Captação e Tráfego

Faceta de porcelana ou coroa: qual indicar e como conduzir a decisão do paciente?

Faceta ou coroa não é escolha de catálogo, é indicação clínica que começa no quanto de dente sadio sobrou. A faceta recobre só a frente do dente e desgasta pouco; a coroa abraça o dente inteiro e resgata o que já foi muito destruído. Veja quando indicar cada uma, quanto duram e como conduzir a decisão até o paciente comparecer e fechar, com dado e fonte.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 1 de julho de 2026 · 19 min de leitura
TL;DR

Você indica faceta quando sobra estrutura sadia e a questão é estética, e indica coroa quando o dente perdeu muita estrutura ou foi tratado de canal. A condução é separar estética de indicação, validar no exame e apresentar o plano em linguagem que o paciente entende, porque a decisão só vira faturamento quando ele comparece.

Pontos-chave
  • A faceta é minimamente invasiva e dura muito. As facetas laminadas de porcelana têm sobrevivência cumulativa de 95,5% em 10 anos, em revisão de 25 estudos e 6.500 facetas publicada no Journal of Clinical Medicine (2021), via PubMed Central / NIH.
  • A coroa protege o dente comprometido com resistência alta. As coroas unitárias sobre dente têm sobrevivência em 5 anos de 94,7% na metalocerâmica e de 92,1% a 96,6% nas cerâmicas puras (dissilicato de lítio, leucita, alumina e zircônia), segundo Sailer et al., Dental Materials (2015), via PubMed.
  • Conduzir a decisão não termina no sim clínico. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results o comparecimento vai de 20% a 50% dos agendamentos e 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial, então a indicação certa só vira caso na cadeira se a clínica responde e conduz o paciente, dados internos da Odonto Results.

Faz parte do guia: Como atrair pacientes para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. Qual a diferença entre faceta e coroa
  4. Os critérios que definem faceta ou coroa
  5. As opções de faceta
  6. As opções de coroa
  7. Materiais cerâmicos: da mimese estética à resistência máxima
  8. Faceta ou coroa: a comparação lado a lado
  9. Quando indicar a faceta (e quando não indicar)
  10. Quando indicar a coroa
  11. Desgaste e reversibilidade: o custo biológico de cada opção
  12. Durabilidade e longevidade: o dado que tira a conversa do "achismo"
  13. Investimento e custo-benefício: ancore em valor, não em preço
  14. Combinar faceta e coroa no mesmo caso
  15. Protocolo de decisão clínica: nunca indique antes de examinar
  16. Como apresentar o plano para aumentar a aceitação
  17. Conduzir a decisão não termina no "sim" clínico
  18. Cuidados e manutenção pós-instalação
  19. Seu próximo passo
  20. Perguntas frequentes

"Faceta de porcelana ou coroa: qual eu indico e como conduzo o paciente até fechar a decisão certa?"

O paciente chega com uma queixa estética, e você já tem duas rotas na cabeça: faceta ou coroa. A escolha errada custa caro para os dois lados.

Aqui mora a confusão. Muita gente trata a decisão como preferência de catálogo, quando ela é indicação clínica. E ela começa num único ponto: quanto de dente sadio sobrou.

A boa notícia é que as duas soluções são previsíveis quando bem indicadas. Facetas de porcelana sobrevivem 95,5% em 10 anos e coroas unitárias passam de 94% em 5 anos. O que decide não é qual é "melhor", é qual o caso pede.

Conduzir bem essa decisão é o que separa o paciente que fecha e comparece do que some pesquisando preço.

Neste guia você vai ver:

  • A diferença estrutural entre faceta e coroa (e por que uma é a outra sem a parte de dentro)
  • Os critérios clínicos que definem a indicação (estrutura, queixa, oclusão, vitalidade)
  • Todos os tipos de faceta e de coroa, com o diferencial e o limite honesto de cada um
  • Quando indicar cada uma, quanto duram e como combinar as duas no mesmo sorriso
  • Como apresentar o plano e conduzir a decisão até o paciente comparecer e fechar

Qual a diferença entre faceta e coroa

Antes de decidir, alinhe o que separa as duas soluções. A diferença é geométrica, e ela explica quase tudo o que vem depois.

