copiar preço é cego ao custo)

Antes de qualquer planilha, alinhe o conceito. Custeio por procedimento é o cálculo de quanto cada tratamento custa pra sua clínica antes de você definir o preço dele.

Repare na ordem: primeiro o custo, depois o preço. Quem inverte isso precifica no escuro.

E há três jeitos errados de precificar, todos cegos ao seu custo real:

  • Pelo concorrente: "o vizinho cobra X". Só que o custo do vizinho não é o seu. O material que ele compra, o laboratório dele, a ociosidade da agenda dele e a estrutura dele são outros. Copiar o preço de fora é importar o custo de outra clínica.
  • Pela tabela de referência: útil pra entender proporção, mas, como você vai ver, ela não informa preço.
  • Pelo "sempre cobrei isso": o preço congelado em um custo de três anos atrás, enquanto material e laboratório subiram.

Lembre: o preço do concorrente carrega o custo DELE, não o seu. Você pode estar copiando o preço de uma clínica que está perdendo dinheiro e nem sabe.

O custeio por procedimento troca o chute pela conta. E a conta começa separando dois tipos de custo.

Separe custo fixo de custo variável

Esse é o primeiro corte, e quase toda planilha de custeio começa por aqui. Os custos da clínica se dividem em dois grupos com lógicas opostas.

O SEBRAE define essa separação exatamente assim pra clínica odontológica: custos fixos são os que permanecem constantes independentemente do volume de atendimentos, e custos variáveis são os que variam diretamente com a quantidade de atendimentos (SEBRAE).

Na prática, ficam assim:

Tipo O que entra Comportamento
Custo fixo Aluguel, salários da equipe, contador, software, CRO, alvará, água, luz, telefone, descarte de material hospitalar, depreciação da cadeira Não muda se você atende 50 ou 150 pacientes no mês
Custo variável Material descartável, laboratório, esterilização do caso, taxa de cartão, comissão, insumos do procedimento Sobe e desce direto com cada atendimento

O fixo você rateia pelo tempo (vira hora de cadeira). O variável você atribui direto ao procedimento que o consumiu.

O erro clássico aqui: esquecer a depreciação da cadeira e dos equipamentos no custo fixo. Aquele equipamento se desgasta e vai ser trocado. Segundo o SEBRAE, equipamentos odontológicos representam cerca de R$ 30.000 do investimento inicial de um consultório pequeno (SEBRAE). Esse valor não some: ele se dilui em cada procedimento. Quem ignora a depreciação subestima o custo real e precifica pra baixo.

Custo da hora de cadeira: divida pela hora PRODUTIVA, não pela aberta

Aqui mora o cálculo que separa o custeio sério do amador. A hora de cadeira (ou hora clínica) é como você rateia todo o custo fixo nos procedimentos.

O cálculo tem dois passos:

  1. Some todo o custo mensal pra manter a clínica funcionando. Aluguel, equipe, contador, software, depreciação, e o pró-labore do dono pelas horas que ele atende. Tudo que existe haja ou não paciente.
  2. Divida pelas horas REALMENTE produtivas no mês. Não pelas horas que a clínica fica aberta.

E é no passo 2 que quase todo mundo erra.

O erro da ociosidade. Sua clínica abre, digamos, 160 horas no mês. Mas a cadeira não produz 160 horas. Tem buraco na agenda, falta, almoço, retorno que não gera receita, hora administrativa. Se você divide o custo pelas 160 horas abertas, a hora de cadeira sai artificialmente barata. Você embutiu a ociosidade no cálculo e mentiu pra si mesmo pra baixo.

Pensa assim: se você produz de fato 100 horas no mês, o custo fixo precisa caber em 100 horas, não em 160. A hora produtiva é mais cara que a hora aberta, e é a hora produtiva que paga a clínica.

