Qual o custo real de parcelar sem juros no cartao para a clinica odontologica?
Parcelar sem juros nao e gratis pra clinica: voce paga MDR, antecipacao, bordero e IOF antes de o paciente estar na cadeira. Veja o Custo Efetivo Total real de cada faixa de parcelas, como embutir no preco da tabela sem cobrar do paciente, e quando o parcelamento longo vale como ferramenta de fechamento de alto ticket.
Cada parcela que voce oferece sem juros custa a taxa da maquininha (MDR) mais a taxa de antecipacao caso queira liquidez imediata, e o custo total sobe conforme o numero de parcelas cresce, podendo passar de 10% do valor do tratamento em parcelamentos longos.
- O parcelamento sem juros movimenta R$ 1 trilhao por ano no Brasil, equivalente a 10% do PIB do pais, segundo a Agencia Sebrae de Noticias. Nao oferecer parcelas e remar contra o habito de pagamento do seu paciente de alto ticket.
- 9 em cada 10 lojistas no Brasil usam o parcelamento sem juros no cartao de credito para pelo menos parte das vendas (pesquisa CNC reportada pela Agencia Sebrae de Noticias). A pratica e universal, e o custo dela e calculavel e controlavel.
- O custo real nao e so a taxa da maquininha: e MDR + antecipacao de recebiveis + bordero + IOF somados. Calcular o Custo Efetivo Total antes de fechar a tabela de precos e o que separa a clinica que protege a margem da que sangra sem perceber.
Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- O mito do "sem juros": quem paga a conta nao e o paciente, e a clinica
- Como a taxa MDR sobe conforme o numero de parcelas (debito, credito a vista, credito parcelado)
- O segundo custo escondido: antecipar o recebimento em vez de esperar parcela por parcela
- Custo Efetivo Total: somando MDR + antecipacao + tarifas antes de aceitar qualquer proposta
- Exemplo pratico: quanto um implante ou tratamento ortodontico parcelado em 12x realmente rende liquido
- Quantas parcelas oferecer sem destruir a margem (o trade-off entre fechar o orcamento e preservar o lucro)
- Embutir no preco da tabela ou absorver? Como decidir a politica de precificacao por forma de pagamento
- Alternativas ao cartao: boleto parcelado, crediario proprio e o risco que elas trazem pra clinica
- Por que o cartao transfere o risco e o crediario proprio deixa com voce
- Por que, mesmo custando caro, o parcelamento sem juros ainda compensa (ticket medio e taxa de fechamento)
- Negociando a taxa MDR com a maquininha conforme o volume da clinica cresce
- Comparando com o custo do rotativo pro paciente: por que "sem juros" e vantajoso pra todo mundo
- Checklist: como calcular se o parcelamento esta corroendo o lucro do seu consultorio
- Seu proximo passo
- Perguntas frequentes
"Qual o custo real de parcelar sem juros no cartao para a clinica odontologica?"
Voce anuncia "12x sem juros" no orcamento e o paciente fecha. Parece otimo. Mas quando o extrato da maquininha chega, o valor liquido nao bate com o que voce esperava.
O problema nao e o parcelamento. E nao saber quanto ele custa antes de oferecer.
"Sem juros" e verdade do lado do paciente. Ele paga o mesmo valor dividido. Mas o custo do credito nao desaparece: ele muda de dono. Quem paga e voce.
A boa noticia: esse custo e calculavel, controlavel e, na maioria dos casos de alto ticket, vale a pena absorver. 9 em cada 10 lojistas no Brasil usam o parcelamento sem juros no cartao de credito para pelo menos parte das vendas, segundo pesquisa da CNC reportada pela Agencia Sebrae de Noticias. A pratica e universal. O que diferencia a clinica lucrativa da que sangra margem e fazer a conta certa antes de montar a tabela de precos.
