Gestão da Clínica

Como montar o modelo de comissão da CRC e do closer: por percentual ou por etapa do funil?

CRC e closer fazem jogadas diferentes no funil, então não podem ter o mesmo gatilho de comissão. Veja como desenhar o modelo certo para cada um (percentual, por etapa, misto e escalonado), onde travar o gatilho de pagamento, como evitar a guerra pela atribuição do lead e o risco trabalhista de tratar comissão como prêmio.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 25 de junho de 2026 · 17 min de leitura
TL;DR

Comissione o closer por percentual do tratamento que ele fecha e a CRC por etapa do funil (lead respondido, agendado e, principalmente, comparecido), porque cada papel controla uma parte diferente do funil e premiar a CRC pelo fechamento, que ela não controla, distorce o incentivo.

Pontos-chave
  • Comissão tem natureza salarial: o art. 457, §1º, da CLT determina que as comissões pagas integram o salário e refletem em férias, 13º, FGTS e verbas rescisórias, enquanto o prêmio (art. 457, §2º e §4º, redação da Lei 13.467/2017) não integra a remuneração, segundo [análise da Migalhas](https://www.migalhas.com.br/depeso/341357/premiacao-e-comissao-distincao-pos-reforma-trabalhista).
  • O comparecimento é a etapa que mais merece comissão própria na CRC: na base de clínicas atendidas pela Odonto Results, o comparecimento (do agendamento ao compareceu) varia de 20% a 50%, e a meta que a OR busca é cerca de um terço, dados internos da Odonto Results.
  • Velocidade dá para premiar por etapa: nas clínicas atendidas pela Odonto Results a primeira resposta sai em mediana de 4,4 segundos e 98,5% das primeiras respostas saem em até 60 segundos, o que mostra que dá para comissionar a CRC por SLA de resposta e agendamento, não só pelo fechamento final, dados internos da Odonto Results.

Faz parte do guia: Como fazer a gestão da clínica odontológica (agenda, faltas e faturamento)?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. O que CRC e closer fazem de diferente no funil (e por que o gatilho muda)
  4. Modelo por percentual: comissionar sobre o tratamento fechado
  5. Modelo por etapa do funil: pagar a CRC pelo que ela controla
  6. Comparecimento: a etapa crítica que merece comissão própria
  7. Modelo misto: salário base mais variável (e por que ele é o padrão saudável)
  8. Comissão escalonada: acelerador em vez de teto
  9. Como definir o percentual ou o valor por etapa (ancore no seu número, não no de mercado)
  10. Gatilho de pagamento: agendado, compareceu, fechou ou recebeu?
  11. Estorno e chargeback: o que fazer quando o paciente cancela
  12. Risco trabalhista: comissão integra o salário, prêmio não
  13. SDR/CRC versus closer: por que um plano único desalinha o time
  14. Como evitar a guerra pela atribuição do lead
  15. Transparência: o time precisa calcular a própria comissão
  16. Métricas que o plano precisa medir pra funcionar
  17. Erros comuns que desmotivam o time
  18. Seu próximo passo
  19. Perguntas frequentes

"Como montar o modelo de comissão da CRC e do closer: por percentual ou por etapa do funil?"

A pergunta parece de planilha. Na prática, ela decide se o seu time comercial puxa o funil pra frente ou briga internamente pelo lead bom.

O erro mais comum é dar o mesmo plano de comissão pra CRC e pro closer. Os dois fazem jogadas diferentes no funil, então premiar os dois pela mesma coisa quebra o incentivo de um deles.

A CRC controla resposta, agendamento e comparecimento. O closer controla a conversão da avaliação em tratamento fechado. Quem desenha o plano sem separar isso paga errado e desmotiva o time.

Este guia mostra como montar o modelo certo: o que cada papel controla, qual gatilho usar em cada um, onde travar o pagamento e como não cair na cilada trabalhista de chamar comissão de prêmio.

