Custos e ROI

Como calcular a taxa interna de retorno antes de investir em equipamento, cadeira ou unidade na clínica?

A taxa interna de retorno (TIR) é a taxa que zera o valor presente líquido do projeto. Você monta o fluxo de caixa (investimento negativo mais entradas líquidas por período), calcula a TIR no Excel ou na HP 12c e compara com a sua taxa mínima de atratividade. Veja o passo a passo com exemplos de cadeira, scanner e nova unidade.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 24 de junho de 2026 · 19 min de leitura
TL;DR

A TIR é a taxa de desconto que faz o valor presente líquido do fluxo de caixa ser zero. Monte o fluxo (investimento negativo mais entradas líquidas mensais), rode =TIR no Excel, e aprove o investimento só se a TIR ficar acima da sua taxa mínima de atratividade.

Pontos-chave
  • A regra de decisão é simples. A TIR é a taxa de desconto que faz o valor presente líquido (VPL) do fluxo de caixa ser igual a zero, e o projeto é atrativo quando a TIR for maior que o seu custo de capital (taxa mínima de atratividade), segundo a [Wikipédia](https://pt.wikipedia.org/wiki/Taxa_interna_de_retorno).
  • Exemplo mínimo que esclarece tudo. Investir R$100 hoje para receber R$110 em um ano dá VPL = 0 = -100 + 110/(1+TIR), o que resulta em TIR de 10%, mas a TIR não mede o risco e é uma taxa teórica baseada em estimativas de fluxo de caixa, segundo a [Nomad Global](https://www.nomadglobal.com/portal/artigos/tir).
  • A projeção só vale se a cadeira encher. Na régua interna da Odonto Results, a meta de funil é converter cerca de 1/3 dos leads em agendamento e cerca de 1/3 dos agendamentos em comparecimento, e é esse fluxo de pacientes pagos que sustenta a receita projetada da nova cadeira (dados internos da Odonto Results).

Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. O que é a TIR e por que ela importa na decisão de investir
  4. TIR, VPL, ROI e payback: cada um responde uma pergunta diferente
  5. A fórmula da TIR (sem complicar)
  6. Como montar o fluxo de caixa do projeto (a parte que decide tudo)
  7. Passo a passo: calcular a TIR no Excel e na HP 12c
  8. A régua de decisão: TIR contra a sua taxa mínima de atratividade (TMA)
  9. Exemplo 1: investir em uma cadeira odontológica nova
  10. Exemplo 2: investir em um equipamento (scanner intraoral)
  11. Exemplo 3: abrir uma nova unidade
  12. Payback simples vs payback descontado: por que o prazo isolado engana
  13. As limitações da TIR (que ninguém te conta na hora da venda)
  14. Quando usar VPL em vez de TIR
  15. Os erros comuns do dentista ao projetar a receita
  16. Como a previsibilidade de agendamento muda a TIR
  17. Checklist: o que ter na mão antes de assinar
  18. Seu próximo passo
  19. Perguntas frequentes

"Como calcular a taxa interna de retorno antes de investir em equipamento, cadeira ou unidade na clínica?"

O vendedor te mostra uma planilha com retorno de dois dígitos e payback curto. Parece ótimo.

Mas a conta dele assume a cadeira sempre cheia, sem custo de aquisição de paciente e sem mês fraco. A sua realidade é outra.

A taxa interna de retorno (TIR) existe justamente para tirar a decisão do "parece bom" e colocar em um número que você controla. Ela responde uma pergunta direta: este projeto rende mais que o dinheiro parado ou aplicado em outro lugar?

Segundo a Wikipédia, a TIR é a taxa de desconto que faz o valor presente líquido do fluxo de caixa ser igual a zero, e o projeto é atrativo quando essa taxa supera o seu custo de capital.

A boa notícia: você não precisa ser contador. Precisa de um fluxo de caixa honesto e duas funções de planilha.