Neste guia voce vai ver:
- Onde mora cada camada do custo (MDR, antecipacao, bordero, IOF)
- Como calcular o Custo Efetivo Total antes de fechar com qualquer operadora
- Um exemplo numerico com tratamento de alto ticket (implante e ortodontia)
- Quantas parcelas oferecer sem destruir a margem
- Como embutir o custo no preco da tabela de forma transparente
- As alternativas ao cartao e o risco que cada uma transfere (ou deixa) com voce
O mito do "sem juros": quem paga a conta nao e o paciente, e a clinica
Comece pela mecanica. Quando o paciente parcela R$ 10.000 em 10x de R$ 1.000, ele paga exatamente R$ 10.000. Sem acrescimo.
Voce, nao.
A operadora da maquininha desconta um percentual seu. E se voce quiser o dinheiro agora (em vez de esperar parcela a parcela durante 10 meses), paga uma segunda taxa pra antecipar.
Como disse Ahmed El Khatib, coordenador do Instituto de Financas da FECAP, em reportagem da CNN Brasil: "Nao existe almoco gratis. O comercio tem custos com isso e eles estao embutidos no preco."
A clinica que protege o caixa traduz "sem juros" assim: o paciente nao paga juros, mas a clinica financia o credito e assume esse custo como parte do preco do procedimento.
Essa traducao e o que separa a gestao financeira consciente da margem que evapora sem explicacao no fim do mes.
Como a taxa MDR sobe conforme o numero de parcelas (debito, credito a vista, credito parcelado)
MDR e a sigla de Merchant Discount Rate. E o percentual que a credenciadora desconta de cada transacao no cartao. Ela e composta de tres camadas:
- Intercambio: a fatia que vai pro banco emissor do cartao do paciente.
- Taxa da bandeira: o que Visa, Mastercard e demais cobram pela infraestrutura.
- Margem da credenciadora: o que a empresa da maquininha retira como receita.
A soma dessas tres partes e o que sai do seu faturamento bruto. E aqui esta o ponto critico:
A MDR sobe conforme o risco e o prazo da operacao.
| Modalidade | Risco pra credenciadora | Prazo de liquidacao | MDR relativa |
|---|---|---|---|
| Debito | Baixissimo (saldo existente) | D+1 | Menor |
| Credito a vista | Medio (fatura futura, 1 ciclo) | D+30 | Intermediaria |
| Credito parcelado 2-6x | Alto (multiplos ciclos) | D+60 a D+180 | Maior |
| Credito parcelado 7-12x | Muito alto (ate 1 ano de exposicao) | D+210 a D+360 | Mais alta |
Na pratica, a MDR do credito parcelado pode ser o dobro da do debito. Essa diferenca e o "primeiro andar" do custo de oferecer sem juros.
Lembre: voce nao controla o intercambio nem a taxa da bandeira. O que voce controla e qual credenciadora usa e qual taxa negociou. A maquininha nao e detalhe de recepcao: e uma linha direta na sua margem por procedimento.
O segundo custo escondido: antecipar o recebimento em vez de esperar parcela por parcela
Depois de pagar a MDR, voce enfrenta uma segunda decisao de custo: quando quer o dinheiro.
Vendeu em 12x. Tem dois caminhos:
Caminho 1: Receber parcela a parcela. O valor cai na conta mes a mes, no ritmo das parcelas do paciente. Voce so paga a MDR. Sem custo adicional. Mas o dinheiro demora ate 12 meses pra chegar inteiro.
Caminho 2: Antecipar. Voce recebe tudo agora (D+1 ou D+2), de uma vez. Em troca, a operadora desconta uma taxa de antecipacao sobre cada parcela futura.
A taxa de antecipacao funciona como um juro sobre o tempo que voce esta "adiantando". Antecipar a parcela do mes seguinte custa pouco. Antecipar a 12a parcela, que cairia daqui a quase um ano, custa proporcionalmente muito mais.