Neste guia você vai ver:

  • O que CRC e closer fazem de diferente no funil (e por que isso muda o gatilho)
  • Os três modelos: por percentual, por etapa e misto (com tabela comparativa)
  • Acelerador em vez de teto, e como ancorar o número no ticket e na margem
  • Gatilho de pagamento: agendado, compareceu, fechou ou recebeu?
  • Estorno, risco trabalhista e os erros que matam o plano

O que CRC e closer fazem de diferente no funil (e por que o gatilho muda)

Antes de definir percentual, defina papel. CRC e closer ocupam etapas diferentes do funil, e é isso que decide qual gatilho de comissão faz sentido pra cada um.

A CRC é a pré-venda. Ela recebe o lead, responde, qualifica, agenda e garante o comparecimento. O trabalho dela termina quando o paciente chega na clínica pra avaliação.

O closer é o fechamento. Ele (ou o dentista que apresenta o orçamento) conduz a avaliação presencial, apresenta o plano e converte aquilo em tratamento fechado.

Repare no ponto-chave: a CRC não controla o fechamento. Ela entrega o paciente na cadeira; quem transforma a avaliação em "sim" é o closer.

Lembre: comissão tem que premiar o que a pessoa controla. Premiar a CRC pelo fechamento (que depende do closer) ou o closer pelo agendamento (que depende da CRC) é pagar pela etapa errada.

Por isso o gatilho diferente não é capricho. É o que mantém cada um focado na própria etapa do funil, sem terceirizar a culpa quando o resultado não vem.

Modelo por percentual: comissionar sobre o tratamento fechado

O modelo por percentual é o mais direto: a pessoa ganha uma fatia do valor do tratamento fechado. É o gatilho natural do closer.

Faz sentido pro closer porque ele controla a variável que está sendo premiada: o fechamento. Quanto melhor ele conduz a avaliação e contorna objeção, mais ele fecha e mais ele ganha. Incentivo alinhado.

Mas tem uma armadilha quando você tenta aplicar o mesmo modelo na CRC.

Comissionar a CRC sobre o faturamento fechado distorce o incentivo. Ela fez o trabalho dela (respondeu rápido, qualificou, agendou, fez comparecer) e mesmo assim não vê comissão porque o closer não converteu. Você está penalizando a CRC por uma falha que não é dela.

Pensa assim: é como pagar o atacante só quando o time inteiro ganha o campeonato. Ele pode jogar bem o ano todo e sair sem nada.

O percentual é ótimo pra quem fecha. Pra quem alimenta o funil, ele cria ruído. Pra CRC, o caminho é outro.

Modelo por etapa do funil: pagar a CRC pelo que ela controla

Aqui mora o desenho mais inteligente pra CRC. Em vez de amarrar a comissão dela ao fechamento, você paga por etapa que ela de fato controla.

As etapas remuneráveis da CRC são três:

  • Lead respondido (no SLA): o lead foi atendido com qualidade e dentro do tempo combinado.
  • Lead agendado: a conversa virou avaliação marcada na agenda.
  • Lead comparecido: o paciente apareceu na clínica pra avaliação.

O closer, em paralelo, é pago pela etapa dele: a conversão da avaliação em tratamento. Cada um ganha pela própria etapa, no mesmo paciente.

Esse desenho tem uma vantagem de negócio: ele te força a medir o funil etapa por etapa. E os números mostram onde cada etapa ganha ou perde paciente.

Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, no recorte do WhatsApp e da IA in-channel, a mediana de leads que respondem é de 51%; dos que respondem, 23% chegam a agendamento; e o lead até o agendamento in-channel fica em 12% na mediana. No funil completo (IA somada ao atendimento humano com ligação), o lead até o agendamento fica na faixa de 20% a 40%, dados internos da Odonto Results.

Cada queda dessas é uma etapa que dá pra remunerar. Se você só paga pelo fechamento, ninguém é dono de tapar o vazamento no meio do funil.

Comparecimento: a etapa crítica que merece comissão própria

Se você for criar um único gatilho extra na CRC, crie o de comparecimento. É a etapa que mais derruba a conta e a que quase ninguém remunera.

O motivo é simples: agendamento marcado não é paciente na clínica. O no-show transforma agenda cheia em sala vazia, e a avaliação que não acontece vale zero pro closer.

Na base agregada da Odonto Results, o comparecimento (do agendamento ao compareceu) varia de 20% a 50%, e a meta que a OR busca é cerca de um terço de comparecimento sobre o agendado, dados internos da Odonto Results.

