Custos e ROI

Qual o custo real de parcelar sem juros no cartao para a clinica odontologica?

Parcelar sem juros nao e gratis pra clinica: voce paga MDR, antecipacao, bordero e IOF antes de o paciente estar na cadeira. Veja o Custo Efetivo Total real de cada faixa de parcelas, como embutir no preco da tabela sem cobrar do paciente, e quando o parcelamento longo vale como ferramenta de fechamento de alto ticket.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 5 de julho de 2026 · 18 min de leitura
TL;DR

Cada parcela que voce oferece sem juros custa a taxa da maquininha (MDR) mais a taxa de antecipacao caso queira liquidez imediata, e o custo total sobe conforme o numero de parcelas cresce, podendo passar de 10% do valor do tratamento em parcelamentos longos.

Pontos-chave
  • O parcelamento sem juros movimenta R$ 1 trilhao por ano no Brasil, equivalente a 10% do PIB do pais, segundo a Agencia Sebrae de Noticias. Nao oferecer parcelas e remar contra o habito de pagamento do seu paciente de alto ticket.
  • 9 em cada 10 lojistas no Brasil usam o parcelamento sem juros no cartao de credito para pelo menos parte das vendas (pesquisa CNC reportada pela Agencia Sebrae de Noticias). A pratica e universal, e o custo dela e calculavel e controlavel.
  • O custo real nao e so a taxa da maquininha: e MDR + antecipacao de recebiveis + bordero + IOF somados. Calcular o Custo Efetivo Total antes de fechar a tabela de precos e o que separa a clinica que protege a margem da que sangra sem perceber.

Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. O mito do "sem juros": quem paga a conta nao e o paciente, e a clinica
  4. Como a taxa MDR sobe conforme o numero de parcelas (debito, credito a vista, credito parcelado)
  5. O segundo custo escondido: antecipar o recebimento em vez de esperar parcela por parcela
  6. Custo Efetivo Total: somando MDR + antecipacao + tarifas antes de aceitar qualquer proposta
  7. Exemplo pratico: quanto um implante ou tratamento ortodontico parcelado em 12x realmente rende liquido
  8. Quantas parcelas oferecer sem destruir a margem (o trade-off entre fechar o orcamento e preservar o lucro)
  9. Embutir no preco da tabela ou absorver? Como decidir a politica de precificacao por forma de pagamento
  10. Alternativas ao cartao: boleto parcelado, crediario proprio e o risco que elas trazem pra clinica
  11. Por que o cartao transfere o risco e o crediario proprio deixa com voce
  12. Por que, mesmo custando caro, o parcelamento sem juros ainda compensa (ticket medio e taxa de fechamento)
  13. Negociando a taxa MDR com a maquininha conforme o volume da clinica cresce
  14. Comparando com o custo do rotativo pro paciente: por que "sem juros" e vantajoso pra todo mundo
  15. Checklist: como calcular se o parcelamento esta corroendo o lucro do seu consultorio
  16. Seu proximo passo
  17. Perguntas frequentes

"Qual o custo real de parcelar sem juros no cartao para a clinica odontologica?"

Voce anuncia "12x sem juros" no orcamento e o paciente fecha. Parece otimo. Mas quando o extrato da maquininha chega, o valor liquido nao bate com o que voce esperava.

O problema nao e o parcelamento. E nao saber quanto ele custa antes de oferecer.

"Sem juros" e verdade do lado do paciente. Ele paga o mesmo valor dividido. Mas o custo do credito nao desaparece: ele muda de dono. Quem paga e voce.

A boa noticia: esse custo e calculavel, controlavel e, na maioria dos casos de alto ticket, vale a pena absorver. 9 em cada 10 lojistas no Brasil usam o parcelamento sem juros no cartao de credito para pelo menos parte das vendas, segundo pesquisa da CNC reportada pela Agencia Sebrae de Noticias. A pratica e universal. O que diferencia a clinica lucrativa da que sangra margem e fazer a conta certa antes de montar a tabela de precos.