Neste guia você vai ver:

  • O que é TIR e por que ela decide compra de equipamento, cadeira e unidade
  • A diferença entre TIR, VPL, ROI e payback (cada um responde uma coisa)
  • Como montar o fluxo de caixa do projeto, passo a passo
  • Como calcular a TIR no Excel e na HP 12c
  • A régua de decisão: TIR contra a sua taxa mínima de atratividade
  • Exemplos aplicados a cadeira, scanner e nova unidade
  • Os erros de projeção que estouram a conta e o checklist antes de assinar

O que é a TIR e por que ela importa na decisão de investir

Antes de calcular, alinhe o conceito. A TIR é a rentabilidade anual implícita de um projeto, expressa em percentual.

Pensa assim: se você aplica R$100 e recebe R$110 um ano depois, ganhou 10%. A TIR generaliza essa ideia para qualquer fluxo, mesmo com entradas espalhadas por vários meses ou anos.

Formalmente, a TIR é a taxa que zera o valor presente líquido. Segundo a Wikipédia, o projeto é atrativo quando a TIR for maior que o custo de capital, indiferente quando forem iguais e inviável quando a TIR for menor.

Por que isso importa para o dono de clínica? Porque toda compra grande compete com alternativas:

  • Comprar uma cadeira nova ou deixar o capital rendendo na aplicação.
  • Investir em um scanner intraoral ou reforçar a verba de captação.
  • Abrir uma segunda unidade ou ampliar a unidade atual.

A TIR coloca todas essas opções na mesma régua percentual. Em vez de decidir pelo entusiasmo do vendedor, você decide pelo número.

Lembre: a TIR não é a promessa do fabricante. É o retorno que sai do SEU fluxo de caixa, com a SUA ocupação real e o SEU custo de paciente. Lixo na entrada, lixo na saída.

TIR, VPL, ROI e payback: cada um responde uma pergunta diferente

Aqui mora a confusão que faz dentista decidir errado. Esses quatro indicadores não são sinônimos. Cada um responde uma pergunta.

Indicador A pergunta que responde Unidade Limite
TIR Qual a rentabilidade percentual do projeto? % ao período Não mede risco nem escala
VPL Quanto de valor (em reais) o projeto cria? R$ Depende da taxa de desconto escolhida
ROI Quanto retornou sobre o que investi, no total? % acumulado Ignora o tempo (quando o dinheiro volta)
Payback Em quanto tempo recupero o investimento? meses ou anos Ignora o que vem depois de se pagar

Repare na diferença prática:

  • O ROI diz que você dobrou o dinheiro, mas não diz se foi em 1 ano ou em 5. Tempo muda tudo.
  • O payback diz que se paga em 18 meses, mas não diz se o projeto rende muito ou pouco depois disso.
  • O VPL diz quanto valor o projeto cria em reais, mas você precisa escolher uma taxa de desconto antes.
  • A TIR resolve esse último ponto: ela é a taxa que faz o VPL ser zero, então sai naturalmente do fluxo.

A leitura combinada é o que decide bem. TIR para enxergar a rentabilidade, VPL para enxergar o valor criado, payback para checar o fôlego de caixa. Os três juntos, nunca um sozinho.

A fórmula da TIR (sem complicar)

Você não vai calcular a TIR na mão, mas entender a fórmula evita cair em armadilha de planilha.

A definição é esta: a TIR é a taxa que faz o VPL ser igual a zero.

VPL = 0 = -investimento + soma dos fluxos de caixa descontados por essa taxa

Em outras palavras, você desconta cada entrada futura por uma taxa, soma tudo, subtrai o investimento inicial e procura a taxa que faz esse resultado dar exatamente zero. Essa taxa é a TIR.

O exemplo mínimo deixa cristalino. Segundo a Nomad Global, investir R$100 hoje para receber R$110 em um ano dá:

VPL = 0 = -100 + 110/(1+TIR), o que resulta em TIR = 10%.

A mesma fonte reforça o que mais gente esquece: a TIR avalia o retorno, mas não mede o risco, e é uma taxa teórica baseada em estimativas de fluxo de caixa. Ou seja, ela é tão confiável quanto a sua projeção de receita.

