Qual é o custo fixo mensal mínimo pra manter a clínica odontológica aberta e como reduzir esse burn?
O burn é o custo fixo que sai todo mês mesmo com cadeira parada: folha, aluguel, pró-labore, contabilidade, software. Antes de cortar, você precisa medir cada linha, achar o ponto de equilíbrio e reduzir pelos dois lados: enxugar custo sem perder qualidade e ocupar a cadeira que já está paga.
O burn mínimo é a soma das despesas fixas que saem mesmo sem paciente (folha com encargos é a maior fatia, depois aluguel, pró-labore, contas e contabilidade). Você reduz medindo cada linha, achando o ponto de equilíbrio e ocupando a cadeira ociosa, não só cortando custo.
- O Brasil chegou a 450 mil cirurgiões-dentistas registrados em outubro de 2025, segundo o [Conselho Federal de Odontologia](https://website.cfo.org.br/brasil-alcanca-marca-de-450-mil-cirurgioes-dentistas/), o país com mais profissionais do mundo: o mercado é cheio, e quem não controla o burn perde margem na concorrência.
- A folha é a maior linha do burn. Pelos dados oficiais do CAGED, o salário médio do auxiliar em saúde bucal é cerca de R$ 1.817/mês e o da recepcionista cerca de R$ 1.858/mês, e sobre cada CLT ainda incidem encargos que elevam o custo real bem acima do salário bruto (Portal Salário, dados CAGED/MTE).
- O burn não cai só cortando custo. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial e quem responde rápido tem mais chance de virar agendamento, dados internos da Odonto Results: ocupar a cadeira já paga reduz o burn por paciente sem demitir ninguém.
Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- O que é o burn (custo fixo mensal) e por que medir antes de cortar
- Custo fixo x custo variável: a separação que organiza tudo
- A anatomia do burn: quais linhas pesam mais
- A folha de pagamento como maior custo fixo (e o peso dos encargos)
- Pró-labore e contas: as linhas que o dono esquece de contar
- Carga tributária: o imposto fixo e a alavanca do Fator R
- Os custos ocultos que estouram o burn
- Depreciação: o custo que não sai do caixa (mas é real)
- Ponto de equilíbrio: o faturamento mínimo pra não dar prejuízo
- Margem de contribuição: o que decide o faturamento mínimo
- Exemplo numérico: ligando burn, margem e faturamento
- Capital de giro: a reserva que sustenta o burn nos meses fracos
- Como reduzir o burn pelo lado do custo (sem perder qualidade)
- Como reduzir o burn pelo lado da receita (a alavanca que ninguém usa)
- No-show e cadeira ociosa: o custo invisível que infla o burn
- Capacidade instalada x ocupação: você paga a cadeira parada de qualquer jeito
- O erro de gestão: faturar bem e lucrar pouco
- Como montar o controle que enxerga o burn
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Qual é o custo fixo mensal mínimo pra manter a clínica odontológica aberta e como reduzir esse burn?"
Você abre a clínica numa segunda de pouco movimento. Ninguém na cadeira. E mesmo assim o relógio do custo já está correndo.
Salário, aluguel, contabilidade, software, contas: tudo isso vence se você atender um paciente ou cem. Esse é o seu burn, o quanto custa só ficar aberta.
O dono que não sabe o próprio burn decide no escuro. Corta a linha errada, perde qualidade, e descobre tarde que o problema nunca foi gastar demais. Era faturar abaixo do ponto de equilíbrio.
A boa notícia: burn é número. Dá pra medir, dá pra atacar pelos dois lados.
Neste guia você vai ver:
- O que é o burn e por que medir antes de cortar
- A anatomia do custo fixo (qual linha pesa mais)
- Como achar o ponto de equilíbrio e o faturamento mínimo
- Como reduzir o burn sem perder qualidade
- Por que ocupar a cadeira parada reduz o burn mais que demitir
O que é o burn (custo fixo mensal) e por que medir antes de cortar
Burn é o ritmo com que a clínica queima caixa só pra existir. Em termos práticos: a soma de tudo que sai todo mês independente de quantos pacientes compareceram.
Pensa assim: se você fechasse a agenda por 30 dias, quanto ainda sairia da conta? Esse número é o seu burn.
A maioria dos donos olha o faturamento e o lucro, mas ignora o burn isolado. Erro caro. O burn é o que define quanto a clínica precisa faturar antes de ganhar o primeiro real de lucro.