Faceta: é uma lâmina fina de cerâmica que recobre só a face vestibular do dente, a parte da frente, a que aparece quando o paciente sorri. O resto do dente continua exposto.

Coroa: é uma capa que abraça o dente inteiro, 360 graus, cobrindo a frente, os lados, a parte de trás e a mastigatória. Ela substitui toda a superfície externa.

Pensa assim: a faceta é uma coroa sem a parte interna. É o mesmo princípio de recobrir com cerâmica, só que a faceta trata a fachada e a coroa envolve o prédio todo.

Essa diferença define desgaste, indicação e reversibilidade. Recobrir só a frente pede pouco preparo. Abraçar o dente inteiro pede muito mais.

Lembre: faceta e coroa não competem pelo mesmo caso. Uma resolve estética em dente íntegro, a outra resgata dente destruído. Quando você entende isso, para de escolher por gosto e passa a escolher por indicação.

Os critérios que definem faceta ou coroa

Aqui está a régua de decisão, antes de qualquer lista de material. Cinco critérios, na ordem em que você deve avaliar.

1. Quanto de estrutura sadia sobrou. É o critério-mãe. Uma regra prática ajuda: quando sobra mais da metade da superfície em esmalte sadio, a faceta é favorecida, porque a colagem adere melhor ao esmalte. Quando o dente já perdeu muita estrutura e boa parte da superfície é dentina exposta, a balança pende para a coroa.

2. Qual é a queixa real. Cor, forma e tamanho puxam para faceta. Destruição extensa, fratura grande e dente que "cede" puxam para coroa. Separe o que é estética do que é reconstrução.

3. O dente é vital ou tratado de canal. Dente com tratamento de canal e pino tende a ficar mais frágil e escurecido. Nesses casos a coroa protege melhor, porque distribui a carga em volta de todo o dente.

4. Como está a oclusão e se há bruxismo. Carga alta e parafunção pedem material e cobertura mais resistentes. Bruxismo severo é um sinal forte a favor da coroa ou de um material mais resistente na faceta.

5. O objetivo é reversível ou definitivo. Paciente jovem, estrutura preservada e situação que pode mudar favorecem a solução mais conservadora. Definitividade e resistência favorecem a coroa.

Repare no fio: os cinco critérios saem da condição do dente, não do desejo do paciente. É isso que tira a decisão do campo do preço.

As opções de faceta

A faceta não é uma coisa só. Existem três formatos, do mais conservador ao que pede mais preparo. Conheça o diferencial e o limite de cada um.

Lente de contato dental

É a faceta ultrafina, com frações de milímetro de espessura. O grande diferencial é o desgaste mínimo, muitas vezes quase nenhum, o que a torna a opção mais conservadora e a favorita para casos estéticos em dente íntegro.

A lacuna honesta: por ser ultrafina, ela cobre menos e mascara menos. Dentes muito escurecidos ou muito alterados de forma podem exigir uma faceta mais espessa para o resultado que o paciente espera.

Faceta de porcelana convencional

Um pouco mais espessa que a lente, pede um preparo maior, porém ainda conservador perto de uma coroa. Em troca, tem mais liberdade para corrigir cor, forma e pequenos desalinhamentos.

A lacuna honesta: o preparo é maior que o da lente, então parte do esmalte sai. É uma decisão que precisa valer o ganho estético, e é irreversível na porção desgastada.

Fragmento cerâmico

É a cerâmica que repõe só a área afetada, sem recobrir o dente todo, praticamente sem desgaste. Serve para fraturas localizadas e reparos pontuais em que refazer a face inteira seria exagero.

A lacuna honesta: é uma solução de escopo restrito. Resolve o ponto específico, não uma reforma estética do sorriso inteiro.

