Indicador de produtividade por cadeira: como medir a receita por hora clínica da sua clínica odontológica?
A receita por hora clínica é o indicador que mostra se cada hora de cadeira rende ou queima custo fixo. Veja a conta ponta a ponta: capacidade instalada, ocupação, custo da hora, preço mínimo e o KPI de acompanhamento, com o impacto de ociosidade, no-show e mix de procedimentos.
Receita por hora clínica é o faturamento (ou a produção) do período dividido pelas horas que a cadeira de fato produziu. É o indicador de produtividade da cadeira, o seu recurso escasso: mede o que o faturamento total esconde, a hora vazia que continua custando.
- Medir a cadeira deixou de ser opcional. Segundo o Health Policy Institute da American Dental Association, o clínico geral em consultório privado teve renda líquida média de US$ 215.320 em 2025, e num período de 5 anos a receita subiu apenas 1,4% enquanto as despesas subiram 4,9%, um aperto de margem que só se enxerga medindo o rendimento por hora, não o faturamento total.
- Ociosidade é a maior alavanca do indicador. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, o comparecimento dos agendamentos fica entre 20% e 50%, o que mostra que cada hora reservada e não ocupada por paciente que comparece é receita por hora jogada fora, com o custo fixo correndo igual, dados internos da Odonto Results.
- A cadeira só enche se você responde fora de hora. Nos dados internos da Odonto Results, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial e 19,4% no fim de semana, e o lead que não é respondido na hora vira cadeira ociosa depois, que já foi paga, dados internos da Odonto Results.
Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- O que é receita por hora clínica (a produção que o faturamento esconde)
- Por que medir por CADEIRA e por HORA: a cadeira é o seu recurso escasso
- A conta ponta a ponta: as quatro peças que alimentam o indicador
- Passo 1: a capacidade instalada teórica da cadeira
- Passo 2: as horas produtivas reais (capacidade x ocupação)
- Taxa de ocupação da cadeira: como medir (e por que não há número mágico)
- Passo 3: o custo da hora da cadeira (a hora-estrutura)
- Custos fixos x variáveis: o que entra em cada balde
- Passo 4: a hora do profissional, a margem e o preço mínimo por hora
- Receita por hora efetiva realizada: o KPI que você acompanha
- Ociosidade: a maior alavanca financeira da cadeira
- No-show e comparecimento: a receita por hora que evapora
- Ticket por hora e mix de procedimentos: por que o mix vence o preço de tabela
- Convênio x particular: por que a cadeira cheia pode render pouco
- Como aumentar a receita por hora da cadeira
- O painel da cadeira: o que acompanhar toda semana
- Erros comuns que sabotam o indicador
- Por que isso deixou de ser opcional: o aperto de margem no setor
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Como medir o indicador de produtividade por cadeira, a receita por hora clínica, na minha clínica odontológica?"
Sua clínica pode faturar muito bem e ainda estar desperdiçando o ativo mais caro que ela tem.
O faturamento total é um número que engana. Ele soma a hora cheia com a hora vazia, o procedimento de alto valor com o de baixo, e esconde a cadeira que ficou parada metade do dia queimando custo fixo.
O indicador que revela isso é a receita por hora clínica, também chamada de produção por hora de cadeira. Ele responde a pergunta que o faturamento não responde: cada hora que a sua cadeira fica aberta está rendendo ou está torrando dinheiro?
E isso pesa cada vez mais. Segundo o Health Policy Institute da American Dental Association, num período de 5 anos a receita das clínicas subiu apenas 1,4% enquanto as despesas subiram 4,9%. Quando a despesa cresce mais rápido que a receita, o número que salva é o rendimento por hora, não o total no fim do mês.
