Custos e ROI

Qual é o custo fixo mensal mínimo pra manter a clínica odontológica aberta e como reduzir esse burn?

O burn é o custo fixo que sai todo mês mesmo com cadeira parada: folha, aluguel, pró-labore, contabilidade, software. Antes de cortar, você precisa medir cada linha, achar o ponto de equilíbrio e reduzir pelos dois lados: enxugar custo sem perder qualidade e ocupar a cadeira que já está paga.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 20 de junho de 2026 · 18 min de leitura
TL;DR

O burn mínimo é a soma das despesas fixas que saem mesmo sem paciente (folha com encargos é a maior fatia, depois aluguel, pró-labore, contas e contabilidade). Você reduz medindo cada linha, achando o ponto de equilíbrio e ocupando a cadeira ociosa, não só cortando custo.

Pontos-chave
  • O Brasil chegou a 450 mil cirurgiões-dentistas registrados em outubro de 2025, segundo o [Conselho Federal de Odontologia](https://website.cfo.org.br/brasil-alcanca-marca-de-450-mil-cirurgioes-dentistas/), o país com mais profissionais do mundo: o mercado é cheio, e quem não controla o burn perde margem na concorrência.
  • A folha é a maior linha do burn. Pelos dados oficiais do CAGED, o salário médio do auxiliar em saúde bucal é cerca de R$ 1.817/mês e o da recepcionista cerca de R$ 1.858/mês, e sobre cada CLT ainda incidem encargos que elevam o custo real bem acima do salário bruto (Portal Salário, dados CAGED/MTE).
  • O burn não cai só cortando custo. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial e quem responde rápido tem mais chance de virar agendamento, dados internos da Odonto Results: ocupar a cadeira já paga reduz o burn por paciente sem demitir ninguém.

Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. O que é o burn (custo fixo mensal) e por que medir antes de cortar
  4. Custo fixo x custo variável: a separação que organiza tudo
  5. A anatomia do burn: quais linhas pesam mais
  6. A folha de pagamento como maior custo fixo (e o peso dos encargos)
  7. Pró-labore e contas: as linhas que o dono esquece de contar
  8. Carga tributária: o imposto fixo e a alavanca do Fator R
  9. Os custos ocultos que estouram o burn
  10. Depreciação: o custo que não sai do caixa (mas é real)
  11. Ponto de equilíbrio: o faturamento mínimo pra não dar prejuízo
  12. Margem de contribuição: o que decide o faturamento mínimo
  13. Exemplo numérico: ligando burn, margem e faturamento
  14. Capital de giro: a reserva que sustenta o burn nos meses fracos
  15. Como reduzir o burn pelo lado do custo (sem perder qualidade)
  16. Como reduzir o burn pelo lado da receita (a alavanca que ninguém usa)
  17. No-show e cadeira ociosa: o custo invisível que infla o burn
  18. Capacidade instalada x ocupação: você paga a cadeira parada de qualquer jeito
  19. O erro de gestão: faturar bem e lucrar pouco
  20. Como montar o controle que enxerga o burn
  21. Seu próximo passo
  22. Perguntas frequentes

"Qual é o custo fixo mensal mínimo pra manter a clínica odontológica aberta e como reduzir esse burn?"

Você abre a clínica numa segunda de pouco movimento. Ninguém na cadeira. E mesmo assim o relógio do custo já está correndo.

Salário, aluguel, contabilidade, software, contas: tudo isso vence se você atender um paciente ou cem. Esse é o seu burn, o quanto custa só ficar aberta.

O dono que não sabe o próprio burn decide no escuro. Corta a linha errada, perde qualidade, e descobre tarde que o problema nunca foi gastar demais. Era faturar abaixo do ponto de equilíbrio.

A boa notícia: burn é número. Dá pra medir, dá pra atacar pelos dois lados.

Neste guia você vai ver:

  • O que é o burn e por que medir antes de cortar
  • A anatomia do custo fixo (qual linha pesa mais)
  • Como achar o ponto de equilíbrio e o faturamento mínimo
  • Como reduzir o burn sem perder qualidade
  • Por que ocupar a cadeira parada reduz o burn mais que demitir

O que é o burn (custo fixo mensal) e por que medir antes de cortar

Burn é o ritmo com que a clínica queima caixa só pra existir. Em termos práticos: a soma de tudo que sai todo mês independente de quantos pacientes compareceram.