Guarde isso: a matemática é exata, a projeção que alimenta ela não é. O trabalho de verdade está em montar o fluxo de caixa honesto.

Como montar o fluxo de caixa do projeto (a parte que decide tudo)

Esta é a etapa que separa a decisão boa da furada. O cálculo é fácil; o fluxo é o que dá trabalho.

Monte uma linha do tempo por período (mensal é o ideal para clínica) com dois tipos de número:

1. Investimento inicial (período zero, valor negativo). Tudo que sai do caixa para o projeto começar:

  • Preço do equipamento, cadeira ou obra da unidade.
  • Instalação, adaptação da sala, mobiliário.
  • Treinamento da equipe e software, se for o caso.
  • Capital de giro para os primeiros meses de operação no vermelho.

2. Entradas líquidas por período (receita menos custo). Atenção: é o líquido, não a receita bruta. Para cada mês:

  • Receita adicional que o projeto gera (produção da nova cadeira, procedimentos novos do scanner, faturamento da unidade).
  • Menos os custos variáveis daquela produção (material, laboratório, comissão, taxa de cartão).
  • Menos os custos fixos novos (mais um dentista, mais uma auxiliar, aluguel da unidade, energia).
  • Menos o custo de captar os pacientes que vão ocupar a capacidade nova.

A entrada líquida de cada mês é o que de fato sobra no caixa. É esse número que entra na TIR.

Lembre: o erro número um do dentista é colocar a receita bruta no fluxo. A cadeira não gera caixa, ela gera produção menos custo. Use sempre a margem, nunca o faturamento cheio.

Para chegar no custo real por hora de produção da nova cadeira, vale ler como calcular o custo da hora de cadeira antes de projetar a margem.

Passo a passo: calcular a TIR no Excel e na HP 12c

Com o fluxo pronto, o cálculo leva segundos. Veja os dois caminhos.

No Excel ou Google Planilhas

  1. Monte o fluxo em uma coluna. Na primeira célula, o investimento inicial como número negativo. Nas células seguintes, as entradas líquidas de cada período.
  2. Em uma célula livre, digite =TIR( e selecione o intervalo inteiro (do investimento negativo até a última entrada).
  3. Feche o parêntese e aperte enter. O resultado é a TIR daquele período (se o fluxo é mensal, a TIR é mensal).

Segundo o Dicionário Financeiro, a TIR no Excel é obtida com a função =TIR selecionando o intervalo de entradas e saídas de caixa, com o investimento inicial como valor negativo.

Dica: se o seu fluxo é mensal e você quer a TIR anual, eleve à 12ª potência: TIR anual = (1 + TIR mensal)^12 - 1. Nunca multiplique a mensal por 12 (isso ignora os juros compostos).

Na HP 12c

A calculadora financeira faz o mesmo. Segundo o Dicionário Financeiro, a sequência é:

  1. Digite o investimento inicial e use CHS para deixá-lo negativo, depois g e CFo (fluxo do período zero).
  2. Digite cada entrada líquida seguida de g e CFj.
  3. Se um valor se repete por vários períodos, digite o número de repetições e use g e Nj.
  4. Aperte f e IRR para obter a TIR.

O resultado das duas ferramentas é idêntico. Use a que você tiver na mão.

A régua de decisão: TIR contra a sua taxa mínima de atratividade (TMA)

Calcular a TIR é metade do trabalho. A outra metade é ter contra o que comparar.

A TIR sozinha não diz se o projeto é bom. Ela precisa bater contra a sua taxa mínima de atratividade (TMA), que é o retorno mínimo que você aceita para topar o risco.

A regra, segundo a Wikipédia, é direta:

  • TIR maior que a TMA: projeto viável. Rende mais que a sua alternativa.
  • TIR igual à TMA: indiferente. Empata com a alternativa.
  • TIR menor que a TMA: inviável. Você ganharia mais deixando o dinheiro onde está.