Neste guia voce vai ver:

  • Onde mora cada camada do custo (MDR, antecipacao, bordero, IOF)
  • Como calcular o Custo Efetivo Total antes de fechar com qualquer operadora
  • Um exemplo numerico com tratamento de alto ticket (implante e ortodontia)
  • Quantas parcelas oferecer sem destruir a margem
  • Como embutir o custo no preco da tabela de forma transparente
  • As alternativas ao cartao e o risco que cada uma transfere (ou deixa) com voce

O mito do "sem juros": quem paga a conta nao e o paciente, e a clinica

Comece pela mecanica. Quando o paciente parcela R$ 10.000 em 10x de R$ 1.000, ele paga exatamente R$ 10.000. Sem acrescimo.

Voce, nao.

A operadora da maquininha desconta um percentual seu. E se voce quiser o dinheiro agora (em vez de esperar parcela a parcela durante 10 meses), paga uma segunda taxa pra antecipar.

Como disse Ahmed El Khatib, coordenador do Instituto de Financas da FECAP, em reportagem da CNN Brasil: "Nao existe almoco gratis. O comercio tem custos com isso e eles estao embutidos no preco."

A clinica que protege o caixa traduz "sem juros" assim: o paciente nao paga juros, mas a clinica financia o credito e assume esse custo como parte do preco do procedimento.

Essa traducao e o que separa a gestao financeira consciente da margem que evapora sem explicacao no fim do mes.

Como a taxa MDR sobe conforme o numero de parcelas (debito, credito a vista, credito parcelado)

MDR e a sigla de Merchant Discount Rate. E o percentual que a credenciadora desconta de cada transacao no cartao. Ela e composta de tres camadas:

  • Intercambio: a fatia que vai pro banco emissor do cartao do paciente.
  • Taxa da bandeira: o que Visa, Mastercard e demais cobram pela infraestrutura.
  • Margem da credenciadora: o que a empresa da maquininha retira como receita.

A soma dessas tres partes e o que sai do seu faturamento bruto. E aqui esta o ponto critico:

A MDR sobe conforme o risco e o prazo da operacao.

Modalidade Risco pra credenciadora Prazo de liquidacao MDR relativa
Debito Baixissimo (saldo existente) D+1 Menor
Credito a vista Medio (fatura futura, 1 ciclo) D+30 Intermediaria
Credito parcelado 2-6x Alto (multiplos ciclos) D+60 a D+180 Maior
Credito parcelado 7-12x Muito alto (ate 1 ano de exposicao) D+210 a D+360 Mais alta

Na pratica, a MDR do credito parcelado pode ser o dobro da do debito. Essa diferenca e o "primeiro andar" do custo de oferecer sem juros.

Lembre: voce nao controla o intercambio nem a taxa da bandeira. O que voce controla e qual credenciadora usa e qual taxa negociou. A maquininha nao e detalhe de recepcao: e uma linha direta na sua margem por procedimento.

O segundo custo escondido: antecipar o recebimento em vez de esperar parcela por parcela

Depois de pagar a MDR, voce enfrenta uma segunda decisao de custo: quando quer o dinheiro.

Vendeu em 12x. Tem dois caminhos:

Caminho 1: Receber parcela a parcela. O valor cai na conta mes a mes, no ritmo das parcelas do paciente. Voce so paga a MDR. Sem custo adicional. Mas o dinheiro demora ate 12 meses pra chegar inteiro.

Caminho 2: Antecipar. Voce recebe tudo agora (D+1 ou D+2), de uma vez. Em troca, a operadora desconta uma taxa de antecipacao sobre cada parcela futura.

A taxa de antecipacao funciona como um juro sobre o tempo que voce esta "adiantando". Antecipar a parcela do mes seguinte custa pouco. Antecipar a 12a parcela, que cairia daqui a quase um ano, custa proporcionalmente muito mais.

