Como atrair e contratar bons dentistas para a clínica odontológica num mercado disputado?
O Brasil tem mais de 450 mil dentistas e mesmo assim você sofre para achar o profissional certo. O gargalo não é oferta, é gestão: definir o perfil, recrutar com critério, testar a capacidade clínica, montar contrato e remuneração seguros e, sobretudo, oferecer agenda cheia e estrutura. Veja o processo completo, com fonte.
Você atrai e contrata bons dentistas definindo o perfil antes de recrutar, testando a capacidade clínica de verdade, montando contrato e remuneração que alinham incentivo ao comparecimento, e oferecendo o que o bom profissional mais quer: agenda cheia de pacientes, estrutura e previsibilidade de renda.
- A escassez é de gestão, não de oferta. O Brasil alcançou 450 mil cirurgiões-dentistas em outubro de 2025, o maior número do mundo, segundo o Conselho Federal de Odontologia. Faltam bons profissionais alinhados à sua clínica, não dentistas no mercado.
- O mercado é concentrado e competitivo. Em 2022, 51,6% dos dentistas estavam no Sudeste e o país já tinha 1 dentista para cada 735 habitantes (acima da recomendação da OMS), com 520 cursos ativos, segundo estudo publicado na Ciência & Saúde Coletiva (SciELO).
- Reter depende mais de você do que do salário. Em pesquisa da American Dental Association (ADA, julho de 2022), entre os profissionais que saíram voluntariamente, 52% disseram que o gestor poderia ter feito algo para mantê-los.
Faz parte do guia: Como fazer a gestão da clínica odontológica (agenda, faltas e faturamento)?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- Por que o mercado é "disputado": o paradoxo da abundância
- "Disputado" é de gestão, não de oferta (e a distribuição prova)
- Defina o perfil antes de recrutar (o erro que vem antes da vaga)
- Onde encontrar candidatos: além do anúncio de vaga
- Triagem e avaliação técnica: como testar a capacidade clínica de verdade
- CLT, PJ ou autônomo: o regime certo e o risco da pejotização
- Modelos de remuneração: alinhar incentivo ao comparecimento e ao ticket
- Proposta de valor para o dentista: por que o bom profissional escolhe e fica
- O papel do fluxo de pacientes: a agenda cheia é o melhor argumento de recrutamento
- Onboarding e integração: o protocolo que faz o profissional render rápido
- Retenção: plano de carreira, desenvolvimento e reconhecimento
- Burnout e ambiente: a causa de rotatividade que ninguém vê
- O custo oculto da rotatividade: o que a saída de um dentista de fato custa
- Erros comuns que sabotam a contratação (e como evitar)
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Como atrair e contratar bons dentistas para a minha clínica num mercado tão disputado?"
Você abre uma vaga, recebe currículo, e mesmo assim não acha o profissional certo.
Parece contradição. O Brasil é o país com mais dentistas do mundo, e ainda assim a clínica que fatura alto sofre para montar e manter um time clínico de qualidade.
A explicação é simples: você não tem um problema de oferta. Tem um problema de gestão.
Bom dentista existe aos milhares. O que define quem consegue contratá-lo e mantê-lo é o processo: definir o perfil antes de recrutar, testar a competência de verdade, montar contrato e remuneração seguros e oferecer o que o profissional de alto nível mais quer, agenda cheia e estrutura.
Neste guia você vai ver:
- Por que o mercado "disputado" é de gestão, não de falta de dentista
- Como definir o perfil certo antes de abrir a vaga
- Onde encontrar e como avaliar a capacidade clínica de verdade
- CLT, PJ ou autônomo: o regime certo e o risco de fazer errado
- Como remunerar, integrar e reter o bom profissional (e o custo de não reter)
Por que o mercado é "disputado": o paradoxo da abundância
Comece pelo diagnóstico certo, porque ele muda toda a sua estratégia de contratação. O sentimento de escassez é real, mas a causa não é a que parece.
O Brasil alcançou a marca de 450 mil cirurgiões-dentistas em outubro de 2025, sendo considerado a nação com o maior número de profissionais da área no mundo, segundo o Conselho Federal de Odontologia (CFO).