As opções de coroa

A coroa tem mais variações, porque atende desde o provisório até o dente que sofre carga máxima. Veja cada tipo, com o que ele entrega e onde ele fica devendo.

Coroa provisória

Protege o dente preparado entre as etapas do tratamento e devolve estética temporária enquanto a peça definitiva é confeccionada.

A lacuna honesta: é etapa, não resultado. Serve para proteger e testar, nunca como solução final.

Coroa de resina ou acrílico

Baixo custo e execução rápida. Funciona como transição ou solução de orçamento apertado, com plano de migrar depois.

A lacuna honesta: mancha, desgasta e tem menor longevidade que a cerâmica. É consciente como etapa, frágil como definitivo.

Coroa metálica

Máxima resistência com pouco desgaste do dente. Historicamente indicada para dentes posteriores que sofrem carga alta e aparecem pouco.

A lacuna honesta: estética nula. O metal aparente inviabiliza qualquer dente da zona do sorriso.

Coroa metalocerâmica

Cerâmica recobrindo uma estrutura metálica interna. Junta resistência do metal com estética da cerâmica, e por muito tempo foi o padrão de coroa unitária.

A lacuna honesta: com o passar dos anos, pode surgir uma linha acinzentada na margem da gengiva, e a translucidez fica abaixo das cerâmicas puras.

Coroa de cerâmica pura (dissilicato de lítio / e.max)

Sem metal por dentro, entrega alta estética com translucidez natural. É o cavalo de batalha da coroa unitária estética, muito usada na região anterior.

A lacuna honesta: para cargas muito altas e reabilitações extensas, cede espaço para a zircônia em resistência.

Coroa de zircônia

A mais resistente entre as cerâmicas. Indicada para dentes posteriores, bruxismo e casos que exigem força, sem abrir mão de ser livre de metal.

A lacuna honesta: nas versões monolíticas, a translucidez é menor que a do dissilicato, então a estética de ponta depende de estratificação e de bom laboratório.

Coroa híbrida e PEEK (para bruxismo severo)

Materiais que absorvem parte da carga mastigatória, pensados para paciente que aperta os dentes com força. A ideia é amortecer o impacto que fratura outros materiais.

A lacuna honesta: é uso específico. A indicação e a estética são mais restritas, e o caso precisa justificar a escolha.

Materiais cerâmicos: da mimese estética à resistência máxima

Faceta e coroa dividem os mesmos materiais cerâmicos, e a escolha do material é um eixo separado da escolha da técnica. O trade-off é sempre o mesmo: estética contra resistência.

Porcelana feldspática: a campeã de mimese estética. Translucidez que imita o dente natural, ideal para faceta fina na região anterior. Em compensação, é a mais frágil, indicada para baixa carga. A própria literatura de coroas aponta sobrevivência inferior das feldspáticas e sugere restringi-las à região anterior.

Dissilicato de lítio (e.max): o equilíbrio. Boa estética somada a uma resistência que a torna versátil para faceta e para coroa unitária. É o material que resolve a maioria dos casos anteriores sem extremos.

Zircônia: a resistência máxima. Para carga alta, dentes posteriores e bruxismo. O preço é uma translucidez menor nas versões mais resistentes, o que a distancia da mimese da feldspática.

Dica: amarre material à função, não à moda. Feldspática onde manda a estética e a carga é baixa, zircônia onde manda a força, dissilicato no meio. O laboratório certo faz cada um render o máximo.

Faceta ou coroa: a comparação lado a lado

Para condensar a decisão, coloque os dois lado a lado nos critérios que importam.

Critério Faceta Coroa
Cobertura do dente Só a face vestibular (a frente) O dente inteiro, 360 graus
Desgaste necessário Mínimo a moderado Maior, mais invasivo
Reversibilidade Maior (preserva estrutura) Menor (preparo definitivo)
Indicação principal Estética em dente íntegro Dente muito destruído ou tratado de canal
Resistência em dente frágil Limitada Alta (abraça e protege o dente)
Estética de ponta Excelente (cerâmica fina) Excelente com cerâmica pura
Melhor cenário Cor, forma, diastema, desalinhamento leve Cárie extensa, fratura, canal, bruxismo, implante

O que a tabela mostra: quando o dente está íntegro, a faceta ganha por ser conservadora. Quando o dente já foi comprometido, só a coroa devolve resistência. Entre as duas, a regra é preservar o máximo de estrutura que o caso permite.