Resultado: quanto mais longo o parcelamento, mais cara fica a antecipacao do conjunto todo.

Decisao Custo Liquidez Indicada quando
Receber parcela a parcela So MDR Baixa (dinheiro goteja) Caixa saudavel, custos fixos cobertos
Antecipar tudo em D+1 MDR + antecipacao Alta (dinheiro imediato) Caixa apertado, investimento em captacao
Antecipar parcialmente MDR + antecipacao parcial Media Equilibrio entre margem e liquidez

A maioria das clinicas que faturam acima de R$ 100 mil/mes opera numa combinacao: antecipa parte do que precisa pra cobrir custos fixos e deixa o restante fluir parcela a parcela pra preservar margem.

Custo Efetivo Total: somando MDR + antecipacao + tarifas antes de aceitar qualquer proposta

O erro mais comum e olhar so a taxa nominal da maquininha. O custo real de parcelar sem juros tem quatro componentes somados:

  1. MDR (taxa de desconto): percentual fixo por transacao no credito parcelado.
  2. Taxa de antecipacao de recebiveis: percentual mensal sobre as parcelas futuras que voce antecipa.
  3. Tarifa de bordero (ou tarifa por transacao): valor fixo (centavos a poucos reais) cobrado a cada venda processada.
  4. IOF: incide sobre a antecipacao de recebiveis quando aplicavel (operacao de credito).

O Custo Efetivo Total (CET) e a soma dos quatro. E o numero que voce precisa saber antes de montar a tabela de precos do procedimento.

Veja como a conta funciona:

  • MDR do parcelado come uma fatia fixa do valor bruto.
  • A antecipacao come uma segunda fatia, proporcional ao prazo.
  • O bordero come centavos por transacao (parece pouco, mas acumula em volume).
  • O IOF incide sobre a antecipacao quando ela e contratada como credito.

O CET do parcelamento longo (12x ou mais) com antecipacao total pode facilmente ultrapassar 10% do valor da venda. Em um tratamento de R$ 15.000, isso representa mais de R$ 1.500 que nunca chegam ao caixa da clinica.

Dica: peca a simulacao do CET completo pra cada faixa de parcelas (3x, 6x, 10x, 12x) a pelo menos tres operadoras. Compare o CET, nao a taxa nominal isolada. E onde a negociacao real acontece.

Exemplo pratico: quanto um implante ou tratamento ortodontico parcelado em 12x realmente rende liquido

Vamos a conta com numeros ilustrativos (as taxas exatas dependem do seu contrato, mas a mecanica e essa):

Cenario: implante total de R$ 12.000 parcelado em 12x sem juros, com antecipacao total em D+2.

Componente Calculo ilustrativo Impacto
Valor bruto R$ 12.000 Ponto de partida
MDR credito parcelado 12x ~4,5% do valor bruto -R$ 540
Antecipacao (taxa mensal sobre parcelas futuras) ~1,5% a.m. medio ponderado -R$ 810 (aprox.)
Bordero (tarifa por transacao) ~R$ 2,50 -R$ 2,50
IOF sobre antecipacao ~0,38% do montante antecipado -R$ 43 (aprox.)
Valor liquido recebido ~R$ 10.604
Custo total do parcelamento ~R$ 1.396 (11,6% do bruto)

Interpretacao: de cada R$ 12.000 que o paciente pagou sem juros, a clinica recebeu cerca de R$ 10.600 na pratica. Os outros R$ 1.400 foram pro sistema financeiro.

Se a margem de contribuicao do implante era 40% (R$ 4.800), o parcelamento com antecipacao consumiu quase 30% dessa margem.

Agora compare com o mesmo tratamento pago a vista no debito (MDR mais baixa, sem antecipacao): o valor liquido seria significativamente maior. Essa diferenca e o "desconto a vista" que voce pode oferecer sem perder dinheiro.