E medir vem antes de cortar. Quem corta sem medir mira no que é visível (o cafezinho, o brinde) e deixa intacta a linha que de fato pesa (a folha mal dimensionada, o aluguel acima do mercado).
Lembre: você não controla o que não mede. Antes de cortar qualquer despesa, monte a lista completa do que sai todo mês. A clareza sozinha já corrige metade das decisões erradas.
Custo fixo x custo variável: a separação que organiza tudo
Antes da lista, alinhe o conceito. Existem duas naturezas de custo, e confundi-las distorce qualquer análise.
Custo fixo não muda com o volume de atendimento. Ele existe mesmo com a cadeira parada.
- Aluguel e condomínio
- Salário CLT da equipe (auxiliar, recepcionista, dentista contratado)
- Pró-labore do dono
- Contabilidade, software de gestão, internet, telefone
- Anuidade do conselho, manutenção de equipamento, marketing fixo
Custo variável só aparece quando há procedimento. Ele acompanha o faturamento.
- Insumos e materiais de cada tratamento
- Comissão do dentista e do protético
- Taxa da maquininha de cartão
- Imposto sobre o que foi faturado
O burn é a soma dos fixos. O variável entra depois, no cálculo da margem. Misturar os dois é o erro número um de quem tenta achar o ponto de equilíbrio na mão.
| Tipo | Muda com o atendimento? | Exemplos | Entra no burn? |
|---|---|---|---|
| Fixo | Não | Aluguel, salário CLT, pró-labore, contabilidade, software | Sim |
| Variável | Sim | Insumo, comissão, taxa de cartão, imposto sobre faturado | Não (entra na margem) |
Com essa separação clara, a anatomia do burn fica óbvia.
A anatomia do burn: quais linhas pesam mais
Nem toda despesa fixa tem o mesmo peso. Atacar na ordem certa é o que separa corte inteligente de corte cego.
Na maioria das clínicas, a hierarquia de peso é parecida:
- Folha de pagamento com encargos. Quase sempre a maior fatia do burn.
- Aluguel e condomínio. A segunda linha mais pesada na maioria das estruturas.
- Pró-labore do dono. Custo fixo de verdade, não "o que sobra" (veja por que mais abaixo).
- Contas operacionais. Água, luz, internet, telefone, sistemas.
- Serviços recorrentes. Contabilidade, software de gestão, marketing fixo.
- Obrigações e manutenção. Conselho, sindicato, manutenção preventiva de equipamento.
Repare na ordem: as três primeiras linhas costumam concentrar a maior parte do burn. É nelas que mora a alavanca de redução, não no detalhe pequeno.
Veja como montar uma DRE pra clínica pra estruturar essas linhas com método.
A folha de pagamento como maior custo fixo (e o peso dos encargos)
A folha merece capítulo próprio porque é, na maioria das clínicas, a linha que mais pesa no burn. E ela engana.
O salário que aparece no contrato não é o custo real. Sobre cada CLT incidem encargos (contribuições, FGTS, férias, 13º provisionado) que elevam o custo total bem acima do bruto pago. O custo de um funcionário é sempre maior que o salário dele.
Os salários-base já dão a referência. Pelos dados oficiais do CAGED, o salário médio nacional do auxiliar em saúde bucal é de cerca de R$ 1.817 por mês, com piso em torno de R$ 1.911. Já o da recepcionista gira em torno de R$ 1.858 por mês, com piso perto de R$ 1.910 e teto na faixa de R$ 2.228 (Portal Salário, dados CAGED/MTE).
| Função | Salário médio (CAGED) | Faixa de piso | Fonte |
|---|---|---|---|
| Auxiliar em saúde bucal | ~R$ 1.817/mês | ~R$ 1.911 | Portal Salário (CAGED/MTE) |
| Recepcionista | ~R$ 1.858/mês | ~R$ 1.910 (teto ~R$ 2.228) | Portal Salário (CAGED/MTE) |
Agora multiplique. Uma clínica com duas auxiliares, uma recepcionista e um dentista contratado já tem uma folha que, somados os encargos, vira a maior linha isolada do burn.
Lembre: o custo real de um funcionário não é o salário, é o salário mais os encargos. Dimensionar a equipe pelo "salário que vou pagar" subestima o burn. Calcule pelo custo total da folha.
