Captação e Tráfego

Como montar um calendário de campanhas e ofertas ao longo do ano para a clínica odontológica?

Montar um calendário anual de campanhas para a clínica não é encher o ano de datas comemorativas. É casar objetivo de negócio (atrair, reativar, preencher cadeira ociosa, empurrar alto ticket) com a janela de poder de compra do paciente e com o que o CFO permite. Veja o método e um modelo mês a mês pronto.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 14 de junho de 2026 · 18 min de leitura
TL;DR

Um bom calendário começa pelo diagnóstico (sazonalidade, ticket, capacidade de cadeira), define um objetivo por período e casa a oferta com a janela de compra do paciente: planeje com antecedência, escolha poucas datas que conversam com a sua especialidade e meça paciente na cadeira, não curtida.

Pontos-chave
  • A régua mudou em 2025. A Resolução CFO-271, de 18 de junho de 2025, alterou o Código de Ética Odontológica e passou a permitir oferecer serviços por brinde, premiação e sorteios, além de liberar cartões de desconto, atendendo decisão do CADE de 2023 (fonte: Conselho Federal de Odontologia, Resolução CFO-271/2025).
  • Datas existem e têm dono. O Dia Mundial da Saúde Bucal é em 20 de março de todo ano, criado pela FDI World Dental Federation (fonte: FDI World Dental Federation, World Oral Health Day). Use as datas que conversam com a sua especialidade, não o calendário inteiro.
  • A janela de compra é previsível. O 13º salário é pago em duas parcelas, a 1ª até 30 de novembro e a 2ª até 20 de dezembro (fonte: Agência Gov / EBC), o melhor momento do ano para empurrar tratamento de alto ticket com condição de pagamento.

Faz parte do guia: Como atrair pacientes para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. Por que montar um calendário anual em vez de reagir no improviso
  4. O diagnóstico que vem antes do calendário
  5. Defina um objetivo de negócio para cada período
  6. Mapeie as datas que conversam com a odontologia
  7. Filtre: o calendário inteiro é um erro
  8. O que pode e o que não pode em oferta odontológica (a régua mudou em 2025)
  9. Casar a oferta com a janela de poder de compra do paciente
  10. Campanhas de meio de ano: não deixe a agenda esvaziar nos meses fracos
  11. Topo e fundo de funil: o papel de cada tipo de campanha
  12. Oferta com prazo e escassez x oferta evergreen
  13. Reativação de base dentro do calendário
  14. Canais de veiculação: onde cada campanha roda
  15. Antecedência de produção: quando começar antes da data
  16. Como medir cada campanha (e ajustar o calendário)
  17. Erros comuns que matam o calendário
  18. Modelo de calendário mês a mês para preencher
  19. Seu próximo passo
  20. Perguntas frequentes

"Como montar um calendário de campanhas e ofertas ao longo do ano para a clínica que já fatura, sem virar refém de desconto e sem improvisar no susto?"

Toda clínica vive a mesma cena. Chega o Dia das Mães, alguém lembra na sexta, e a equipe corre para inventar uma promoção genérica no sábado.

O resultado é previsível: oferta fraca, criativo apressado, base cansada e zero impacto no faturamento.

O problema não é falta de data. É falta de plano.

Um calendário anual de campanhas não é uma lista de feriados. É a sua agenda de aquisição: que objetivo de negócio você persegue em cada período, com qual oferta, para qual público, e como isso casa com o momento em que o paciente tem dinheiro no bolso.

E desde 2025 a régua do que você pode oferecer mudou. Quem planeja com antecedência captura a janela. Quem reage no improviso fica com a sobra.

Neste guia você vai ver:

  • Por que o calendário se planeja com antecedência (e o que você perde reagindo)
  • O diagnóstico que vem antes do calendário (sazonalidade, ticket, cadeira)
  • Quais datas usar (e por que não é o calendário inteiro)
  • O que o CFO permite em oferta desde 2025
  • A janela de poder de compra do paciente (13º, férias) e como casar a oferta
  • Um modelo de calendário mês a mês pronto para preencher

Por que montar um calendário anual em vez de reagir no improviso

Antes de qualquer data, entenda o que está em jogo. A diferença entre planejar e reagir não é organização. É resultado.