Lembre: esses numeros sao ilustrativos pra mostrar a mecanica. O seu CET exato depende da negociacao com a credenciadora. O exercicio que importa: refaca essa conta com as suas taxas reais e veja quanto cada faixa de parcela consome da margem de cada procedimento.

Leia tambem: Margem de contribuicao por procedimento

Quantas parcelas oferecer sem destruir a margem (o trade-off entre fechar o orcamento e preservar o lucro)

Mais parcelas facilitam o sim do paciente. Menos parcelas preservam a margem.

O equilibrio mora em tres variaveis:

  1. Ticket do procedimento. Quanto maior o valor, mais o paciente precisa de parcelas longas pra caber no orcamento. Implante de R$ 15.000 em 3x exige parcela de R$ 5.000 (fora da realidade de muitos pacientes). Em 12x, vira R$ 1.250.

  2. Margem de contribuicao do procedimento. Procedimentos com margem alta (acima de 50%) aguentam mais parcelas sem estrangular o lucro. Procedimentos com margem apertada (abaixo de 30%) sofrem rapido com MDR + antecipacao elevados.

  3. Necessidade de liquidez. Se voce nao precisa antecipar (caixa aguenta), o custo de parcelas longas cai bastante, porque voce paga so a MDR, sem antecipacao.

Faixa de parcelas Efeito no fechamento Efeito no custo Quando usar
3x a 6x Moderado (parcelas ainda altas em tickets grandes) Baixo Tratamentos de ticket intermediario
7x a 10x Alto (parcela cabe no orcamento) Medio Tratamentos de R$ 5.000 a R$ 15.000
11x a 12x Muito alto (padrao de mercado, expectativa do paciente) Alto Alto ticket, margem robusta
13x a 24x Maximo (destrava casos que nao fechariam de outra forma) Muito alto Reabilitacao total, protocolos caros

O ponto ideal pra maioria das clinicas que faturam acima de R$ 100 mil: oferecer ate 10-12x como padrao e reservar 18-24x pra procedimentos de ticket muito alto onde o fechamento nao aconteceria de outra forma, ja com o custo financeiro embutido no preco desses procedimentos especificos.

Embutir no preco da tabela ou absorver? Como decidir a politica de precificacao por forma de pagamento

A Lei 13.455/2017 autoriza precos diferentes por forma de pagamento. Isso abre duas estrategias:

Estrategia 1: Preco unico (embutido).

Voce calcula o custo do parcelamento e embute no preco cheio do procedimento. O preco "de tabela" ja contempla o custo financeiro. Quando o paciente paga a vista, voce oferece desconto (porque o custo da antecipacao nao existe).

  • Vantagem: simples de comunicar. Nao parece que voce "cobra juros".
  • Risco: se a maioria paga a vista, o preco parece caro sem necessidade.

Estrategia 2: Tabela com desconto explicito a vista.

Voce define o preco normal (que inclui o custo do parcelamento) e oferece desconto real de X% pra quem paga a vista ou no debito.

  • Vantagem: incentiva pagamento a vista (melhora seu caixa e margem). O paciente sente que "ganhou" algo.
  • Risco: se mal comunicado, pode soar como "cobrar juros no parcelado".

Na pratica, a estrategia 2 e a mais usada em clinicas de alto ticket. O preco de tabela ja incorpora o custo financeiro. O desconto a vista e real (voce esta devolvendo o que nao vai gastar com antecipacao). E o paciente percebe como beneficio, nao como penalidade.

Regra de bolso: o desconto a vista pode ser equivalente ao CET medio do parcelamento na faixa mais comum que voce oferece. Se o CET de 10x com antecipacao e 8%, voce pode oferecer 5-7% de desconto a vista (mantendo parte da diferenca como margem extra).