Neste guia você vai ver:
- O que é receita por hora clínica e por que ela bate o faturamento total como métrica
- Por que a cadeira é o seu recurso escasso e o certo é medir por cadeira e por hora
- A conta ponta a ponta: capacidade instalada, ocupação, custo da hora e preço mínimo
- Como acompanhar a receita por hora realizada como KPI semanal
- Onde o indicador vaza: ociosidade, no-show, mix de procedimento e convênio
O que é receita por hora clínica (a produção que o faturamento esconde)
Antes da conta, alinhe o conceito. Receita por hora clínica é quanto cada hora de cadeira gera, em reais.
A fórmula base é uma divisão simples:
Receita por hora = faturamento (ou produção) do período / horas que a cadeira produziu no período.
Repare no detalhe que muda tudo: o denominador não é o faturamento, é o tempo. Você neutraliza o volume e mede o rendimento de uma hora de estrutura, comparável entre cadeiras, entre profissionais e entre meses.
Por que isso é diferente do faturamento total? Porque o total mistura tudo.
Pensa assim: duas clínicas faturam R$ 100 mil no mês. A primeira atende com a agenda lotada e procedimento de valor. A segunda tem cadeira vazia metade do tempo e compensa com volume de procedimento barato. No faturamento, elas são iguais. Na receita por hora, uma é o dobro da outra.
Lembre: faturamento alto é conforto que engana. Ele pode esconder uma cadeira ociosa e um mix ruim. A receita por hora tira o disfarce e mostra se a estrutura que você paga está de fato produzindo.
Vale separar dois termos que muita gente troca: produção é o valor do trabalho clínico feito no período; faturamento é o que entrou no caixa. Eles divergem por parcelamento, glosa e inadimplência. Para medir produtividade da cadeira, prefira a produção, que isola o rendimento da estrutura.
Por que medir por CADEIRA e por HORA: a cadeira é o seu recurso escasso
Este é o ponto que justifica o indicador inteiro. A cadeira é o gargalo da clínica.
Tudo na operação existe para manter a cadeira ocupada, produzindo, com o profissional certo. Ela é finita: você tem um número fixo de cadeiras, cada uma abre um número fixo de horas por dia. Essa é a sua capacidade máxima de gerar receita.
Por isso a régua certa não é "quanto a clínica faturou". É "quanto cada hora de cada cadeira rendeu".
- Medir por cadeira revela onde está a estrutura ociosa (a sala que você paga e não usa).
- Medir por hora neutraliza o tempo e compara maçã com maçã (uma cadeira que roda 8 horas com uma que roda 4).
O faturamento total falha justamente aqui: ele não enxerga o recurso escasso. Você pode aumentar o faturamento abrindo mais horas ou empurrando procedimento barato, e piorar a produtividade da cadeira ao mesmo tempo. O indicador por hora não deixa esse autoengano passar.
A conta ponta a ponta: as quatro peças que alimentam o indicador
A receita por hora só faz sentido quando você a compara com o que aquela hora custa e com o preço mínimo que ela deveria cobrar. São quatro peças encadeadas.
Veja o mapa antes de mergulhar em cada uma:
- Capacidade instalada teórica: quantas horas de cadeira a clínica pode vender no mês.
- Horas produtivas reais: a capacidade descontada da ociosidade (o denominador honesto).
- Custo da hora da cadeira: o custo fixo diluído nas horas produtivas.
- Hora do profissional + margem: o que fecha o preço mínimo por hora.
Com essas quatro peças, você fecha o ciclo: sabe o piso que cada hora precisa cobrar e mede, na prática, quanto ela cobrou de verdade. Vamos por partes.
Passo 1: a capacidade instalada teórica da cadeira
Comece pelo teto. A capacidade instalada é o máximo de horas de cadeira que a clínica pode produzir no período.
A fórmula é direta:
Capacidade instalada = número de cadeiras x horas por dia x dias úteis no mês.
Exemplo ilustrativo com uma clínica de duas cadeiras:
- 2 cadeiras
- 8 horas por dia
- 22 dias úteis no mês
- Capacidade: 2 x 8 x 22 = 352 horas de cadeira por mês
Essas 352 horas são o teto teórico. É a quantidade máxima de hora-cadeira disponível para vender. Mas ninguém produz 100% do teto, e é aí que entra o passo 2.