É a mesma lógica de uma corrida: a TIR é a velocidade do projeto, a TMA é a velocidade que você precisa bater para valer a pena largar.

Como o dono de clínica define a própria TMA

A TMA é o seu custo de oportunidade. Para definir a sua, pergunte: onde mais esse dinheiro renderia?

  • Piso de segurança: o retorno de uma aplicação de baixo risco (renda fixa). Se o projeto não bate nem isso, não faz sentido correr risco operacional.
  • Custo do dinheiro: se você vai financiar o equipamento, a TMA tem que cobrir os juros do financiamento. Antes de decidir como pagar, vale ver financiar à vista, leasing ou CDC.
  • Retorno da própria operação: se a sua clínica já transforma capital em lucro a uma taxa alta, essa vira a régua. Investimento novo precisa render pelo menos o que a operação atual rende.

Quanto mais a sua clínica já rende, mais alta fica a régua. Por isso o mesmo equipamento pode ser ótimo para uma clínica e medíocre para outra.

Lembre: sem TMA definida, a TIR é só um número solto. A decisão não é "a TIR é alta?", é "a TIR é maior que o que eu faria com esse dinheiro em outro lugar?".

Exemplo 1: investir em uma cadeira odontológica nova

Vamos aterrissar a teoria. Os números abaixo são ilustrativos, só para mostrar a mecânica. Use os seus.

Imagine uma cadeira completa que custa, instalada, R$30 mil. Você projeta que ela vai gerar produção adicional e, depois de descontar material, comissão e o custo de captar os pacientes, sobra uma entrada líquida mensal.

Item Valor (ilustrativo)
Investimento inicial (mês 0) -R$30.000
Entrada líquida mensal (margem da produção nova) +R$2.000
Horizonte projetado 24 meses

Você monta no Excel: -30.000 no mês 0, depois +2.000 repetido por 24 meses. Roda =TIR e encontra a rentabilidade mensal do projeto. Eleva à 12ª potência e tem a TIR anual.

O ponto que importa não é o número exato (que depende da sua margem real). É a leitura:

  • Se a TIR anual ficar bem acima da sua TMA, a cadeira é um bom uso de capital.
  • Se a margem mensal cair pela metade porque a cadeira fica meio vazia, a TIR despenca e o projeto vira marginal.

Repare onde a conta vive ou morre: na entrada líquida mensal, que depende inteiramente da ocupação da cadeira. Cadeira parada não tem TIR, tem prejuízo. Por isso a parte de captação não é detalhe, é variável central.

Exemplo 2: investir em um equipamento (scanner intraoral)

Equipamento muda um pouco a lógica. O scanner raramente gera uma fila de pacientes novos sozinho. Ele gera receita incremental por procedimento e ganho de eficiência.

Pense no scanner como uma alavanca de margem, não de volume:

  • Receita incremental: moldagens digitais, planejamentos, casos que antes você terceirizava ou não fechava por falta de tecnologia.
  • Economia de custo: menos moldagem física refeita, menos material, menos retrabalho de laboratório.
  • Ticket e conversão: o paciente que vê o scan na tela tende a entender melhor o caso, o que pode ajudar o fechamento na cadeira.

No fluxo de caixa, isso entra como entrada líquida mensal: a soma da receita nova com a economia gerada, menos qualquer custo de software ou manutenção. O investimento inicial é o preço do aparelho.

A pergunta de payback aqui é honesta: quantos procedimentos por mês o scanner precisa puxar para se pagar? Se você precisa de um volume que a sua agenda não tem, a TIR fica baixa e o aparelho vira vaidade cara.

Para o raciocínio completo de quando uma tecnologia se justifica, veja como saber se o scanner ou software realmente se paga.

Exemplo 3: abrir uma nova unidade

Aqui a TIR fica mais poderosa e mais perigosa. Mais poderosa porque o projeto é grande e plurianual. Mais perigosa porque tem muito mais variável para errar.