Quando indicar a faceta (e quando não indicar)

A faceta brilha em um cenário específico: dente com boa estrutura e queixa estética. Indique quando o caso for de:

  • Cor que não resolve só com clareamento.
  • Forma e tamanho: dentes pequenos, desgastados ou desproporcionais.
  • Manchas intrínsecas que o clareamento não remove.
  • Diastema: fechar o espaço entre os dentes.
  • Desalinhamento leve: pequenas tortuosidades que não pedem ortodontia.
  • Lesões cervicais não cariosas e erosão: desgaste na base do dente sem cárie.
  • Estrutura íntegra: o dente sadio que só precisa de estética.

Mas tem contraindicação, e ignorá-la é o erro clássico. A faceta não é a resposta quando:

  • A queixa é só de cor: o caminho mais conservador é clareamento, não desgastar o dente.
  • O desalinhamento é grande: aí a indicação é ortodontia, não mascarar com cerâmica.
  • Há bruxismo severo, mobilidade dental ou refluxo não controlado: o ambiente hostil compromete a longevidade e, muitas vezes, pede outra abordagem.

Lembre: faceta em cima de um problema que era de clareamento ou de ortodontia é tratar o sintoma e desgastar dente à toa. A condução começa em recusar a indicação errada, mesmo quando o paciente pede a faceta.

Quando indicar a coroa

A coroa entra quando a faceta não dá conta, porque o dente precisa ser envolvido, não só recoberto. Indique quando o caso for de:

  • Destruição extensa por cárie ou fratura, com pouca estrutura sadia sobrando.
  • Dente tratado de canal ou com pino: mais frágil e escurecido, pede proteção total.
  • Bruxismo severo: a carga alta pede a resistência de uma capa completa.
  • Coroa sobre implante: a prótese unitária sobre o implante é uma coroa.
  • Troca de prótese metálica antiga: substituir uma coroa velha por uma solução estética atual.

O denominador comum é a perda de estrutura ou a carga alta. Nesses cenários, recobrir só a frente deixaria o dente desprotegido. A coroa resgata a função e blinda o que sobrou.

Desgaste e reversibilidade: o custo biológico de cada opção

Esse é o critério que o paciente não enxerga sozinho, e é o que mais deveria pesar. Toda cerâmica implica remover estrutura, e estrutura removida não volta.

A faceta é minimamente invasiva. O preparo é pequeno, concentrado na face vestibular, e a lente de contato leva isso ao extremo, com desgaste quase nulo. Você preserva a maior parte do dente.

A coroa exige preparo maior. Para abraçar o dente inteiro, é preciso reduzir a superfície toda. É um procedimento mais irreversível, e é justamente por isso que só se justifica quando o dente já perdeu estrutura ou precisa de proteção.

A regra de ouro é conservação: entre duas soluções que resolvem o mesmo caso, escolha a que preserva mais dente. Coroa em dente que pedia faceta é biológico jogado fora.

Durabilidade e longevidade: o dado que tira a conversa do "achismo"

Aqui está o número que ancora a indicação na realidade clínica, não na opinião. As duas soluções são bem documentadas.

As facetas de porcelana têm sobrevivência cumulativa de 95,5% em 10 anos, segundo revisão de 25 estudos e 6.500 facetas publicada no Journal of Clinical Medicine (2021), via PubMed Central / NIH. Olhando causa por causa em 10 anos, a fratura fica em 96,3% de sobrevivência, o descolamento em 99,2%, a cárie secundária em 99,3% e a necessidade de tratamento de canal em 99,0%.