A decisão entre CLT, PJ e terceirização muda esse peso. Veja CLT, PJ ou terceirizar a equipe.
Pró-labore e contas: as linhas que o dono esquece de contar
Duas linhas fixas costumam ficar de fora da conta do dono. E é por isso que o burn real assusta quando aparece organizado.
Pró-labore é custo fixo, não sobra. O dentista dono que tira "o que sobrar no fim do mês" mascara o burn. O certo é separar o pró-labore do caixa da clínica e tratá-lo como uma despesa fixa que sai todo mês. Sem isso, a clínica parece lucrativa enquanto sustenta o dono no escuro. Veja como separar pró-labore da conta pessoal.
Contas operacionais somam mais do que parece. Água, luz, internet, telefone, software de gestão, sistema de prontuário, ferramenta de agendamento: cada uma parece pequena, mas juntas formam uma linha contínua que vence todo mês, com paciente ou sem.
A regra é simples: se vence todo mês independente do movimento, está no burn. Inclusive o que você esqueceu.
Carga tributária: o imposto fixo e a alavanca do Fator R
O imposto tem uma parte que se comporta como custo do burn e uma alavanca que muitos donos ignoram.
A atividade odontológica costuma se enquadrar no Simples Nacional. Mas o anexo em que ela cai muda o quanto você paga, e isso depende da relação entre a sua folha e o seu faturamento.
É a regra do Fator R: quando a folha de pagamento representa pelo menos 28% da receita, a clínica se enquadra no anexo mais leve do Simples. Abaixo desse limite, cai no anexo mais pesado, com alíquota inicial bem maior.
O que isso significa na prática? A folha, que é a maior linha do seu burn, é também a chave que destrava a tributação mais barata. Por isso a decisão tributária não pode ser tomada sem olhar o burn inteiro.
Lembre: cortar folha pra reduzir o burn pode jogar a clínica pro anexo tributário mais caro e aumentar o imposto. As linhas conversam. Nunca decida uma isolada.
Esse é um cálculo pra fazer com o contador, não no chute. Veja o Fator R no Simples Nacional e como pagar menos imposto de forma legal.
Os custos ocultos que estouram o burn
Aqui mora a diferença entre o burn que você imagina e o que de fato sai. Algumas linhas não aparecem todo mês, mas explodem quando aparecem, e quem não provisiona toma o susto no caixa.
Os principais custos ocultos da clínica:
- Manutenção preventiva e corretiva de equipamento. Compressor, autoclave, cadeira, scanner. Quebra na hora errada e vira despesa cheia.
- Reposição de instrumental. O que desgasta e precisa ser trocado periodicamente.
- Descarte de resíduos. Coleta de material biológico e perfurocortante é obrigação contínua, não opcional.
- Atualização de software e licenças. Renovações anuais que somam.
- Inadimplência. O paciente que parcelou e parou de pagar. O tratamento já custou; a receita não entrou.
Esses custos não vencem todo mês, mas o caixa precisa sustentá-los. Quem não os provisiona acha que o burn é menor do que é, e quebra justo no mês em que dois deles aparecem juntos.
A defesa é provisionar. Veja como gerir o estoque e as compras e como reduzir a inadimplência.
Depreciação: o custo que não sai do caixa (mas é real)
Tem um custo que não aparece no extrato e ainda assim corrói a clínica: a depreciação do equipamento.
A cadeira, o raio-x, o scanner e o autoclave perdem valor a cada ano de uso. Um dia precisam ser substituídos. Esse desgaste é custo real, mesmo sem sair dinheiro da conta hoje.
O dono que ignora a depreciação acha que está lucrando mais do que está. Quando o equipamento precisa ser trocado, descobre que não guardou nada pra isso e recorre a crédito caro.
Pensa assim: o equipamento de R$ 60 mil que dura, digamos, dez anos, embute um custo de reposição que o seu preço precisa cobrir ao longo do tempo. Não está no burn de caixa, mas está no custo real da operação.
A lição prática: provisione a reposição como se fosse uma despesa fixa. Seu burn "de verdade" é maior que o burn "de extrato".
Ponto de equilíbrio: o faturamento mínimo pra não dar prejuízo
Agora a pergunta que o burn existe pra responder: quanto a clínica precisa faturar só pra empatar?