Passo 2: as horas produtivas reais (capacidade x ocupação)
Capacidade instalada não é hora produzida. Entre uma e outra mora toda a ociosidade da clínica.
As horas produtivas reais são a capacidade multiplicada pela taxa de ocupação:
Horas produtivas = capacidade instalada x taxa de ocupação.
Seguindo o exemplo ilustrativo, com 75% de ocupação:
- 352 horas de capacidade x 0,75 = 264 horas produtivas no mês
Leia o que esse desconto significa: 88 horas de cadeira (o equivalente a 25% do teto) simplesmente não geraram receita, embora o custo fixo delas tenha corrido igual. A conta vale para qualquer porte: se a ocupação fica entre 70% e 80%, uma capacidade de 160 horas teóricas vira algo como 110 a 130 horas produtivas (160 x 0,70 e 160 x 0,80).
Esse é o denominador honesto do indicador. Usar a capacidade cheia no lugar das horas produtivas é o erro mais caro do cálculo, porque faz a cadeira parecer mais barata e mais produtiva do que é.
Taxa de ocupação da cadeira: como medir (e por que não há número mágico)
A ocupação é a peça que liga capacidade e produção. Vale um cálculo próprio.
Taxa de ocupação = (horas de cadeira ocupadas / capacidade instalada) x 100.
Exemplo de uma cadeira que fica disponível 160 horas no mês e atende 120: 120 / 160 x 100 = 75% de ocupação. Os outros 25% são estrutura paga e parada.
Aqui muita gente quer o número mágico de mercado. Cuidado: não existe um percentual único e confiável para cravar, porque a ocupação saudável varia com o perfil da clínica, o mix e a região. Perseguir uma meta genérica de internet atrapalha mais que ajuda.
A régua certa é interna. A pergunta não é "estou acima da média do mercado?". É "a minha ocupação está subindo ou caindo mês a mês, e o custo fixo está bem diluído?".
O que dá para afirmar com segurança é a direção: quanto maior a ocupação, mais barata fica cada hora produzida, porque o mesmo custo fixo se dilui em mais horas. Para aprofundar essa régua, veja qual a taxa de ocupação de cadeira saudável.
Passo 3: o custo da hora da cadeira (a hora-estrutura)
Agora você descobre quanto custa manter a cadeira aberta por uma hora. Esse número é o piso de tudo.
A fórmula usa as horas produtivas do passo 2, não a capacidade cheia:
Custo da hora-estrutura = custos fixos mensais / horas produtivas.
Seguindo o exemplo ilustrativo, com R$ 33.000 de custo fixo mensal e 264 horas produtivas:
- R$ 33.000 / 264 = R$ 125 por hora de estrutura
Repare no efeito da ociosidade sobre esse número. Se a mesma clínica caísse para 50% de ocupação (176 horas), o custo da hora saltaria para R$ 187. A cadeira mais vazia não fica só menos produtiva: ela fica mais cara por hora. Custo e ocupação andam colados.
Para o passo a passo completo desse cálculo, com depreciação e pro-labore, veja como calcular o custo da hora de cadeira.
Custos fixos x variáveis: o que entra em cada balde
O custo da hora-estrutura só é confiável se você souber separar o que é fixo do que é variável. Misturar os dois distorce o indicador.
- Custo fixo corre todo mês com a cadeira cheia ou vazia. É o que dilui pelas horas produtivas.
- Custo variável só existe quando o procedimento acontece. Ele entra depois, no preço do caso específico, não na hora-estrutura.