Uma nova unidade tem um fluxo de caixa típico em formato de vale:

  1. Investimento alto e concentrado: obra, equipamentos, mobiliário, ponto, capital de giro. Tudo no início, valor negativo grande.
  2. Meses iniciais no vermelho: a unidade já tem aluguel, equipe e energia, mas ainda não tem agenda cheia. As primeiras entradas líquidas podem ser negativas.
  3. Ponto de equilíbrio: o mês em que a receita cobre os custos. Daí em diante, as entradas líquidas viram positivas.
  4. Maturação: a unidade enche, e o fluxo positivo carrega a TIR.

Você projeta receita, custos operacionais e o ponto de equilíbrio mês a mês, monta o fluxo plurianual e roda a TIR. O VPL anda junto, porque em um projeto desse tamanho importa não só a taxa, mas quanto valor em reais ele cria.

Estudos de viabilidade do setor confirmam que abrir estrutura própria pode ser viável. Um estudo acadêmico de viabilidade econômico-financeira da UNISC estimou o investimento inicial em R$61.329,51 no formato de consultório autônomo e R$115.493,49 no formato de clínica em sociedade, e concluiu que o projeto era viável nos dois cenários.

Mas atenção a duas armadilhas da unidade nova:

  • O fluxo em vale (negativo no início, positivo depois) pode gerar mais de uma TIR, como você vai ver na seção de limitações. Confie no VPL quando isso acontecer.
  • A decisão "nova unidade" compete com "mais marketing na unidade atual". A análise lado a lado está em investir em marketing ou abrir nova unidade.

Payback simples vs payback descontado: por que o prazo isolado engana

Quase todo vendedor fala em payback, porque é o número mais fácil de vender. E é o mais traiçoeiro.

O payback simples soma as entradas até zerar o investimento. Se a cadeira de R$30 mil devolve R$2 mil por mês, o payback simples é 15 meses. Limpo, mas incompleto.

Ele tem dois furos:

  • Ignora o valor do dinheiro no tempo. R$2 mil daqui a 15 meses valem menos que R$2 mil hoje. O payback simples trata todos iguais.
  • Ignora o que vem depois. Dois projetos com o mesmo payback de 15 meses podem ter destinos opostos: um para de render no mês 16, o outro rende por anos. O payback não vê isso.

O payback descontado corrige o primeiro furo: ele desconta cada entrada por uma taxa antes de somar, então o prazo real fica sempre maior (e mais honesto) que o simples.

Mesmo assim, payback não substitui TIR e VPL. Use o payback como filtro de caixa ("aguento ficar sem esse dinheiro por quanto tempo?"), não como decisão de investimento. Para aplicar o conceito a cadeira e dentista novo, veja como calcular o payback de uma cadeira ou dentista novo.

As limitações da TIR (que ninguém te conta na hora da venda)

A TIR é ótima, mas não é mágica. Conhecer os limites evita decisão errada com cara de rigor.

São quatro pontos críticos, e os dois primeiros vêm direto da Wikipédia:

1. Múltiplas TIRs. Quando o fluxo de caixa muda de sinal mais de uma vez (negativo, positivo, negativo de novo, como uma unidade que precisa de reinvestimento no meio), o cálculo pode gerar mais de uma TIR. Várias respostas, nenhuma confiável. Nesses casos, decida pelo VPL.

2. Pressuposto de reinvestimento. O método assume que você reinveste os retornos à própria taxa de atratividade. Nem sempre é realista, o que pode inflar a percepção de retorno em projetos com TIR muito alta.

3. A TIR não mede risco. Como lembra a Nomad Global, a TIR é uma taxa teórica baseada em estimativas de fluxo de caixa e não captura o risco. Um projeto de TIR 40% e fluxo incerto pode ser pior que um de TIR 20% e fluxo seguro.

4. A TIR ignora a escala. Uma cadeira de R$30 mil pode ter TIR maior que uma unidade de R$300 mil, mas a unidade cria muito mais valor em reais. Por isso a Wikipédia recomenda o VPL para comparar projetos de tamanhos diferentes.