O ponto de equilíbrio é o faturamento que cobre exatamente o custo fixo total. Abaixo dele, a clínica queima caixa. Acima, começa o lucro. A fórmula é direta:
Ponto de equilíbrio = Custo Fixo Total ÷ Margem de Contribuição
Onde a margem de contribuição é o percentual que sobra de cada real faturado depois de pagar os custos variáveis daquele atendimento. É o conceito clássico de gestão financeira: o ponto de equilíbrio é o faturamento mínimo em que a clínica não tem lucro nem prejuízo.
Veja a lógica em três passos:
- Some o burn. Todas as despesas fixas do mês.
- Calcule a margem de contribuição. Quanto sobra, em percentual, depois dos custos variáveis.
- Divida. Burn dividido pela margem dá o faturamento mínimo.
Quanto maior a margem, menor o faturamento necessário pra cobrir o mesmo burn. Por isso margem e ponto de equilíbrio andam juntos.
Aprofunde em ponto de equilíbrio por cadeira e especialidade.
Margem de contribuição: o que decide o faturamento mínimo
A margem de contribuição é a peça que a maioria dos donos não calcula, e é ela que determina quanto você precisa faturar.
Margem de contribuição é o que sobra de cada procedimento depois de descontar só os custos variáveis dele (insumo, comissão, taxa, imposto). É essa sobra que "contribui" pra pagar o burn e, depois, virar lucro.
Procedimentos têm margens muito diferentes. Um tratamento de alto ticket com pouco insumo contribui muito mais por hora de cadeira que um de baixo valor e muito material. Por isso a sua margem média depende do mix de procedimentos que você vende.
O que isso muda na prática:
- Margem alta significa que cada real faturado cobre mais burn. O ponto de equilíbrio cai.
- Margem baixa significa que você precisa faturar muito mais pra cobrir o mesmo custo fixo.
- Faturar alto com margem corroída é a armadilha clássica (mais sobre ela adiante).
Veja como calcular a margem de contribuição por procedimento e como aumentar o ticket médio pra subir a margem.
Exemplo numérico: ligando burn, margem e faturamento
A teoria fica concreta com um exemplo. Use números ilustrativos pra ver a mecânica (substitua pelos seus).
Suponha uma clínica com burn (custo fixo) de R$ 40 mil por mês e margem de contribuição média de 50%.
- Ponto de equilíbrio = R$ 40.000 ÷ 0,50 = R$ 80.000 de faturamento só pra empatar.
Agora veja o poder da margem. Mesma clínica, mesmo burn, mas com margem de 40% (mix de procedimentos com mais custo variável):
- Ponto de equilíbrio = R$ 40.000 ÷ 0,40 = R$ 100.000 pra empatar.
A mesma estrutura precisa faturar R$ 20 mil a mais por mês só porque a margem caiu 10 pontos. Faturar mais não resolveu nada: o ponto de equilíbrio subiu junto.
Lembre: o ponto de equilíbrio sobe quando o burn cresce ou quando a margem cai. Você reduz o faturamento mínimo necessário atacando os dois: enxugar o custo fixo e melhorar o mix que sustenta a margem.
Capital de giro: a reserva que sustenta o burn nos meses fracos
Saber o burn é uma coisa. Sobreviver aos meses em que o faturamento não cobre o burn é outra. É pra isso que existe o capital de giro.
A demanda odontológica oscila. Tem mês forte e mês fraco. Se o caixa não tem reserva, o mês fraco vira dívida, antecipação de recebível cara ou cheque especial.
A referência saudável é manter caixa pra cobrir de três a seis meses de burn. Quanto mais sazonal a sua demanda, mais perto de seis meses você deve guardar.
Essa reserva não é luxo. É o que permite atravessar a baixa sem decisão desesperada (demitir bom profissional, dar desconto que destrói margem, antecipar recebível a juros altos). Veja quanto guardar de reserva e como gerir o caixa nos meses fracos.
Como reduzir o burn pelo lado do custo (sem perder qualidade)
Com o burn medido e o ponto de equilíbrio na mão, dá pra cortar com bisturi, não com facão. Reduzir custo fixo sem comprometer o atendimento.
As alavancas reais, na ordem de quem mais pesa:
- Renegocie o aluguel. É uma das maiores linhas e quase nunca é renegociada. Mercado mudou, vacância existe; vale a conversa anual.
- Renegocie fornecedores e energia. Material odontológico tem margem de negociação por volume e fidelidade. Veja como negociar com fornecedor.