Alternativas ao cartao: boleto parcelado, crediario proprio e o risco que elas trazem pra clinica

O cartao de credito nao e o unico caminho pra parcelar. Mas cada alternativa redistribui o risco de forma diferente.

Alternativa Como funciona Quem assume o risco de inadimplencia Custo pra clinica
Cartao de credito parcelado Operadora garante o pagamento Credenciadora (risco SAI da clinica) MDR + antecipacao
Boleto parcelado Clinica emite boletos mensais Clinica (risco FICA com voce) Tarifa por boleto (baixa)
Crediario proprio (carne) Clinica parcela internamente Clinica (risco total) Zero de MDR, mas provisao de inadimplencia
Financeira/fintech de saude Operadora aprova o paciente e paga a clinica a vista Financeira (risco SAI da clinica) Taxa de deságio ou comissao da financeira

Veja o ponto central: no cartao, o risco de inadimplencia nao e seu. O paciente pode nao pagar a fatura do banco, mas o valor ja esta garantido pra voce. Isso tem um preco (a MDR), mas e um seguro embutido.

No crediario proprio, a taxa some. Mas se o paciente atrasa ou nao paga, o prejuizo e inteiro da clinica. E a cobranca (ligacao, negativacao, eventual processo) tambem fica com voce.

O custo do cartao e, em parte, o preco do seguro contra calote. Quando voce compara alternativas, nao compare so a taxa: compare quem fica com o risco.

Lembre: a taxa de juros do rotativo do cartao de credito no Brasil gira em torno de 15% ao mes, passando de 400% ao ano, segundo dados do Banco Central reportados pela CNN Brasil. Quando voce oferece "sem juros", esta livrando o paciente desse custo absurdo. Ele agradece com o fechamento. E o calote nao e problema seu.

Leia tambem: Antecipacao de recebiveis vale a pena?

Por que o cartao transfere o risco e o crediario proprio deixa com voce

Vale aprofundar esse ponto, porque ele muda a forma de calcular o custo real.

Quando o paciente passa o cartao:

  1. A bandeira e o banco emissor garantem o pagamento a credenciadora.
  2. A credenciadora garante o pagamento a voce (mesmo que o paciente nao pague o banco).
  3. Voce recebe o valor liquido (bruto menos MDR) independente do comportamento financeiro do paciente.

Quando voce opera crediario proprio:

  1. Nao existe intermediario garantindo nada.
  2. Se o paciente atrasa, voce liga, envia cobranca, provisiona a perda.
  3. Se ele nao paga, voce decide entre negativar (custo operacional) ou absorver o prejuizo.

A inadimplencia de crediario proprio em clinicas varia bastante. Com processo de analise de credito interno bem estruturado, ela fica sob controle. Sem processo, cresce rapido e corroi a margem do parcelado.

Conta rapida: se o crediario proprio tem inadimplencia media de 8% e a MDR do cartao parcelado e 4,5%, o cartao ja e mais barato, porque os 4,5% eliminam 100% do risco de calote. No crediario, voce "economiza" a MDR mas perde 8% em calote real.

A excecao: clinicas com ticket muito baixo e volume altissimo de transacoes (ortodontia popular, por exemplo) podem encontrar no boleto parcelado um custo menor se a base de pacientes tem perfil de pagamento muito pontual. Mas essa e a excecao, nao a regra pra alto ticket.

Por que, mesmo custando caro, o parcelamento sem juros ainda compensa (ticket medio e taxa de fechamento)

O parcelamento sem juros movimenta R$ 1 trilhao por ano no Brasil, equivalente a 10% do PIB do pais, segundo a Agencia Sebrae de Noticias. Nao e um detalhe de mercado: e a espinha dorsal do consumo brasileiro.

Pra clinica de alto ticket, o parcelamento faz duas coisas ao mesmo tempo:

1. Aumenta o ticket medio.

O paciente que so pode pagar R$ 2.000 a vista dificilmente fecha um tratamento de R$ 12.000. Com 12x de R$ 1.000, ele fecha. O tratamento que nao aconteceria gera receita real (mesmo descontando o custo financeiro).