Uma revisão ainda mais ampla confirma a faixa. Em 30 estudos com 11.465 facetas em 2.473 pacientes (PubMed Central / NIH), a sobrevivência vai de 80,1% a 100% em 5 anos e de 53% a 94,4% em 10 anos, conforme a metodologia e os critérios de falha. O estudo de Layton e Walton, por exemplo, reportou 96% em 5 a 6 anos e 93% em 10 a 11 anos.

As coroas unitárias também são previsíveis. Segundo Sailer et al., Dental Materials (2015), via PubMed, a sobrevivência em 5 anos é de 94,7% na metalocerâmica e fica entre 92,1% e 96,6% nas cerâmicas puras (dissilicato de lítio e leucita 96,6%, alumina infiltrada 94,6%, zircônia densamente sinterizada 92,1%). As feldspáticas tiveram taxas significativamente inferiores, motivo pelo qual são recomendadas para a região anterior.

Restauração Sobrevivência (janela) Fonte
Faceta de porcelana 95,5% em 10 anos (25 estudos, 6.500 facetas) Journal of Clinical Medicine, 2021
Faceta de porcelana (revisão ampla) 80,1% a 100% em 5 anos; 53% a 94,4% em 10 anos Systematic review, PMC / NIH
Coroa metalocerâmica 94,7% em 5 anos Sailer et al., Dental Materials, 2015
Coroa de cerâmica pura 92,1% a 96,6% em 5 anos Sailer et al., Dental Materials, 2015

O que isso significa na prática: nenhuma das duas é uma aposta. Bem indicadas e bem mantidas, faceta e coroa ultrapassam uma década. A decisão volta a ser clínica, sobre qual o caso pede, não sobre qual "dura mais".

Investimento e custo-benefício: ancore em valor, não em preço

Esse é o ponto onde a maioria das indicações certas morre. O paciente compara etiqueta, e a clínica que só responde preço perde o caso ou destrói margem.

O investimento sobe conforme o material e a complexidade. Uma coroa que abraça o dente e resiste a bruxismo tem um custo diferente de uma faceta fina, e uma cerâmica de alta estética tem um custo diferente de uma resina de transição. Isso é esperado.

O erro é vender pela etiqueta. A âncora certa é o custo por ano de uso e o risco de refazer:

  • Uma solução que ultrapassa dez anos, diluída no tempo, pode custar menos por ano que uma alternativa refeita a cada poucos anos.
  • Some o custo do refazer: cada nova sessão é tempo, dinheiro e desgaste, não só o valor da peça.
  • Compare resultado, não preço: o que custa caro de verdade é fazer duas vezes.

Baixar preço resolve a objeção de hoje e cria três problemas: corrói a margem, ensina o paciente a barganhar e fragiliza o valor percebido. Reenquadrar em valor preserva os dois.

Veja como apresentar orçamento de alto ticket na cadeira para conduzir esse momento sem cair no desconto.

Combinar faceta e coroa no mesmo caso

Quem enxerga o sorriso como um todo tem uma terceira via poderosa. Nem sempre a resposta é tudo de um lado só.

É comum um paciente ter dentes íntegros ao lado de um dente já muito destruído ou tratado de canal. A solução ideal, muitas vezes, é faceta nos íntegros e coroa no comprometido, lado a lado.

O segredo é a uniformidade de cor e forma. Com o laboratório trabalhando as peças em conjunto, o paciente vê um sorriso só, harmônico, não uma colcha de retalhos entre técnicas diferentes.

Essa combinação respeita a biologia de cada dente (conserva onde dá, protege onde precisa) e ainda distribui o investimento sem nivelar tudo por baixo. É a indicação mais honesta em muitos casos reais.

Protocolo de decisão clínica: nunca indique antes de examinar

Aqui está a disciplina que separa condução de chute. A indicação nasce do exame, não da queixa dita na porta.