Quando você reage, três coisas acontecem, todas ruins:

  • A oferta sai fraca. Promoção pensada na véspera é desconto genérico. Sem ângulo, sem ligação com a especialidade, sem motivo para o paciente agir agora.
  • O criativo sai apressado. Anúncio bom precisa de produção, e produção precisa de tempo. Em cima da data, você sobe o que deu para fazer.
  • A base cansa. Sem plano, você ou não comunica nada ou dispara desconto em cima de desconto, e o paciente passa a só comprar quando tem promoção.

Pensa assim: o calendário transforma a aquisição de "torcer para o mês fechar" em "saber o que vai rodar e por quê".

Ele dá três ganhos concretos:

  1. Antecedência de produção. Você cria criativo, copy e aquecimento de base com folga, não no desespero.
  2. Distribuição da verba. Você sabe quando vai pisar no acelerador (mês de pico) e quando vai segurar o caixa (mês fraco).
  3. Continuidade. A clínica não fica meses no silêncio e depois grita por leads. O fluxo é constante e previsível.

Lembre: o calendário não existe para encher o ano de campanha. Existe para a sua agenda nunca esvaziar de surpresa. Previsibilidade é o produto.

O diagnóstico que vem antes do calendário

Aqui está o erro mais comum: começar pelas datas. O calendário não nasce do feriado, nasce do seu negócio. Antes de marcar qualquer campanha, levante quatro coisas da sua própria clínica.

1. A sazonalidade real da sua agenda. Não a do mercado em geral, a sua. Quais meses lotam e quais esvaziam? Janeiro de férias derruba a agenda? O meio do ano é fraco? Os seus próprios números dizem onde está o buraco a preencher. Veja como a sazonalidade da demanda funciona na odontologia.

2. O ticket por procedimento. Clareamento, ortodontia, implante e protocolo têm tickets muito diferentes. Campanha de procedimento de alto ticket pede outra janela, outra oferta e outro tempo de decisão que a de procedimento de entrada.

3. A capacidade de cadeira. De nada adianta lotar a agenda de um procedimento que você não consegue entregar. O calendário tem que respeitar quantas cirurgias, quantas avaliações e quantas sessões a sua estrutura comporta no período.

4. O mix de serviços. Quais procedimentos você quer crescer? O calendário é uma ferramenta de direcionamento: você empurra o que tem margem e capacidade, não o que pegou o gancho da data.

Dica: liste seus últimos 12 meses de faturamento por procedimento e por mês. O padrão que aparecer é o esqueleto do seu calendário. O resto é decoração.

Defina um objetivo de negócio para cada período

Calendário sem objetivo é decoração de feriado. Cada janela do ano precisa responder uma pergunta: o que essa campanha tem que fazer pela clínica?

Existem quatro objetivos principais, e eles não competem, se revezam ao longo do ano:

Objetivo Quando faz sentido Métrica que importa
Atrair paciente novo Meses de demanda alta, início de ciclo Custo por paciente que compareceu
Reativar a base Mês fraco, agenda com folga Pacientes inativos que voltaram
Preencher cadeira ociosa Buraco específico de agenda Slots preenchidos
Empurrar alto ticket Janela de poder de compra (13º, férias) Casos de alto ticket fechados

O mesmo Dia das Mães pode servir a objetivos diferentes em clínicas diferentes. Uma quer paciente novo de estética. Outra quer reativar a mãe que sumiu há um ano. O objetivo define a oferta, o público e o canal, não a data.

Repare nisto: misturar objetivos numa única campanha enfraquece todas. Uma campanha, um objetivo.

Mapeie as datas que conversam com a odontologia

Agora sim, as datas. Mas com critério. Existe um punhado de datas com peso real para o nicho.

Datas próprias da odontologia:

  • Dia Mundial da Saúde Bucal: 20 de março. Data oficial criada pela FDI World Dental Federation, celebrada em 20 de março de todo ano. Gancho perfeito para conteúdo educativo e check-up.
  • Dia do Dentista no Brasil: 25 de outubro. Data da sua categoria, ótima para reforçar autoridade e a relação com a base de pacientes.
  • Dia Mundial do Sorriso (outubro). Gancho leve, bom para conteúdo de estética e relacionamento.

Datas comerciais com público que casa com odonto:

  • Início de ano (janeiro/fevereiro): o paciente faz promessa de saúde. Check-up e "ano novo, sorriso novo" funcionam.
  • Volta às aulas (fevereiro): janela natural para ortodontia, odontopediatria e avaliação da família.
  • Dia das Mães (maio): estética e presente. Forte para clareamento, facetas e harmonização do sorriso.
  • Dia das Crianças (outubro): odontopediatria e a entrada da família na clínica.
  • Fim de ano (novembro/dezembro): estética para as festas + a janela de poder de compra do 13º para alto ticket.