Resultado: quanto mais longo o parcelamento, mais cara fica a antecipacao do conjunto todo.
| Decisao | Custo | Liquidez | Indicada quando |
|---|---|---|---|
| Receber parcela a parcela | So MDR | Baixa (dinheiro goteja) | Caixa saudavel, custos fixos cobertos |
| Antecipar tudo em D+1 | MDR + antecipacao | Alta (dinheiro imediato) | Caixa apertado, investimento em captacao |
| Antecipar parcialmente | MDR + antecipacao parcial | Media | Equilibrio entre margem e liquidez |
A maioria das clinicas que faturam acima de R$ 100 mil/mes opera numa combinacao: antecipa parte do que precisa pra cobrir custos fixos e deixa o restante fluir parcela a parcela pra preservar margem.
Custo Efetivo Total: somando MDR + antecipacao + tarifas antes de aceitar qualquer proposta
O erro mais comum e olhar so a taxa nominal da maquininha. O custo real de parcelar sem juros tem quatro componentes somados:
- MDR (taxa de desconto): percentual fixo por transacao no credito parcelado.
- Taxa de antecipacao de recebiveis: percentual mensal sobre as parcelas futuras que voce antecipa.
- Tarifa de bordero (ou tarifa por transacao): valor fixo (centavos a poucos reais) cobrado a cada venda processada.
- IOF: incide sobre a antecipacao de recebiveis quando aplicavel (operacao de credito).
O Custo Efetivo Total (CET) e a soma dos quatro. E o numero que voce precisa saber antes de montar a tabela de precos do procedimento.
Veja como a conta funciona:
- MDR do parcelado come uma fatia fixa do valor bruto.
- A antecipacao come uma segunda fatia, proporcional ao prazo.
- O bordero come centavos por transacao (parece pouco, mas acumula em volume).
- O IOF incide sobre a antecipacao quando ela e contratada como credito.
O CET do parcelamento longo (12x ou mais) com antecipacao total pode facilmente ultrapassar 10% do valor da venda. Em um tratamento de R$ 15.000, isso representa mais de R$ 1.500 que nunca chegam ao caixa da clinica.
Dica: peca a simulacao do CET completo pra cada faixa de parcelas (3x, 6x, 10x, 12x) a pelo menos tres operadoras. Compare o CET, nao a taxa nominal isolada. E onde a negociacao real acontece.
Exemplo pratico: quanto um implante ou tratamento ortodontico parcelado em 12x realmente rende liquido
Vamos a conta com numeros ilustrativos (as taxas exatas dependem do seu contrato, mas a mecanica e essa):
Cenario: implante total de R$ 12.000 parcelado em 12x sem juros, com antecipacao total em D+2.
| Componente | Calculo ilustrativo | Impacto |
|---|---|---|
| Valor bruto | R$ 12.000 | Ponto de partida |
| MDR credito parcelado 12x | ~4,5% do valor bruto | -R$ 540 |
| Antecipacao (taxa mensal sobre parcelas futuras) | ~1,5% a.m. medio ponderado | -R$ 810 (aprox.) |
| Bordero (tarifa por transacao) | ~R$ 2,50 | -R$ 2,50 |
| IOF sobre antecipacao | ~0,38% do montante antecipado | -R$ 43 (aprox.) |
| Valor liquido recebido | ~R$ 10.604 | |
| Custo total do parcelamento | ~R$ 1.396 (11,6% do bruto) |
Interpretacao: de cada R$ 12.000 que o paciente pagou sem juros, a clinica recebeu cerca de R$ 10.600 na pratica. Os outros R$ 1.400 foram pro sistema financeiro.
Se a margem de contribuicao do implante era 40% (R$ 4.800), o parcelamento com antecipacao consumiu quase 30% dessa margem.
Agora compare com o mesmo tratamento pago a vista no debito (MDR mais baixa, sem antecipacao): o valor liquido seria significativamente maior. Essa diferenca e o "desconto a vista" que voce pode oferecer sem perder dinheiro.