Antes de cravar faceta ou coroa, seu protocolo mínimo é:

  1. Ouça a queixa real. O que incomoda o paciente de verdade: a cor, a forma, um dente que quebrou, o medo de perder o dente? A queixa direciona, mas não decide sozinha.
  2. Faça o exame clínico. Avalie estrutura remanescente, oclusão, presença de bruxismo, saúde da gengiva e mobilidade.
  3. Peça a radiografia. Ela mostra o que o olho não vê: tratamento de canal, pino, cárie sob restauração antiga, condição da raiz.
  4. Registre com foto. A documentação fotográfica alinha expectativa, ajuda o planejamento e protege a clínica.

Só depois desse cruzamento você define a indicação. Pular etapa aqui é como prescrever sem examinar: às vezes acerta, com frequência erra caro.

Lembre: o paciente pede faceta porque viu no Instagram, mas quem decide faceta ou coroa é o exame. Conduzir é ter a autoridade de dizer "no seu caso, o certo é X, e vou te mostrar por quê".

Como apresentar o plano para aumentar a aceitação

A indicação certa não vira tratamento sozinha. Ela depende de como você a apresenta, e é aqui que muito caso bem diagnosticado é perdido.

Alguns princípios elevam a aceitação:

  • Traduza o jargão. Em vez de "o substrato em dentina compromete a adesão", diga "o seu dente, do jeito que está, segura melhor a coroa; a faceta tende a soltar antes". Paciente que entende o porquê para de comparar só preço.
  • Use recurso visual. O ensaio do sorriso (mockup) e as fotos tiram a decisão do abstrato. O paciente vê o resultado antes do preparo irreversível, e a objeção de preço perde força diante do que ele enxerga no próprio rosto.
  • Apresente opções, não imposição. Deixe a recomendação clara ("no seu caso eu indico X"), mas mostre as alternativas com risco, benefício e custo de cada uma. Quem decide com você, e não por você, comparece mais e paga melhor.
  • Formalize a decisão. O consentimento esclarecido em linguagem acessível não é burocracia, é blindagem. O Código de Ética Odontológica do CFO obriga esclarecer propósitos, riscos, custos e alternativas, com consentimento prévio do paciente.

Veja como aumentar a conversão de avaliação em tratamento fechado: a apresentação do plano é uma das alavancas mais fortes de aceitação de caso que existem.

Conduzir a decisão não termina no "sim" clínico

Este é o ponto que a maioria das clínicas ignora, e é onde a indicação bem feita vira (ou não vira) faturamento. Decidir faceta ou coroa é só metade do trabalho.

O paciente que pesquisa "faceta ou coroa" decide fora do consultório e fora de hora. Nos dados internos da Odonto Results, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial e 19,4% no fim de semana. Se ninguém responde nessa janela, o caso de maior ticket evapora antes da avaliação.

E a velocidade importa. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, a IA de atendimento responde em mediana de 4,3 segundos, e o tempo mediano entre a primeira mensagem e o agendamento fica em 2h57, dados internos da Odonto Results. Responder rápido é parte de como se conduz a decisão de um tratamento estético caro.

Depois da resposta, o gargalo é engajar e comparecer. No recorte de WhatsApp da Odonto Results, entre os leads que respondem, cerca de 26% agendam, e o comparecimento fica entre 20% e 50% dos agendamentos (dados internos, base de 4.951 leads). Apresentar bem a indicação e retomar o orçamento em aberto é o que move esses números.

Lembre: a melhor indicação clínica do mundo não paga a clínica se o paciente não comparece. Conduzir a decisão de faceta ou coroa vai do diagnóstico correto à resposta em segundos e ao follow-up que traz o paciente para a cadeira.

Veja como reduzir o no-show para proteger a avaliação onde o plano é apresentado.

Cuidados e manutenção pós-instalação

A condução não termina na cimentação. O que o paciente faz depois decide se a durabilidade documentada vira a durabilidade real dele.