Pensa assim: receber R$ 10.600 liquidos (depois de MDR + antecipacao) e melhor que receber R$ 0 do orcamento que nao fechou.

2. Aumenta a taxa de fechamento de orcamento.

A objecao "nao tenho esse valor agora" some quando existe parcelamento acessivel. O dentista que oferece parcelas longas converte orcamentos que a clinica sem parcelamento perde.

O calculo que importa nao e "quanto o parcelamento custa" isolado. E: quanto faturamento extra o parcelamento gera, e quanto desse faturamento extra sobra liquido depois do custo financeiro.

Se o parcelamento gera 30% mais fechamentos de alto ticket e o custo financeiro consome 10% do valor bruto, o saldo liquido e positivo. O parcelamento e um custo de venda, nao um prejuizo.

Negociando a taxa MDR com a maquininha conforme o volume da clinica cresce

A taxa nao e destino. E negociacao.

Tres alavancas pra reduzir o custo:

1. Volume documentado.

Credenciadoras oferecem taxas menores pra quem processa mais. Documente seu faturamento mensal em cartao (credito + debito) e use como argumento. Clinica que passa R$ 200 mil/mes no cartao negocia em patamares diferentes de quem passa R$ 20 mil.

2. Concorrencia entre operadoras.

Peca proposta formal de pelo menos tres credenciadoras. Compare o CET (nao so a MDR nominal) pra cada faixa de parcelas. Use a proposta do concorrente como alavanca de renegociacao.

3. Contrato vs pre-pago.

Algumas operadoras oferecem taxas menores com contrato de permanencia ou com volume minimo mensal. Avalie se a economia compensa o compromisso.

Pontos de atencao na negociacao:

  • Pergunte a taxa especifica do credito parcelado em 7-12x (e a que mais pesa, e muitas operadoras mostram so a do debito no material comercial).
  • Pergunte a taxa de antecipacao separada (algumas embutem; voce precisa do numero aberto).
  • Pergunte se existe tarifa de bordero e qual o valor por transacao.
  • Pergunte a politica de reajuste (a taxa pode subir apos o periodo promocional).

Dica: renegocie a cada 6 meses ou quando o volume subir significativamente. A operadora que era a melhor opcao com R$ 50 mil/mes de volume pode nao ser com R$ 150 mil.

Comparando com o custo do rotativo pro paciente: por que "sem juros" e vantajoso pra todo mundo

Vale contextualizar o custo que o paciente pagaria SEM o seu parcelamento sem juros.

Se o paciente precisasse parcelar por conta propria no rotativo do cartao, a taxa de juros gira em torno de 15% ao mes em media, passando de 400% ao ano, segundo dados do Banco Central reportados pela CNN Brasil.

Num tratamento de R$ 12.000, isso significaria milhares de reais em juros pro paciente. O parcelamento sem juros oferecido pela clinica custa pra voce uma fracao disso (no exemplo anterior, cerca de R$ 1.400 com antecipacao total).

O paciente percebe o "sem juros" como um beneficio enorme. E e. Voce viabiliza o tratamento que ele nao conseguiria bancar a vista, e o custo que voce absorve e drasticamente menor do que o custo que ele teria no mercado financeiro.

Essa e a logica de fundo: o custo do parcelamento sem juros e o preco de viabilizar vendas que nao existiriam de outra forma, transferindo uma vantagem real pro paciente a um custo controlavel pra clinica.

Checklist: como calcular se o parcelamento esta corroendo o lucro do seu consultorio

Antes de fechar a tabela de precos ou aceitar uma proposta de operadora, passe por esses pontos:

  1. Levante o CET real por faixa de parcelas. Peca a simulacao completa (MDR + antecipacao + bordero + IOF) pra 3x, 6x, 10x e 12x com pelo menos duas operadoras.