Então por que você não acha gente boa? Porque dentista não é commodity.
Você não precisa de "um dentista". Precisa do profissional certo para a sua especialidade, o seu ticket, a sua cultura e o seu padrão de atendimento. Esse recorte é estreito, e é nele que o mercado fica disputado.
Pensa assim: ter 450 mil currículos disponíveis não resolve nada se você não sabe qual perfil procura nem como separar o bom do médio. A abundância é de quantidade. A escassez é de fit.
Lembre: o gargalo não é a falta de dentistas no Brasil, é a falta de processo para encontrar e reconhecer o dentista certo para a sua clínica. Quem trata contratação como gestão, e não como sorte, ganha o jogo.
"Disputado" é de gestão, não de oferta (e a distribuição prova)
Aprofunde o diagnóstico e você vê que a disputa tem geografia. A oferta de dentistas é grande, mas mal distribuída e concentrada onde há mais clínica competindo.
Estudo publicado na Ciência & Saúde Coletiva (SciELO, 2024) mostra que, em 2022, a distribuição dos cirurgiões-dentistas no Brasil era concentrada assim:
| Região | Participação dos dentistas (2022) |
|---|---|
| Sudeste | 51,6% |
| Nordeste | 17,5% |
| Sul | 16,0% |
| Centro-Oeste | 9,0% |
| Norte | 5,8% |
O mesmo estudo aponta que o país tinha 16,9 dentistas por 10.000 habitantes (contra 3,3 em 1960) e 1 dentista para cada 735 habitantes, número acima da recomendação da Organização Mundial da Saúde, com 520 cursos de Odontologia ativos (86,9% privados).
O recado é direto: nas praças mais ricas (Sudeste e Sul), onde costuma estar a clínica que fatura alto, a oferta de dentistas é maior, mas a disputa por talento também é, porque tem mais clínica boa competindo pelo mesmo profissional.
A literatura acadêmica é explícita nisso. Artigo da Revista da ABENO (2018) caracteriza o mercado de trabalho odontológico brasileiro como saturado e altamente competitivo, com a concentração de profissionais e cursos justamente nas regiões mais desenvolvidas.
Traduzindo para a sua realidade: a disputa que você sente é uma disputa de gestão de talento. Vence quem recruta com método e oferece a melhor proposta, não quem espera o currículo cair.
Defina o perfil antes de recrutar (o erro que vem antes da vaga)
Aqui mora a maior parte das contratações ruins. A clínica abre a vaga genérica ("precisa-se de dentista"), atrai um mar de perfil aleatório e contrata por feeling. Inverta a ordem.
Antes de divulgar qualquer vaga, escreva o perfil exato do profissional que a sua clínica precisa. Quatro dimensões mandam:
- Especialidade e capacidade clínica: você precisa de um clínico geral, de um implantodontista, de um ortodontista? O Brasil tem 149.346 especializações concluídas entre as 24 especialidades registradas, e Ortodontia lidera com 32.625 profissionais (21,9% dos registros de especialidade), seguida por Implantodontia (21.821) e Endodontia (19.528), segundo o CFO (data-base 30/06/2025). Saber em qual bolsão você está pescando muda onde e como recrutar.
- Fit cultural: o jeito como ele atende, comunica e trata a equipe importa tanto quanto a técnica. Um excelente cirurgião que destrói o clima da clínica é um problema, não uma solução.
- Alinhamento com o ticket e o posicionamento: clínica de alto ticket precisa de profissional que saiba apresentar plano de tratamento e conduzir caso complexo. Clínica de volume precisa de outro perfil. Contratar o perfil errado para o seu posicionamento gera atrito e rotatividade.
- Capacidade de fechamento na cadeira: o dentista que diagnostica bem mas não conduz o paciente até o sim deixa dinheiro na mesa toda semana.
Lembre: quando você não define o perfil, qualquer candidato parece possível e nenhum parece certo. O perfil escrito é o filtro que faz o recrutamento ser rápido e a contratação durar.
Para alinhar o perfil ao seu modelo de negócio, vale revisitar como diferenciar a clínica num mercado saturado: a mesma clareza de posicionamento que atrai paciente atrai o profissional certo.