Oriente de forma prática:

  • Higiene rigorosa na margem. A cerâmica não cria cárie, mas o dente e a gengiva em volta sim. A borda entre a peça e o dente é a zona de atenção.
  • Proteção contra bruxismo. A placa de proteção noturna é o cuidado que mais prolonga a vida de qualquer faceta ou coroa em quem aperta os dentes.
  • Cuidado com impacto e hábitos. Roer unha, abrir embalagem com o dente e mastigar coisas muito duras fragilizam qualquer restauração.
  • Consultas de manutenção. O acompanhamento periódico pega problema cedo, quando o reparo ainda é simples.

Tratar o pós como parte do tratamento, e não como obrigação, fecha o ciclo. O paciente bem orientado mantém o resultado, volta para manutenção e indica. É o caso fechado que continua gerando caso.

Seu próximo passo

  1. Padronize a régua de indicação na avaliação. Crie um roteiro interno que decida faceta ou coroa pelos cinco critérios clínicos (estrutura, queixa, vitalidade, oclusão, reversibilidade), com o exame e a radiografia antes de qualquer indicação.
  2. Torne a apresentação do plano parte do processo. Use mockup, fotos e opções com risco e custo, traduzindo o jargão, e formalize o consentimento esclarecido em linguagem acessível.
  3. Feche o funil até a cadeira. Responda o lead em segundos, retome o orçamento em aberto e proteja o comparecimento, porque a indicação certa só vira faturamento quando o paciente chega na cadeira.

Quer um sistema de captação e atendimento que leve o paciente certo até a sua cadeira, com a indicação bem conduzida do primeiro contato ao fechamento? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

Faceta de porcelana ou coroa: qual é melhor?

Não existe melhor no abstrato, existe a indicada para cada caso. A faceta recobre só a face da frente do dente e é a escolha quando sobra estrutura sadia e a questão é estética. A coroa envolve o dente inteiro e é a escolha quando ele perdeu muita estrutura, foi tratado de canal ou sofre carga alta. As duas são previsíveis quando bem indicadas: facetas de porcelana sobrevivem 95,5% em 10 anos e coroas passam de 94% em 5 anos.

Quando a faceta é a indicação correta?

Quando o dente está íntegro e a queixa é de cor, forma, tamanho, manchas, um diastema, um desalinhamento leve ou desgaste e erosão que não destruíram o dente. A regra prática é sobrar mais da metade da estrutura em esmalte sadio, porque a colagem adere melhor ao esmalte. Se a queixa é só cor, muitas vezes o caminho é clareamento antes da faceta.

Quando a coroa é a indicação correta?

Quando o dente foi muito destruído por cárie ou fratura, quando foi tratado de canal ou recebeu pino, quando sofre carga alta por bruxismo severo, quando fica sobre um implante ou quando é preciso trocar uma prótese metálica antiga. Nesses casos a coroa devolve resistência abraçando o dente inteiro, o que a faceta não faz.

Faceta desgasta menos o dente que a coroa?

Sim. A faceta recobre só a face vestibular e pede um preparo mínimo a moderado, preservando a maior parte da estrutura. A coroa exige um desgaste maior, em volta de todo o dente, e é mais irreversível. Por isso, entre duas soluções que resolvem o caso, a mais conservadora costuma ser a preferida.

Dá para combinar faceta e coroa no mesmo sorriso?

Dá, e muitas vezes é a melhor solução. Você usa faceta nos dentes íntegros e coroa no dente que já perdeu estrutura ou foi tratado de canal, planejando cor e forma para que tudo fique uniforme. O paciente enxerga um sorriso só, não uma colcha de retalhos, desde que o laboratório trabalhe as peças em conjunto.

Quanto tempo dura uma faceta de porcelana e uma coroa?

As facetas de porcelana têm sobrevivência de 95,5% em 10 anos (Journal of Clinical Medicine, 2021) e revisões amplas mostram de 80,1% a 100% em 5 anos. As coroas unitárias têm de 92,1% a 96,6% de sobrevivência em 5 anos conforme o material (Sailer et al., 2015). Com boa manutenção e proteção contra bruxismo, as duas soluções ultrapassam uma década.