Lembre: esses numeros sao ilustrativos pra mostrar a mecanica. O seu CET exato depende da negociacao com a credenciadora. O exercicio que importa: refaca essa conta com as suas taxas reais e veja quanto cada faixa de parcela consome da margem de cada procedimento.
Leia tambem: Margem de contribuicao por procedimento
Quantas parcelas oferecer sem destruir a margem (o trade-off entre fechar o orcamento e preservar o lucro)
Mais parcelas facilitam o sim do paciente. Menos parcelas preservam a margem.
O equilibrio mora em tres variaveis:
-
Ticket do procedimento. Quanto maior o valor, mais o paciente precisa de parcelas longas pra caber no orcamento. Implante de R$ 15.000 em 3x exige parcela de R$ 5.000 (fora da realidade de muitos pacientes). Em 12x, vira R$ 1.250.
-
Margem de contribuicao do procedimento. Procedimentos com margem alta (acima de 50%) aguentam mais parcelas sem estrangular o lucro. Procedimentos com margem apertada (abaixo de 30%) sofrem rapido com MDR + antecipacao elevados.
-
Necessidade de liquidez. Se voce nao precisa antecipar (caixa aguenta), o custo de parcelas longas cai bastante, porque voce paga so a MDR, sem antecipacao.
| Faixa de parcelas | Efeito no fechamento | Efeito no custo | Quando usar |
|---|---|---|---|
| 3x a 6x | Moderado (parcelas ainda altas em tickets grandes) | Baixo | Tratamentos de ticket intermediario |
| 7x a 10x | Alto (parcela cabe no orcamento) | Medio | Tratamentos de R$ 5.000 a R$ 15.000 |
| 11x a 12x | Muito alto (padrao de mercado, expectativa do paciente) | Alto | Alto ticket, margem robusta |
| 13x a 24x | Maximo (destrava casos que nao fechariam de outra forma) | Muito alto | Reabilitacao total, protocolos caros |
O ponto ideal pra maioria das clinicas que faturam acima de R$ 100 mil: oferecer ate 10-12x como padrao e reservar 18-24x pra procedimentos de ticket muito alto onde o fechamento nao aconteceria de outra forma, ja com o custo financeiro embutido no preco desses procedimentos especificos.
Embutir no preco da tabela ou absorver? Como decidir a politica de precificacao por forma de pagamento
A Lei 13.455/2017 autoriza precos diferentes por forma de pagamento. Isso abre duas estrategias:
Estrategia 1: Preco unico (embutido).
Voce calcula o custo do parcelamento e embute no preco cheio do procedimento. O preco "de tabela" ja contempla o custo financeiro. Quando o paciente paga a vista, voce oferece desconto (porque o custo da antecipacao nao existe).
- Vantagem: simples de comunicar. Nao parece que voce "cobra juros".
- Risco: se a maioria paga a vista, o preco parece caro sem necessidade.
Estrategia 2: Tabela com desconto explicito a vista.
Voce define o preco normal (que inclui o custo do parcelamento) e oferece desconto real de X% pra quem paga a vista ou no debito.
- Vantagem: incentiva pagamento a vista (melhora seu caixa e margem). O paciente sente que "ganhou" algo.
- Risco: se mal comunicado, pode soar como "cobrar juros no parcelado".
Na pratica, a estrategia 2 e a mais usada em clinicas de alto ticket. O preco de tabela ja incorpora o custo financeiro. O desconto a vista e real (voce esta devolvendo o que nao vai gastar com antecipacao). E o paciente percebe como beneficio, nao como penalidade.
Regra de bolso: o desconto a vista pode ser equivalente ao CET medio do parcelamento na faixa mais comum que voce oferece. Se o CET de 10x com antecipacao e 8%, voce pode oferecer 5-7% de desconto a vista (mantendo parte da diferenca como margem extra).