Traduzindo: entre metade e quatro quintos dos agendamentos podem evaporar antes de chegar na cadeira. É buraco demais pra deixar sem dono.

Lembre: se a comissão da CRC para no "agendou", você está pagando por agenda cheia, não por paciente na cadeira. Atrele um gatilho ao comparecimento e a CRC passa a brigar pelo que importa.

Como atacar isso na prática: pague um valor (ou um bônus por faixa de meta) por lead que comparece, não só por lead que agenda. A CRC passa a confirmar, lembrar e reengajar quem ameaça faltar. Veja como reduzir o no-show e onde vaza o funil comercial da avaliação ao fechamento.

Modelo misto: salário base mais variável (e por que ele é o padrão saudável)

Os dois modelos anteriores raramente aparecem puros. O desenho mais saudável é o misto: salário fixo mais variável atrelado a metas.

A diferença entre comissionista misto e comissionista puro importa:

  • Comissionista puro: ganha só comissão, sem fixo. Pressão alta, rotatividade alta, e o profissional tende a empurrar o paciente em vez de qualificar.
  • Comissionista misto: tem fixo que dá segurança mais variável que recompensa resultado. É o que mantém o bom profissional e o foco na qualidade do atendimento.

Pro perfil de CRC e closer de clínica que já fatura alto, o misto vence quase sempre. O fixo segura o talento; o variável puxa o resultado.

Velocidade de resposta, por exemplo, dá pra colocar como meta do variável da CRC. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, a primeira resposta sai em mediana de 4,4 segundos e 98,5% das primeiras respostas saem em até 60 segundos, dados internos da Odonto Results. Isso mostra que dá pra premiar a CRC por SLA de resposta e agendamento, não só pelo desfecho final.

Aqui está a comparação dos três modelos lado a lado:

Modelo Como funciona Melhor para Risco principal
Por percentual Fatia do tratamento fechado Closer (controla o fechamento) Distorce o incentivo da CRC, que não fecha
Por etapa do funil Valor por lead respondido, agendado e comparecido CRC (controla a pré-venda) Exige CRM medindo cada etapa
Misto (fixo + variável) Salário base mais variável por meta CRC e closer (padrão saudável) Mal calibrado, o fixo acomoda ou o variável pressiona demais

A escolha não é "um ou outro". É combinar: closer no percentual dentro de um misto, CRC por etapa dentro de um misto. Veja como estruturar o time comercial.

Comissão escalonada: acelerador em vez de teto

Esse é o detalhe que separa um plano que motiva de um que limita. Decida cedo: você vai acelerar a comissão acima da meta ou colocar teto?

O teto absoluto mata o incentivo. No momento em que o profissional bate o limite, ele para de empurrar, porque o esforço extra não vira dinheiro. Você ensina o seu melhor vendedor a desacelerar.

O acelerador faz o contrário. Acima da meta, o percentual (ou o valor por etapa) sobe. Quem mais entrega, mais ganha, e quem está perto da meta tem motivo pra fechar o último caso do mês.

Pensa assim: você quer que o fim do mês seja uma corrida pra cima da meta, não uma freada quando o teto chega.

  • Faixa 1 (até a meta): percentual base.
  • Faixa 2 (acima da meta): percentual maior, o acelerador.
  • Faixa 3 (estouro): percentual ainda maior, pra premiar o resultado excepcional.

Você protege a margem definindo bem o percentual base e as faixas, não cravando um teto que sinaliza pro time que existe um limite pro quanto ele pode produzir.

Como definir o percentual ou o valor por etapa (ancore no seu número, não no de mercado)

Aqui está o erro de partida mais caro: copiar um percentual que você viu em algum lugar. Número de mercado solto não cabe na sua clínica, porque a sua margem e o seu ticket são seus.

Ancore o número em três variáveis internas, nesta ordem:

  1. Ticket médio do tratamento. Quanto vale, em média, o caso que está sendo fechado. Um percentual igual pesa diferente num caso de R$ 2 mil e num de R$ 40 mil.
  2. Margem do tratamento. A comissão sai da margem, não do faturamento bruto. Comissionar sobre um procedimento de margem apertada do mesmo jeito que um de margem alta come o seu lucro.
  3. CAC (custo de aquisição). Quanto você já gastou em mídia e estrutura pra trazer aquele paciente. A comissão entra como mais um custo do caso; some tudo e veja se o caso ainda fecha no azul.

