Como apropriar o custo de laboratório e material por procedimento para saber a margem real de cada caso?
Faturamento alto não é margem alta. Para saber quanto cada caso realmente deixa, você precisa apropriar material, laboratório, esterilização e tempo de cadeira no procedimento que os consumiu, somar a hora clínica e descontar imposto. Veja o passo a passo, com fórmula e modelo oficial de valoração.
Você apropria material e laboratório por caso lançando cada insumo (valor da caixa dividido pela quantidade, vezes o que usou) e a prótese direto no procedimento que consumiu, soma a hora clínica pelo tempo de cadeira, e calcula a margem real como (preço menos custos totais) dividido pelo preço.
- O custo de cada caso se monta de baixo para cima: valor unitário do insumo (preço da caixa dividido pela quantidade da caixa) multiplicado pela quantidade usada, mais o laboratório lançado direto no procedimento que o consumiu, mais a hora clínica pelo tempo de cadeira. Faturar muito não é lucrar muito quando o caso de maior ticket é também o de maior custo de prótese.
- Existe um modelo oficial para separar custo de honorário. A CBHPO do Conselho Federal de Odontologia valora cada procedimento em duas unidades: a UH (unidade de honorários, o trabalho profissional) e a UC (unidade de custo, o custo operacional), oferecendo uma base para apropriar as duas coisas separadamente por caso, segundo o [CFO](https://website.cfo.org.br/para-conhecer-a-cbhpo/).
- Margem e markup não são a mesma conta. Margem é percentual sobre o preço de venda; markup é o multiplicador sobre o custo. Confundir os dois faz a clínica achar que ganha mais do que ganha, e nas clínicas atendidas pela Odonto Results o que paga a conta não é o caso de maior preço, é o de maior margem por hora de cadeira, segundo dados internos da Odonto Results.
Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- Por que faturamento alto não é margem alta
- Monte a planilha de material: liste todo insumo do procedimento
- Calcule o valor unitário de cada material
- Aproprie o custo de laboratório e prótese por caso
- Custo de esterilização e EPI por procedimento
- Hora clínica: o custo do seu tempo de cadeira
- Rateio de custo fixo por procedimento
- O custo da cadeira parada e da ociosidade
- A fórmula da margem de lucro real
- Margem bruta e margem líquida: não confunda
- Margem e markup: o erro que custa caro
- Como definir o preço a partir do custo e da margem
- O imposto que come a margem líquida
- A base oficial: CBHPO, UH e UC do Conselho Federal de Odontologia
- Faixas de margem por tipo de clínica e procedimento
- Mix de procedimentos: ache o rentável e o deficitário
- Quando revisar a planilha de custos e preços
- O custo que a planilha esquece: o paciente que não fecha
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Como apropriar o custo de laboratório e material por procedimento para saber a margem real de cada caso?"
Sua clínica fatura alto. Mas você sabe quanto cada caso de fato deixa?
A maioria dos donos não sabe. Olha o faturamento do mês, vê um número grande, e assume que a margem acompanha. Não acompanha.
O caso de maior ticket costuma ser o de maior custo de prótese. Um protocolo de cinco dígitos pode deixar menos, em percentual, que uma restauração de resina. Você só descobre isso quando apropria o custo no procedimento que o consumiu.
Faturar muito não é lucrar muito. Margem real é o que sobra depois de cada material, cada peça de laboratório, cada minuto de cadeira e o imposto.
Neste guia você vai ver:
- Por que faturamento alto não é margem alta (e como o custeio resolve)
- Como montar a planilha de material e achar o custo unitário de cada insumo
- Como apropriar laboratório, esterilização e tempo de cadeira por caso
- A fórmula da margem real e a diferença entre margem, markup, bruta e líquida
- Como o mix de procedimentos esconde casos deficitários no faturamento bonito
Por que faturamento alto não é margem alta
Comece pelo problema, porque ele explica tudo o que vem depois.
Apropriar custo por procedimento é jogar cada custo no caso que o gerou, em vez de olhar só o caixa do mês. Sem isso, você enxerga o faturamento, mas não enxerga a margem.