Lembre: a data é só o gancho. O motor da campanha é o objetivo de negócio e a janela de compra. Uma data sem oferta e sem objetivo é só um post bonito que ninguém agenda.

Filtre: o calendário inteiro é um erro

Este é o ponto que separa a clínica que já fatura da que improvisa. Você não usa todas as datas. Você escolhe poucas e faz bem.

Por quê? Porque o mercado está cheio. O Brasil alcançou a marca de 450 mil cirurgiões-dentistas, segundo o Conselho Federal de Odontologia, o país com mais profissionais do mundo. Se você posta a mesma data comemorativa que todo dentista da sua cidade, você vira ruído.

A clínica que tenta usar tudo termina assim:

  • Campanha genérica em data que não conversa com a especialidade.
  • Base bombardeada de promoção, que para de responder.
  • Verba pulverizada em dez datas mornas em vez de concentrada em quatro fortes.

O filtro é simples. Uma data entra no seu calendário se ela passar em dois testes:

  1. Conversa com a sua especialidade? Dia das Crianças só faz sentido se você atende criança. Caso contrário, ignore.
  2. Conversa com o objetivo do período? Se o mês precisa de alto ticket e a data só rende estética de entrada, ela não é a sua data daquele mês.

A regra prática: 4 a 6 campanhas fortes no ano valem mais que doze fracas. Profundidade vence volume.

O que pode e o que não pode em oferta odontológica (a régua mudou em 2025)

Antes de desenhar qualquer oferta, alinhe a régua. E ela mudou de verdade no ano passado.

A Resolução CFO-271, de 18 de junho de 2025, do Conselho Federal de Odontologia, alterou o Código de Ética Odontológica e abriu espaço que antes era fechado. Atendendo a uma decisão do CADE de 2023 (processo 08700.002535/2020-91), a resolução passou a permitir:

  • Oferecer serviços por brinde, premiação e sorteios (de forma indireta).
  • Cartões de desconto, antes restritos, agora liberados.

Na prática, mecânicas de campanha que eram zona cinzenta ficaram explicitamente permitidas. Isso amplia o que você pode rodar num calendário.

Mas atenção: liberar não é liberou geral. A mesma régua mantém vetos importantes. Pela Resolução CFO-271/2025, segue proibido o aliciamento de pacientes por telemarketing ativo à população em geral, caixas de som, plaqueteiros e atividades que caracterizem concorrência desleal ou desvalorização da profissão. E publicidade enganosa ou abusiva continua vetada pelo Código de Ética.

Mecânica de campanha Situação após CFO-271/2025
Brinde, premiação e sorteio Permitido (de forma indireta)
Cartão de desconto Liberado
Desconto e condição de pagamento Permitido
Telemarketing ativo para população geral Proibido
Plaqueteiro, caixa de som, abordagem mercantilista Proibido
Publicidade enganosa ou abusiva Proibido

O antes e depois merece um parágrafo só. Ele é regulado, exige consentimento e contexto, e não é munição livre para encher uma promoção. Veja o que pode e o que não pode com antes e depois e o panorama do que o marketing odontológico permite antes de produzir.

Nota: este conteúdo orienta, não substitui consultoria jurídica. Em campanha que use sorteio, premiação ou desconto estruturado, confirme a mecânica com o seu CRO e com o jurídico antes de veicular.

Casar a oferta com a janela de poder de compra do paciente

Aqui mora o segredo do calendário de alto ticket. Não basta a oferta ser boa. O paciente precisa ter dinheiro no momento em que você oferece.

E existe uma janela previsível, todo ano, garantida por lei: o 13º salário.

Segundo a Agência Gov / EBC, o 13º é pago em duas parcelas, com a 1ª até 30 de novembro e a 2ª até 20 de dezembro. É o melhor momento do ano de poder de compra do brasileiro.

O que isso significa para o seu calendário:

  • Novembro e dezembro são a janela do alto ticket. Implante, protocolo, ortodontia, lente. O paciente tem o recurso e a vontade de fechar o ano resolvendo.
  • Janeiro e fevereiro carregam o gasto de início de ano (férias, matrícula, IPTU, IPVA). É janela de procedimento de entrada e condição de pagamento, não de empurrar caso de cinco dígitos à vista.
  • Casar oferta com parcela. Apresentar "12x" enquanto o 13º entra desarma o susto do valor total e destrava o sim.

