Custos e ROI

Quanto vale cada ponto de taxa de aceitação de orçamento na clínica odontológica?

Subir a taxa de aceitação de orçamento gera faturamento sem aumentar a verba de anúncio nem o fluxo de pacientes. Veja a aritmética de quanto vale cada ponto, as faixas de referência e o que move a aceitação na sua clínica.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 25 de junho de 2026 · 17 min de leitura
TL;DR

Cada ponto percentual de aceitação vale o seu volume orçado vezes 1%: numa clínica que orça R$500 mil/mês, subir de 60% para 70% de aceitação aprova R$50 mil a mais por mês com o mesmo número de pacientes na cadeira e a mesma verba de mídia.

Pontos-chave
  • A aceitação média é baixa e tem muito espaço. Segundo a pesquisa Dental Economics/Levin Group de 2016, os dentistas convencem o paciente a seguir com o tratamento apenas 61% das vezes, contra uma meta de 90%, e esse 61% ainda inclui restauração simples (que fecha quase sempre), então o caso grande aceita bem menos.
  • Cada ponto é volume orçado vezes 1%. Numa clínica que apresenta R$500 mil em planos por mês, sair de 60% para 70% de aceitação significa R$50 mil a mais aprovados por mês, sem ver um paciente novo e sem gastar um real a mais de anúncio, dados internos da Odonto Results.
  • O gargalo não é só fechar mais, é não deixar vazar depois. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, parte relevante dos orçamentos aceitos some entre o sim e a cadeira por falta de follow-up e por no-show, então recuperar orçamento em aberto costuma render mais que perseguir lead novo, dados internos da Odonto Results.

Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. O que é taxa de aceitação de orçamento (e como calcular)
  4. Os dois jeitos de medir (e por que dão números diferentes)
  5. Aceitação no mesmo dia (same-day) vs aceitação ao longo do tempo
  6. Quanto vale cada ponto percentual: a aritmética simples
  7. Por que aceitação gera receita sem aumentar fluxo nem custo de aquisição
  8. Faixas de referência: a média esconde o caso grande
  9. Aceitação por tipo de tratamento: quanto maior o ticket, menor a aceitação
  10. Planos grandes vs planos pequenos: a aceitação cai conforme o ticket sobe
  11. Paciente novo vs paciente da base: onde a aceitação é maior
  12. Por que o paciente recusa: os três motivos reais
  13. Apresentar mais tratamento (comprehensive) para faturar mais
  14. Transparência financeira e parcelamento como alavanca de aceitação
  15. Follow-up: recuperar o orçamento que não fechou no dia
  16. Comunicação e recursos visuais: o paciente aceita o que ele entende
  17. Os KPIs que cercam a aceitação
  18. Mix de procedimentos: por que 1 implante vale N limpezas
  19. Comparecimento: o vazamento depois do orçamento aceito
  20. O contexto de mercado: oportunidade existe, e em escala
  21. Como rastrear a taxa de aceitação na rotina
  22. Seu próximo passo
  23. Perguntas frequentes

"Quanto faturamento a clínica ganha subindo a taxa de aceitação de orçamento em alguns pontos?"

A resposta curta: muito mais do que você imagina, e sem gastar um real a mais.

A maioria das clínicas que trava no faturamento acha que o problema é falta de paciente. Compra mais anúncio, mais lead, mais agenda. Mas o vazamento muitas vezes não está na entrada. Está no orçamento que foi apresentado e não fechou.

Pensa assim: você já pagou para trazer aquele paciente, já gastou hora de cadeira na avaliação, já montou o plano. Se ele sai sem aceitar, todo esse custo virou prejuízo. E cada ponto de aceitação a mais é faturamento que você captura sem repetir nenhum desses custos.

Esse é o ponto de maior alavancagem da clínica que já fatura. E quase ninguém mede.

Neste guia você vai ver:

  • O que é taxa de aceitação e os dois jeitos de calcular (que dão números diferentes)
  • A aritmética exata de quanto vale cada ponto percentual
  • Por que aceitação gera receita sem aumentar fluxo nem custo de aquisição
  • As faixas de referência e por que a média esconde o caso grande
  • O que faz o paciente recusar e as alavancas reais para subir a aceitação
  • Onde o orçamento aceito ainda vaza (e como tampar)

O que é taxa de aceitação de orçamento (e como calcular)

Antes de falar em ganho, alinhe a conta. Taxa de aceitação de orçamento (em inglês, case acceptance) é a fração dos tratamentos apresentados que o paciente aprova.

