Quanto tempo de cadeira cada procedimento ocupa e como isso afeta a margem da clínica odontológica?
Tempo de cadeira é o ativo mais escasso da clínica: o que define a margem não é o preço do procedimento, é quanto cada hora de cadeira produz. Veja como calcular o custo da hora-cadeira, comparar lucro por hora entre procedimentos e montar o mix que mais lucra.
O que decide a margem não é o ticket do procedimento, é o lucro por hora-cadeira: custo da hora-cadeira (custos fixos do mês divididos pelas horas produtivas reais) mais o custo variável, e o procedimento que paga melhor cada hora ocupada é o que sustenta a clínica.
- A margem está sob pressão estrutural. Segundo o Health Policy Institute da American Dental Association, em cinco anos a receita das clínicas subiu 1,4% enquanto as despesas subiram 4,9%, um aperto que faz a renda real do dentista cair há 15 anos.
- Capacidade é hora-cadeira, não dia de trabalho. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial e o pico de procura é às 15h, dados internos da Odonto Results: cada hora de cadeira ociosa é margem que não volta.
- O procedimento mais caro nem sempre é o mais lucrativo por hora. A conta que importa é lucro por hora-cadeira (preço menos custo variável, dividido pelo tempo ocupado), não o ticket isolado nem o volume bruto de pacientes.
Faz parte do guia: Como fazer a gestão da clínica odontológica (agenda, faltas e faturamento)?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- O que é tempo de cadeira e por que ele é o ativo mais escasso
- O custo da hora-cadeira: a conta que muda tudo
- Horas de calendário não são horas produtivas
- Custo fixo da hora x custo variável do procedimento
- O preço mínimo sustentável de um procedimento
- Quanto tempo de cadeira cada procedimento ocupa
- Margem por procedimento x margem por hora-cadeira
- Contribuição por hora: a métrica que decide a agenda
- Rápido e caro x longo e barato: o efeito no faturamento por cadeira
- Mix de procedimentos: o que pesa mais que volume de pacientes
- Taxa de ocupação da cadeira e a diluição do custo fixo
- Impostos, taxa de cartão e comissão entram no cálculo
- Margem-alvo e overhead: o custo de operar como % do faturamento
- No-show e cancelamento: margem que vira hora ociosa
- Como organizar a agenda em torno do tempo de cadeira
- O aperto financeiro do dentista: por que a margem fica sob pressão
- Os erros comuns que destroem a margem por hora
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Quanto tempo de cadeira cada procedimento ocupa e como isso afeta a margem da minha clínica?"
A maioria das clínicas calcula a margem errado. Olha o preço do procedimento, desconta o material e acha que sabe quanto lucra.
Falta a variável mais cara de todas: o tempo.
Toda cadeira tem um número fixo de horas por mês. Cada hora carrega aluguel, salário, energia e estrutura, esteja ela ocupada ou vazia. O procedimento não consome só material: consome a coisa mais escassa que você tem, que é hora-cadeira.
Por isso o caso mais caro nem sempre é o mais lucrativo. O que decide a margem é quanto cada hora de cadeira produz.
E o cerco aperta. Segundo o Health Policy Institute da American Dental Association, num período de cinco anos a receita das clínicas subiu 1,4% enquanto as despesas subiram 4,9%. Despesa correndo na frente da receita é exatamente o que come margem por hora-cadeira.
Neste guia você vai ver:
- Por que tempo de cadeira é o ativo mais escasso da clínica
- Como calcular o custo da hora-cadeira (e por que usar horas produtivas reais)
- Por que o procedimento mais caro nem sempre é o mais lucrativo por hora
- Como montar o mix de serviços que mais lucra dentro do teto de horas
- O que a falta, o no-show e a ociosidade tiram da sua margem
O que é tempo de cadeira e por que ele é o ativo mais escasso
Antes da conta, alinhe o conceito. Tempo de cadeira é o total de horas que cada cadeira fica disponível para produzir por mês. É a sua capacidade de produção, e ela tem teto.
Pensa assim: você consegue comprar mais material, contratar mais gente, investir mais em marketing. O que você não consegue é esticar quantas horas uma cadeira rende. Uma cadeira que abre 8 horas por dia, 22 dias por mês, tem 176 horas de calendário. Esse número é finito.
Tudo na clínica disputa essas horas. O implante, a limpeza, a avaliação, o retorno. Cada procedimento que entra na agenda ocupa um pedaço de um recurso que não cresce.