Veja a diferença, com números ilustrativos pra mostrar a mecânica:

Cenário Custo mensal Horas usadas no rateio Hora de cadeira
Dividindo pela hora ABERTA (errado) R$ 40.000 160 h R$ 250/h
Dividindo pela hora PRODUTIVA (certo) R$ 40.000 100 h R$ 400/h

Lembre: dividir pela hora aberta é como fingir que toda hora da agenda virou dinheiro. A ociosidade não desaparece porque você não a contou: ela vira prejuízo escondido no preço.

Os números acima são ilustrativos pra demonstrar o cálculo. A régua de usar a hora produtiva (e não a aberta) é a prática de custeio adotada nas clínicas atendidas pela Odonto Results. Aprofunde em custo da hora de cadeira.

Tempo de cadeira por procedimento: cronometre o tratamento inteiro

A hora de cadeira só vira custo de procedimento quando você sabe quanto tempo cada tratamento consome. E aqui também tem armadilha.

Cronometre o procedimento inteiro, do início ao fim do tratamento. Não só a sessão isolada.

Um tratamento de canal não é uma sessão. É a avaliação, as sessões clínicas, o retorno, e a probabilidade de refação. Se você cronometra só a hora da sessão principal, está subestimando o tempo (e o custo) do caso completo.

Inclua no tempo de cadeira:

  • Todas as sessões do tratamento, não a principal só.
  • O retorno e a manutenção que o caso exige.
  • A refação: uma fatia dos casos precisa ser refeita. Esse tempo é custo real e tem que entrar no custeio médio do procedimento.
  • O tempo morto entre pacientes (preparo de sala, troca), que consome hora de cadeira mesmo sem produzir.

Multiplique o tempo total do procedimento pela hora de cadeira e você tem o custo de estrutura daquele tratamento. Veja como medir isso em tempo de cadeira por procedimento.

Custo de material por procedimento: monte um kit por tipo de tratamento

Com a estrutura calculada, vem o custo variável mais visível: o material. Esse é direto, mas dá trabalho na primeira vez.

A lógica é simples: levante quantidade x preço de compra de cada insumo que o procedimento consome.

O jeito eficiente é montar um kit (ficha de material) por tipo de tratamento. Em vez de recalcular insumo por insumo toda vez, você cadastra uma vez quanto de cada coisa um procedimento usa:

  • Material descartável (luva, sugador, campo, agulha, anestésico).
  • Insumos específicos do procedimento (resina, broca, lima, cimento, fio).
  • A fatia do instrumental que se desgasta no uso.
  • A esterilização atribuível àquele caso.

Some o kit e você tem o custo de material daquele procedimento. Cadastrou uma vez, reaproveita sempre.

Dica: o material de consumo é custo variável e existe desde o investimento inicial. O SEBRAE estima cerca de R$ 3.000 só de material de consumo odontológico no setup de um consultório pequeno (SEBRAE). No dia a dia, é esse bloco que sobe quando você atende mais.

Custo de laboratório e terceiros: o repasse que some no preço

Esse é o custo que mais escapa do custeio, e o que mais dói quando escapa. Laboratório e serviços terceiros são repasse direto, e muita clínica esquece de embutir.

Entram aqui:

  • Coroa e prótese feitas em laboratório externo.
  • Alinhadores (o custo do fornecedor por caso).
  • Clareamento com material ou moldeira terceirizada.
  • Radiografia, tomografia ou planejamento digital comprados de fora.

Esse valor é dinheiro que sai do caixa pra cada caso específico. Se a coroa custa X no laboratório e você não soma X no custo do procedimento, está vendendo o trabalho e doando o laboratório.

Pra escolher o lab certo pesando custo e qualidade, veja como escolher laboratório de prótese.

Custo do dentista: separe a mão de obra da margem de lucro

Esse é o ponto que mais confunde, e o que mais infla a falsa lucratividade. A mão de obra do dentista é CUSTO, não lucro.

Seja o repasse ao especialista que executa, seja o pró-labore do dono pelas horas que ele atende, esse valor precisa entrar no custo do procedimento, separado da margem.

Por que isso importa tanto?