Veja a divisão na prática:
| Tipo | O que entra | Como afeta o indicador |
|---|---|---|
| Fixo | Aluguel, energia, água, folha e encargos, software de gestão, contador, impostos sobre a estrutura, marketing recorrente, manutenção | Dilui nas horas produtivas; ociosidade encarece cada hora |
| Variável | Materiais e descartáveis, esterilização, anestésico, protético/laboratório, taxa de cartão, comissão/repasse do dentista | Entra por procedimento; muda com o mix, não com a hora vazia |
O erro clássico é deixar o pro-labore do dono fora do fixo. Se você não coloca a sua própria hora de trabalho na conta, a clínica parece mais lucrativa do que é, e você descobre tarde que trabalhou de graça.
Passo 4: a hora do profissional, a margem e o preço mínimo por hora
Com a hora-estrutura na mão, falta somar o profissional e decidir a margem. É isso que fecha o preço mínimo que cada hora precisa cobrar.
A composição:
Preço mínimo por hora = (hora-estrutura + hora do profissional) + a margem que você decidir.
Seguindo o exemplo ilustrativo:
- Hora-estrutura: R$ 125
- Hora do profissional (pro-labore ou repasse): R$ 200
- Custo total da hora: R$ 325
- Acréscimo desejado de 20%: R$ 325 x 1,20 = R$ 390 por hora
Um detalhe técnico que muda o número: markup sobre o custo e margem sobre o preço de venda não dão o mesmo resultado. Aplicar 20% sobre o custo não deixa 20% de margem no preço. A conta exata está em como calcular o custo da hora de cadeira.
Esses R$ 390 por hora são o seu piso. Qualquer hora de cadeira vendida abaixo disso trabalha no prejuízo, mesmo que a agenda esteja cheia.
Lembre: o preço de um procedimento nasce daqui. Você multiplica o tempo de cadeira que ele ocupa pelo preço mínimo por hora, soma os materiais específicos daquele caso e adiciona o valor percebido. Errar a hora joga todo preço derivado para o lado errado.
Receita por hora efetiva realizada: o KPI que você acompanha
Os passos 1 a 4 dão o piso, o que a hora deveria cobrar. Agora vem o outro lado: o que ela cobrou de verdade.
A receita por hora realizada é o KPI de acompanhamento. Você mede o que aconteceu, não o que deveria acontecer:
Receita por hora realizada = faturamento (ou produção) do período / horas produtivas.
Fechando o exemplo ilustrativo ponta a ponta:
| Etapa | Valor (ilustrativo) |
|---|---|
| Capacidade instalada (2 cadeiras x 8h x 22 dias) | 352 h |
| Ocupação | 75% |
| Horas produtivas | 264 h |
| Custo fixo mensal | R$ 33.000 |
| Custo da hora-estrutura | R$ 125/h |
| Hora do profissional | R$ 200/h |
| Preço mínimo por hora (custo + 20%) | R$ 390/h |
| Faturamento do mês | R$ 120.000 |
| Receita por hora realizada | R$ 454/h |
A leitura fecha o raciocínio: a receita por hora realizada (R$ 454) está acima do preço mínimo (R$ 390), então cada hora gerou margem. Se ela caísse abaixo do piso, a clínica estaria produzindo no prejuízo mesmo com faturamento parecendo saudável.
Esse é o número que você acompanha toda semana. Calcule por cadeira e por profissional, não só a média da clínica, porque a média esconde a cadeira ociosa e o dentista que rende abaixo. Para o passo a passo dessa medição, veja produção por hora de cadeira: como medir.
Ociosidade: a maior alavanca financeira da cadeira
Aqui está o insight que muda como você olha a clínica. A ociosidade é a alavanca que mais mexe no indicador, e quase ninguém a trata como custo.
Os custos fixos correm igual com a cadeira cheia ou vazia. O aluguel não cai porque teve um furo na agenda. O salário da recepção não muda porque o paciente faltou.
Então a hora vazia não custa zero. Ela custa o mesmo que a hora cheia, só que sem receita do outro lado.