Há duas formas de pensar custo:
- Custeio por absorção: o procedimento absorve os custos diretos (material, laboratório) E uma fatia dos custos fixos (aluguel, salário, equipamento). É a visão de margem real, ponta a ponta.
- Custeio direto (ou variável): o procedimento carrega só os custos que variam com ele (material, laboratório, comissão). Os fixos ficam de fora e são cobertos pelo conjunto.
Os dois servem. O direto é rápido para decidir caso a caso (vale fazer este procedimento?); o por absorção dá a margem líquida verdadeira.
O ponto cego de quase toda clínica é o mesmo: o caso de maior ticket é também o de maior custo embutido.
Lembre: o protocolo que entra como o maior valor do mês carrega a prótese mais cara do mês. Faturamento é vaidade, margem é caixa. Você precisa do segundo número, por caso, não só do primeiro.
Monte a planilha de material: liste todo insumo do procedimento
Aqui começa o trabalho braçal, e ele é inevitável. Custo de material por procedimento se monta listando, item por item, tudo que o caso consome.
Não basta lembrar da resina. O custo real está nos descartáveis que você nem percebe usar.
Para cada procedimento, liste:
- Restauradores: resina, adesivo, ácido, broca, lixa, tira de poliéster.
- Anestesia: anestésico (tubete), agulha.
- Barreira e biossegurança: luva, máscara, gorro, avental, campo, babador.
- Sucção e auxiliares: sugador, rolo de algodão, gaze, ponta descartável.
- Acabamento: disco, pasta de polimento, fio dental.
Repare nestes pontos: o que faz a conta fechar não são os dois ou três itens óbvios, são os dez ou quinze pequenos que somados pesam. Uma planilha por tipo de procedimento (restauração, endodontia, prótese, cirurgia) vira ativo permanente da clínica.
Calcule o valor unitário de cada material
Agora a parte que dá o número. Você não usa uma caixa inteira por paciente, então precisa do custo unitário de cada insumo.
A conta é direta:
Valor unitário = valor da caixa ÷ quantidade da caixa.
Depois, custo do item no caso = valor unitário × quantidade usada.
Pensa assim com a agulha descartável: a caixa custa um valor X e traz 100 unidades. O custo por unidade é X dividido por 100. Se o procedimento usa uma agulha, esse centavo entra. Se usa duas, dobra.
Faça isso para cada item da lista e some. Essa soma é o custo de material daquele procedimento. Uma restauração simples some poucos reais; um caso longo, com vários tubetes e descartáveis, some bem mais.
| Insumo | Conta do valor unitário | Entra no caso |
|---|---|---|
| Agulha descartável | valor da caixa ÷ unidades da caixa | × quantidade usada |
| Anestésico (tubete) | valor da caixa ÷ tubetes | × tubetes usados |
| Resina (seringa) | valor da seringa ÷ aplicações rendidas | × aplicações no caso |
| Luva (par) | valor da caixa ÷ pares | × pares usados |
| Broca | valor unitário ÷ número de usos até descarte | × 1 uso |
O detalhe da broca importa: item reutilizável até desgastar não custa o preço cheio por caso. Rateie pelo número de usos até o descarte. Isso vale para qualquer instrumental que se gasta com o tempo.
Aproprie o custo de laboratório e prótese por caso
Esse é o custo que mais distorce a margem quando fica solto. Laboratório e prótese são custo específico do procedimento, não despesa difusa do mês.
A coroa, a prótese, a placa, o alinhador, o modelo: cada peça pertence ao caso que a pediu. Lance a fatura do laboratório direto no procedimento que a consumiu.
O erro clássico é jogar todas as faturas de prótese do mês num bolo de "despesas com laboratório" e olhar só o total. Aí o caso de prótese parece tão rentável quanto o de resina, e não é.
- Cada nota do laboratório casa com um caso. Anote o procedimento ao receber a peça.
- O valor do laboratório é custo direto. Entra na margem bruta, antes de qualquer rateio de fixo.
- Casos com várias peças somam todas. Um protocolo com componentes, prótese e ajustes carrega o custo inteiro.