- Controle estoque e compras. Comprar demais é caixa parado na prateleira que ainda vence. Comprar de menos é parar procedimento. O meio-termo economiza sem travar a operação.
- Terceirize o não essencial. Limpeza, segurança e até parte do administrativo podem sair da folha fixa pra um custo mais flexível.
- Use o software de gestão de verdade. Sistema que elimina retrabalho e furo de agenda paga o próprio custo. Subutilizado, ele só engorda o burn.
- Dimensione a equipe pela capacidade real. Folha acima da demanda é o maior desperdício silencioso. Ajuste à ocupação que você de fato tem.
- Capacite a equipe pra reduzir desperdício. Menos material perdido, menos retrabalho clínico, menos refação. Equipe treinada queima menos insumo.
O fio condutor: corte o que não chega no paciente. A linha que sustenta a qualidade do atendimento é a última a tocar, não a primeira.
Como reduzir o burn pelo lado da receita (a alavanca que ninguém usa)
Aqui está o erro mental que custa caro: tratar burn só como problema de custo. O burn por paciente cai quando você ocupa melhor a estrutura que já está paga.
Pensa assim: o aluguel e a folha são os mesmos se a cadeira atende 4 ou 8 pacientes no dia. Cada paciente a mais dilui o mesmo custo fixo. O burn total não muda, mas o burn por paciente despenca.
Por isso, atacar a receita reduz o burn relativo sem demitir ninguém:
- Suba a ocupação da cadeira. Cadeira parada é burn puro sem contrapartida.
- Aumente a taxa de comparecimento. Agendamento que não comparece é custo fixo desperdiçado.
- Suba o ticket e melhore o mix. Mais margem por hora de cadeira cobre o burn mais rápido.
E aqui está o gargalo escondido: muita clínica perde paciente não por falta de demanda, mas por demora na resposta. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial, e o lead que recebe resposta rápida tem mais chance de virar agendamento que o total, dados internos da Odonto Results.
Traduzindo: o paciente que ocuparia a cadeira já paga muitas vezes mandou mensagem às 21h e ninguém respondeu. Recuperar essa resposta é reduzir o burn por paciente sem cortar um real de custo. Veja custo e retorno do marketing odontológico.
No-show e cadeira ociosa: o custo invisível que infla o burn
Estes dois itens merecem destaque porque são burn puro que não aparece como "despesa". Você paga e não recebe nada em troca.
Cadeira ociosa. A capacidade instalada (cadeira, equipe, estrutura) custa o mesmo ocupada ou parada. Hora vaga na agenda é custo fixo já desembolsado sem nenhum faturamento pra cobrir. Veja quanto a clínica perde com cadeira vazia e faltas e como ocupar a cadeira ociosa.
No-show. O paciente que marca e não comparece reservou um horário que poderia ter sido de outro. O custo fixo daquela hora rodou; o faturamento, não. Quanto maior o no-show, mais o burn se concentra nos pacientes que de fato comparecem, inflando o custo real por atendimento.
A defesa contra os dois é operacional: confirmação ativa, lista de espera pra encaixe e resposta rápida que segura o lead. Veja como reduzir o no-show.
Capacidade instalada x ocupação: você paga a cadeira parada de qualquer jeito
Vale fechar o raciocínio do custo invisível com o conceito que o sustenta: capacidade instalada.
Capacidade instalada é tudo que a clínica pode produzir com a estrutura que tem (número de cadeiras, horas de equipe, agenda disponível). Esse potencial custa o mesmo independente de quanto você usa dele.
A conta é cruel quando a ocupação é baixa: você sustenta o burn de uma estrutura inteira usando uma fração dela. Cada ponto de ocupação a mais é faturamento incremental sobre um custo fixo que já estava pago.
É por isso que aumentar ocupação quase sempre rende mais que cortar custo. O corte tem piso (existe um burn mínimo pra operar com qualidade). A ocupação tem teto bem mais alto (a cadeira aguenta muito mais paciente que a média ocupa).
O erro de gestão: faturar bem e lucrar pouco
Você conhece a clínica que fatura alto e não sobra nada. O burn explica o paradoxo.
Faturamento alto com margem corroída é uma esteira: roda rápido e não sai do lugar. Se o custo variável e o imposto comem quase toda a receita, sobra pouco pra cobrir o burn, e quase nada vira lucro.
As causas mais comuns:
- Mix de baixa margem. Volume de procedimento barato que mal cobre o próprio custo variável.
