Custos e ROI

Indicador de produtividade por cadeira: como medir a receita por hora clínica da sua clínica odontológica?

A receita por hora clínica é o indicador que mostra se cada hora de cadeira rende ou queima custo fixo. Veja a conta ponta a ponta: capacidade instalada, ocupação, custo da hora, preço mínimo e o KPI de acompanhamento, com o impacto de ociosidade, no-show e mix de procedimentos.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 1 de julho de 2026 · 20 min de leitura
TL;DR

Receita por hora clínica é o faturamento (ou a produção) do período dividido pelas horas que a cadeira de fato produziu. É o indicador de produtividade da cadeira, o seu recurso escasso: mede o que o faturamento total esconde, a hora vazia que continua custando.

Pontos-chave
  • Medir a cadeira deixou de ser opcional. Segundo o Health Policy Institute da American Dental Association, o clínico geral em consultório privado teve renda líquida média de US$ 215.320 em 2025, e num período de 5 anos a receita subiu apenas 1,4% enquanto as despesas subiram 4,9%, um aperto de margem que só se enxerga medindo o rendimento por hora, não o faturamento total.
  • Ociosidade é a maior alavanca do indicador. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, o comparecimento dos agendamentos fica entre 20% e 50%, o que mostra que cada hora reservada e não ocupada por paciente que comparece é receita por hora jogada fora, com o custo fixo correndo igual, dados internos da Odonto Results.
  • A cadeira só enche se você responde fora de hora. Nos dados internos da Odonto Results, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial e 19,4% no fim de semana, e o lead que não é respondido na hora vira cadeira ociosa depois, que já foi paga, dados internos da Odonto Results.

Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. O que é receita por hora clínica (a produção que o faturamento esconde)
  4. Por que medir por CADEIRA e por HORA: a cadeira é o seu recurso escasso
  5. A conta ponta a ponta: as quatro peças que alimentam o indicador
  6. Passo 1: a capacidade instalada teórica da cadeira
  7. Passo 2: as horas produtivas reais (capacidade x ocupação)
  8. Taxa de ocupação da cadeira: como medir (e por que não há número mágico)
  9. Passo 3: o custo da hora da cadeira (a hora-estrutura)
  10. Custos fixos x variáveis: o que entra em cada balde
  11. Passo 4: a hora do profissional, a margem e o preço mínimo por hora
  12. Receita por hora efetiva realizada: o KPI que você acompanha
  13. Ociosidade: a maior alavanca financeira da cadeira
  14. No-show e comparecimento: a receita por hora que evapora
  15. Ticket por hora e mix de procedimentos: por que o mix vence o preço de tabela
  16. Convênio x particular: por que a cadeira cheia pode render pouco
  17. Como aumentar a receita por hora da cadeira
  18. O painel da cadeira: o que acompanhar toda semana
  19. Erros comuns que sabotam o indicador
  20. Por que isso deixou de ser opcional: o aperto de margem no setor
  21. Seu próximo passo
  22. Perguntas frequentes

"Como medir o indicador de produtividade por cadeira, a receita por hora clínica, na minha clínica odontológica?"

Sua clínica pode faturar muito bem e ainda estar desperdiçando o ativo mais caro que ela tem.

O faturamento total é um número que engana. Ele soma a hora cheia com a hora vazia, o procedimento de alto valor com o de baixo, e esconde a cadeira que ficou parada metade do dia queimando custo fixo.

O indicador que revela isso é a receita por hora clínica, também chamada de produção por hora de cadeira. Ele responde a pergunta que o faturamento não responde: cada hora que a sua cadeira fica aberta está rendendo ou está torrando dinheiro?

E isso pesa cada vez mais. Segundo o Health Policy Institute da American Dental Association, num período de 5 anos a receita das clínicas subiu apenas 1,4% enquanto as despesas subiram 4,9%. Quando a despesa cresce mais rápido que a receita, o número que salva é o rendimento por hora, não o total no fim do mês.