Lembre: TIR alta em projeto pequeno não ganha de TIR menor em projeto grande quando o que você quer é crescer. Olhe a TIR para rentabilidade e o VPL para tamanho do prêmio.

Quando usar VPL em vez de TIR

A pergunta certa não é "TIR ou VPL", e sim "qual deles pesa mais nesta decisão". A resposta depende do que você está comparando.

Situação Indicador que decide Por quê
Projetos de escalas muito diferentes (cadeira vs unidade) VPL A TIR ignora o tamanho; o VPL mostra o valor criado em reais
Fluxo que muda de sinal mais de uma vez VPL A TIR pode dar múltiplas respostas
Comparar a rentabilidade percentual de opções parecidas TIR Mais intuitiva e fácil de comparar com a TMA
Comunicar para sócio o prêmio total do projeto VPL "Cria R$X de valor" é mais concreto que "rende Y%"

Na prática, calcule os dois. A TIR te dá a leitura rápida e o VPL te protege das armadilhas. Quando os dois discordam (comum em projetos de tamanhos diferentes), siga o VPL.

Os erros comuns do dentista ao projetar a receita

A matemática quase nunca é o problema. A projeção de receita é. Estes são os erros que mais estouram a conta.

Superestimar a ocupação da cadeira. O vendedor projeta a cadeira cheia desde o mês 1. A realidade é rampa: ela enche aos poucos, conforme o fluxo de pacientes cresce. Comece o fluxo com ocupação parcial e suba gradual.

Ignorar o custo de aquisição de paciente. A cadeira nova não vem com pacientes embutidos. Cada paciente que a ocupa custou marketing, atendimento e tempo para chegar. Esse custo entra no fluxo, ou a TIR fica fantasiada.

Usar receita bruta em vez de margem. Já dito, mas é o erro mais caro. O que entra no fluxo é receita menos custo, nunca o faturamento cheio.

Esquecer o capital de giro. A unidade nova fica meses no vermelho operacional antes de virar. Se você não provisiona o caixa para esse período, quebra antes da TIR aparecer.

Não rodar cenário pessimista. A planilha bonita assume tudo dando certo. Rode também com receita 30% menor e ocupação mais lenta. Se a TIR continua acima da TMA no cenário ruim, o projeto é robusto.

Como a previsibilidade de agendamento muda a TIR

Aqui está o elo que conecta a planilha à operação real. A entrada líquida mensal de qualquer cadeira ou unidade depende de uma coisa: fluxo previsível de pacientes que comparecem e pagam.

E é justamente aí que a maioria das projeções fura. A receita projetada assume uma ocupação que só acontece se a clínica tiver um motor de aquisição que entrega paciente na cadeira de forma constante.

Os números da operação mostram o tamanho do impacto. Na régua interna da Odonto Results, a meta de funil é converter cerca de 1/3 dos leads em agendamento e cerca de 1/3 dos agendamentos em comparecimento (dados internos da Odonto Results). É esse fluxo de pacientes pagos que sustenta a receita que você jogou na planilha.

Pensa no efeito sobre a TIR:

  • Com previsibilidade: a cadeira nova enche no ritmo projetado, a entrada líquida bate a meta, a TIR se confirma.
  • Sem previsibilidade: a cadeira fica meio vazia, a margem mensal cai, a TIR despenca e o equipamento que "se pagava em 15 meses" vira custo fixo parado.

A taxa de ocupação não é dado fixo de planilha. É consequência direta de quantos pacientes a sua clínica consegue atrair, agendar e fazer comparecer todo mês. Antes de comprar capacidade, garanta a demanda que vai ocupá-la. Veja quanto investir em marketing para sustentar o crescimento.

Lembre: comprar cadeira sem motor de captação é construir um restaurante maior sem garantir mais clientes. A capacidade extra só vira retorno se houver fluxo previsível para preenchê-la.