- Desconto fácil. Cada desconto sai direto da margem de contribuição, a parte que pagaria o burn.
- Burn inflado e ignorado. Custo fixo crescendo sem ninguém olhar, comendo o resultado por baixo.
- Imposto no anexo errado. Tributação mais cara que o necessário por não cuidar do Fator R.
O sintoma é sempre o mesmo: muito movimento, pouco caixa. A cura é olhar margem e burn juntos, não o faturamento sozinho. Veja qual margem de lucro é saudável.
Lembre: faturamento é vaidade, margem é sanidade, caixa é realidade. A clínica não quebra por faturar pouco. Quebra por faturar alto com margem que não cobre o burn.
Como montar o controle que enxerga o burn
Nada disso funciona de cabeça. Você precisa de um controle simples que separe fixo de variável e mostre o burn todo mês.
O mínimo viável tem quatro peças:
- Lista de custos fixos. Toda despesa que sai independente do movimento, atualizada mensalmente. Esse é o seu burn.
- Lista de custos variáveis. O que acompanha o faturamento, pra calcular a margem.
- Fluxo de caixa. Entradas e saídas no tempo, pra antecipar o mês fraco antes que ele aperte.
- Pró-labore separado. O dinheiro do dono fora do caixa da clínica, sempre.
Não precisa de sistema caro pra começar. Uma planilha bem estruturada já mostra o burn, o ponto de equilíbrio e os meses de aperto. O que não pode é não ter nada. Veja como controlar o fluxo de caixa.
Com esse controle, toda decisão de corte ou investimento passa a ter base. Você para de adivinhar e começa a gerir.
Seu próximo passo
- Some o seu burn de verdade. Liste toda despesa fixa do mês, incluindo pró-labore, provisão de manutenção e depreciação. O número real costuma surpreender, e é o ponto de partida de tudo.
- Calcule o ponto de equilíbrio. Burn dividido pela margem de contribuição média. Esse é o faturamento mínimo pra não dar prejuízo, e a régua de toda decisão financeira.
- Ataque os dois lados. Corte o que não chega no paciente e ocupe a cadeira já paga. Resposta rápida ao lead e comparecimento alto reduzem o burn por paciente sem demitir ninguém.
Quer transformar a cadeira ociosa da sua clínica em agenda cheia de paciente que comparece, diluindo o seu burn sem cortar qualidade? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
O que é o burn rate de uma clínica odontológica?
É o custo fixo total que sai do caixa todo mês mesmo que nenhum paciente compareça: folha com encargos, aluguel, pró-labore, contas, contabilidade, software e impostos fixos. É o quanto custa só manter a porta aberta, antes de qualquer atendimento.
Qual a diferença entre custo fixo e custo variável na clínica?
Custo fixo não muda com o volume de atendimento (aluguel, salário CLT, pró-labore, contabilidade). Custo variável só aparece quando há procedimento (insumo, comissão do protético, taxa do cartão, imposto sobre o faturado). O burn é a soma dos fixos.
Qual é a maior linha de custo fixo de uma clínica?
A folha de pagamento. Pelos dados do CAGED, o auxiliar em saúde bucal ganha em média cerca de R$ 1.817 e a recepcionista cerca de R$ 1.858 por mês, e sobre o salário CLT ainda incidem encargos que elevam o custo real. Some vários profissionais e a folha vira a fatia que mais pesa.
Como calcular o ponto de equilíbrio da clínica?
Divida o custo fixo total pela margem de contribuição (percentual que sobra de cada real faturado depois dos custos variáveis). O resultado é o faturamento mínimo pra não dar prejuízo. Abaixo dele, a clínica queima caixa; acima, começa o lucro.
Como reduzir o burn sem perder qualidade?
Renegocie aluguel e fornecedores, controle estoque e compras, terceirize função não essencial, use o software de gestão pra eliminar retrabalho e ajuste a folha à capacidade real. E ataque o outro lado: ocupe a cadeira ociosa e suba a taxa de comparecimento, porque isso dilui o burn por paciente.
Quanto de reserva preciso pra sustentar o burn?
A referência saudável é caixa pra cobrir de três a seis meses de custo fixo, pra atravessar os meses fracos sem entrar no vermelho nem antecipar recebível caro. Quanto mais sazonal a sua demanda, mais perto de seis meses você deve guardar.