Neste guia você vai ver:

  • O que é receita por hora clínica e por que ela bate o faturamento total como métrica
  • Por que a cadeira é o seu recurso escasso e o certo é medir por cadeira e por hora
  • A conta ponta a ponta: capacidade instalada, ocupação, custo da hora e preço mínimo
  • Como acompanhar a receita por hora realizada como KPI semanal
  • Onde o indicador vaza: ociosidade, no-show, mix de procedimento e convênio

O que é receita por hora clínica (a produção que o faturamento esconde)

Antes da conta, alinhe o conceito. Receita por hora clínica é quanto cada hora de cadeira gera, em reais.

A fórmula base é uma divisão simples:

Receita por hora = faturamento (ou produção) do período / horas que a cadeira produziu no período.

Repare no detalhe que muda tudo: o denominador não é o faturamento, é o tempo. Você neutraliza o volume e mede o rendimento de uma hora de estrutura, comparável entre cadeiras, entre profissionais e entre meses.

Por que isso é diferente do faturamento total? Porque o total mistura tudo.

Pensa assim: duas clínicas faturam R$ 100 mil no mês. A primeira atende com a agenda lotada e procedimento de valor. A segunda tem cadeira vazia metade do tempo e compensa com volume de procedimento barato. No faturamento, elas são iguais. Na receita por hora, uma é o dobro da outra.

Lembre: faturamento alto é conforto que engana. Ele pode esconder uma cadeira ociosa e um mix ruim. A receita por hora tira o disfarce e mostra se a estrutura que você paga está de fato produzindo.

Vale separar dois termos que muita gente troca: produção é o valor do trabalho clínico feito no período; faturamento é o que entrou no caixa. Eles divergem por parcelamento, glosa e inadimplência. Para medir produtividade da cadeira, prefira a produção, que isola o rendimento da estrutura.

Por que medir por CADEIRA e por HORA: a cadeira é o seu recurso escasso

Este é o ponto que justifica o indicador inteiro. A cadeira é o gargalo da clínica.

Tudo na operação existe para manter a cadeira ocupada, produzindo, com o profissional certo. Ela é finita: você tem um número fixo de cadeiras, cada uma abre um número fixo de horas por dia. Essa é a sua capacidade máxima de gerar receita.

Por isso a régua certa não é "quanto a clínica faturou". É "quanto cada hora de cada cadeira rendeu".

  • Medir por cadeira revela onde está a estrutura ociosa (a sala que você paga e não usa).
  • Medir por hora neutraliza o tempo e compara maçã com maçã (uma cadeira que roda 8 horas com uma que roda 4).

O faturamento total falha justamente aqui: ele não enxerga o recurso escasso. Você pode aumentar o faturamento abrindo mais horas ou empurrando procedimento barato, e piorar a produtividade da cadeira ao mesmo tempo. O indicador por hora não deixa esse autoengano passar.

A conta ponta a ponta: as quatro peças que alimentam o indicador

A receita por hora só faz sentido quando você a compara com o que aquela hora custa e com o preço mínimo que ela deveria cobrar. São quatro peças encadeadas.

Veja o mapa antes de mergulhar em cada uma:

  1. Capacidade instalada teórica: quantas horas de cadeira a clínica pode vender no mês.
  2. Horas produtivas reais: a capacidade descontada da ociosidade (o denominador honesto).
  3. Custo da hora da cadeira: o custo fixo diluído nas horas produtivas.
  4. Hora do profissional + margem: o que fecha o preço mínimo por hora.

Com essas quatro peças, você fecha o ciclo: sabe o piso que cada hora precisa cobrar e mede, na prática, quanto ela cobrou de verdade. Vamos por partes.

Passo 1: a capacidade instalada teórica da cadeira

Comece pelo teto. A capacidade instalada é o máximo de horas de cadeira que a clínica pode produzir no período.

A fórmula é direta:

Capacidade instalada = número de cadeiras x horas por dia x dias úteis no mês.