A conta é simples: o variável precisa caber dentro da margem depois de descontado o CAC, e ainda deixar lucro. Se não couber, o problema não é a comissão, é o preço ou o custo.

Por isso não existe "o percentual certo de mercado". Existe o percentual que fecha a conta da sua clínica. Veja como precificar tratamentos e qual a razão LTV/CAC ideal.

Gatilho de pagamento: agendado, compareceu, fechou ou recebeu?

Definir o percentual é metade. A outra metade é decidir QUANDO a comissão vira devida. Esse gatilho protege (ou drena) o caixa da clínica.

Existem quatro gatilhos possíveis, do mais cedo ao mais seguro pra clínica:

  • No agendamento: rápido, mas você paga por paciente que pode nem comparecer.
  • No comparecimento: melhor pra CRC, paga por paciente que chegou na cadeira.
  • No fechamento: o closer fechou o plano, mas o dinheiro ainda não entrou.
  • No recebimento (caixa): o paciente pagou, e só então a clínica libera a comissão.

A regra que protege o fluxo da clínica é atrelar a comissão ao caixa. Você pode reconhecer a comissão no fechamento, mas liberar o pagamento conforme as parcelas entram.

Por quê? Porque tratamento de alto valor quase sempre é parcelado. Se você paga 100% da comissão no fechamento e o paciente para de pagar na terceira parcela, você comissionou um dinheiro que nunca entrou.

Lembre: comissão paga sobre orçamento fechado, e não sobre valor recebido, transfere o risco do calote pra dentro da sua margem. Amarre o pagamento ao que entrou no caixa.

Veja a fundo comissão sobre orçamento fechado ou sobre valor recebido.

Estorno e chargeback: o que fazer quando o paciente cancela

Esse é o ponto que ninguém escreve no começo e todo mundo briga depois. Defina a política de estorno antes de pagar a primeira comissão.

Os cenários que pedem regra clara:

  • Cancelamento do tratamento antes de começar.
  • Desistência no meio do plano.
  • Churn do parcelado: o paciente para de pagar as parcelas.

O desenho mais simples (e que casa com o gatilho de caixa) é não pagar comissão sobre parcela que não entrou. Se o pagamento da comissão acompanha o recebimento, o estorno vira quase automático: parou de pagar, parou a comissão.

Mas atenção ao lado jurídico. Há discussão sobre descontar comissão já paga em caso de cancelamento, e a interpretação não é pacífica. Por isso, formalize a política de chargeback por escrito e valide com o seu jurídico antes de implantar, pra não criar passivo trabalhista.

Risco trabalhista: comissão integra o salário, prêmio não

Aqui está o detalhe que pode transformar um plano de incentivo em passivo. Comissão e prêmio têm tratamento legal diferente, e confundir os dois sai caro.

Segundo análise da Migalhas, a comissão tem natureza salarial: o art. 457, §1º, da CLT determina que as comissões pagas pelo empregador integram o salário. Isso faz a comissão refletir em férias, 13º, FGTS e verbas rescisórias.

Já o prêmio é outra coisa. Pela redação da Lei 13.467/2017 (art. 457, §2º e §4º), o prêmio não integra a remuneração nem se incorpora ao contrato de trabalho. E o art. 466 estabelece que o pagamento da comissão é exigível depois de ultimada a transação a que se refere.

Verba Natureza Reflete em férias, 13º, FGTS, rescisão? Base legal
Comissão Salarial Sim Art. 457, §1º, CLT
Prêmio Não salarial (pós-reforma) Não Art. 457, §2º e §4º (Lei 13.467/2017)

O recado prático: chamar de "prêmio" um pagamento que, na prática, é comissão habitual sobre vendas não muda a natureza dele aos olhos da Justiça do Trabalho. Como a redação tem nuances de interpretação, monte o modelo junto com o seu contador e o seu jurídico. Aqui orientamos a estrutura comercial, não substituímos a consultoria jurídica.