É por isso que a margem da clínica não se mede só por procedimento. Se mede por hora-cadeira.
Lembre: você não vende procedimentos, você aluga horas de cadeira para procedimentos. A pergunta de gestão não é "quanto esse caso rende", é "quanto cada hora de cadeira rende".
O custo da hora-cadeira: a conta que muda tudo
Aqui está a métrica que separa a clínica que sabe a própria margem da que chuta. O custo da hora-cadeira (ou hora clínica) é quanto custa manter uma hora de cadeira de pé, antes de qualquer material.
A fórmula é simples:
Custo da hora-cadeira = custos fixos mensais ÷ horas produtivas reais no mês
Os custos fixos são tudo o que você paga esteja a cadeira ocupada ou vazia:
- Aluguel e condomínio.
- Energia, água, internet.
- Salários da estrutura (recepção, CRC, auxiliar, limpeza).
- Software de gestão, contador, marketing fixo.
- Pró-labore e encargos.
Some tudo isso no mês e divida pelas horas que a cadeira de fato produz. O resultado é o piso: cada hora de cadeira já nasce devendo esse valor antes de você comprar uma luva.
E repare no detalhe que quase ninguém respeita: o divisor são as horas produtivas reais, não as horas de calendário. É o ponto da próxima seção, e é onde a maioria erra a conta.
Horas de calendário não são horas produtivas
Esse é o erro de cálculo mais comum, e ele faz a clínica achar que ganha mais do que ganha.
A cadeira "abre" 176 horas no mês (calendário). Mas ela não produz 176 horas. Entre o calendário e a produção real some um monte de tempo:
- Cancelamentos e faltas: o horário estava marcado, ninguém compareceu.
- No-show de avaliação: a agenda mostrava cheia, a cadeira ficou vazia.
- Intervalos e setup: preparar a sala, esterilizar, montar a próxima, anotar prontuário.
- Buracos de agenda: o encaixe que não veio, a janela entre dois pacientes.
Quando você desconta tudo isso, sobram bem menos horas realmente produtivas. Se a cadeira de calendário tem 176 horas mas só produz, digamos, 120, o custo fixo precisa ser diluído por 120, não por 176.
A diferença é brutal. Dividir o mesmo custo fixo por menos horas eleva o custo de cada hora. Quem calcula pelo calendário acha a hora barata, precifica baixo e descobre o prejuízo só no caixa.
Lembre: usar a capacidade realista (hora produtiva, não hora de calendário) é o que protege a margem. A cadeira não te paga pelas horas que abre, só pelas que produz.
Quer aprofundar a leitura da capacidade por cadeira? Veja o ponto de equilíbrio por cadeira e especialidade.
Custo fixo da hora x custo variável do procedimento
Com a hora-cadeira calculada, falta a segunda metade do custo: o que muda de procedimento para procedimento.
São dois tipos de custo, e confundir os dois é a raiz de quase todo erro de precificação.
Custo fixo (da estrutura): corre o mês inteiro, independe do que você faz. É o que vira o custo da hora-cadeira. Aluguel não muda se você faz uma limpeza ou um protocolo.
Custo variável (do procedimento): só existe se o procedimento acontece. Muda caso a caso:
- Material específico (resina, pino, implante, parafuso protético).
- Esterilização e descartáveis daquele atendimento.
- Laboratório de prótese (terceirizado ou próprio).
- Repasse ao protético ou ao prestador.
- Comissão do dentista que executou.
O custo total de um procedimento é a soma dos dois: (custo da hora-cadeira × tempo do procedimento) + custo variável. Um sem o outro mente.
A clínica que só olha o material esquece que o caso ocupou três horas de uma cadeira que custa caro. A que só olha a hora-cadeira esquece o implante caro que entrou. A conta certa junta as duas pontas.
O preço mínimo sustentável de um procedimento
Agora dá para montar o piso. Preço abaixo disso é prejuízo disfarçado, por mais que o número pareça "bom".
O preço mínimo sustentável tem quatro camadas:
Preço mínimo = (custo da hora-cadeira × tempo) + custo variável + impostos + margem-alvo
Veja como cada peça entra:
- Custo da hora-cadeira × tempo: quanto da estrutura aquele procedimento consome. Um caso de duas horas come o dobro de estrutura de um caso de uma hora, mesmo material à parte.
- Custo variável: o material, o laboratório, o repasse daquele caso específico.