Exemplo ilustrativo com uma clínica de duas cadeiras:

  • 2 cadeiras
  • 8 horas por dia
  • 22 dias úteis no mês
  • Capacidade: 2 x 8 x 22 = 352 horas de cadeira por mês

Essas 352 horas são o teto teórico. É a quantidade máxima de hora-cadeira disponível para vender. Mas ninguém produz 100% do teto, e é aí que entra o passo 2.

Passo 2: as horas produtivas reais (capacidade x ocupação)

Capacidade instalada não é hora produzida. Entre uma e outra mora toda a ociosidade da clínica.

As horas produtivas reais são a capacidade multiplicada pela taxa de ocupação:

Horas produtivas = capacidade instalada x taxa de ocupação.

Seguindo o exemplo ilustrativo, com 75% de ocupação:

  • 352 horas de capacidade x 0,75 = 264 horas produtivas no mês

Leia o que esse desconto significa: 88 horas de cadeira (o equivalente a 25% do teto) simplesmente não geraram receita, embora o custo fixo delas tenha corrido igual. A conta vale para qualquer porte: se a ocupação fica entre 70% e 80%, uma capacidade de 160 horas teóricas vira algo como 110 a 130 horas produtivas (160 x 0,70 e 160 x 0,80).

Esse é o denominador honesto do indicador. Usar a capacidade cheia no lugar das horas produtivas é o erro mais caro do cálculo, porque faz a cadeira parecer mais barata e mais produtiva do que é.

Taxa de ocupação da cadeira: como medir (e por que não há número mágico)

A ocupação é a peça que liga capacidade e produção. Vale um cálculo próprio.

Taxa de ocupação = (horas de cadeira ocupadas / capacidade instalada) x 100.

Exemplo de uma cadeira que fica disponível 160 horas no mês e atende 120: 120 / 160 x 100 = 75% de ocupação. Os outros 25% são estrutura paga e parada.

Aqui muita gente quer o número mágico de mercado. Cuidado: não existe um percentual único e confiável para cravar, porque a ocupação saudável varia com o perfil da clínica, o mix e a região. Perseguir uma meta genérica de internet atrapalha mais que ajuda.

A régua certa é interna. A pergunta não é "estou acima da média do mercado?". É "a minha ocupação está subindo ou caindo mês a mês, e o custo fixo está bem diluído?".

O que dá para afirmar com segurança é a direção: quanto maior a ocupação, mais barata fica cada hora produzida, porque o mesmo custo fixo se dilui em mais horas. Para aprofundar essa régua, veja qual a taxa de ocupação de cadeira saudável.

Passo 3: o custo da hora da cadeira (a hora-estrutura)

Agora você descobre quanto custa manter a cadeira aberta por uma hora. Esse número é o piso de tudo.

A fórmula usa as horas produtivas do passo 2, não a capacidade cheia:

Custo da hora-estrutura = custos fixos mensais / horas produtivas.

Seguindo o exemplo ilustrativo, com R$ 33.000 de custo fixo mensal e 264 horas produtivas:

  • R$ 33.000 / 264 = R$ 125 por hora de estrutura

Repare no efeito da ociosidade sobre esse número. Se a mesma clínica caísse para 50% de ocupação (176 horas), o custo da hora saltaria para R$ 187. A cadeira mais vazia não fica só menos produtiva: ela fica mais cara por hora. Custo e ocupação andam colados.

Para o passo a passo completo desse cálculo, com depreciação e pro-labore, veja como calcular o custo da hora de cadeira.

Custos fixos x variáveis: o que entra em cada balde

O custo da hora-estrutura só é confiável se você souber separar o que é fixo do que é variável. Misturar os dois distorce o indicador.

  • Custo fixo corre todo mês com a cadeira cheia ou vazia. É o que dilui pelas horas produtivas.
  • Custo variável só existe quando o procedimento acontece. Ele entra depois, no preço do caso específico, não na hora-estrutura.