Onde encontrar candidatos: além do anúncio de vaga
Com o perfil definido, você sabe onde pescar. Bom dentista raramente está respondendo a anúncio genérico, então diversifique as fontes.
- Indicação interna: o canal mais quente que existe. Peça à sua equipe que indique. Quem já trabalha bem com você conhece outros bons profissionais e filtra fit cultural antes de você.
- Redes profissionais: LinkedIn e grupos de dentistas por especialidade circulam vagas e perfis qualificados, especialmente para cargos sênior.
- Conselhos regionais e associações de especialidade: entidades como o CRO local e as associações de cada especialidade reúnem o profissional formal e regularizado, que é o que você quer.
- Eventos do nicho: congressos, cursos e pós-graduações são onde os profissionais ambiciosos estão. Networking presencial encurta a confiança.
- Programa de associado: muitas clínicas crescem trazendo o dentista como associado, com modelo de repasse. Veja como contratar dentista associado por repasse.
A dica de ouro: trate o recrutamento como você trata a captação de paciente. Tenha um pipeline ativo de candidatos, não só uma busca reativa quando a cadeira fica vazia. Quem só procura dentista na emergência contrata o que aparece, não o que precisa.
Triagem e avaliação técnica: como testar a capacidade clínica de verdade
Esse é o passo que quase ninguém faz direito e que separa contratação boa de dor de cabeça. Currículo e entrevista não provam capacidade clínica. Você precisa testar.
Monte um processo de avaliação em camadas:
- Cheque a regularidade no CRO. Antes de qualquer coisa, confirme registro ativo, especialidade declarada e ausência de problema ético no Conselho Regional de Odontologia. É rápido e elimina risco básico.
- Peça um caso clínico para planejar. Apresente um caso real (anonimizado) e peça o plano de tratamento. Você avalia raciocínio diagnóstico, sequenciamento e como ele justifica conduta. Aqui o blefe técnico aparece.
- Faça um dia de teste assistido. O candidato atende casos reais sob observação de um profissional sênior. Você vê a mão, a comunicação com o paciente, a postura na cadeira e a aderência ao seu protocolo. Nenhuma entrevista substitui isso.
- Cheque histórico e referências. Converse com clínicas onde ele passou. Foco em por que saiu, como era na rotina e como tratava paciente e equipe.
| Etapa de avaliação | O que ela revela | Por que importa |
|---|---|---|
| Checagem no CRO | Regularidade e ética | Elimina risco jurídico e reputacional |
| Caso clínico | Raciocínio diagnóstico | Separa quem sabe de quem decora |
| Dia de teste assistido | Execução e postura | Mostra a capacidade clínica real |
| Referências | Histórico e fit | Prevê comportamento e rotatividade |
Repare nestes pontos: o dia de teste é o filtro mais poderoso e o mais ignorado. Ele custa um dia da sua operação e economiza meses de uma contratação errada.
CLT, PJ ou autônomo: o regime certo e o risco da pejotização
Aqui você decide um ponto que, mal resolvido, vira passivo trabalhista. O regime de contratação não é só uma escolha de custo, é uma questão jurídica.
Existem três caminhos principais para remunerar e formalizar o dentista:
- CLT (carteira assinada): vínculo empregatício. Cabe quando você define horário, exige exclusividade ou subordinação à rotina da clínica. Como referência de mercado, o Portal Salário, com base no CAGED do Ministério do Trabalho, aponta salário médio de R$ 5.724,40 por mês para o Dentista (CBO 223208) sob CLT em jornada de 33h semanais, variando de um piso de R$ 3.487,29 a um teto de R$ 9.350,86 (salário base, sem adicionais). Para o Cirurgião-Dentista de Dentística (CBO 223280), o mesmo levantamento aponta média de R$ 4.451,13/mês para 36h semanais (Portal Salário).
- PJ (pessoa jurídica): o dentista emite nota como empresa. Cabe quando há autonomia real, sem subordinação nem horário imposto.
- Autônomo (RPA): prestação de serviço pontual, sem vínculo, comum em quem atende em mais de um lugar.