A fórmula básica é simples:

Taxa de aceitação = aceitos / apresentados

Se você apresentou 100 orçamentos no mês e 60 foram aprovados, sua aceitação por contagem é 60%. Se você orçou R$500 mil e o paciente aprovou R$300 mil, sua aceitação por valor é 60%.

Repare que esses dois números nem sempre batem. E essa diferença não é detalhe.

Os dois jeitos de medir (e por que dão números diferentes)

Aqui mora um erro que distorce a leitura de quase toda clínica. Existem duas formas de medir aceitação, e elas contam histórias diferentes.

1. Por valor (R$ aceito / R$ orçado). Mede quanto do dinheiro apresentado virou tratamento aprovado. É a métrica que liga direto ao faturamento.

2. Por contagem (orçamentos fechados / orçamentos apresentados). Mede quantos planos foram aceitos, independente do tamanho de cada um. É a métrica de comportamento do paciente.

Por que dão números diferentes? Porque o paciente fecha mais fácil o plano pequeno e hesita no grande.

Veja o caso típico: o paciente aceita a limpeza de R$200 e adia o implante de R$8 mil. Pela contagem, ele aceitou metade dos orçamentos (50%). Pelo valor, ele aceitou R$200 de R$8.200 (cerca de 2%). A mesma situação, dois números radicalmente diferentes.

Lembre: se você só olha aceitação por contagem, comemora um número alto enquanto o caso grande, o que paga a clínica, escorre pelo ralo. Para faturamento, a métrica que importa é a aceitação por valor.

Aceitação no mesmo dia (same-day) vs aceitação ao longo do tempo

Tem mais uma distinção que muda a leitura: quando o sim acontece.

Aceitação no mesmo dia (same-day): o paciente aprova o tratamento ainda na cadeira, no dia da avaliação. É a mais valiosa, porque acontece com o desejo quente e antes da vida atropelar.

Aceitação geral (ao longo do tempo): soma o que fechou no dia mais o que fechou depois, no follow-up, dias ou semanas após a apresentação.

A diferença entre as duas é dinheiro parado. Todo orçamento que não fecha no dia entra numa zona de risco: o paciente esfria, compara, pesquisa, adia. Parte fecha no retorno. Parte some.

Por isso a clínica que captura bem o alto valor mede as duas. Fecha o que dá no dia (same-day) e tem processo para recuperar o que ficou em aberto. Quem mede só same-day perde caso que fecharia no follow-up; quem não mede same-day deixa o caso esfriar à toa.

Quanto vale cada ponto percentual: a aritmética simples

Agora a parte que responde a pergunta. Quanto vale, em reais, subir a aceitação?

A conta é direta:

Ganho por ponto = volume orçado no período × 1%

Se a clínica apresenta R$500 mil em planos por mês, cada ponto percentual de aceitação vale R$5 mil de faturamento mensal. Dez pontos valem R$50 mil. Por mês.

Veja a tabela com uma clínica que orça R$500 mil/mês:

Taxa de aceitação Faturamento aprovado/mês Diferença vs 60%
50% R$250.000 -R$50.000
60% R$300.000 base
70% R$350.000 +R$50.000
80% R$400.000 +R$100.000

Pensa no que essa tabela diz. Sair de 60% para 80% de aceitação, na mesma clínica, com os mesmos pacientes, é R$100 mil a mais de faturamento por mês. R$1,2 milhão por ano. Sem trazer um paciente novo.

Esses números são ilustrativos para mostrar a mecânica, segundo dados internos da Odonto Results. Troque o R$500 mil pelo seu volume orçado real e a régua é a mesma: cada ponto vale 1% do que você apresenta.

Lembre: a alavanca não é linear na sua percepção, mas é brutal no caixa. Dez pontos parecem pouco. Em volume orçado de seis dígitos, dez pontos são uma segunda cadeira de faturamento que você já tem e não está usando.