Checklist: o que ter na mão antes de assinar

Não calcule a TIR no escuro. Antes de rodar a planilha, junte estes dados. Quanto mais honesto cada um, mais confiável a decisão.

  1. Investimento inicial total. Equipamento ou obra, instalação, treinamento, software E capital de giro para os meses no vermelho.
  2. Receita adicional realista por mês. Com rampa de ocupação (parcial no início, cheia depois), não a projeção otimista do vendedor.
  3. Custos variáveis da produção nova. Material, laboratório, comissão, taxa de cartão e pix.
  4. Custos fixos novos. Mais um dentista, auxiliar, aluguel, energia, manutenção.
  5. Custo de aquisição dos pacientes que vão ocupar a capacidade nova.
  6. Sua taxa mínima de atratividade (TMA). O retorno da sua melhor alternativa para esse dinheiro.
  7. Horizonte do projeto e valor residual do equipamento ao fim.
  8. Cenário pessimista com receita e ocupação menores, para testar se o projeto aguenta.

Com esses oito itens, você monta um fluxo de caixa honesto, roda a TIR e o VPL, compara com a TMA e decide com número, não com torcida.

Seu próximo passo

  1. Monte o fluxo de caixa do projeto que está na mesa. Investimento inicial negativo no mês zero, entradas líquidas mensais (receita menos custo, com rampa de ocupação) pelos próximos 24 a 36 meses. Sem receita bruta, sem cadeira cheia desde o dia 1.
  2. Calcule TIR e VPL e compare com a sua TMA. Rode =TIR no Excel, eleve à 12ª potência para anualizar, e só aprove se a TIR ficar acima do retorno da sua melhor alternativa, inclusive no cenário pessimista.
  3. Garanta a demanda antes de comprar a capacidade. A TIR só se confirma se a cadeira encher. Estruture o motor de aquisição que entrega paciente previsível na cadeira antes de assinar o boleto do equipamento.

Quer que a ocupação da sua cadeira nova seja previsível, e não um chute na planilha? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

O que é taxa interna de retorno (TIR) em uma frase?

É a taxa de desconto que faz o valor presente líquido (VPL) de um fluxo de caixa ser igual a zero. Na prática, é a rentabilidade anual implícita do projeto. Segundo a Wikipédia, o investimento é atrativo quando a TIR for maior que o custo de capital (taxa mínima de atratividade).

TIR ou VPL: qual usar para decidir uma compra?

Use a TIR para enxergar a rentabilidade percentual e o VPL para enxergar quanto de valor o projeto cria em reais. Para comparar projetos de tamanhos diferentes, como uma cadeira contra uma unidade inteira, a Wikipédia aponta que o VPL é preferível à TIR, porque a TIR ignora a escala.

Qual taxa mínima de atratividade um dono de clínica deve usar?

Use o seu custo de oportunidade: o retorno que você teria deixando o dinheiro em uma aplicação segura ou aplicando na própria operação. Quanto mais a sua clínica rende hoje, mais alta fica a régua. A TIR do projeto novo precisa superar essa régua para o investimento valer a pena.

Como calcular a TIR no Excel?

Monte o fluxo de caixa em uma coluna, com o investimento inicial como valor negativo e as entradas líquidas de cada período em seguida, e aplique a função =TIR selecionando esse intervalo. Segundo o Dicionário Financeiro, o investimento inicial entra como valor negativo e a função retorna a taxa que zera o VPL.

Por que o payback isolado engana?

Porque o payback simples só conta quanto tempo leva para recuperar o dinheiro, sem considerar o valor do dinheiro no tempo nem o que o projeto rende depois de se pagar. Dois projetos com o mesmo payback podem ter TIRs muito diferentes. Use o payback como filtro rápido, não como decisão final.

A TIR sozinha basta para aprovar o investimento?

Não. A TIR não mede risco nem escala, e fluxos que mudam de sinal mais de uma vez podem gerar mais de uma TIR. Use a TIR junto com o VPL, com a projeção realista de ocupação da cadeira e com um cenário pessimista antes de assinar.