- Impostos e taxas: imposto sobre o faturamento (que muda com o regime), taxa de cartão, eventual comissão. Incide sobre a venda, não sobre o lucro, então entra no preço.
- Margem-alvo: o lucro que você quer de fato embolsar, não o que sobra por acaso.
A armadilha clássica: a clínica calcula material mais um pouco de mão de obra, fecha um preço que parece saudável e, no fim do mês, o caixa não bate. O furo está na hora-cadeira não computada e nos impostos esquecidos.
Para o passo a passo de como transformar isso em tabela de preço, veja como precificar tratamentos na clínica odontológica e o recorte de precificação de procedimentos de alto ticket.
Quanto tempo de cadeira cada procedimento ocupa
Esse é o coração da pergunta. Cada procedimento ocupa a cadeira por um tempo diferente, e a amplitude dentro de um mesmo tipo é grande conforme a complexidade.
A tabela abaixo traz faixas de ordem de grandeza para você raciocinar sobre ocupação, não preços de mercado. O tempo real varia com o caso, a técnica, a curva de cada profissional e a estrutura da clínica, então trate como referência de planejamento, não como número fechado.
| Procedimento | Ocupação de cadeira (ordem de grandeza) | Característica de margem |
|---|---|---|
| Limpeza / profilaxia | Curta, sessão única | Ticket baixo, alto giro, delegável à higienista |
| Restauração | Curta a média, em geral sessão única | Ticket médio, material moderado |
| Endodontia (canal) | Média, pode exigir mais de uma sessão | Ticket médio-alto, tempo concentrado |
| Implante (cirurgia) | Curta a média por implante; cresce com enxerto e carga imediata | Ticket alto em tempo relativamente curto |
| Prótese / protocolo | Várias sessões ao longo de semanas | Ticket alto, soma muitas horas e laboratório |
| Ortodontia | Sessões curtas e recorrentes por muitos meses | Receita recorrente, baixa ocupação por sessão |
Repare no padrão que essa tabela revela: alguns procedimentos concentram ticket alto em pouco tempo de cadeira, outros pingam pouca ocupação por sessão mas se estendem por meses. Essa diferença, e não o preço, é o que define a margem por hora.
Lembre: "quanto tempo ocupa" não tem resposta única dentro de um mesmo procedimento. A complexidade muda tudo. Por isso a clínica precisa medir o próprio tempo médio real por tipo, não copiar uma tabela de fora.
Margem por procedimento x margem por hora-cadeira
Aqui mora a virada de raciocínio que reorganiza a agenda inteira.
Você pode olhar a margem de duas formas, e elas levam a decisões opostas:
- Margem por procedimento: quanto cada caso deixa. Útil, mas incompleta.
- Margem por hora-cadeira: quanto cada caso deixa por hora ocupada. É a que decide.
O motivo é o teto de horas. Como a cadeira tem horas finitas, o que importa não é o lucro do caso, é o lucro por hora que o caso entrega. Um procedimento de ticket altíssimo que trava a cadeira por muitas horas pode render menos por hora do que dois ou três casos rápidos no mesmo intervalo.
Pensa num exemplo ilustrativo. Imagine um caso A que deixa R$ 2.000 de lucro e ocupa 4 horas: são R$ 500 por hora. Um caso B que deixa R$ 800 e ocupa 1 hora: são R$ 800 por hora. O caso B, de ticket menor, lucra mais por hora-cadeira. (Números ilustrativos, só para mostrar a mecânica.)
O caso mais caro não é o vilão. O ponto é que o preço sozinho não te diz a verdade. Só o lucro por hora diz.
Essa é a mesma lógica da margem de contribuição por procedimento: o que sobra depois do custo variável, agora dividido pelo tempo que o caso prendeu na cadeira.
Contribuição por hora: a métrica que decide a agenda
Se você só puder acompanhar um número de produtividade, acompanhe este: a contribuição por hora-cadeira. É o lucro que cada procedimento deixa por hora ocupada.
A conta:
Contribuição por hora = (preço − custo variável) ÷ tempo de cadeira do procedimento
Esse número faz três coisas que o ticket não faz:
- Ordena o seu cardápio de serviços do que mais lucra por hora ao que menos lucra.
- Guia o encaixe da agenda: quando há disputa por um horário, você sabe qual procedimento defende melhor aquela hora.
- Expõe o caso que parece bom e não é: o procedimento de ticket alto e contribuição por hora baixa fica escancarado.