Veja a divisão na prática:

Tipo O que entra Como afeta o indicador
Fixo Aluguel, energia, água, folha e encargos, software de gestão, contador, impostos sobre a estrutura, marketing recorrente, manutenção Dilui nas horas produtivas; ociosidade encarece cada hora
Variável Materiais e descartáveis, esterilização, anestésico, protético/laboratório, taxa de cartão, comissão/repasse do dentista Entra por procedimento; muda com o mix, não com a hora vazia

O erro clássico é deixar o pro-labore do dono fora do fixo. Se você não coloca a sua própria hora de trabalho na conta, a clínica parece mais lucrativa do que é, e você descobre tarde que trabalhou de graça.

Passo 4: a hora do profissional, a margem e o preço mínimo por hora

Com a hora-estrutura na mão, falta somar o profissional e decidir a margem. É isso que fecha o preço mínimo que cada hora precisa cobrar.

A composição:

Preço mínimo por hora = (hora-estrutura + hora do profissional) + a margem que você decidir.

Seguindo o exemplo ilustrativo:

  • Hora-estrutura: R$ 125
  • Hora do profissional (pro-labore ou repasse): R$ 200
  • Custo total da hora: R$ 325
  • Acréscimo desejado de 20%: R$ 325 x 1,20 = R$ 390 por hora

Um detalhe técnico que muda o número: markup sobre o custo e margem sobre o preço de venda não dão o mesmo resultado. Aplicar 20% sobre o custo não deixa 20% de margem no preço. A conta exata está em como calcular o custo da hora de cadeira.

Esses R$ 390 por hora são o seu piso. Qualquer hora de cadeira vendida abaixo disso trabalha no prejuízo, mesmo que a agenda esteja cheia.

Lembre: o preço de um procedimento nasce daqui. Você multiplica o tempo de cadeira que ele ocupa pelo preço mínimo por hora, soma os materiais específicos daquele caso e adiciona o valor percebido. Errar a hora joga todo preço derivado para o lado errado.

Receita por hora efetiva realizada: o KPI que você acompanha

Os passos 1 a 4 dão o piso, o que a hora deveria cobrar. Agora vem o outro lado: o que ela cobrou de verdade.

A receita por hora realizada é o KPI de acompanhamento. Você mede o que aconteceu, não o que deveria acontecer:

Receita por hora realizada = faturamento (ou produção) do período / horas produtivas.

Fechando o exemplo ilustrativo ponta a ponta:

Etapa Valor (ilustrativo)
Capacidade instalada (2 cadeiras x 8h x 22 dias) 352 h
Ocupação 75%
Horas produtivas 264 h
Custo fixo mensal R$ 33.000
Custo da hora-estrutura R$ 125/h
Hora do profissional R$ 200/h
Preço mínimo por hora (custo + 20%) R$ 390/h
Faturamento do mês R$ 120.000
Receita por hora realizada R$ 454/h

A leitura fecha o raciocínio: a receita por hora realizada (R$ 454) está acima do preço mínimo (R$ 390), então cada hora gerou margem. Se ela caísse abaixo do piso, a clínica estaria produzindo no prejuízo mesmo com faturamento parecendo saudável.

Esse é o número que você acompanha toda semana. Calcule por cadeira e por profissional, não só a média da clínica, porque a média esconde a cadeira ociosa e o dentista que rende abaixo. Para o passo a passo dessa medição, veja produção por hora de cadeira: como medir.

Ociosidade: a maior alavanca financeira da cadeira

Aqui está o insight que muda como você olha a clínica. A ociosidade é a alavanca que mais mexe no indicador, e quase ninguém a trata como custo.

Os custos fixos correm igual com a cadeira cheia ou vazia. O aluguel não cai porque teve um furo na agenda. O salário da recepção não muda porque o paciente faltou.

Então a hora vazia não custa zero. Ela custa o mesmo que a hora cheia, só que sem receita do outro lado.