Pensa assim: se você fechasse a agenda por 30 dias, quanto ainda sairia da conta? Esse número é o seu burn.

A maioria dos donos olha o faturamento e o lucro, mas ignora o burn isolado. Erro caro. O burn é o que define quanto a clínica precisa faturar antes de ganhar o primeiro real de lucro.

E medir vem antes de cortar. Quem corta sem medir mira no que é visível (o cafezinho, o brinde) e deixa intacta a linha que de fato pesa (a folha mal dimensionada, o aluguel acima do mercado).

Lembre: você não controla o que não mede. Antes de cortar qualquer despesa, monte a lista completa do que sai todo mês. A clareza sozinha já corrige metade das decisões erradas.

Custo fixo x custo variável: a separação que organiza tudo

Antes da lista, alinhe o conceito. Existem duas naturezas de custo, e confundi-las distorce qualquer análise.

Custo fixo não muda com o volume de atendimento. Ele existe mesmo com a cadeira parada.

  • Aluguel e condomínio
  • Salário CLT da equipe (auxiliar, recepcionista, dentista contratado)
  • Pró-labore do dono
  • Contabilidade, software de gestão, internet, telefone
  • Anuidade do conselho, manutenção de equipamento, marketing fixo

Custo variável só aparece quando há procedimento. Ele acompanha o faturamento.

  • Insumos e materiais de cada tratamento
  • Comissão do dentista e do protético
  • Taxa da maquininha de cartão
  • Imposto sobre o que foi faturado

O burn é a soma dos fixos. O variável entra depois, no cálculo da margem. Misturar os dois é o erro número um de quem tenta achar o ponto de equilíbrio na mão.

Tipo Muda com o atendimento? Exemplos Entra no burn?
Fixo Não Aluguel, salário CLT, pró-labore, contabilidade, software Sim
Variável Sim Insumo, comissão, taxa de cartão, imposto sobre faturado Não (entra na margem)

Com essa separação clara, a anatomia do burn fica óbvia.

A anatomia do burn: quais linhas pesam mais

Nem toda despesa fixa tem o mesmo peso. Atacar na ordem certa é o que separa corte inteligente de corte cego.

Na maioria das clínicas, a hierarquia de peso é parecida:

  1. Folha de pagamento com encargos. Quase sempre a maior fatia do burn.
  2. Aluguel e condomínio. A segunda linha mais pesada na maioria das estruturas.
  3. Pró-labore do dono. Custo fixo de verdade, não "o que sobra" (veja por que mais abaixo).
  4. Contas operacionais. Água, luz, internet, telefone, sistemas.
  5. Serviços recorrentes. Contabilidade, software de gestão, marketing fixo.
  6. Obrigações e manutenção. Conselho, sindicato, manutenção preventiva de equipamento.

Repare na ordem: as três primeiras linhas costumam concentrar a maior parte do burn. É nelas que mora a alavanca de redução, não no detalhe pequeno.

Veja como montar uma DRE pra clínica pra estruturar essas linhas com método.

A folha de pagamento como maior custo fixo (e o peso dos encargos)

A folha merece capítulo próprio porque é, na maioria das clínicas, a linha que mais pesa no burn. E ela engana.

O salário que aparece no contrato não é o custo real. Sobre cada CLT incidem encargos (contribuições, FGTS, férias, 13º provisionado) que elevam o custo total bem acima do bruto pago. O custo de um funcionário é sempre maior que o salário dele.

Os salários-base já dão a referência. Pelos dados oficiais do CAGED, o salário médio nacional do auxiliar em saúde bucal é de cerca de R$ 1.817 por mês, com piso em torno de R$ 1.911. Já o da recepcionista gira em torno de R$ 1.858 por mês, com piso perto de R$ 1.910 e teto na faixa de R$ 2.228 (Portal Salário, dados CAGED/MTE).

Função Salário médio (CAGED) Faixa de piso Fonte
Auxiliar em saúde bucal ~R$ 1.817/mês ~R$ 1.911 Portal Salário (CAGED/MTE)
Recepcionista ~R$ 1.858/mês ~R$ 1.910 (teto ~R$ 2.228) Portal Salário (CAGED/MTE)

Agora multiplique. Uma clínica com duas auxiliares, uma recepcionista e um dentista contratado já tem uma folha que, somados os encargos, vira a maior linha isolada do burn.

Lembre: o custo real de um funcionário não é o salário, é o salário mais os encargos. Dimensionar a equipe pelo "salário que vou pagar" subestima o burn. Calcule pelo custo total da folha.