Não é para banir o procedimento de baixa contribuição por hora. Limpeza e avaliação, por exemplo, alimentam o funil e geram os casos grandes. É para decidir com consciência qual o papel de cada um, não no escuro.
Rápido e caro x longo e barato: o efeito no faturamento por cadeira
Junte ticket e tempo e aparecem quatro tipos de procedimento. Entender em qual quadrante cada um cai muda como você monta o dia.
- Rápido e alto ticket: o melhor dos mundos por hora-cadeira. Concentra valor em pouca ocupação. É o que mais ergue o faturamento por cadeira.
- Longo e alto ticket: rende muito no total, mas trava a cadeira. Precisa de preço que pague todas as horas que consome.
- Rápido e baixo ticket: giro alto, contribuição por hora razoável se for delegável. Bom de funil, ótimo se sai da sua cadeira.
- Longo e baixo ticket: o destruidor silencioso de margem. Ocupa muito, deixa pouco. É o caso a revisar (preço, processo ou tempo).
A clínica que entende esse mapa para de medir sucesso por "agenda cheia" e passa a medir por faturamento e lucro por cadeira. Cheio de caso longo e barato é estar ocupado sem lucrar.
Mix de procedimentos: o que pesa mais que volume de pacientes
Aqui está a tese central deste guia: dentro de um teto fixo de horas-cadeira, o mix de procedimentos importa mais que o volume bruto de pacientes.
A lógica é direta. Se as horas são finitas, o faturamento e a margem dependem de como você preenche essas horas, não de quantas cabeças passam pela porta. Atender mais gente em procedimentos de baixa contribuição por hora pode te deixar mais ocupado e menos lucrativo.
Pensa assim: duas clínicas com o mesmo número de cadeiras e as mesmas horas podem ter faturamentos muito diferentes só pelo mix. A que mistura bem casos de alta contribuição por hora com o giro que alimenta o funil lucra mais que a que enche a agenda de qualquer procedimento.
Isso muda o foco da gestão e do marketing:
- Marketing: não é trazer "mais pacientes", é atrair o caso certo que ocupa bem a hora. Captação de paciente de alto ticket tem efeito desproporcional no faturamento por cadeira.
- Comercial: subir o ticket e o aceite de tratamentos completos preenche as horas com mais valor. Veja como aumentar o ticket médio.
Lembre: agenda cheia não é sinônimo de clínica lucrativa. O mix de procedimentos que ocupa cada hora-cadeira é o que decide a margem, não o número de pacientes.
Taxa de ocupação da cadeira e a diluição do custo fixo
O custo fixo só fica barato por hora quando a cadeira produz muito. É a outra alavanca da margem, e ela é puramente de ocupação.
Repare na mecânica: o aluguel é o mesmo se a cadeira produz 80 horas ou 130 horas no mês. Quanto mais horas produtivas, mais gente para dividir a mesma conta fixa, e menor o custo de cada hora.
A taxa de ocupação (quanto das horas disponíveis a cadeira de fato produz) tem efeito direto e não-linear na margem:
- Ocupação baixa: o custo fixo se concentra em poucas horas, cada hora fica cara, a margem afunda.
- Ocupação alta: o mesmo custo fixo se espalha por muitas horas, cada hora fica barata, a margem respira.
Por isso ocupar a cadeira ociosa não é detalhe operacional, é decisão de margem. Cada hora vaga é custo fixo que ficou sem ninguém para dividir. Veja como ocupar a cadeira ociosa da agenda.
Impostos, taxa de cartão e comissão entram no cálculo
Muita conta de margem morre aqui, porque para de cedo. Calcula custo e tempo, esquece o que o governo, o banco e o dentista levam por cima.
Três descontos incidem sobre o faturamento e precisam entrar no preço mínimo:
- Imposto: incide sobre a receita e muda conforme o regime tributário. Simples Nacional e Lucro Presumido têm cargas e regras diferentes, e o enquadramento certo afeta o quanto sobra de cada procedimento. (Decisão de regime é com seu contador.)
- Taxa de cartão: crédito, débito e parcelado têm taxas distintas. Num ticket alto parcelado, a taxa vira um pedaço relevante.
- Comissão do dentista: quando há repasse ao executor, ele sai da margem do procedimento, não pode ser ignorado.
Se você precificou só pela hora-cadeira mais o material, esses três comem a margem que parecia existir. Eles não são "depois", são parte do preço. Para enquadrar o impacto tributário no resultado, veja como montar uma DRE para a clínica.