A matemática é implacável. Veja o efeito da ociosidade sobre o custo de cada hora produzida, com o mesmo custo fixo:

Ocupação Horas produtivas (de 352h) Custo fixo por hora produzida
100% 352 h 1x (o mínimo)
75% 264 h 1,33x
50% 176 h 2x (o dobro)
33% 116 h 3x (o triplo)

A leitura é direta: 50% de ociosidade faz cada hora produzida custar o dobro. É por isso que ocupação não é consequência de um negócio bem tocado. É parte da conta. A clínica com agenda cheia tem, por construção, a hora mais barata da cidade, mesmo cobrando o mesmo preço do concorrente.

E cortar custo tem limite (você não baixa aluguel infinitamente). Encher a cadeira não tem: a mesma estrutura produzindo mais dilui o custo em mais horas. Aprofunde em quanto a clínica perde com cadeira vazia e faltas.

No-show e comparecimento: a receita por hora que evapora

A ociosidade tem um irmão pior: o no-show. O paciente que marca e não comparece é uma forma de ociosidade que dói mais, porque você reservou a hora e recusou oferecê-la a outro.

Quando o paciente falta, aquela hora já estava vendida na sua cabeça. Aí ele some, e a hora vira custo puro, sem nenhuma receita.

E no funil de quem capta paciente por anúncio, o comparecimento é mais frágil do que a maioria imagina. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, o comparecimento dos agendamentos fica entre 20% e 50%, dados internos da Odonto Results. Boa parte do que é marcado não chega na cadeira.

Cada agendamento que não comparece é uma hora que você pagou e não produziu. Por isso o no-show ataca a receita por hora por dois lados:

  1. Reduz a ocupação (menos horas produzindo sobre a capacidade).
  2. Dilui o custo fixo em menos horas (cada hora restante fica mais cara).

Confirmação ativa em mais de um canal e lista de espera para encaixe não são detalhe operacional: são proteção direta do indicador. Veja também o indicador de no-show por procedimento e especialista.

Ticket por hora e mix de procedimentos: por que o mix vence o preço de tabela

Duas cadeiras podem ter a mesma ocupação e receita por hora muito diferente. A explicação está no mix.

O que move a receita por hora não é o preço de tabela de um procedimento isolado. É quanto valor cada hora de cadeira gera, e isso depende de quais procedimentos ocupam a agenda.

Pensa assim:

  • Um procedimento de alto valor em pouco tempo de cadeira: receita por hora alta.
  • Um procedimento de baixo valor que toma a cadeira por horas: receita por hora baixa.

Por isso o mix pesa mais que a tabela. Uma clínica pode ter preços "corretos" e ainda entregar receita por hora fraca, porque a agenda está cheia dos procedimentos errados. Migrar parte da agenda para casos de mais valor por hora eleva o indicador sem abrir uma cadeira sequer.

Para medir o tempo real de cada procedimento (a base desse raciocínio), veja tempo de cadeira por procedimento.

Convênio x particular: por que a cadeira cheia pode render pouco

Aqui mora um erro que passa despercebido. Cadeira ocupada não é o mesmo que cadeira rendendo.

Uma agenda de convênio pode manter a cadeira lotada o mês inteiro e ainda entregar receita por hora baixa. O motivo: o valor pago por procedimento no convênio vem espremido, então cada hora produz muito em volume e pouco em receita líquida.

É a diferença entre receita por hora bruta e líquida:

  • A bruta usa o valor cheio dos procedimentos, e faz a hora de convênio parecer tão boa quanto a de particular.
  • A líquida usa o que de fato fica com a clínica, depois de descontos, repasses e glosa. É ela que paga o custo da cadeira.

Se a clínica atende os dois, calcule os dois números. Uma cadeira de particular com a mesma ocupação de uma de convênio tende a entregar receita por hora líquida bem maior. Não porque o dentista trabalha mais, mas porque cada hora vale mais.

Lembre: ocupação alta com receita por hora líquida baixa é a armadilha do convênio. A cadeira está cheia, você está cansado, e a estrutura mal se paga. Medir por hora líquida é o que expõe isso.