  2. Calcule a margem de contribuicao liquida por procedimento. Pegue o preco de tabela, desconte o custo variavel do procedimento (material, laboratorio, hora-clinica) E o CET do parcelamento na faixa mais comum. O que sobra e a margem real.

  3. Defina a faixa maxima de parcelas por procedimento. Tratamentos com margem abaixo de 30% podem nao aguentar 12x com antecipacao. Tratamentos com margem acima de 50% aguentam facilmente.

  4. Calcule o desconto a vista. A diferenca entre o CET do parcelado e o CET do debito/pix e o espaco real de desconto que voce pode oferecer sem perder margem.

  5. Compare o custo do cartao com o custo da inadimplencia do crediario. Se a inadimplencia media supera a MDR, o cartao e mais barato (e mais previsivel).

  6. Renegocie a cada seis meses. Volume muda, concorrencia muda, condicoes mudam. Nao deixe a taxa congelar.

Leia tambem: Prazo de recebimento do cartao e impacto no fluxo de caixa

Seu proximo passo

  1. Abra o extrato da maquininha deste mes. Identifique quanto pagou de MDR no credito parcelado e quanto pagou de antecipacao. Some. Divida pelo faturamento bruto em cartao. Esse percentual e o seu custo financeiro real atual.

  2. Refaca a conta do exemplo deste artigo com as suas taxas. Pegue o tratamento de maior ticket que voce oferece, aplique a MDR real e a antecipacao real, e veja quanto chega liquido. Se passar de 10% de perda, voce tem espaco pra negociar taxa ou reajustar a tabela.

  3. Estruture a politica de precificacao antes de anunciar parcelas. Defina o preco de tabela (com custo embutido), o desconto a vista, e a faixa maxima de parcelas por tipo de procedimento. Depois disso, o "sem juros" vira ferramenta de venda consciente, nao custo invisivel.

Agende uma apresentacao

Leia tambem: Projecao de fluxo de caixa com parcelado longo

Perguntas frequentes

O que e MDR e por que ela sobe no parcelado?

MDR (Merchant Discount Rate) e o percentual que a credenciadora desconta de cada venda no cartao. Ela sobe no credito parcelado porque a operadora carrega mais risco e financia o credito por mais tempo. Quanto mais parcelas, maior tende a ser a MDR cobrada da clinica.

Posso cobrar preco diferente de quem paga parcelado?

Sim. A Lei 13.455/2017 permite precos diferentes por forma de pagamento. A boa pratica e embutir o custo do parcelamento no preco cheio e oferecer desconto a vista, em vez de acrescentar juros ao paciente.

Antecipar recebiveis todo mes vale a pena?

Depende do seu fluxo de caixa. Se a clinica precisa de liquidez pra cobrir custos fixos e investir em captacao, a antecipacao faz sentido. Se o caixa aguenta esperar parcela a parcela, voce preserva margem ao nao antecipar.

Crediario proprio da clinica e melhor que cartao?

O crediario proprio elimina a taxa da maquininha, mas transfere o risco de inadimplencia inteiro pra voce. No cartao, quem assume o risco e a credenciadora: o paciente pode nao pagar a fatura, mas o valor continua garantido pra clinica.

Qual o numero maximo de parcelas que faz sentido oferecer?

Nao existe numero magico. O equilibrio e entre fechar o orcamento (mais parcelas facilitam o sim) e preservar a margem (mais parcelas custam mais). A maioria das clinicas define um teto de parcelas pra alto ticket testando o impacto no caixa e na taxa.

Como negociar a taxa MDR com a maquininha?

Volume e o principal argumento. Documente seu faturamento mensal em cartao, compare propostas de pelo menos tres credenciadoras e negocie a taxa nominal do credito parcelado especificamente, porque e a que mais pesa no seu custo total.