A decisão entre CLT, PJ e terceirização muda esse peso. Veja CLT, PJ ou terceirizar a equipe.

Pró-labore e contas: as linhas que o dono esquece de contar

Duas linhas fixas costumam ficar de fora da conta do dono. E é por isso que o burn real assusta quando aparece organizado.

Pró-labore é custo fixo, não sobra. O dentista dono que tira "o que sobrar no fim do mês" mascara o burn. O certo é separar o pró-labore do caixa da clínica e tratá-lo como uma despesa fixa que sai todo mês. Sem isso, a clínica parece lucrativa enquanto sustenta o dono no escuro. Veja como separar pró-labore da conta pessoal.

Contas operacionais somam mais do que parece. Água, luz, internet, telefone, software de gestão, sistema de prontuário, ferramenta de agendamento: cada uma parece pequena, mas juntas formam uma linha contínua que vence todo mês, com paciente ou sem.

A regra é simples: se vence todo mês independente do movimento, está no burn. Inclusive o que você esqueceu.

Carga tributária: o imposto fixo e a alavanca do Fator R

O imposto tem uma parte que se comporta como custo do burn e uma alavanca que muitos donos ignoram.

A atividade odontológica costuma se enquadrar no Simples Nacional. Mas o anexo em que ela cai muda o quanto você paga, e isso depende da relação entre a sua folha e o seu faturamento.

É a regra do Fator R: quando a folha de pagamento representa pelo menos 28% da receita, a clínica se enquadra no anexo mais leve do Simples. Abaixo desse limite, cai no anexo mais pesado, com alíquota inicial bem maior.

O que isso significa na prática? A folha, que é a maior linha do seu burn, é também a chave que destrava a tributação mais barata. Por isso a decisão tributária não pode ser tomada sem olhar o burn inteiro.

Lembre: cortar folha pra reduzir o burn pode jogar a clínica pro anexo tributário mais caro e aumentar o imposto. As linhas conversam. Nunca decida uma isolada.

Esse é um cálculo pra fazer com o contador, não no chute. Veja o Fator R no Simples Nacional e como pagar menos imposto de forma legal.

Os custos ocultos que estouram o burn

Aqui mora a diferença entre o burn que você imagina e o que de fato sai. Algumas linhas não aparecem todo mês, mas explodem quando aparecem, e quem não provisiona toma o susto no caixa.

Os principais custos ocultos da clínica:

  • Manutenção preventiva e corretiva de equipamento. Compressor, autoclave, cadeira, scanner. Quebra na hora errada e vira despesa cheia.
  • Reposição de instrumental. O que desgasta e precisa ser trocado periodicamente.
  • Descarte de resíduos. Coleta de material biológico e perfurocortante é obrigação contínua, não opcional.
  • Atualização de software e licenças. Renovações anuais que somam.
  • Inadimplência. O paciente que parcelou e parou de pagar. O tratamento já custou; a receita não entrou.

Esses custos não vencem todo mês, mas o caixa precisa sustentá-los. Quem não os provisiona acha que o burn é menor do que é, e quebra justo no mês em que dois deles aparecem juntos.

A defesa é provisionar. Veja como gerir o estoque e as compras e como reduzir a inadimplência.

Depreciação: o custo que não sai do caixa (mas é real)

Tem um custo que não aparece no extrato e ainda assim corrói a clínica: a depreciação do equipamento.

A cadeira, o raio-x, o scanner e o autoclave perdem valor a cada ano de uso. Um dia precisam ser substituídos. Esse desgaste é custo real, mesmo sem sair dinheiro da conta hoje.

O dono que ignora a depreciação acha que está lucrando mais do que está. Quando o equipamento precisa ser trocado, descobre que não guardou nada pra isso e recorre a crédito caro.

Pensa assim: o equipamento de R$ 60 mil que dura, digamos, dez anos, embute um custo de reposição que o seu preço precisa cobrir ao longo do tempo. Não está no burn de caixa, mas está no custo real da operação.

A lição prática: provisione a reposição como se fosse uma despesa fixa. Seu burn "de verdade" é maior que o burn "de extrato".

Ponto de equilíbrio: o faturamento mínimo pra não dar prejuízo

Agora a pergunta que o burn existe pra responder: quanto a clínica precisa faturar só pra empatar?