A matemática é implacável. Veja o efeito da ociosidade sobre o custo de cada hora produzida, com o mesmo custo fixo:
| Ocupação | Horas produtivas (de 352h) | Custo fixo por hora produzida |
|---|---|---|
| 100% | 352 h | 1x (o mínimo) |
| 75% | 264 h | 1,33x |
| 50% | 176 h | 2x (o dobro) |
| 33% | 116 h | 3x (o triplo) |
A leitura é direta: 50% de ociosidade faz cada hora produzida custar o dobro. É por isso que ocupação não é consequência de um negócio bem tocado. É parte da conta. A clínica com agenda cheia tem, por construção, a hora mais barata da cidade, mesmo cobrando o mesmo preço do concorrente.
E cortar custo tem limite (você não baixa aluguel infinitamente). Encher a cadeira não tem: a mesma estrutura produzindo mais dilui o custo em mais horas. Aprofunde em quanto a clínica perde com cadeira vazia e faltas.
No-show e comparecimento: a receita por hora que evapora
A ociosidade tem um irmão pior: o no-show. O paciente que marca e não comparece é uma forma de ociosidade que dói mais, porque você reservou a hora e recusou oferecê-la a outro.
Quando o paciente falta, aquela hora já estava vendida na sua cabeça. Aí ele some, e a hora vira custo puro, sem nenhuma receita.
E no funil de quem capta paciente por anúncio, o comparecimento é mais frágil do que a maioria imagina. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, o comparecimento dos agendamentos fica entre 20% e 50%, dados internos da Odonto Results. Boa parte do que é marcado não chega na cadeira.
Cada agendamento que não comparece é uma hora que você pagou e não produziu. Por isso o no-show ataca a receita por hora por dois lados:
- Reduz a ocupação (menos horas produzindo sobre a capacidade).
- Dilui o custo fixo em menos horas (cada hora restante fica mais cara).
Confirmação ativa em mais de um canal e lista de espera para encaixe não são detalhe operacional: são proteção direta do indicador. Veja também o indicador de no-show por procedimento e especialista.
Ticket por hora e mix de procedimentos: por que o mix vence o preço de tabela
Duas cadeiras podem ter a mesma ocupação e receita por hora muito diferente. A explicação está no mix.
O que move a receita por hora não é o preço de tabela de um procedimento isolado. É quanto valor cada hora de cadeira gera, e isso depende de quais procedimentos ocupam a agenda.
Pensa assim:
- Um procedimento de alto valor em pouco tempo de cadeira: receita por hora alta.
- Um procedimento de baixo valor que toma a cadeira por horas: receita por hora baixa.
Por isso o mix pesa mais que a tabela. Uma clínica pode ter preços "corretos" e ainda entregar receita por hora fraca, porque a agenda está cheia dos procedimentos errados. Migrar parte da agenda para casos de mais valor por hora eleva o indicador sem abrir uma cadeira sequer.
Para medir o tempo real de cada procedimento (a base desse raciocínio), veja tempo de cadeira por procedimento.
Convênio x particular: por que a cadeira cheia pode render pouco
Aqui mora um erro que passa despercebido. Cadeira ocupada não é o mesmo que cadeira rendendo.
Uma agenda de convênio pode manter a cadeira lotada o mês inteiro e ainda entregar receita por hora baixa. O motivo: o valor pago por procedimento no convênio vem espremido, então cada hora produz muito em volume e pouco em receita líquida.
É a diferença entre receita por hora bruta e líquida:
- A bruta usa o valor cheio dos procedimentos, e faz a hora de convênio parecer tão boa quanto a de particular.
- A líquida usa o que de fato fica com a clínica, depois de descontos, repasses e glosa. É ela que paga o custo da cadeira.
Se a clínica atende os dois, calcule os dois números. Uma cadeira de particular com a mesma ocupação de uma de convênio tende a entregar receita por hora líquida bem maior. Não porque o dentista trabalha mais, mas porque cada hora vale mais.
Lembre: ocupação alta com receita por hora líquida baixa é a armadilha do convênio. A cadeira está cheia, você está cansado, e a estrutura mal se paga. Medir por hora líquida é o que expõe isso.