A demanda existe para sustentar isso. Os planos exclusivamente odontológicos registraram 35.377.783 beneficiários no Brasil em novembro de 2025, segundo a ANS, um acréscimo de 1.114.948 frente ao mesmo mês de 2024. O brasileiro está cuidando mais da boca, e tem mais recurso para isso no fim do ano.

Lembre: a melhor oferta na hora errada converte mal. O calendário existe justamente para oferecer alto ticket quando o paciente tem como pagar, não quando deu o gancho da data.

Campanhas de meio de ano: não deixe a agenda esvaziar nos meses fracos

Todo calendário tem buracos. Existem meses sem data forte e sem poder de compra alto. É aí que a clínica desavisada some.

O erro é ficar parado esperando o próximo feriado. O meio do ano, fora das datas de pico, é exatamente quando você deve mudar o objetivo da campanha.

Nos meses fracos, o jogo não é atrair paciente novo a qualquer custo (caro e disputado). É:

  • Reativar a base. Paciente que já passou pela clínica é o lead mais barato e mais quente que existe. Mês fraco é mês de reativação. Veja como reativar a base de pacientes inativos.
  • Preencher cadeira ociosa. Identifique os slots que sempre ficam vazios e crie oferta específica para eles, não para a clínica inteira.
  • Manter presença. Conteúdo educativo e relacionamento seguram a clínica na cabeça do paciente até a próxima janela de compra.

Pensa assim: o mês fraco não é para faturar como o forte. É para não zerar e para alimentar o pipeline que vai converter na próxima janela.

Topo e fundo de funil: o papel de cada tipo de campanha

Nem toda campanha do calendário vende direto. Misturar os tipos é o que sustenta o ano inteiro. Existem dois tipos, e o calendário equilibra os dois.

Campanha de topo (educação e relacionamento):

  • Ganchos: Dia Mundial da Saúde Bucal, conteúdo educativo, autoridade.
  • Objetivo: ser lembrado, construir confiança, aquecer quem ainda não decidiu.
  • Sem oferta dura, sem prazo. Planta a semente.

Campanha de fundo (oferta com objetivo de conversão):

  • Ganchos: 13º, volta às aulas, fim de ano, oferta com prazo.
  • Objetivo: agendar agora. Tem oferta clara, condição de pagamento e motivo para agir.
  • É onde o paciente quente converte.

O calendário saudável intercala os dois. Só fundo cansa a base e parece clínica que só sabe vender. Só topo enche o Instagram de likes e não traz paciente na cadeira. Entenda melhor o que é um funil de marketing para a clínica.

Oferta com prazo e escassez x oferta evergreen

Toda campanha de fundo precisa de um motivo para agir agora. Mas nem toda oferta deve ter prazo. Saber quando usar cada uma evita banalizar o preço.

Oferta com prazo e escassez (use em datas e janelas):

  • "Condição especial de fim de ano, válida até dia X."
  • Casa com data comemorativa e com a janela do 13º.
  • Cria urgência legítima, sem mentira de "últimas vagas" falsa.

Oferta evergreen (use o ano todo):

  • Avaliação, check-up, primeira consulta. Sem prazo, sempre disponível.
  • É o fluxo de base que roda independente de campanha sazonal.

O cuidado: prazo demais vicia. Se toda semana tem "promoção relâmpago", o paciente aprende a só fechar com desconto e o seu preço cheio perde valor. Prazo é tempero, não prato principal. Veja como criar uma oferta forte sem depender de desconto.

Reativação de base dentro do calendário

A base de pacientes é o ativo mais subutilizado da clínica. Todo calendário deveria reservar campanhas só para ela.

Pacientes inativos, orçamentos em aberto e quem fez um procedimento e sumiu são ouro. Eles já confiam na clínica, já conhecem o atendimento, e custam uma fração do lead novo.

Reserve no calendário:

  • Uma campanha de reativação por trimestre, no mínimo, mirando quem não volta há 6 ou 12 meses.
  • Reabertura de orçamento em aberto atrelada à janela do 13º (quem pediu orçamento e não fechou pode fechar agora que tem o recurso).
  • Recall de manutenção para quem fez implante, ortodontia ou clareamento, casado com data de saúde bucal.