Quando o dono não se paga pelo trabalho clínico, a clínica parece lucrar mais do que lucra. O "lucro" é só o salário escondido do dono. No dia em que ele contratar um dentista pra fazer aquele procedimento, o repasse aparece e a margem some, porque nunca esteve lá.

Pensa assim: se você cobra o procedimento por um valor que só fecha porque VOCÊ atende de graça, esse procedimento não é lucrativo. É um emprego mal pago disfarçado de negócio.

Lembre: o custo do dentista entra no CUSTO do procedimento. A margem é o que sobra DEPOIS de pagar a mão de obra. Misturar os dois é a forma mais comum de uma clínica achar que lucra enquanto só remunera o dono.

Impostos e taxas: o custo que não passa pela cadeira

Antes de fechar o custo total, falta um bloco invisível. Imposto e taxa de meio de pagamento são custo real do procedimento, mesmo sem encostar na cadeira.

Inclua no custeio:

  • Imposto sobre o faturamento (ISS, e o regime tributário da clínica, como Simples Nacional ou Lucro Presumido).
  • Taxa da máquina de cartão e o custo de antecipação de recebíveis.
  • Encargos sobre a folha quando há equipe contratada.

A taxa de cartão e a antecipação parecem detalhe, mas comem margem em silêncio. Um procedimento parcelado em muitas vezes com antecipação pode perder vários pontos de margem só na operação financeira. Quem não conta isso superestima o lucro. Pra entender o impacto tributário por faixa, veja regime tributário pra clínica faturando acima de 100 mil.

Monte a ficha de custeio: cadastre uma vez, reaproveite sempre

Agora junte tudo numa estrutura que não te obrigue a recomeçar do zero a cada procedimento. A planilha de custeio eficiente tem dois níveis.

Nível 1: cadastro de insumos. Cadastre cada insumo UMA vez, com quantidade e preço de compra. Material, descartável, custo de laboratório por peça, hora de cadeira calculada. Esse é o seu banco de custos.

Nível 2: ficha técnica por procedimento. Cada procedimento puxa os insumos do cadastro, define o tempo de cadeira e soma os blocos. Quando o preço do material muda, você atualiza no cadastro e TODAS as fichas que usam aquele insumo se atualizam juntas.

A ficha de custeio de um procedimento soma cinco blocos:

Bloco O que é Tipo
Material e descartáveis Kit de insumos do procedimento Variável
Laboratório / terceiros Coroa, prótese, alinhador, imagem Variável
Hora de cadeira Tempo total x custo da hora produtiva Fixo rateado
Mão de obra do dentista Repasse ou pró-labore pelas horas Custo de trabalho
Impostos e taxas ISS, regime tributário, cartão, antecipação Variável

A soma desses cinco blocos é o custo total do procedimento. Esse é o número que vira preço. Veja o passo a passo de como transformar isso em preço em como precificar tratamentos.

A fórmula certa: markup divisor, não soma de margem

Com o custo total na mão, falta o passo onde mais gente erra a conta. Pra virar custo em preço, use o markup divisor, não a soma simples.

A fórmula certa é:

Preço = custo total / (1 - margem)

Por que dividir, e não somar? Porque a margem precisa sair do PREÇO final, não do custo.

Veja o erro comum. Você tem um custo de R$ 180 e quer 25% de margem. A tentação é fazer R$ 180 + 25% = R$ 225. Errado. Sobre R$ 225, os R$ 180 de custo representam 80%, então a sua margem real ficou em 20%, não 25%.

A conta certa: R$ 180 / (1 - 0,25) = R$ 180 / 0,75 = R$ 240. Sobre R$ 240, o custo de R$ 180 é 75%, e a margem é exatamente os 25% que você queria.

Método Conta Preço Margem real
Soma simples (errado) R$ 180 + 25% R$ 225 20%
Markup divisor (certo) R$ 180 / (1 - 0,25) R$ 240 25%

Os valores são ilustrativos pra demonstrar a fórmula. O que importa é a mecânica: somar a margem sobre o custo sempre entrega menos margem do que você pediu.