Como aumentar a receita por hora da cadeira
Junte tudo e você tem as alavancas concretas do indicador. Elas atacam três frentes: encher a cadeira, subir o valor da hora e parar o vazamento.
- Suba a ocupação. Agenda cheia dilui o custo e é a alavanca mais barata, porque não exige mais verba nem mais jornada.
- Reduza o no-show. Confirmação ativa e lista de espera transformam hora que evaporaria em receita. Cada falta evitada é uma hora salva.
- Melhore o mix. Priorize na agenda os procedimentos de mais valor por hora de cadeira, sem abrir mão da qualidade clínica.
- Suba o ticket sem descontar. Mais valor por paciente na mesma hora eleva o número direto.
- Converta melhor o orçamento. A hora de avaliação só vira produção se o caso fecha. Avaliação que não converte é hora gasta sem resultado.
- Delegue o que não exige o dentista. Tarefas que uma auxiliar pode fazer liberam a cadeira para o que só o profissional faz, o trabalho de alto valor por hora.
Uma frente que quase ninguém liga ao indicador: a captação. Cadeira cheia depende de agenda cheia, e agenda cheia depende de responder o paciente antes que ele esfrie ou marque em outra clínica.
E o paciente decide fora de hora. Nos dados internos da Odonto Results, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial e 19,4% no fim de semana, dados internos da Odonto Results. Se ninguém responde nesse momento, a agenda não enche, e a cadeira fica vazia depois. Por isso, nas clínicas atendidas pela Odonto Results, a IA de atendimento responde em mediana 4,4 segundos, dados internos da Odonto Results, para manter a agenda cheia que mantém a cadeira produtiva.
O painel da cadeira: o que acompanhar toda semana
Medir uma vez não vira gestão. Produtividade da cadeira se acompanha. Monte um painel enxuto e olhe toda semana.
Um bom painel tem poucos indicadores certos, não dezenas:
| Indicador | Frequência | O que dispara atenção |
|---|---|---|
| Receita por hora (por cadeira) | Semanal | Queda em relação às semanas anteriores |
| Taxa de ocupação da cadeira | Semanal | Ocupação caindo (agenda esvaziando) |
| Receita por hora por profissional | Mensal | Diferença grande entre dentistas |
| Taxa de no-show | Semanal | Falta subindo (proteção da agenda) |
| Ticket médio | Mensal | Queda no valor por paciente atendido |
| Receita por hora bruta x líquida | Mensal | Líquida muito abaixo da bruta (mix de convênio) |
A regra é olhar tendência, não foto. Um número isolado não diz quase nada; o mesmo número subindo ou caindo por três semanas conta a história. Para o painel financeiro mais amplo, veja quais indicadores de caixa acompanhar toda semana.
Erros comuns que sabotam o indicador
Medir errado é pior que não medir, porque dá falsa segurança. Os mais caros:
- Olhar só o faturamento total. Ele esconde a cadeira ociosa e o mix ruim. A produtividade só aparece por hora.
- Não contar as horas improdutivas. Dividir pela jornada cheia, e não pelas horas que a cadeira de fato produz, infla o número e mascara a ociosidade.
- Subprecificar. Vender a hora abaixo do preço mínimo enche a agenda e esvazia o caixa. Volume sem margem correta é prejuízo em escala.
- Confundir ocupação com rendimento. Cadeira cheia de convênio pode render pouco. O que importa é a receita por hora líquida.
- Medir só a média da clínica. Sem cortar por cadeira e por profissional, você não acha onde está o vazamento.
- Pressionar o dentista a "atender mais rápido". O ganho vem de cadeira cheia e mix melhor, não de correr com o paciente e comprometer a qualidade.
Lembre: o objetivo nunca é apressar o atendimento. É eliminar hora de cadeira parada e converter melhor a agenda que você já tem. Produtividade é tirar o desperdício, não acelerar a mão.