Lembre: o laboratório lançado no bolo do mês é o jeito mais comum de esconder a margem real dos casos de maior ticket. Apropriado por caso, ele revela quanto a prótese realmente deixa.
Custo de esterilização e EPI por procedimento
Esse custo some na conta porque parece "estrutura". Mas esterilização e EPI são consumidos por procedimento e entram no custo do caso.
Some o que cada caso gasta de:
- Embalagem de esterilização (envelope, manta, indicador) por carga.
- Ciclo de autoclave rateado (energia, água, manutenção, vida útil do aparelho) por carga de instrumentos.
- EPI descartável que não estava na lista de material (touca, propé, óculos descartável quando usado).
Não precisa de precisão de laboratório aqui. Um custo médio de barreira e esterilização por tipo de procedimento já melhora muito a margem que você enxerga. O importante é não fingir que é zero.
Hora clínica: o custo do seu tempo de cadeira
Material e laboratório são a parte fácil. O custo que quase ninguém apropria é o tempo de cadeira, e ele costuma ser o maior de todos.
A hora clínica é quanto custa manter a cadeira funcionando por uma hora. A conta:
Hora clínica = (custos fixos + custos variáveis de estrutura + pró-labore) ÷ horas produtivas do mês.
Veja como funciona:
- Some os custos fixos do mês: aluguel, salários, software, contador, energia, internet, financiamento de equipamento.
- Some o pró-labore (o que você precisa tirar como dono, separado do lucro).
- Conte as horas produtivas reais da cadeira no mês, não as horas que a clínica fica aberta. Cadeira parada não é hora produtiva.
- Divida. O resultado é o custo por hora de cadeira.
Com a hora clínica na mão, o custo de tempo de cada caso é direto: hora clínica × tempo de cadeira do procedimento. Um caso de 30 minutos carrega meia hora clínica; um protocolo de duas horas carrega duas.
É por isso que o tempo de cadeira é variável de margem, não detalhe. Dois casos com o mesmo material e o mesmo preço, mas tempos diferentes, têm margens diferentes. O mais demorado deixa menos.
Veja a conta detalhada em como calcular o custo da hora de cadeira.
Rateio de custo fixo por procedimento
Tem dois caminhos para jogar o custo fixo em cada caso, e o segundo é melhor.
Caminho simples (rateio por volume): custo fixo mensal dividido pelo número médio de procedimentos do mês. Dá um valor fixo por atendimento. Rápido, mas injusto: trata uma limpeza de 20 minutos igual a um protocolo de duas horas.
Caminho certo (via hora clínica): o custo fixo já está dentro da hora clínica, então o caso absorve fixo proporcional ao tempo de cadeira que ocupou. O procedimento longo carrega mais fixo, o curto carrega menos. É o rateio que reflete a realidade.
A diferença na prática:
| Critério de rateio | Como distribui o fixo | Problema/vantagem |
|---|---|---|
| Por número de procedimentos | Igual para todo caso | Simples, mas penaliza o caso rápido e subsidia o longo |
| Por hora clínica × tempo de cadeira | Proporcional ao tempo de cadeira | Justo: cada caso absorve o fixo que de fato ocupou |
Use a hora clínica sempre que conseguir cronometrar o tempo médio de cada tipo de procedimento. É o que liga custo fixo a margem real.
O custo da cadeira parada e da ociosidade
Esse custo é invisível na planilha e brutal no caixa. A cadeira parada continua custando.
O aluguel corre, o salário corre, o financiamento do equipamento corre, esteja a cadeira produzindo ou vazia. Quando você divide o custo fixo pelas horas produtivas (e não pelas horas abertas), a ociosidade aparece: quanto menos horas produtivas, mais cara fica cada hora clínica.
Ou seja: agenda com buraco encarece o custo de todos os outros casos. A falta de um paciente não é "um a menos", é o custo fixo daquela hora redistribuído nos demais.
Por isso comparecimento e ocupação de agenda são variáveis de margem, não só de faturamento. Veja quanto a clínica perde com cadeira vazia e faltas.
A fórmula da margem de lucro real
Com os custos apropriados, a margem sai de uma conta só. Margem real é o que sobra do preço depois de todos os custos.