Como aumentar a receita por hora da cadeira

Junte tudo e você tem as alavancas concretas do indicador. Elas atacam três frentes: encher a cadeira, subir o valor da hora e parar o vazamento.

  • Suba a ocupação. Agenda cheia dilui o custo e é a alavanca mais barata, porque não exige mais verba nem mais jornada.
  • Reduza o no-show. Confirmação ativa e lista de espera transformam hora que evaporaria em receita. Cada falta evitada é uma hora salva.
  • Melhore o mix. Priorize na agenda os procedimentos de mais valor por hora de cadeira, sem abrir mão da qualidade clínica.
  • Suba o ticket sem descontar. Mais valor por paciente na mesma hora eleva o número direto.
  • Converta melhor o orçamento. A hora de avaliação só vira produção se o caso fecha. Avaliação que não converte é hora gasta sem resultado.
  • Delegue o que não exige o dentista. Tarefas que uma auxiliar pode fazer liberam a cadeira para o que só o profissional faz, o trabalho de alto valor por hora.

Uma frente que quase ninguém liga ao indicador: a captação. Cadeira cheia depende de agenda cheia, e agenda cheia depende de responder o paciente antes que ele esfrie ou marque em outra clínica.

E o paciente decide fora de hora. Nos dados internos da Odonto Results, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial e 19,4% no fim de semana, dados internos da Odonto Results. Se ninguém responde nesse momento, a agenda não enche, e a cadeira fica vazia depois. Por isso, nas clínicas atendidas pela Odonto Results, a IA de atendimento responde em mediana 4,4 segundos, dados internos da Odonto Results, para manter a agenda cheia que mantém a cadeira produtiva.

O painel da cadeira: o que acompanhar toda semana

Medir uma vez não vira gestão. Produtividade da cadeira se acompanha. Monte um painel enxuto e olhe toda semana.

Um bom painel tem poucos indicadores certos, não dezenas:

Indicador Frequência O que dispara atenção
Receita por hora (por cadeira) Semanal Queda em relação às semanas anteriores
Taxa de ocupação da cadeira Semanal Ocupação caindo (agenda esvaziando)
Receita por hora por profissional Mensal Diferença grande entre dentistas
Taxa de no-show Semanal Falta subindo (proteção da agenda)
Ticket médio Mensal Queda no valor por paciente atendido
Receita por hora bruta x líquida Mensal Líquida muito abaixo da bruta (mix de convênio)

A regra é olhar tendência, não foto. Um número isolado não diz quase nada; o mesmo número subindo ou caindo por três semanas conta a história. Para o painel financeiro mais amplo, veja quais indicadores de caixa acompanhar toda semana.

Erros comuns que sabotam o indicador

Medir errado é pior que não medir, porque dá falsa segurança. Os mais caros:

  • Olhar só o faturamento total. Ele esconde a cadeira ociosa e o mix ruim. A produtividade só aparece por hora.
  • Não contar as horas improdutivas. Dividir pela jornada cheia, e não pelas horas que a cadeira de fato produz, infla o número e mascara a ociosidade.
  • Subprecificar. Vender a hora abaixo do preço mínimo enche a agenda e esvazia o caixa. Volume sem margem correta é prejuízo em escala.
  • Confundir ocupação com rendimento. Cadeira cheia de convênio pode render pouco. O que importa é a receita por hora líquida.
  • Medir só a média da clínica. Sem cortar por cadeira e por profissional, você não acha onde está o vazamento.
  • Pressionar o dentista a "atender mais rápido". O ganho vem de cadeira cheia e mix melhor, não de correr com o paciente e comprometer a qualidade.

Lembre: o objetivo nunca é apressar o atendimento. É eliminar hora de cadeira parada e converter melhor a agenda que você já tem. Produtividade é tirar o desperdício, não acelerar a mão.