Alternativas ao cartao: boleto parcelado, crediario proprio e o risco que elas trazem pra clinica
O cartao de credito nao e o unico caminho pra parcelar. Mas cada alternativa redistribui o risco de forma diferente.
| Alternativa | Como funciona | Quem assume o risco de inadimplencia | Custo pra clinica |
|---|---|---|---|
| Cartao de credito parcelado | Operadora garante o pagamento | Credenciadora (risco SAI da clinica) | MDR + antecipacao |
| Boleto parcelado | Clinica emite boletos mensais | Clinica (risco FICA com voce) | Tarifa por boleto (baixa) |
| Crediario proprio (carne) | Clinica parcela internamente | Clinica (risco total) | Zero de MDR, mas provisao de inadimplencia |
| Financeira/fintech de saude | Operadora aprova o paciente e paga a clinica a vista | Financeira (risco SAI da clinica) | Taxa de deságio ou comissao da financeira |
Veja o ponto central: no cartao, o risco de inadimplencia nao e seu. O paciente pode nao pagar a fatura do banco, mas o valor ja esta garantido pra voce. Isso tem um preco (a MDR), mas e um seguro embutido.
No crediario proprio, a taxa some. Mas se o paciente atrasa ou nao paga, o prejuizo e inteiro da clinica. E a cobranca (ligacao, negativacao, eventual processo) tambem fica com voce.
O custo do cartao e, em parte, o preco do seguro contra calote. Quando voce compara alternativas, nao compare so a taxa: compare quem fica com o risco.
Lembre: a taxa de juros do rotativo do cartao de credito no Brasil gira em torno de 15% ao mes, passando de 400% ao ano, segundo dados do Banco Central reportados pela CNN Brasil. Quando voce oferece "sem juros", esta livrando o paciente desse custo absurdo. Ele agradece com o fechamento. E o calote nao e problema seu.
Leia tambem: Antecipacao de recebiveis vale a pena?
Por que o cartao transfere o risco e o crediario proprio deixa com voce
Vale aprofundar esse ponto, porque ele muda a forma de calcular o custo real.
Quando o paciente passa o cartao:
- A bandeira e o banco emissor garantem o pagamento a credenciadora.
- A credenciadora garante o pagamento a voce (mesmo que o paciente nao pague o banco).
- Voce recebe o valor liquido (bruto menos MDR) independente do comportamento financeiro do paciente.
Quando voce opera crediario proprio:
- Nao existe intermediario garantindo nada.
- Se o paciente atrasa, voce liga, envia cobranca, provisiona a perda.
- Se ele nao paga, voce decide entre negativar (custo operacional) ou absorver o prejuizo.
A inadimplencia de crediario proprio em clinicas varia bastante. Com processo de analise de credito interno bem estruturado, ela fica sob controle. Sem processo, cresce rapido e corroi a margem do parcelado.
Conta rapida: se o crediario proprio tem inadimplencia media de 8% e a MDR do cartao parcelado e 4,5%, o cartao ja e mais barato, porque os 4,5% eliminam 100% do risco de calote. No crediario, voce "economiza" a MDR mas perde 8% em calote real.
A excecao: clinicas com ticket muito baixo e volume altissimo de transacoes (ortodontia popular, por exemplo) podem encontrar no boleto parcelado um custo menor se a base de pacientes tem perfil de pagamento muito pontual. Mas essa e a excecao, nao a regra pra alto ticket.
Por que, mesmo custando caro, o parcelamento sem juros ainda compensa (ticket medio e taxa de fechamento)
O parcelamento sem juros movimenta R$ 1 trilhao por ano no Brasil, equivalente a 10% do PIB do pais, segundo a Agencia Sebrae de Noticias. Nao e um detalhe de mercado: e a espinha dorsal do consumo brasileiro.