A fórmula:
Margem (%) = (preço de venda − custos totais) ÷ preço de venda × 100.
Custos totais aqui são material + laboratório + esterilização/EPI + custo de tempo de cadeira (que já carrega o fixo rateado) + comissão + imposto. Tudo que o caso consumiu.
Um exemplo de raciocínio, sem cravar valores de mercado: se um caso é vendido por um preço e a soma de todos os custos apropriados representa metade desse preço, a margem é de 50%. Se os custos chegam a 80% do preço, a margem cai para 20%. O preço não mudou; o que muda é quanto custo o caso carrega.
É isso que separa o caso que parece bom do caso que é bom.
Margem bruta e margem líquida: não confunda
Existem duas margens, e a maioria das clínicas calcula só a bruta e acha que é a líquida.
Margem bruta desconta apenas os custos diretos do caso:
- Material
- Laboratório
- Comissão imediata do profissional
É útil para decidir rápido se um caso vale a pena, mas ela superestima o lucro porque ignora a estrutura.
Margem líquida desconta tudo, além dos diretos:
- Custos fixos rateados (aluguel, salário, equipamento)
- Impostos sobre a receita
- Marketing e custo de aquisição do paciente
- Depreciação de equipamento
A margem líquida é a verdade do caixa. Um procedimento pode ter margem bruta animadora e margem líquida apertada quando o fixo, o imposto e o marketing entram. Sempre que você for decidir preço ou portfólio, olhe a líquida.
| Tipo de margem | O que desconta | Para que serve |
|---|---|---|
| Bruta | Material, laboratório, comissão | Decisão rápida caso a caso |
| Líquida | Tudo da bruta + fixos, imposto, marketing, depreciação | Margem real do caixa |
Margem e markup: o erro que custa caro
Esses dois termos parecem sinônimos e não são. Confundir margem com markup faz a clínica precificar errado.
- Margem é percentual sobre o preço de venda. "30% de margem" significa que 30% do preço é lucro.
- Markup é o multiplicador (ou divisor) aplicado sobre o custo para chegar ao preço.
A diferença não é detalhe semântico. Um markup de "mais 50% sobre o custo" não dá 50% de margem; dá bem menos, porque o percentual está calculado sobre uma base menor (o custo, não o preço).
Quem aplica markup achando que é margem vende com folga menor do que imagina. É um vazamento silencioso de lucro que se repete em todo caso, todo mês.
Lembre: margem é sobre o preço, markup é sobre o custo. Decidir preço pela conta errada faz você achar que ganha 50% quando ganha 33%. Defina a margem que quer e calcule o preço a partir dela.
Como definir o preço a partir do custo e da margem
Agora a conta inverte: você tem o custo e a margem desejada, e quer o preço. A fórmula é o caminho seguro.
Preço = custo total ÷ (1 − margem desejada).
Veja como funciona com uma margem de 30%: o custo total dividido por (1 − 0,30), ou seja, dividido por 0,70. Esse divisor garante que a margem saia sobre o preço final, não sobre o custo. É o jeito de não cair na armadilha do markup.
O custo total que entra aqui é o apropriado de verdade: material + laboratório + esterilização + tempo de cadeira (com fixo) + imposto estimado. Preço definido sobre custo incompleto nasce com margem menor do que o esperado.
Veja o método completo em como precificar tratamentos na clínica.
O imposto que come a margem líquida
O imposto não é opcional na conta, e ele entra sobre a receita do procedimento. Ignorá-lo é superestimar a margem.
A receita de cada caso é tributada conforme o regime da clínica. No Simples Nacional, serviços odontológicos caem em anexos de serviço, e a alíquota efetiva depende do enquadramento e do faturamento. Outros regimes têm outra lógica.
O ponto para a margem é simples: o percentual de imposto sai do que sobra. Um caso com margem bruta boa pode ter margem líquida bem menor depois que o imposto sobre a receita entra.
Não tente decidir o regime no chute. Esse enquadramento muda o quanto sobra de cada caso, e é decisão de contador. Veja o panorama em Simples Nacional ou Lucro Presumido para a clínica.