O ponto de equilíbrio é o faturamento que cobre exatamente o custo fixo total. Abaixo dele, a clínica queima caixa. Acima, começa o lucro. A fórmula é direta:

Ponto de equilíbrio = Custo Fixo Total ÷ Margem de Contribuição

Onde a margem de contribuição é o percentual que sobra de cada real faturado depois de pagar os custos variáveis daquele atendimento. É o conceito clássico de gestão financeira: o ponto de equilíbrio é o faturamento mínimo em que a clínica não tem lucro nem prejuízo.

Veja a lógica em três passos:

  1. Some o burn. Todas as despesas fixas do mês.
  2. Calcule a margem de contribuição. Quanto sobra, em percentual, depois dos custos variáveis.
  3. Divida. Burn dividido pela margem dá o faturamento mínimo.

Quanto maior a margem, menor o faturamento necessário pra cobrir o mesmo burn. Por isso margem e ponto de equilíbrio andam juntos.

Aprofunde em ponto de equilíbrio por cadeira e especialidade.

Margem de contribuição: o que decide o faturamento mínimo

A margem de contribuição é a peça que a maioria dos donos não calcula, e é ela que determina quanto você precisa faturar.

Margem de contribuição é o que sobra de cada procedimento depois de descontar só os custos variáveis dele (insumo, comissão, taxa, imposto). É essa sobra que "contribui" pra pagar o burn e, depois, virar lucro.

Procedimentos têm margens muito diferentes. Um tratamento de alto ticket com pouco insumo contribui muito mais por hora de cadeira que um de baixo valor e muito material. Por isso a sua margem média depende do mix de procedimentos que você vende.

O que isso muda na prática:

  • Margem alta significa que cada real faturado cobre mais burn. O ponto de equilíbrio cai.
  • Margem baixa significa que você precisa faturar muito mais pra cobrir o mesmo custo fixo.
  • Faturar alto com margem corroída é a armadilha clássica (mais sobre ela adiante).

Veja como calcular a margem de contribuição por procedimento e como aumentar o ticket médio pra subir a margem.

Exemplo numérico: ligando burn, margem e faturamento

A teoria fica concreta com um exemplo. Use números ilustrativos pra ver a mecânica (substitua pelos seus).

Suponha uma clínica com burn (custo fixo) de R$ 40 mil por mês e margem de contribuição média de 50%.

  • Ponto de equilíbrio = R$ 40.000 ÷ 0,50 = R$ 80.000 de faturamento só pra empatar.

Agora veja o poder da margem. Mesma clínica, mesmo burn, mas com margem de 40% (mix de procedimentos com mais custo variável):

  • Ponto de equilíbrio = R$ 40.000 ÷ 0,40 = R$ 100.000 pra empatar.

A mesma estrutura precisa faturar R$ 20 mil a mais por mês só porque a margem caiu 10 pontos. Faturar mais não resolveu nada: o ponto de equilíbrio subiu junto.

Lembre: o ponto de equilíbrio sobe quando o burn cresce ou quando a margem cai. Você reduz o faturamento mínimo necessário atacando os dois: enxugar o custo fixo e melhorar o mix que sustenta a margem.

Capital de giro: a reserva que sustenta o burn nos meses fracos

Saber o burn é uma coisa. Sobreviver aos meses em que o faturamento não cobre o burn é outra. É pra isso que existe o capital de giro.

A demanda odontológica oscila. Tem mês forte e mês fraco. Se o caixa não tem reserva, o mês fraco vira dívida, antecipação de recebível cara ou cheque especial.

A referência saudável é manter caixa pra cobrir de três a seis meses de burn. Quanto mais sazonal a sua demanda, mais perto de seis meses você deve guardar.

Essa reserva não é luxo. É o que permite atravessar a baixa sem decisão desesperada (demitir bom profissional, dar desconto que destrói margem, antecipar recebível a juros altos). Veja quanto guardar de reserva e como gerir o caixa nos meses fracos.

Como reduzir o burn pelo lado do custo (sem perder qualidade)

Com o burn medido e o ponto de equilíbrio na mão, dá pra cortar com bisturi, não com facão. Reduzir custo fixo sem comprometer o atendimento.