Pra clinica de alto ticket, o parcelamento faz duas coisas ao mesmo tempo:
1. Aumenta o ticket medio.
O paciente que so pode pagar R$ 2.000 a vista dificilmente fecha um tratamento de R$ 12.000. Com 12x de R$ 1.000, ele fecha. O tratamento que nao aconteceria gera receita real (mesmo descontando o custo financeiro).
Pensa assim: receber R$ 10.600 liquidos (depois de MDR + antecipacao) e melhor que receber R$ 0 do orcamento que nao fechou.
2. Aumenta a taxa de fechamento de orcamento.
A objecao "nao tenho esse valor agora" some quando existe parcelamento acessivel. O dentista que oferece parcelas longas converte orcamentos que a clinica sem parcelamento perde.
O calculo que importa nao e "quanto o parcelamento custa" isolado. E: quanto faturamento extra o parcelamento gera, e quanto desse faturamento extra sobra liquido depois do custo financeiro.
Se o parcelamento gera 30% mais fechamentos de alto ticket e o custo financeiro consome 10% do valor bruto, o saldo liquido e positivo. O parcelamento e um custo de venda, nao um prejuizo.
Negociando a taxa MDR com a maquininha conforme o volume da clinica cresce
A taxa nao e destino. E negociacao.
Tres alavancas pra reduzir o custo:
1. Volume documentado.
Credenciadoras oferecem taxas menores pra quem processa mais. Documente seu faturamento mensal em cartao (credito + debito) e use como argumento. Clinica que passa R$ 200 mil/mes no cartao negocia em patamares diferentes de quem passa R$ 20 mil.
2. Concorrencia entre operadoras.
Peca proposta formal de pelo menos tres credenciadoras. Compare o CET (nao so a MDR nominal) pra cada faixa de parcelas. Use a proposta do concorrente como alavanca de renegociacao.
3. Contrato vs pre-pago.
Algumas operadoras oferecem taxas menores com contrato de permanencia ou com volume minimo mensal. Avalie se a economia compensa o compromisso.
Pontos de atencao na negociacao:
- Pergunte a taxa especifica do credito parcelado em 7-12x (e a que mais pesa, e muitas operadoras mostram so a do debito no material comercial).
- Pergunte a taxa de antecipacao separada (algumas embutem; voce precisa do numero aberto).
- Pergunte se existe tarifa de bordero e qual o valor por transacao.
- Pergunte a politica de reajuste (a taxa pode subir apos o periodo promocional).
Dica: renegocie a cada 6 meses ou quando o volume subir significativamente. A operadora que era a melhor opcao com R$ 50 mil/mes de volume pode nao ser com R$ 150 mil.
Comparando com o custo do rotativo pro paciente: por que "sem juros" e vantajoso pra todo mundo
Vale contextualizar o custo que o paciente pagaria SEM o seu parcelamento sem juros.
Se o paciente precisasse parcelar por conta propria no rotativo do cartao, a taxa de juros gira em torno de 15% ao mes em media, passando de 400% ao ano, segundo dados do Banco Central reportados pela CNN Brasil.
Num tratamento de R$ 12.000, isso significaria milhares de reais em juros pro paciente. O parcelamento sem juros oferecido pela clinica custa pra voce uma fracao disso (no exemplo anterior, cerca de R$ 1.400 com antecipacao total).
O paciente percebe o "sem juros" como um beneficio enorme. E e. Voce viabiliza o tratamento que ele nao conseguiria bancar a vista, e o custo que voce absorve e drasticamente menor do que o custo que ele teria no mercado financeiro.
Essa e a logica de fundo: o custo do parcelamento sem juros e o preco de viabilizar vendas que nao existiriam de outra forma, transferindo uma vantagem real pro paciente a um custo controlavel pra clinica.
Checklist: como calcular se o parcelamento esta corroendo o lucro do seu consultorio
Antes de fechar a tabela de precos ou aceitar uma proposta de operadora, passe por esses pontos:
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Levante o CET real por faixa de parcelas. Peca a simulacao completa (MDR + antecipacao + bordero + IOF) pra 3x, 6x, 10x e 12x com pelo menos duas operadoras.