Por que aceitação gera receita sem aumentar fluxo nem custo de aquisição

Esse é o motivo de aceitação ser o ganho mais barato da clínica. Compare as duas formas de faturar mais:

Caminho 1: trazer mais paciente. Você aumenta a verba de anúncio, gera mais lead, atende mais avaliação. Cada novo paciente carrega custo de mídia, custo de atendimento (CRC), hora de cadeira na avaliação e risco de no-show. Faturamento sobe, mas o custo sobe junto.

Caminho 2: subir a aceitação. Você fecha mais do que já apresenta. O paciente já foi captado, já está na clínica, o plano já está montado. O custo de captura desse faturamento extra é, na prática, zero.

É por isso que aceitação aparece no caixa quase inteira. Não tem CPL, não tem CPA, não tem verba de mídia comendo o ganho. É margem que entra direto.

A clínica que entende isso para de tratar marketing e fechamento como coisas separadas. Veja onde vaza o funil comercial, da avaliação ao fechamento.

Faixas de referência: a média esconde o caso grande

Quanto é uma boa aceitação? Antes do número, entenda o que ele mistura.

Segundo a pesquisa Dental Economics/Levin Group de 2016, os dentistas convencem o paciente a seguir com o tratamento apenas 61% das vezes, contra uma meta de 90%. São quase 30 pontos de distância entre a média e o alvo.

Mas tem um detalhe que muda tudo: esse 61% inclui restauração simples, que fecha quase sempre (perto de 95% a 100%). Quando você tira o caso fácil da conta, a aceitação do caso eletivo e grande (implante, prótese, ortodontia, reabilitação) é bem menor.

Em outras palavras: a média afunda o seu diagnóstico. Sua clínica pode ter "61% de aceitação" e ainda assim estar fechando uma fração pequena dos casos que de fato pagam, porque a limpeza puxa a média para cima.

Lembre: não persiga um número de benchmark de fora. Meça a SUA aceitação por valor, separe o caso simples do grande, e suba a sua própria base. Cada ponto da sua clínica vale o seu volume, não o do benchmark.

Aceitação por tipo de tratamento: quanto maior o ticket, menor a aceitação

A aceitação não é um número só. Ela cai conforme o tratamento sobe de valor e de complexidade. Esse é o padrão que a média esconde.

Tipo de tratamento Aceitação típica Por quê
Preventivo (limpeza, profilaxia) Alta Barato, conhecido, baixo medo
Restaurador (restauração, canal) Média Há dor ou necessidade clara, valor moderado
Alto ticket (implante, prótese, ortodontia) Baixa Caro, eletivo, exige decisão e financiamento

Por que isso importa para o faturamento? Porque é exatamente no caso de baixa aceitação que está o dinheiro grande. Um ponto a mais de aceitação em implante vale muito mais que um ponto a mais em limpeza.

A clínica que quer crescer não trabalha a aceitação do que já fecha fácil. Trabalha a do caso grande, onde a aceitação é baixa e cada ponto é alto. Veja como apresentar orçamento de alto ticket na cadeira.

Planos grandes vs planos pequenos: a aceitação cai conforme o ticket sobe

A regra é direta e vale para qualquer clínica: quanto maior o valor do plano, menor a chance de o paciente aceitar de primeira.

Não é falta de interesse. É que o plano grande aciona as três objeções de uma vez: custa muito, exige entender por que tudo aquilo é necessário, e dá medo do procedimento e do investimento.

O erro comum é apresentar o plano grande do mesmo jeito que se apresenta a limpeza: o valor cheio, de uma vez, sem preparar a decisão. O paciente trava no número total e adia.

O caminho que sustenta aceitação no plano grande é outro:

  • Apresentar em etapas e em parcela, não só o valor cheio que assusta.
  • Mostrar a necessidade com recurso visual antes de mostrar o preço.
  • Ancorar no plano completo e deixar o paciente escolher o ritmo, em vez de já cortar o orçamento. Veja como ancorar o preço no plano completo.

Paciente novo vs paciente da base: onde a aceitação é maior

Outra distinção que muda a estratégia: de quem é o orçamento.

Paciente novo chega sem relação construída. Ele ainda não confia, não conhece o trabalho, está comparando. A aceitação tende a ser menor, principalmente no caso grande, porque falta confiança e sobra ceticismo.