Margem-alvo e overhead: o custo de operar como % do faturamento
Subindo do procedimento para a clínica inteira, a pergunta vira: quanto da sua receita é engolida pela estrutura, e quanto sobra de lucro?
Esse é o overhead, o custo total de operar a clínica como percentual do faturamento. É o espelho da margem: se o overhead é alto, a margem é baixa, e vice-versa.
Em vez de cravar uma faixa de mercado (que varia muito com porte, cidade, especialidade e regime), o caminho seguro é o seu próprio número. Some o custo total do mês, divida pelo faturamento, e você tem o seu overhead real. A partir dele:
- Você sabe quanto cada procedimento precisa cobrir de estrutura.
- Você define a margem-alvo que é de fato realizável, não a desejada no papel.
- Você enxerga se o problema é preço (margem por hora baixa) ou ocupação (custo fixo mal diluído).
A combinação de pressão de custo do setor com overhead alto é o que produz o aperto. O dado da American Dental Association ajuda a dimensionar: a renda média do dentista clínico geral foi de US$ 215.320 em 2025, e os ganhos ajustados pela inflação vêm caindo há 15 anos justamente porque a despesa cresce mais rápido que o reembolso. Quem não controla hora-cadeira e mix sente esse aperto em cheio.
No-show e cancelamento: margem que vira hora ociosa
Nenhuma falta é "só um paciente a menos". É uma hora de custo fixo sem ninguém para pagar.
A mecânica é cruel: o aluguel, o salário da equipe e a estrutura correm na hora marcada, esteja o paciente lá ou não. Quando ele falta, o custo fixo daquela hora-cadeira já foi gasto e não tem receita para cobrir. A hora ociosa não volta no mês seguinte.
É por isso que falta e cancelamento são destruidores diretos de margem, não chateação de agenda. Cada buraco aberto por no-show baixa a taxa de ocupação e encarece todas as outras horas.
E o problema é maior do que parece, porque a decisão do paciente acontece fora de hora. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial e 19,4% no fim de semana, com pico de procura às 15h, dados internos da Odonto Results. Lead que não é respondido a tempo nem chega a virar agendamento, e agendamento sem confirmação vira no-show.
Por isso responder rápido e confirmar em mais de um canal protege a ocupação. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, a IA de atendimento responde em mediana 4,4 segundos, dados internos da Odonto Results, exatamente para não perder o lead que decide à noite. Veja como reduzir o no-show e quanto a clínica perde com cadeira vazia e faltas.
Como organizar a agenda em torno do tempo de cadeira
Saber a contribuição por hora só vira margem se a agenda for montada em cima dela. Aqui o conceito vira rotina.
Cinco movimentos organizam a agenda pelo ativo escasso:
- Sequencie por contribuição por hora. Reserve as melhores janelas para os procedimentos que mais lucram por hora; encaixe os de giro nos vãos.
- Bloqueie tempo de setup de propósito. Esterilização e preparo consomem hora-cadeira. Planejar esse tempo evita que ele coma a produção sem aparecer.
- Delegue o que não exige o dentista. Profilaxia e parte da rotina podem sair para a higienista ou o auxiliar, liberando a cadeira do profissional para o caso de maior valor.
- Use o encaixe para cobrir buracos. Lista de espera e confirmação ativa preenchem as janelas que o no-show abriria.
- Confirme para proteger a ocupação. Confirmação em mais de um canal segura o comparecimento e mantém a taxa de ocupação alta.
A delegação merece destaque. Toda hora que um procedimento simples ocupa a cadeira do dentista é uma hora que não está disponível para o caso de alta contribuição. Tirar o que dá da cadeira do profissional é ganho direto de capacidade.
O aperto financeiro do dentista: por que a margem fica sob pressão
Vale fechar entendendo o pano de fundo. A renda do dentista não está sob pressão por acaso, e isso explica por que controlar hora-cadeira virou questão de sobrevivência, não de refino.
O retrato vem do Health Policy Institute da American Dental Association: a renda média do clínico geral foi de US$ 215.320 em 2025, e os ganhos ajustados pela inflação vêm caindo nos últimos 15 anos por um aperto fiscal, com as despesas da clínica crescendo mais rápido que o reembolso. No recorte de cinco anos, a receita subiu 1,4% e a despesa subiu 4,9%.