Margem coberta não é a mesma coisa que custo coberto

Aqui entra uma distinção que decide a saúde do negócio. Cobrir o custo é o mínimo. A margem é o que faz a clínica existir como empresa.

A margem que você embute no markup é o que paga o crescimento da clínica: reserva, reinvestimento, e o lucro de verdade do dono (separado do pró-labore, que já era custo).

Cada perfil de clínica trabalha com uma faixa de margem diferente. A clínica popular de alto giro tende a operar com margem mais enxuta e volume; a clínica especializada de alto ticket tende a trabalhar margem maior por caso. Não existe margem única certa: existe a margem que cabe no seu posicionamento e ainda paga a empresa.

Lembre: custo coberto só garante que você não perde dinheiro no procedimento. Margem é o que faz a clínica crescer. Precificar só pra cobrir custo é trabalhar de graça pro futuro.

Pra ir além do custo e cobrar pelo que o paciente percebe, veja precificar por valor percebido em vez de custo.

A CBHPO serve de proporção, não de preço

Em algum momento alguém vai sugerir "usa a tabela". Vale entender o que a tabela faz e o que ela não faz. A CBHPO é referência de proporção entre procedimentos, não de preço.

A CBHPO (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Odontológicos) foi construída pela FIPE/USP com duas escalas de pontos independentes: uma pro honorário profissional e outra pro custo operacional do procedimento, tendo a consulta inicial como referência valendo 100 pontos. A própria tabela afirma que NÃO informa o preço dos procedimentos, apenas a proporção entre eles (CRO-PE).

A elaboração da CBHPO pela FIPE foi concluída em dezembro de 2008, separando estatisticamente os elementos que compõem o custo operacional dos elementos que definem o honorário profissional (CRO-PE).

O que isso significa na prática:

  • Use a CBHPO pra checar coerência relativa. Se o procedimento A vale o dobro de pontos do B na tabela, mas você cobra os dois quase igual, tem algo errado na sua precificação relativa.
  • Não use a CBHPO como preço. Ela não te diz quanto cobrar em reais. O preço sai do SEU custeio, multiplicado pela SUA margem.

A tabela é uma bússola de proporção. O custeio é o GPS do seu preço.

Os erros clássicos de custeio (que custam margem)

Antes de fechar a planilha, passe esta lista. Cada um destes erros faz a clínica achar que lucra mais do que lucra.

  • Não contar a depreciação e a refação. O equipamento se desgasta e uma fatia dos casos volta. Ignorar os dois subestima o custo.
  • Dividir pela hora aberta, não pela produtiva. Embute a ociosidade e barateia a hora de cadeira artificialmente.
  • Esquecer o laboratório. Repasse direto que vira doação quando não entra no custo.
  • Não pagar a mão de obra do dono. Transforma salário escondido em "lucro" fantasma.
  • Ignorar imposto e taxa de cartão. Margem que evapora na operação financeira.
  • Precificar pelo vizinho. Importa o custo de outra clínica e ignora o seu.
  • Somar margem em vez de dividir. Entrega menos margem do que você pediu.

A clínica que evita esses sete erros já precifica melhor que a maioria. Veja também margem de contribuição por procedimento.

Conecte o custeio à operação comercial: qual procedimento vale anunciar

Agora o custeio sai da contabilidade e entra no marketing. O custo real por procedimento define qual tratamento vale colocar em campanha.

Aqui é onde a maioria das clínicas que faturam bem deixa dinheiro na mesa: anuncia o procedimento errado. Anuncia o de maior ticket sem saber que a margem dele é apertada, ou o de maior volume sem saber que ele mal cobre o custo.

A lógica certa cruza dois números:

  • A margem real do procedimento (o que sobra depois de custo clínico).
  • O custo de captação que aquele procedimento aguenta (CPL e custo por paciente que comparece e fecha).

Um procedimento de margem gorda aguenta um custo por paciente mais alto e ainda fecha a conta. Um de margem fina, não: nele, um custo de captação alto significa vender abaixo do custo em escala.