SDR/CRC versus closer: por que um plano único desalinha o time

Voltamos ao começo, mas agora com a consequência prática. Um plano único pros dois papéis não só paga errado, ele gera conflito interno.

Quando CRC e closer dividem o mesmo gatilho (digamos, percentual do fechamento), nasce a disputa de quem pega o lead bom. A CRC quer mandar pro closer mais habilidoso; o closer quer só os leads já quentes. Ninguém quer o lead difícil, que é justamente onde o trabalho da CRC faz diferença.

Separe os gatilhos e o conflito some:

  • CRC: paga por etapa (respondido, agendado, comparecido). Ela ganha por entregar paciente na cadeira, qualquer que seja o closer.
  • Closer: paga por percentual do que fecha. Ele ganha por converter, qualquer que seja a origem do lead.

Com gatilhos separados, os dois ganham no mesmo paciente, em momentos diferentes. Não há crédito pra disputar. Veja como definir metas comerciais por etapa do funil.

Como evitar a guerra pela atribuição do lead

A separação de gatilhos resolve o incentivo. Falta resolver o registro: quem ganha quando o lead agendado pela CRC fecha com o closer?

A resposta limpa é: os dois. A CRC já recebeu pela etapa dela (agendou, compareceu) e o closer recebe pela dele (fechou). Não existe um único bolo pra dividir, porque cada um foi pago pela própria entrega.

Mas pra isso funcionar, o registro precisa ser inquestionável. Sem CRM, a atribuição vira boca a boca e a discussão volta.

Três regras de atribuição que evitam briga:

  1. Registre cada etapa no CRM com data e responsável. Quem respondeu, quem agendou, quem fez comparecer, quem fechou.
  2. Pague pela etapa registrada, não pela memória de quem fala mais alto na reunião.
  3. Use a mesma fonte de verdade pra CRC e closer, pra que ninguém conteste o número do outro.

Quando o dado é claro e cada um é pago pela própria etapa, a guerra de atribuição simplesmente não tem do que se alimentar. Veja o painel que lê as conversas e mostra o funil comercial.

Transparência: o time precisa calcular a própria comissão

Um plano que o time não entende é um plano que não motiva. Se a pessoa não consegue calcular sozinha quanto vai ganhar, a comissão deixa de funcionar como incentivo.

O teste é simples: pegue um vendedor e peça pra ele calcular a comissão do mês na frente de você. Se ele travar, o plano está complexo demais.

Regras de transparência que mantêm o plano vivo:

  • Cálculo que cabe numa folha. Etapa, gatilho, valor. Sem cláusula escondida.
  • Mudanças comunicadas com antecedência, nunca no meio do mês em curso.
  • Nunca retroativo. Regra nova vale pra frente, jamais pra recalcular o que já foi entregue.
  • Qualificação do lead clara. O que conta como "lead respondido" ou "agendamento válido" tem que estar definido, sem zona cinzenta.

Ambiguidade na regra de qualificação é uma das maiores fontes de conflito. Se "agendou" pode significar coisas diferentes pra você e pra CRC, a comissão vira discussão todo mês.

Métricas que o plano precisa medir pra funcionar

Um plano por etapa só existe se você mede as etapas. Sem número, não há gatilho confiável, e a comissão vira chute.

Acompanhe estas métricas, idealmente por origem do lead:

Métrica O que mostra Liga em qual comissão
Taxa de resposta Quão rápido e bem a CRC atende Gatilho de lead respondido (CRC)
Taxa de agendamento Conversa que vira avaliação Gatilho de lead agendado (CRC)
Taxa de comparecimento Agendamento que vira paciente na cadeira Gatilho de comparecimento (CRC)
Conversão de fechamento Avaliação que vira tratamento Percentual do closer
Resultado por origem do lead Qual canal traz lead que fecha Calibra a meta de cada etapa

Medir por origem do lead evita uma injustiça comum: punir a CRC porque um canal mandou lead frio. Se o canal entrega lead pior, a meta daquela origem se ajusta, em vez de a CRC pagar pela qualidade do tráfego. Veja o funil da clínica em números.