O canal certo aqui muda. Para a base, WhatsApp e relacionamento direto convertem mais que anúncio frio. Você não precisa pagar mídia para falar com quem já é seu paciente. Veja como recuperar pacientes inativos.

Canais de veiculação: onde cada campanha roda

Definidos objetivo, oferta e data, falta o canal. E cada tipo de campanha tem seu canal natural.

  • Meta Ads (Instagram e Facebook): gera desejo e volume. Ótimo para campanha sazonal de estética e topo de funil, mirando público novo no raio da clínica.
  • Google Ads: captura intenção. Quem busca "implante preço" ou "clareamento [cidade]" já decidiu procurar. Forte para fundo de funil e alto ticket.
  • Orgânico (Instagram): sustenta autoridade e relacionamento entre as campanhas pagas. O conteúdo de data comemorativa vive bem aqui.
  • WhatsApp: o canal da base. Reativação, recall e reabertura de orçamento. Não custa mídia e fala com quem já confia.
  • E-mail: complementa a reativação para quem deixou o contato.

A regra: campanha de aquisição nova roda em mídia paga (Meta + Google). Campanha de base roda em WhatsApp e relacionamento. Não pague para alcançar quem já é seu.

Antecedência de produção: quando começar antes da data

A maior causa de campanha fraca não é falta de ideia. É falta de tempo de produção. Quem começa em cima da data entrega pior.

A régua de antecedência:

  1. 30 a 45 dias antes: definir objetivo, oferta e público da campanha. Pensar a mecânica (e validar com o CRO se houver sorteio ou desconto estruturado).
  2. 20 a 30 dias antes: produzir criativo e copy. Filmar, editar, escrever. O criativo bom precisa de respiro.
  3. 7 a 15 dias antes: configurar anúncio, aquecer a base, testar o tracking e preparar a equipe de atendimento para o volume.
  4. No dia: ligar e medir, não criar.

Pensa assim: a campanha de Dia das Mães (maio) começa a ser pensada em março. A de fim de ano, em outubro. O calendário anual existe justamente para você nunca estar produzindo no susto.

Como medir cada campanha (e ajustar o calendário)

Calendário que não se mede não evolui. E medir a coisa errada leva à decisão errada. A armadilha clássica é comemorar curtida e alcance de uma data comemorativa enquanto a agenda continua vazia.

Meça cada campanha até a cadeira:

Métrica O que mostra
Leads gerados Volume de interesse da campanha
Custo por lead (CPL) Eficiência da captação
Agendamentos Lead que virou compromisso
Comparecimento Quem de fato apareceu
Ticket gerado Faturamento real da campanha

A campanha de data comemorativa que rendeu engajamento mas zero paciente na cadeira não funcionou, por mais bonita que tenha sido. Veja como medir se a sua campanha traz paciente ou só lead.

E use o que mediu para corrigir o calendário do ano seguinte. A data que converteu, repita e reforce. A que só deu like, corte. O calendário é vivo: ele melhora a cada ciclo de medição.

Um detalhe que muda a operação da campanha: o paciente decide fora do horário comercial. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, o pico de chegada de leads é às 15h e parte relevante chega à noite e no fim de semana, dados internos da Odonto Results. A campanha sobe, mas quem responde o lead na hora é quem captura o resultado dela.

Erros comuns que matam o calendário

Conhecer as armadilhas economiza um ano de campanha ruim. Os mesmos erros se repetem em clínica após clínica.

  • Promessa de resultado. "Sorriso perfeito garantido" fere a régua do CFO e quebra confiança. Descreva o procedimento, não prometa o desfecho.
  • Antes e depois fora das regras. É regulado e exige consentimento e contexto. Usar como munição livre de promoção é risco ético, não estratégia.
  • Banalizar o preço. Desconto em cima de desconto ensina o paciente a só comprar em promoção e destrói o preço cheio.
  • Depender só de desconto. Oferta forte é mecânica, condição e ângulo, não só "X% off". Quem só corta preço compete por baixo num mercado de 450 mil dentistas.
  • Calendário inteiro, profundidade zero. Dez datas mornas perdem para quatro fortes, sempre.
  • Medir like em vez de cadeira. Engajamento não paga conta. Paciente que compareceu e fechou, sim.

Lembre: o calendário não é desculpa para dar desconto o ano inteiro. É um plano de aquisição com objetivo, janela e medição. Desconto é uma das ferramentas, nunca a estratégia.