Pensa assim: o procedimento que você deve anunciar não é o mais caro nem o mais procurado. É o que tem margem pra pagar a captação e ainda sobrar. Veja qual procedimento dá mais retorno no marketing.

Custeio por procedimento vs custo de aquisição de paciente

Por fim, junte as duas pontas da conta. O preço só fecha de verdade quando cobre o custo clínico E o custo de captação do paciente.

Muita clínica calcula o custeio por procedimento, acerta a margem, e ainda assim opera no aperto. Por quê? Porque esqueceu que captar aquele paciente também custou.

O preço de um procedimento precisa cobrir, na ordem:

  1. Custo clínico (os cinco blocos do custeio: material, lab, hora de cadeira, dentista, impostos).
  2. Custo de aquisição (o que você gastou em marketing pra aquele paciente chegar e comparecer).
  3. A margem (o lucro de verdade, depois dos dois acima).

E tem um multiplicador escondido aqui: o comparecimento. Se você paga pra captar dez pacientes e só seis comparecem, o custo de aquisição real por paciente que comparece é maior do que o custo por lead. O custeio que ignora o no-show subestima o custo de aquisição.

A clínica que domina os dois lados (custo clínico por procedimento E custo por paciente que comparece) é a que sabe, com número, qual tratamento escalar e qual cortar. Veja quanto investir pra faturar acima de 100 mil e como precificar procedimentos de alto ticket.

Seu próximo passo

  1. Monte a ficha de custeio de um procedimento só. Pegue o que mais vende. Some os cinco blocos: material, laboratório, hora de cadeira (pela hora produtiva), mão de obra do dentista e impostos. Você vai descobrir o custo real dele hoje.
  2. Recalcule o preço pelo markup divisor. Aplique preço = custo / (1 - margem) e compare com o que você cobra hoje. Se a margem real estiver abaixo do que você imaginava, achou o vazamento.
  3. Cruze custo com captação. Veja qual procedimento tem margem pra aguentar o custo de captação e ainda fechar a conta. Esse é o que vale colocar em campanha.

Quer transformar o custo real de cada procedimento em previsibilidade de margem e captar só o paciente que a conta aguenta? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

O que é custeio por procedimento?

É descobrir quanto cada tratamento custa pra clínica antes de definir o preço, somando os quatro blocos: material e descartáveis, laboratório ou terceiros, hora de cadeira (rateio dos custos fixos pelo tempo) e a mão de obra do dentista. Sem isso, você precifica no escuro e pode estar perdendo dinheiro no procedimento que mais vende.

Como calcular o custo da hora de cadeira?

Some todo o custo mensal pra manter a clínica funcionando (aluguel, equipe, contador, software, depreciação, pró-labore) e divida pelas horas REALMENTE produtivas no mês, não pelas horas que a clínica fica aberta. Dividir pela hora aberta embute a ociosidade e faz a hora parecer mais barata do que é.

A tabela CBHPO informa o preço dos procedimentos?

Não. A CBHPO da FIPE/USP usa duas escalas de pontos (honorário e custo operacional) com a consulta inicial valendo 100 pontos, e a própria tabela afirma que não informa o preço, apenas a proporção entre os procedimentos. Ela serve de referência relativa, não substitui o seu custeio.

Qual a fórmula certa pra virar custo em preço?

Use o markup divisor: preço = custo total / (1 - margem). Somar a margem direto sobre o custo (custo + 30%) entrega uma margem real menor que a desejada, porque a margem precisa sair do preço final, não do custo.

Por que não posso precificar olhando o concorrente?

Porque o preço do vizinho carrega o custo dele, não o seu. Material, laboratório, ociosidade e estrutura mudam de clínica pra clínica. Copiar o preço de fora sem conhecer o próprio custo é o caminho mais rápido pra vender muito e lucrar pouco.

O custeio por procedimento serve pra decidir o que anunciar?

Serve, e muito. Saber o custo e a margem real de cada tratamento mostra qual procedimento aguenta um custo de captação maior e ainda fecha a conta. Anunciar o tratamento de margem apertada com custo por paciente alto é como vender abaixo do custo em escala.