Erros comuns que desmotivam o time

Você pode acertar o modelo e ainda assim matar a motivação na execução. Estes são os erros que mais aparecem:

  • Teto absoluto. Limita o esforço exatamente quando o profissional está produzindo mais.
  • Atraso no pagamento. Comissão que demora vira desconfiança; o time deixa de acreditar no plano.
  • Regra ambígua de qualificação do lead. "O que conta como agendamento?" sem resposta clara gera briga mensal.
  • Plano que não evolui. Meta que nunca muda vira piso confortável; meta que muda toda hora vira insegurança. O equilíbrio é revisar em ciclo previsível.
  • Mudança retroativa. Mexer na regra depois do trabalho feito quebra a confiança de forma quase irreversível.

O fio condutor de todos é o mesmo: o profissional precisa confiar que, se ele entregar, vai receber o combinado, no prazo, pelo cálculo que ele entende. Quebre essa confiança e nenhum percentual segura o time.

Seu próximo passo

  1. Separe os gatilhos por papel. Defina o closer no percentual do tratamento fechado e a CRC por etapa do funil (respondido, agendado e, principalmente, comparecido), os dois dentro de um modelo misto com fixo mais variável.
  2. Trave o pagamento no caixa e formalize o jurídico. Amarre a liberação da comissão ao valor recebido, escreva a política de estorno e valide a estrutura (comissão x prêmio) com o seu contador e jurídico.
  3. Meça cada etapa por origem do lead. Sem CRM medindo resposta, agendamento, comparecimento e fechamento, o plano por etapa não tem gatilho confiável nem como evitar a guerra de atribuição.

Quer estruturar o comercial da sua clínica pra que cada paciente seja respondido em segundos, compareça e feche, com o funil medido etapa por etapa? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

Comissão por percentual ou por etapa do funil: qual modelo escolher?

Use os dois, um para cada papel. O closer, que controla o fechamento na avaliação, vai bem com percentual sobre o tratamento fechado. A CRC, que controla resposta, agendamento e comparecimento (não o fechamento), vai melhor com comissão por etapa do funil. Misturar os dois num modelo único desalinha o incentivo de quem não controla a etapa que está sendo premiada.

Por que não comissionar a CRC sobre o faturamento fechado?

Porque a CRC não fecha o tratamento, o closer ou o dentista fecha. Pagar a CRC sobre um valor que ela não controla cria frustração (ela faz o trabalho dela e não vê comissão porque o closer não converteu) e tira o foco do que ela de fato controla: responder rápido, agendar e fazer o paciente comparecer.

Quando a comissão deve ser paga: no agendamento, no fechamento ou no recebimento?

Atrele o pagamento ao caixa, ou seja, ao dinheiro que o paciente efetivamente pagou, para proteger o fluxo da clínica. Você pode reconhecer a comissão no fechamento, mas liberar o pagamento conforme as parcelas entram. Assim a clínica não paga comissão sobre um valor que ainda não recebeu e que pode nem receber.

Comissão e prêmio são a mesma coisa para a lei trabalhista?

Não. Segundo análise da Migalhas, a comissão tem natureza salarial e integra férias, 13º, FGTS e rescisão (art. 457, §1º, da CLT), enquanto o prêmio, na redação da Lei 13.467/2017 (art. 457, §2º e §4º), não integra a remuneração. Como a redação tem nuances, formalize o modelo com o seu contador e o seu jurídico antes de implantar.

O que fazer com a comissão se o paciente cancela ou desiste do tratamento parcelado?

Defina a regra de estorno por escrito antes de começar. O mais comum é não pagar comissão sobre parcela que não entrou e prever estorno proporcional em caso de cancelamento ou desistência. Como existe discussão jurídica sobre descontar comissão já paga, alinhe a política de chargeback com o seu jurídico para não criar passivo.

Como evitar a briga entre CRC e closer pela atribuição do lead?

Separe os gatilhos por etapa e registre tudo no CRM. A CRC ganha por agendar e fazer comparecer; o closer ganha por converter a avaliação em tratamento. Como cada um é pago pela própria etapa, não há disputa de quem fica com o crédito do lead bom: os dois ganham no mesmo paciente, em momentos diferentes do funil.