Nota: este artigo orienta a lógica do custeio. A definição do regime tributário e das alíquotas é trabalho do seu contador, com os números reais da sua clínica.
A base oficial: CBHPO, UH e UC do Conselho Federal de Odontologia
Você não está sozinho nessa conta. Existe um modelo oficial que separa exatamente o que você está tentando separar: custo de honorário.
A CBHPO (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Odontológicos), do Conselho Federal de Odontologia, valora cada procedimento em duas unidades distintas, segundo o CFO:
- UH (unidade de honorários): reconhece o trabalho profissional, o seu tempo e qualificação.
- UC (unidade de custo): reconhece o custo operacional do procedimento.
Essa separação é exatamente a lógica do custeio: o que é seu honorário e o que é custo de operar o caso são coisas diferentes, e a CBHPO as trata em escalas separadas.
A construção tem lastro técnico. Segundo o CFO, em 2007 as entidades nacionais contrataram a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (FIPE) com duas metas, validar a VRPO (Valores Referenciais para Procedimentos Odontológicos) e construir a CBHPO, e em 2008 foi compilado um rol de 521 procedimentos. O CFO apresenta a CBHPO como marco na forma de valoração dos procedimentos odontológicos, indicando a valoração relativa de cada um.
Use isso como bússola, não como tabela pronta. A CBHPO dá a estrutura (separar honorário de custo, valorar de forma relativa); os números da sua margem saem da sua planilha, com os seus custos reais.
Faixas de margem por tipo de clínica e procedimento
Aqui a regra é honestidade calibrada: as faixas variam, e não há um número único válido para toda clínica.
A margem praticável muda com:
- O tipo de clínica: popular (alto volume, ticket baixo, margem percentual menor por caso), especializada (ticket alto, margem maior), multi (mix dos dois).
- O procedimento: um caso com prótese cara carrega custo direto alto e tende a margem percentual menor que um procedimento de baixo material.
- A localização e a estrutura de custo fixo: aluguel e folha pesam diferente em cada praça.
Por isso o caminho não é copiar uma faixa de mercado e aplicar. É calcular a sua, por procedimento, com os custos apropriados. A faixa "saudável" é a que cobre todos os custos com folga para reinvestir e remunerar o dono. Veja qual margem de lucro é saudável na clínica.
Mix de procedimentos: ache o rentável e o deficitário
Esse é o pagamento de todo o trabalho anterior. Com a margem real por caso, você enxerga o mix e ajusta o portfólio.
Quando você apropria custo por procedimento, descobre coisas desconfortáveis:
- Alguns procedimentos de ticket alto têm margem percentual menor do que parecia, porque o laboratório come o preço.
- Alguns procedimentos de ticket baixo e material barato têm margem percentual excelente.
- Alguns casos são deficitários: o preço não cobre o custo total quando você inclui tempo de cadeira e fixo.
Isso muda decisão de portfólio. Você passa a saber qual procedimento divulgar, qual repricificar e qual talvez não valha a pena fazer no preço atual. Veja qual procedimento dá mais retorno e a lógica da margem de contribuição por procedimento.
Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, o caso que paga a conta raramente é o de maior preço. É o de maior margem por hora de cadeira, segundo dados internos da Odonto Results. Faturamento bonito esconde mix ruim quando ninguém apropria custo.
Quando revisar a planilha de custos e preços
Custo não é foto, é filme. Preço de insumo e de laboratório muda, e planilha defasada faz você vender com margem menor do que pensa.
Reveja:
- Sempre que um custo relevante mudar: alta de resina, reajuste do laboratório, novo descartável, aumento de aluguel ou folha.
- Em revisão periódica fixa, mesmo sem mudança óbvia. Pequenas altas acumuladas corroem a margem em silêncio.
- Quando mudar o regime tributário ou o enquadramento, porque o imposto sobre a receita muda a margem líquida de todo caso.
Uma planilha viva é o que mantém o preço alinhado ao custo real. Sem revisão, a margem que você calculou um ano atrás já não existe.
O custo que a planilha esquece: o paciente que não fecha
Aqui está o elo que liga custeio a captação, e quase nenhuma clínica conecta. A margem que importa não é a do caso no papel, é a do caso realizado.