Paciente da base (recorrente) já foi tratado, já confia, já viu o resultado de perto. A barreira de confiança está vencida. A aceitação de um plano novo para quem já é paciente costuma ser bem mais alta.

O que isso ensina sobre faturamento: o orçamento de alto valor que está parado na sua base, em pacientes que já confiam em você, é a aceitação mais fácil de capturar. Muita clínica gasta para trazer estranho enquanto deixa caso grande dormindo na própria base.

Por que o paciente recusa: os três motivos reais

Para subir aceitação você precisa saber por que o paciente diz não. Os motivos se resumem a três, e nenhum deles é "não quer".

1. Custo (e como pagar). Raramente é "é caro demais". Quase sempre é "não tenho como pagar isso à vista". É objeção de fluxo de caixa do paciente, não de valor percebido.

2. Não entender a necessidade. Se o paciente não enxerga por que precisa do tratamento, ele adia. Sem clareza do problema, todo preço parece alto. O dente não dói hoje, então pode esperar (na cabeça dele).

3. Medo e ansiedade. Medo do procedimento, da dor, do resultado. A ansiedade trava a decisão mesmo quando o paciente quer e pode pagar.

Repare que os três se resolvem na apresentação, não no desconto. Cortar preço resolve só o primeiro, e ainda corrói sua margem. Veja como contornar a objeção de preço na cadeira.

Apresentar mais tratamento (comprehensive) para faturar mais

Tem um ponto contraintuitivo aqui: apresentar MENOS tratamento reduz seu faturamento mais que reduz a recusa.

Muita clínica, com medo do "não", apresenta só o urgente. Resolve o dente que dói e não fala do resto. Acha que assim fecha mais fácil. E fecha, mas fecha pouco.

O caminho do faturamento é o oposto: a apresentação completa (comprehensive). Mostre o plano inteiro, o que precisa ser feito ao todo, e deixe o paciente decidir o ritmo. Você pode fechar tudo, fechar por etapas ou plantar a semente do que vem depois.

Pensa assim: o que não é apresentado nunca é aceito. Cada tratamento que você omite por medo da recusa é um faturamento que tinha 0% de chance, porque o paciente nem soube que existia.

Lembre: apresentar o plano completo não é "empurrar". É dar ao paciente a visão inteira da boca dele para que ele decida com informação. Subdiagnosticar por medo do não é o jeito mais silencioso de perder faturamento.

Transparência financeira e parcelamento como alavanca de aceitação

Já que o motivo número um da recusa é "como eu pago", a alavanca número um da aceitação é resolver isso.

O paciente que diz "vou pensar" muitas vezes está dizendo "não sei como caber isso no meu orçamento". Se você entrega a resposta antes que ele saia, o sim destrava.

Três movimentos que sobem aceitação sem mexer no preço:

  • Apresente em parcela, não só no valor cheio. "Doze vezes de X" desarma o susto do número total. O paciente decide sobre a parcela, não sobre o montante.
  • Tenha financiamento pronto (parcelamento próprio, financeira de tratamento, cartão) e ofereça na hora, enquanto o desejo está quente. Mandar "ver com o banco depois" é perder o caso.
  • Seja transparente no que está incluso. Orçamento claro, sem surpresa, gera confiança. Surpresa de valor depois mata aceitação e indicação.

Financiamento não é detalhe operacional. É ferramenta de fechamento que transforma orçamento parado em tratamento aprovado.

Follow-up: recuperar o orçamento que não fechou no dia

Aqui está a fonte de faturamento mais negligenciada da clínica. O orçamento que não fechou no mesmo dia não está perdido. Está em aberto.

O paciente pediu para pensar, foi falar com a família, foi ver o financiamento. Se ninguém retoma, ele esfria e some. Não porque desistiu, mas porque a vida atropelou e ninguém o trouxe de volta.

E o tamanho disso é grande. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, parte relevante dos orçamentos aceitos ou em aberto some entre a apresentação e a cadeira por falta de retorno estruturado, segundo dados internos da Odonto Results.

O sistema que recupera esse faturamento tem três peças:

  • Registro de todo orçamento em aberto, com valor e data, para nada se perder.
  • Cadência de follow-up que reabre cada caso não fechado, em sequência, sem deixar morrer.
  • Re-apresentação do plano com nova condição (parcela, etapa) quando o paciente esfriou no preço.