As alavancas reais, na ordem de quem mais pesa:

  • Renegocie o aluguel. É uma das maiores linhas e quase nunca é renegociada. Mercado mudou, vacância existe; vale a conversa anual.
  • Renegocie fornecedores e energia. Material odontológico tem margem de negociação por volume e fidelidade. Veja como negociar com fornecedor.
  • Controle estoque e compras. Comprar demais é caixa parado na prateleira que ainda vence. Comprar de menos é parar procedimento. O meio-termo economiza sem travar a operação.
  • Terceirize o não essencial. Limpeza, segurança e até parte do administrativo podem sair da folha fixa pra um custo mais flexível.
  • Use o software de gestão de verdade. Sistema que elimina retrabalho e furo de agenda paga o próprio custo. Subutilizado, ele só engorda o burn.
  • Dimensione a equipe pela capacidade real. Folha acima da demanda é o maior desperdício silencioso. Ajuste à ocupação que você de fato tem.
  • Capacite a equipe pra reduzir desperdício. Menos material perdido, menos retrabalho clínico, menos refação. Equipe treinada queima menos insumo.

O fio condutor: corte o que não chega no paciente. A linha que sustenta a qualidade do atendimento é a última a tocar, não a primeira.

Como reduzir o burn pelo lado da receita (a alavanca que ninguém usa)

Aqui está o erro mental que custa caro: tratar burn só como problema de custo. O burn por paciente cai quando você ocupa melhor a estrutura que já está paga.

Pensa assim: o aluguel e a folha são os mesmos se a cadeira atende 4 ou 8 pacientes no dia. Cada paciente a mais dilui o mesmo custo fixo. O burn total não muda, mas o burn por paciente despenca.

Por isso, atacar a receita reduz o burn relativo sem demitir ninguém:

  • Suba a ocupação da cadeira. Cadeira parada é burn puro sem contrapartida.
  • Aumente a taxa de comparecimento. Agendamento que não comparece é custo fixo desperdiçado.
  • Suba o ticket e melhore o mix. Mais margem por hora de cadeira cobre o burn mais rápido.

E aqui está o gargalo escondido: muita clínica perde paciente não por falta de demanda, mas por demora na resposta. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial, e o lead que recebe resposta rápida tem mais chance de virar agendamento que o total, dados internos da Odonto Results.

Traduzindo: o paciente que ocuparia a cadeira já paga muitas vezes mandou mensagem às 21h e ninguém respondeu. Recuperar essa resposta é reduzir o burn por paciente sem cortar um real de custo. Veja custo e retorno do marketing odontológico.

No-show e cadeira ociosa: o custo invisível que infla o burn

Estes dois itens merecem destaque porque são burn puro que não aparece como "despesa". Você paga e não recebe nada em troca.

Cadeira ociosa. A capacidade instalada (cadeira, equipe, estrutura) custa o mesmo ocupada ou parada. Hora vaga na agenda é custo fixo já desembolsado sem nenhum faturamento pra cobrir. Veja quanto a clínica perde com cadeira vazia e faltas e como ocupar a cadeira ociosa.

No-show. O paciente que marca e não comparece reservou um horário que poderia ter sido de outro. O custo fixo daquela hora rodou; o faturamento, não. Quanto maior o no-show, mais o burn se concentra nos pacientes que de fato comparecem, inflando o custo real por atendimento.

A defesa contra os dois é operacional: confirmação ativa, lista de espera pra encaixe e resposta rápida que segura o lead. Veja como reduzir o no-show.

Capacidade instalada x ocupação: você paga a cadeira parada de qualquer jeito

Vale fechar o raciocínio do custo invisível com o conceito que o sustenta: capacidade instalada.

Capacidade instalada é tudo que a clínica pode produzir com a estrutura que tem (número de cadeiras, horas de equipe, agenda disponível). Esse potencial custa o mesmo independente de quanto você usa dele.

A conta é cruel quando a ocupação é baixa: você sustenta o burn de uma estrutura inteira usando uma fração dela. Cada ponto de ocupação a mais é faturamento incremental sobre um custo fixo que já estava pago.

É por isso que aumentar ocupação quase sempre rende mais que cortar custo. O corte tem piso (existe um burn mínimo pra operar com qualidade). A ocupação tem teto bem mais alto (a cadeira aguenta muito mais paciente que a média ocupa).

O erro de gestão: faturar bem e lucrar pouco

Você conhece a clínica que fatura alto e não sobra nada. O burn explica o paradoxo.

Faturamento alto com margem corroída é uma esteira: roda rápido e não sai do lugar. Se o custo variável e o imposto comem quase toda a receita, sobra pouco pra cobrir o burn, e quase nada vira lucro.