Você apropriou todo custo do procedimento. Mas há um custo a montante: o de atrair o paciente. E ele se distribui sobre os casos que de fato fecham, não sobre os que entram.
Pensa assim: se você investe para gerar pacientes e só uma parte deles compareceu e fechou, o custo de aquisição de cada caso fechado é maior do que o custo por lead sugere. O no-show e a baixa taxa de fechamento não somem da conta, eles se jogam sobre quem fechou.
Por isso comparecimento e fechamento são variáveis de margem realizada:
- O lead que não comparece consumiu custo de aquisição e não gerou caso. Esse custo recai sobre os casos que aconteceram.
- A avaliação que não fecha ocupou hora de cadeira (custo) sem virar procedimento (receita).
- O caso que fecha mais rápido, com menos toques e menos no-show, carrega menos custo de aquisição e tem margem realizada maior.
É aqui que a operação comercial encontra o custeio. Apropriar custo de procedimento mostra a margem teórica do caso; cuidar de comparecimento e fechamento define a margem que de fato entra no caixa.
Lembre: a margem real de um caso não é só a do procedimento. É a do procedimento menos o custo de todos os pacientes que você atraiu e não fecharam. Faturamento previsível com comparecimento alto é o que protege a margem realizada.
Seu próximo passo
- Monte a planilha de material e laboratório por tipo de procedimento. Liste cada insumo, ache o valor unitário (caixa ÷ quantidade) e lance a prótese direto no caso que a consumiu. Comece pelos três procedimentos que mais aparecem na sua agenda.
- Calcule a hora clínica e aplique a margem certa. Some fixos + pró-labore, divida pelas horas produtivas reais, e use preço = custo ÷ (1 − margem desejada). Não confunda margem com markup.
- Olhe o mix e proteja a margem realizada. Identifique o caso rentável e o deficitário, repricifique o que precisa, e cuide do comparecimento e do fechamento, porque o paciente que não fecha também tem custo.
Quer previsibilidade no que entra na agenda para que a margem que você calculou seja a margem que de fato realiza? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
Como calcular o custo de material por procedimento?
Liste todo insumo que o procedimento consome (resina, adesivo, broca, anestésico, agulha, luva, máscara, sugador, descartáveis). Para cada um, divida o valor da caixa pela quantidade da caixa para achar o valor unitário, depois multiplique pela quantidade usada no caso. A soma de todos os itens é o custo de material daquele procedimento.
Onde lanço o custo do laboratório ou da prótese?
Direto no procedimento que consumiu aquela peça. A coroa, a prótese, a placa, o alinhador ou o modelo são custo específico do caso, não custo geral da clínica. Lançar a fatura do laboratório como despesa difusa do mês esconde a margem real justamente dos casos de maior ticket.
Qual a diferença entre margem e markup?
Margem é o percentual de lucro sobre o preço de venda. Markup é o multiplicador (ou divisor) aplicado sobre o custo para chegar ao preço. Um markup de 2 sobre o custo não é 50% de margem por acaso, mas confundir os dois costuma fazer a clínica precificar achando que tem folga que não existe.
O que é margem bruta e o que é margem líquida?
Margem bruta desconta só os custos diretos do caso (material, laboratório, comissão). Margem líquida desconta também os custos fixos rateados, impostos, marketing e depreciação. Um caso pode ter margem bruta boa e margem líquida apertada quando os fixos e o imposto entram na conta.
O imposto entra no cálculo da margem?
Entra na margem líquida. A receita do procedimento é tributada conforme o regime da clínica (Simples Nacional e seus anexos de serviço, ou outro regime), e esse percentual reduz o que sobra de cada caso. Calcular margem sem descontar imposto superestima o lucro. O enquadramento certo é tema do contador.
Com que frequência reviso a planilha de custos?
Sempre que o custo de insumo ou de laboratório mudar de forma relevante, e em revisão periódica fixa de qualquer jeito. Preço de resina, de prótese e de descartável sobe, e uma planilha defasada faz você vender com margem menor do que pensa sem perceber.