Por que isso deixou de ser opcional: o aperto de margem no setor
Feche o raciocínio com o contexto que torna esse indicador urgente. A margem da odontologia está apertando.
Segundo o Health Policy Institute da American Dental Association, o clínico geral em consultório privado teve renda líquida média de US$ 215.320 em 2025. E o dado que acende o alerta: num período de 5 anos, a receita subiu apenas 1,4% enquanto as despesas subiram 4,9%.
Leia esse contraste de novo. A despesa cresceu mais de três vezes mais rápido que a receita.
Quando a estrutura fica mais cara e o que entra cresce devagar, o único jeito de proteger a margem é fazer cada hora de cadeira render mais. Não dá para simplesmente cobrar muito mais (o mercado tem teto) nem cortar custo ao infinito. Dá para tirar o desperdício da cadeira.
É por isso que a receita por hora clínica deixou de ser um número acadêmico e virou um indicador de sobrevivência. Ele é o que separa a clínica que trabalha muito e sobra pouco da que produz com margem em cada hora.
Seu próximo passo
- Calcule a sua receita por hora esta semana. Levante o faturamento (ou a produção) do mês e divida pelas horas que a cadeira de fato produziu, por cadeira e por profissional. Compare com o custo da hora-estrutura para ver se cada hora gera margem.
- Ataque o maior vazamento primeiro. Se a ocupação está baixa, o foco é agenda (no-show, encaixe, captação). Se a receita por hora está baixa com a agenda cheia, o foco é mix, ticket e conversão de orçamento. Corte pelo que dói mais.
- Conecte captação e ocupação. Garanta que o paciente que chega seja respondido em segundos, inclusive fora do horário, para a agenda nunca esvaziar a cadeira que você paga para manter aberta.
Quer transformar a capacidade da sua clínica em agenda cheia e cadeira produtiva de forma previsível, com paciente que comparece e dilui o seu custo por hora? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
O que é receita por hora clínica na odontologia?
É quanto cada hora de cadeira rende, em reais. Você divide o faturamento (ou a produção) do período pelas horas que a cadeira de fato produziu. É o indicador de produtividade da cadeira, porque isola o rendimento do seu recurso mais escasso e mostra o que o faturamento total esconde: a hora vazia que continua custando.
Como calcular a receita por hora de cadeira?
Divida o faturamento do período pelas horas produtivas do mesmo período. Exemplo ilustrativo: R$ 120 mil de produção num mês com 264 horas produtivas dá cerca de R$ 454 por hora de cadeira. Calcule por cadeira e por profissional para ver onde está a ociosidade e quem rende mais na mesma hora.
Qual a diferença entre receita por hora e faturamento total?
O faturamento total diz quanto entrou; a receita por hora diz se a estrutura rendeu ou desperdiçou. Duas clínicas podem faturar igual: uma com a agenda cheia e procedimento de valor, outra com metade da cadeira vazia. O faturamento não separa as duas. A receita por hora separa na hora.
Qual a taxa de ocupação ideal da cadeira?
Não existe número único de mercado confiável para cravar aqui, porque depende do mix, do ticket e da região. A régua correta é interna: compare a clínica com ela mesma ao longo do tempo e persiga ocupação alta, porque o custo fixo corre com a cadeira cheia ou vazia.
Como o no-show afeta a receita por hora?
Cada falta é uma hora de cadeira paga (aluguel, salário, equipamento) sem nenhuma receita no lugar. O no-show não some só com um atendimento: ele reduz a ocupação e ainda dilui o custo fixo em menos horas, então cada hora restante fica mais cara. É um golpe duplo na produtividade da cadeira.
Convênio ou particular rende mais por hora de cadeira?
Por hora líquida, o particular tende a render mais. Uma agenda de convênio pode manter a cadeira cheia e ainda entregar receita por hora baixa, porque o valor pago por procedimento vem espremido. Cadeira ocupada não é o mesmo que cadeira rendendo: o que paga a estrutura é a receita líquida por hora, não a ocupação.