A clínica que faz follow-up de orçamento captura caso que o concorrente já tinha jogado fora. Veja a cadência de follow-up de lead.

Comunicação e recursos visuais: o paciente aceita o que ele entende

Lembra que o segundo motivo de recusa é "não entender a necessidade"? Esse motivo se resolve com imagem, não com argumento.

O paciente não enxerga o que está dentro da boca dele. Quando você descreve o problema em palavras, ele acredita na metade. Quando você mostra, ele entende e decide.

Os recursos que mais sobem aceitação ao tornar a necessidade visível:

  • Foto intraoral do problema, na tela, grande, para o paciente ver o que você vê.
  • Escaneamento e imagem do planejamento, que mostram o antes e o depois projetado.
  • Radiografia e tomografia explicadas em linguagem simples, apontando exatamente onde está o problema.

Quando o paciente vê a fratura, a perda óssea, o dente comprometido, o tratamento deixa de ser "gasto" e vira "resolver isso aqui que eu acabei de ver". A clareza visual é uma das alavancas mais baratas de aceitação que existe.

Os KPIs que cercam a aceitação

Aceitação não vive sozinha. Ela faz parte de um conjunto de indicadores que, juntos, dizem se a clínica está saudável. Medir só a aceitação e ignorar o resto leva a decisão errada.

KPI O que mostra Relação com aceitação
Produção por dia Faturamento gerado Aceitação alta puxa a produção para cima
Ticket médio Valor por paciente Aceitação no caso grande sobe o ticket
Mix de procedimentos Onde está a receita Mais alto valor = mais alavanca por ponto
Comparecimento (no-show) Saúde da agenda Orçamento aceito só vira receita se o paciente comparece

A leitura cruzada é o que importa. Aceitação alta com ticket baixo significa que você fecha muito caso pequeno. Aceitação baixa com mix de alto valor significa que está deixando o dinheiro grande na mesa. Veja o funil da clínica em números.

Mix de procedimentos: por que 1 implante vale N limpezas

Esse ponto liga aceitação a lucratividade de um jeito que muda a prioridade da clínica.

Um único caso de alto valor pode valer dezenas de procedimentos preventivos em faturamento. Um implante, uma prótese, uma reabilitação: cada um desses, fechado, equivale a um monte de limpezas em receita e, em geral, em margem.

O que isso faz com a sua estratégia de aceitação? Inverte a prioridade.

A clínica que olha só contagem de orçamento foca em fechar muitos casos. A clínica que olha faturamento foca em fechar os casos certos: poucos de alto valor pesam mais no caixa que muitos pequenos.

Por isso a alavanca de maior retorno é subir a aceitação onde ela é mais baixa (o alto ticket) e não onde ela já é alta (o preventivo). Um ponto a mais no caso grande paga mais que dez no caso pequeno. Veja como aumentar o ticket médio por paciente.

Comparecimento: o vazamento depois do orçamento aceito

Subir a aceitação resolve metade do problema. A outra metade é o paciente que aceitou e depois não comparece.

Orçamento aceito não é faturamento. É promessa de faturamento. Ela só vira receita quando o paciente comparece e o tratamento é executado.

E aqui vaza muita coisa. O paciente aceita o plano, marca o procedimento e falta. Ou marca, adia, remarca, e o caso esfria no meio do caminho. Cada no-show de um caso aceito é faturamento que você já tinha conquistado e perdeu na largada.

Por isso o trabalho não acaba no sim. Continua em:

  • Confirmação em mais de um canal antes da data, para o paciente não esquecer nem adiar à toa.
  • Início rápido do tratamento depois do aceite, antes que o desejo esfrie e a dúvida volte.
  • Resposta em segundos quando o paciente tem qualquer pergunta no caminho, para não deixar a insegurança crescer.

Veja quanto a clínica perde com cadeira vazia e faltas e como reduzir o no-show.

O contexto de mercado: oportunidade existe, e em escala

Vale lembrar onde tudo isso acontece. A odontologia brasileira é um mercado enorme e em crescimento, o que significa demanda em escala para quem captura bem.