Modelo de calendário mês a mês para preencher

Junte tudo num esqueleto. Este é um modelo de partida, para você adaptar à sua especialidade, capacidade e sazonalidade real. As datas são fixas; o objetivo e a oferta você ajusta ao seu negócio.

Mês Gancho / data Objetivo sugerido Tipo de oferta
Janeiro Ano novo, sorriso novo Atrair (check-up) + reativar Avaliação, entrada
Fevereiro Volta às aulas Atrair família (orto, odontopediatria) Condição de pagamento
Março Dia Mundial da Saúde Bucal (20/03) Topo + check-up Conteúdo + avaliação
Abril Mês fraco Reativar base WhatsApp, recall
Maio Dia das Mães Atrair estética (clareamento, faceta) Oferta com prazo
Junho Meio de ano Preencher cadeira ociosa Slot específico
Julho Férias escolares Reativar + procedimento eletivo Condição de pagamento
Agosto Mês fraco Reativar + topo Conteúdo, recall
Setembro Primavera / pré-fim de ano Atrair + aquecer alto ticket Avaliação de implante/protocolo
Outubro Dia do Dentista (25/10), Dia das Crianças Autoridade + odontopediatria Topo + família
Novembro 1ª parcela do 13º (até 30/11) Empurrar alto ticket Oferta com prazo, parcela
Dezembro 2ª parcela do 13º (até 20/12), festas Alto ticket + estética para festas Condição de fim de ano

Adapte sempre. Se você não atende criança, Dia das Crianças sai. Se o seu alto ticket é lente, a janela do 13º vira a campanha do ano. O modelo é o ponto de partida; o seu diagnóstico é quem manda.

Dica: preencha primeiro a coluna "objetivo" com base na sua sazonalidade real, depois encaixe a data. Objetivo primeiro, data depois. Nunca o contrário.

Seu próximo passo

  1. Faça o diagnóstico. Levante seus últimos 12 meses de faturamento por procedimento e por mês. O padrão de cheio e vazio é o esqueleto do seu calendário.
  2. Escolha de 4 a 6 campanhas fortes, uma por janela relevante, cada uma com objetivo de negócio claro, oferta dentro da régua do CFO e antecedência de produção de pelo menos 30 dias.
  3. Meça até a cadeira e ajuste. Acompanhe lead, comparecimento e ticket gerado por campanha, e corrija o calendário do próximo ciclo com base no que de fato trouxe paciente.

Quer transformar o ano da sua clínica num calendário de aquisição previsível, em vez de uma corrida atrás de feriado? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

Preciso usar todas as datas comemorativas no calendário da clínica?

Não. Usar o calendário inteiro dilui a mensagem e cansa a base. Escolha 4 a 6 datas que conversam com a sua especialidade e o seu público, e construa cada campanha com objetivo de negócio claro. Menos datas, mais profundidade.

O que o CFO permite em oferta e promoção odontológica?

Desde a Resolução CFO-271/2025, é permitido oferecer serviços por brinde, premiação e sorteios, e os cartões de desconto foram liberados. O que continua vetado é publicidade enganosa ou abusiva, mercantilização da profissão e aliciamento via telemarketing ativo. Na dúvida, consulte o seu CRO.

Posso usar antes e depois nas campanhas de data comemorativa?

Com cautela. O antes e depois é regulado e exige consentimento, contexto e respeito às regras de publicidade do CFO. Não é munição livre para qualquer promoção. Veja o detalhe em nosso guia sobre antes e depois em anúncios odontológicos antes de usar.

Qual a melhor época para campanha de alto ticket como implante e protocolo?

O fim de ano, quando o paciente recebe o 13º salário (1ª parcela até 30 de novembro, 2ª até 20 de dezembro, fonte EBC). É a janela de maior poder de compra. Casar a oferta com a parcela do 13º destrava o sim de tratamento caro.

Com quanto tempo de antecedência devo começar a produzir a campanha?

Comece a planejar a campanha de uma data com pelo menos 30 a 45 dias de antecedência. Criativo, copy, configuração de anúncio e aquecimento da base levam tempo. Quem produz em cima da data corre atrás e entrega pior.

Como sei se a campanha funcionou?

Meça até a cadeira, não no like. Acompanhe lead, custo por lead, agendamento, comparecimento e ticket gerado por campanha. A data comemorativa que rendeu engajamento mas não trouxe paciente que compareceu e fechou não funcionou.