É um cenário dos Estados Unidos, mas o mecanismo é universal: quando o custo da estrutura sobe mais rápido que o preço que o mercado aceita, a margem por hora-cadeira encolhe sozinha. A clínica que não mexe no mix nem na ocupação só assiste à margem afinar.
Lembre: num cenário de despesa subindo mais rápido que a receita, a única alavanca que sobra no seu controle é a margem por hora-cadeira. Mix melhor e ocupação maior é como você defende o lucro quando não dá para repassar tudo no preço.
Os erros comuns que destroem a margem por hora
Antes do plano de ação, conheça as armadilhas. São três erros que aparecem na maioria das clínicas e custam caro.
1. Confundir o custo do procedimento com o custo de operar a cadeira. A clínica calcula material e mão de obra, esquece a hora-cadeira e os impostos, e precifica abaixo do piso. O caso parece lucrativo e drena o caixa.
2. Precificar pelo concorrente. Copiar o preço da clínica da esquina ignora que o custo da hora-cadeira dela, o mix dela e o overhead dela são outros. Preço de referência externa não conhece a sua estrutura de custo.
3. Ignorar o tempo na precificação. Olhar só o ticket esconde que o caso travou a cadeira por horas. Sem dividir pelo tempo, você nunca sabe qual procedimento de fato lucra.
O fio comum dos três é o mesmo: tratar o procedimento como produto isolado, e não como consumidor de um recurso escasso (a hora-cadeira) com custo próprio.
Seu próximo passo
- Calcule o seu custo da hora-cadeira. Some os custos fixos do mês e divida pelas horas produtivas reais (descontando faltas, intervalos e setup), não pelas horas de calendário. Esse é o piso de toda precificação.
- Ordene seus procedimentos por contribuição por hora. Preço menos custo variável, dividido pelo tempo de cadeira. Veja quais casos lucram mais por hora e use isso para montar agenda e mix, não só ticket.
- Proteja a ocupação e o mix. Reduza no-show com resposta rápida e confirmação ativa, delegue o que não exige o dentista e atraia o caso que ocupa bem cada hora. Margem por hora-cadeira é a alavanca que está no seu controle.
Quer transformar a captação da sua clínica em casos que ocupam bem cada hora de cadeira e defendem a sua margem? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
O que é tempo de cadeira na clínica odontológica?
Tempo de cadeira é o total de horas que cada cadeira fica disponível para produzir por mês. É o ativo mais escasso da clínica: você pode contratar mais material e mais marketing, mas não pode esticar o número de horas que uma cadeira ocupada rende. Por isso a margem se mede por hora-cadeira, não só por procedimento.
Como calcular o custo da hora-cadeira (hora clínica)?
Some os custos fixos mensais (aluguel, energia, salários da estrutura, software, pró-labore) e divida pelas horas produtivas reais do mês, não pelas horas de calendário. Se sobram 120 horas realmente produtivas depois de descontar cancelamentos, faltas, intervalos e setup, o custo fixo do mês dividido por 120 é o que cada hora de cadeira custa antes do material e do imposto.
O procedimento mais caro é sempre o mais lucrativo?
Não. O que decide é o lucro por hora-cadeira, não o ticket. Um procedimento de ticket menor que ocupa pouco tempo pode lucrar mais por hora do que um caso caro e demorado. A pergunta certa é quanto cada procedimento deixa por hora de cadeira ocupada, depois de descontar custo variável e imposto.
Qual o impacto da falta e do cancelamento na margem?
Devastador, porque o custo fixo da hora-cadeira corre mesmo com a cadeira vazia. O aluguel, o salário e a estrutura são pagos esteja a cadeira ocupada ou não, então cada hora perdida por falta ou cancelamento é margem que não volta. Por isso a capacidade de planejamento é a hora produtiva real, não a hora de calendário.
Como o regime tributário entra no preço mínimo do procedimento?
O imposto incide sobre o faturamento e muda conforme o regime (Simples Nacional ou Lucro Presumido), então ele precisa entrar no preço mínimo junto com a taxa de cartão e a comissão do dentista. Precificar só pelo custo da hora-cadeira mais o material, sem somar imposto e taxas, gera margem aparente que some no caixa.
Mix de procedimentos importa mais que número de pacientes?
Em geral sim. Você tem um teto de horas-cadeira por mês, então o que define o faturamento e a margem é como você preenche essas horas, não quantos pacientes atende. Um mix com bons casos de alto lucro por hora rende mais que uma agenda cheia de procedimentos que mal cobrem o custo da estrutura.