Segundo o Conselho Federal de Odontologia, o Brasil alcançou em outubro de 2025 a marca de 450 mil cirurgiões-dentistas registrados. As três maiores especialidades são Ortodontia (33.300), Implantodontia (22.600) e Endodontia (20.000), justamente os tratamentos de maior ticket e menor aceitação.

O recado para a sua clínica: o mercado é grande, a concorrência também. Num mercado assim, quem fecha melhor o que apresenta tem vantagem estrutural sobre quem só compra mais anúncio. Aceitação é onde a clínica madura se diferencia.

Como rastrear a taxa de aceitação na rotina

De nada adianta entender a alavanca se você não a mede. E a maioria das clínicas não mede aceitação por valor de forma consistente.

Para acompanhar de verdade, monte uma rotina simples:

  1. Registre todo orçamento apresentado, com valor, data e tipo de tratamento. Sem registro, não há aceitação para medir.
  2. Marque o desfecho de cada um: aceito no dia, aceito depois, em aberto, recusado. Acompanhe o em aberto, é ali que está o follow-up.
  3. Calcule a aceitação por valor (R$ aceito / R$ orçado), separando preventivo de alto ticket. O número agregado engana; o segmentado mostra onde agir.
  4. Reveja o número todo mês e cruze com ticket médio e comparecimento. Aceitação subindo com comparecimento caindo não é vitória.

Você não precisa de software caro para começar. Precisa de disciplina de registrar e de olhar o número certo (valor, não só contagem). Veja como medir se a agência traz paciente ou só lead.

Seu próximo passo

  1. Calcule quanto vale um ponto na sua clínica. Pegue o seu volume orçado mensal e multiplique por 1%. Esse é o valor de cada ponto de aceitação. Olhe o número e entenda o tamanho da alavanca que está parada.
  2. Meça a aceitação por valor, segmentada. Separe preventivo de alto ticket e descubra onde a aceitação é baixa. É lá, no caso grande, que cada ponto vale mais e o trabalho rende.
  3. Tampe os dois vazamentos. Estruture o follow-up para recuperar orçamento em aberto e o comparecimento para que o aceito vire cadeira. Os dois juntos capturam faturamento que você já conquistou e está perdendo.

Quer um sistema que leva o paciente do anúncio ao comparecimento e mede cada etapa até a cadeira, sem você perder orçamento no caminho? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

O que é taxa de aceitação de orçamento?

É a fração dos tratamentos apresentados que o paciente aprova. Calcula-se dividindo o que foi aceito pelo que foi orçado. Você pode medir por valor (R$ aprovado / R$ orçado) ou por contagem (orçamentos fechados / orçamentos apresentados), e os dois dão números diferentes.

Quanto vale cada ponto percentual de aceitação?

Vale o seu volume orçado multiplicado por 1%. Se você apresenta R$500 mil em planos por mês, cada ponto de aceitação são R$5 mil de faturamento. Subir dez pontos, de 60% para 70%, são R$50 mil a mais por mês, sem aumentar fluxo de paciente nem verba.

Qual é uma boa taxa de aceitação de orçamento?

Depende de como você mede e do mix de tratamento. A pesquisa Dental Economics/Levin Group aponta média de 61% e meta de 90%, mas esse número mistura caso simples (que fecha quase sempre) com caso grande (que fecha bem menos). O alvo realista é subir a sua própria base, não bater um número de fora.

Subir a aceitação aumenta o custo de aquisição de paciente?

Não. Aceitação é faturamento gerado depois que o paciente já está na clínica, então não há custo de mídia nem de captação envolvido. É o ganho mais barato que existe: você usa o mesmo fluxo que já paga e converte mais dele em tratamento.

Por que o paciente recusa o orçamento?

Pelos três motivos de sempre: custo (e falta de como pagar), não entender a necessidade do tratamento, e medo ou ansiedade. Os três se resolvem com apresentação clara, recurso visual do diagnóstico e opção de parcelamento, não com desconto.

Same-day acceptance é melhor que aceitação ao longo do tempo?

A aceitação no mesmo dia (same-day) protege contra o esfriamento: o paciente decide enquanto está na cadeira e o desejo está quente. Mas boa parte do caso grande fecha depois, no follow-up. Você precisa das duas: fechar o que dá no dia e recuperar o que ficou em aberto.