As causas mais comuns:

  • Mix de baixa margem. Volume de procedimento barato que mal cobre o próprio custo variável.
  • Desconto fácil. Cada desconto sai direto da margem de contribuição, a parte que pagaria o burn.
  • Burn inflado e ignorado. Custo fixo crescendo sem ninguém olhar, comendo o resultado por baixo.
  • Imposto no anexo errado. Tributação mais cara que o necessário por não cuidar do Fator R.

O sintoma é sempre o mesmo: muito movimento, pouco caixa. A cura é olhar margem e burn juntos, não o faturamento sozinho. Veja qual margem de lucro é saudável.

Lembre: faturamento é vaidade, margem é sanidade, caixa é realidade. A clínica não quebra por faturar pouco. Quebra por faturar alto com margem que não cobre o burn.

Como montar o controle que enxerga o burn

Nada disso funciona de cabeça. Você precisa de um controle simples que separe fixo de variável e mostre o burn todo mês.

O mínimo viável tem quatro peças:

  1. Lista de custos fixos. Toda despesa que sai independente do movimento, atualizada mensalmente. Esse é o seu burn.
  2. Lista de custos variáveis. O que acompanha o faturamento, pra calcular a margem.
  3. Fluxo de caixa. Entradas e saídas no tempo, pra antecipar o mês fraco antes que ele aperte.
  4. Pró-labore separado. O dinheiro do dono fora do caixa da clínica, sempre.

Não precisa de sistema caro pra começar. Uma planilha bem estruturada já mostra o burn, o ponto de equilíbrio e os meses de aperto. O que não pode é não ter nada. Veja como controlar o fluxo de caixa.

Com esse controle, toda decisão de corte ou investimento passa a ter base. Você para de adivinhar e começa a gerir.

Seu próximo passo

  1. Some o seu burn de verdade. Liste toda despesa fixa do mês, incluindo pró-labore, provisão de manutenção e depreciação. O número real costuma surpreender, e é o ponto de partida de tudo.
  2. Calcule o ponto de equilíbrio. Burn dividido pela margem de contribuição média. Esse é o faturamento mínimo pra não dar prejuízo, e a régua de toda decisão financeira.
  3. Ataque os dois lados. Corte o que não chega no paciente e ocupe a cadeira já paga. Resposta rápida ao lead e comparecimento alto reduzem o burn por paciente sem demitir ninguém.

Quer transformar a cadeira ociosa da sua clínica em agenda cheia de paciente que comparece, diluindo o seu burn sem cortar qualidade? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

O que é o burn rate de uma clínica odontológica?

É o custo fixo total que sai do caixa todo mês mesmo que nenhum paciente compareça: folha com encargos, aluguel, pró-labore, contas, contabilidade, software e impostos fixos. É o quanto custa só manter a porta aberta, antes de qualquer atendimento.

Qual a diferença entre custo fixo e custo variável na clínica?

Custo fixo não muda com o volume de atendimento (aluguel, salário CLT, pró-labore, contabilidade). Custo variável só aparece quando há procedimento (insumo, comissão do protético, taxa do cartão, imposto sobre o faturado). O burn é a soma dos fixos.

Qual é a maior linha de custo fixo de uma clínica?

A folha de pagamento. Pelos dados do CAGED, o auxiliar em saúde bucal ganha em média cerca de R$ 1.817 e a recepcionista cerca de R$ 1.858 por mês, e sobre o salário CLT ainda incidem encargos que elevam o custo real. Some vários profissionais e a folha vira a fatia que mais pesa.

Como calcular o ponto de equilíbrio da clínica?

Divida o custo fixo total pela margem de contribuição (percentual que sobra de cada real faturado depois dos custos variáveis). O resultado é o faturamento mínimo pra não dar prejuízo. Abaixo dele, a clínica queima caixa; acima, começa o lucro.

Como reduzir o burn sem perder qualidade?

Renegocie aluguel e fornecedores, controle estoque e compras, terceirize função não essencial, use o software de gestão pra eliminar retrabalho e ajuste a folha à capacidade real. E ataque o outro lado: ocupe a cadeira ociosa e suba a taxa de comparecimento, porque isso dilui o burn por paciente.

Quanto de reserva preciso pra sustentar o burn?

A referência saudável é caixa pra cobrir de três a seis meses de custo fixo, pra atravessar os meses fracos sem entrar no vermelho nem antecipar recebível caro. Quanto mais sazonal a sua demanda, mais perto de seis meses você deve guardar.