Por que isso deixou de ser opcional: o aperto de margem no setor

Feche o raciocínio com o contexto que torna esse indicador urgente. A margem da odontologia está apertando.

Segundo o Health Policy Institute da American Dental Association, o clínico geral em consultório privado teve renda líquida média de US$ 215.320 em 2025. E o dado que acende o alerta: num período de 5 anos, a receita subiu apenas 1,4% enquanto as despesas subiram 4,9%.

Leia esse contraste de novo. A despesa cresceu mais de três vezes mais rápido que a receita.

Quando a estrutura fica mais cara e o que entra cresce devagar, o único jeito de proteger a margem é fazer cada hora de cadeira render mais. Não dá para simplesmente cobrar muito mais (o mercado tem teto) nem cortar custo ao infinito. Dá para tirar o desperdício da cadeira.

É por isso que a receita por hora clínica deixou de ser um número acadêmico e virou um indicador de sobrevivência. Ele é o que separa a clínica que trabalha muito e sobra pouco da que produz com margem em cada hora.

Seu próximo passo

  1. Calcule a sua receita por hora esta semana. Levante o faturamento (ou a produção) do mês e divida pelas horas que a cadeira de fato produziu, por cadeira e por profissional. Compare com o custo da hora-estrutura para ver se cada hora gera margem.
  2. Ataque o maior vazamento primeiro. Se a ocupação está baixa, o foco é agenda (no-show, encaixe, captação). Se a receita por hora está baixa com a agenda cheia, o foco é mix, ticket e conversão de orçamento. Corte pelo que dói mais.
  3. Conecte captação e ocupação. Garanta que o paciente que chega seja respondido em segundos, inclusive fora do horário, para a agenda nunca esvaziar a cadeira que você paga para manter aberta.

Quer transformar a capacidade da sua clínica em agenda cheia e cadeira produtiva de forma previsível, com paciente que comparece e dilui o seu custo por hora? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

O que é receita por hora clínica na odontologia?

É quanto cada hora de cadeira rende, em reais. Você divide o faturamento (ou a produção) do período pelas horas que a cadeira de fato produziu. É o indicador de produtividade da cadeira, porque isola o rendimento do seu recurso mais escasso e mostra o que o faturamento total esconde: a hora vazia que continua custando.

Como calcular a receita por hora de cadeira?

Divida o faturamento do período pelas horas produtivas do mesmo período. Exemplo ilustrativo: R$ 120 mil de produção num mês com 264 horas produtivas dá cerca de R$ 454 por hora de cadeira. Calcule por cadeira e por profissional para ver onde está a ociosidade e quem rende mais na mesma hora.

Qual a diferença entre receita por hora e faturamento total?

O faturamento total diz quanto entrou; a receita por hora diz se a estrutura rendeu ou desperdiçou. Duas clínicas podem faturar igual: uma com a agenda cheia e procedimento de valor, outra com metade da cadeira vazia. O faturamento não separa as duas. A receita por hora separa na hora.

Qual a taxa de ocupação ideal da cadeira?

Não existe número único de mercado confiável para cravar aqui, porque depende do mix, do ticket e da região. A régua correta é interna: compare a clínica com ela mesma ao longo do tempo e persiga ocupação alta, porque o custo fixo corre com a cadeira cheia ou vazia.

Como o no-show afeta a receita por hora?

Cada falta é uma hora de cadeira paga (aluguel, salário, equipamento) sem nenhuma receita no lugar. O no-show não some só com um atendimento: ele reduz a ocupação e ainda dilui o custo fixo em menos horas, então cada hora restante fica mais cara. É um golpe duplo na produtividade da cadeira.

Convênio ou particular rende mais por hora de cadeira?

Por hora líquida, o particular tende a render mais. Uma agenda de convênio pode manter a cadeira cheia e ainda entregar receita por hora baixa, porque o valor pago por procedimento vem espremido. Cadeira ocupada não é o mesmo que cadeira rendendo: o que paga a estrutura é a receita líquida por hora, não a ocupação.