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Calcule a margem de contribuicao liquida por procedimento. Pegue o preco de tabela, desconte o custo variavel do procedimento (material, laboratorio, hora-clinica) E o CET do parcelamento na faixa mais comum. O que sobra e a margem real.
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Defina a faixa maxima de parcelas por procedimento. Tratamentos com margem abaixo de 30% podem nao aguentar 12x com antecipacao. Tratamentos com margem acima de 50% aguentam facilmente.
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Calcule o desconto a vista. A diferenca entre o CET do parcelado e o CET do debito/pix e o espaco real de desconto que voce pode oferecer sem perder margem.
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Compare o custo do cartao com o custo da inadimplencia do crediario. Se a inadimplencia media supera a MDR, o cartao e mais barato (e mais previsivel).
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Renegocie a cada seis meses. Volume muda, concorrencia muda, condicoes mudam. Nao deixe a taxa congelar.
Leia tambem: Prazo de recebimento do cartao e impacto no fluxo de caixa
Seu proximo passo
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Abra o extrato da maquininha deste mes. Identifique quanto pagou de MDR no credito parcelado e quanto pagou de antecipacao. Some. Divida pelo faturamento bruto em cartao. Esse percentual e o seu custo financeiro real atual.
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Refaca a conta do exemplo deste artigo com as suas taxas. Pegue o tratamento de maior ticket que voce oferece, aplique a MDR real e a antecipacao real, e veja quanto chega liquido. Se passar de 10% de perda, voce tem espaco pra negociar taxa ou reajustar a tabela.
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Estruture a politica de precificacao antes de anunciar parcelas. Defina o preco de tabela (com custo embutido), o desconto a vista, e a faixa maxima de parcelas por tipo de procedimento. Depois disso, o "sem juros" vira ferramenta de venda consciente, nao custo invisivel.
Leia tambem: Projecao de fluxo de caixa com parcelado longo
Perguntas frequentes
O que e MDR e por que ela sobe no parcelado?
MDR (Merchant Discount Rate) e o percentual que a credenciadora desconta de cada venda no cartao. Ela sobe no credito parcelado porque a operadora carrega mais risco e financia o credito por mais tempo. Quanto mais parcelas, maior tende a ser a MDR cobrada da clinica.
Posso cobrar preco diferente de quem paga parcelado?
Sim. A Lei 13.455/2017 permite precos diferentes por forma de pagamento. A boa pratica e embutir o custo do parcelamento no preco cheio e oferecer desconto a vista, em vez de acrescentar juros ao paciente.
Antecipar recebiveis todo mes vale a pena?
Depende do seu fluxo de caixa. Se a clinica precisa de liquidez pra cobrir custos fixos e investir em captacao, a antecipacao faz sentido. Se o caixa aguenta esperar parcela a parcela, voce preserva margem ao nao antecipar.
Crediario proprio da clinica e melhor que cartao?
O crediario proprio elimina a taxa da maquininha, mas transfere o risco de inadimplencia inteiro pra voce. No cartao, quem assume o risco e a credenciadora: o paciente pode nao pagar a fatura, mas o valor continua garantido pra clinica.
Qual o numero maximo de parcelas que faz sentido oferecer?
Nao existe numero magico. O equilibrio e entre fechar o orcamento (mais parcelas facilitam o sim) e preservar a margem (mais parcelas custam mais). A maioria das clinicas define um teto de parcelas pra alto ticket testando o impacto no caixa e na taxa.
Como negociar a taxa MDR com a maquininha?
Volume e o principal argumento. Documente seu faturamento mensal em cartao, compare propostas de pelo menos tres credenciadoras e negocie a taxa nominal do credito parcelado especificamente, porque e a que mais pesa no seu custo total.