O risco mora aqui: a pejotização. Contratar como PJ um profissional que, na prática, trabalha como empregado (horário fixo, exclusividade, subordinação) expõe a clínica a reconhecimento de vínculo na Justiça do Trabalho, com cobrança retroativa de encargos. Economia aparente que vira prejuízo.
Lembre: o regime tem que refletir a rotina real do profissional, não a sua preferência de custo. Defina isso com contador e advogado antes de fechar, porque o erro aqui é caro e silencioso, só aparece na rescisão ou na ação.
Modelos de remuneração: alinhar incentivo ao comparecimento e ao ticket
Definido o regime, vem a pergunta que decide motivação e resultado: como pagar. O modelo de remuneração não é só custo, é incentivo, e incentivo errado mina a clínica.
Os modelos mais comuns:
- Fixo: salário ou pró-labore estável. Dá previsibilidade ao profissional, mas não incentiva produção.
- Comissão sobre produção (repasse): o dentista recebe um percentual do que produz. Alinha esforço a resultado, mas só funciona se houver paciente para atender.
- Fixo + variável: combina segurança e estímulo. Um piso garante renda, a comissão recompensa produção. É o modelo que mais alinha incentivo na clínica que já fatura.
O ponto fino é a que você atrela a comissão. Comissão crua sobre orçamento fechado pode incentivar o profissional a empurrar tratamento ou a vender e não entregar. Atrele o variável ao que importa:
- Tratamento efetivamente realizado, não só orçado.
- Comparecimento e conclusão do caso, não só o sim na cadeira.
- Qualidade e retorno do paciente, para não premiar volume ruim.
Para o desenho fino do variável, veja como estruturar a comissão dos dentistas. O modelo certo paga o profissional por gerar valor real para a clínica, não por inflar número.
Proposta de valor para o dentista: por que o bom profissional escolhe e fica
Inverta a lógica por um momento. Num mercado disputado, não é só você que escolhe o dentista. O bom profissional também escolhe a clínica, e tem opções.
Então a pergunta que destrava o recrutamento é: por que um dentista de alto nível escolheria a sua clínica em vez da concorrência?
A resposta quase nunca é "o maior salário". É a combinação:
- Agenda cheia de pacientes. Esse é o argumento número um. Comissão sobre produção só vira renda boa com produção real. O dentista de qualidade quer cadeira cheia, não cadeira parada esperando paciente aparecer.
- Previsibilidade de renda. A clínica que entrega fluxo constante de pacientes oferece previsibilidade, e previsibilidade segura o bom profissional, que não quer apostar a renda no acaso.
- Estrutura e tecnologia. Equipamento bom, materiais de qualidade, equipe de apoio e processos. O profissional de alto padrão não quer improvisar.
- Ambiente e cultura. Lugar onde dá gosto trabalhar, com respeito e clima saudável, retém mais do que dinheiro sozinho.
- Crescimento profissional. Casos desafiadores, especialização, autoridade. O dentista ambicioso quer evoluir, não estagnar.
Pensa assim: você está vendendo a sua clínica para o profissional tanto quanto ele está se vendendo para você. Construa essa proposta de valor de forma explícita.
O papel do fluxo de pacientes: a agenda cheia é o melhor argumento de recrutamento
Esse é o ponto que conecta gestão de equipe com aquisição, e poucas clínicas enxergam. O fluxo de pacientes não é só faturamento, é ferramenta de recrutamento e retenção.
Volte ao item número um da proposta de valor: agenda cheia. O bom dentista vai onde tem paciente para atender, porque é lá que ele produz, ganha e cresce.
A consequência é direta: a clínica que tem aquisição de pacientes estruturada e previsível tem um argumento de contratação que a concorrência sem agenda simplesmente não tem.
Quando você chega para um profissional de alto nível e mostra que a cadeira não fica ociosa, que existe fluxo constante de pacientes qualificados e que a renda dele tem previsibilidade, você está num jogo diferente de quem oferece só "uma vaga e torça para aparecer paciente".
Não é à toa que cadeira vazia é o oposto disso. Cadeira ociosa não só drena faturamento, como afasta o profissional bom, que percebe a falta de movimento. Veja como ocupar a cadeira ociosa da agenda.
Lembre: previsibilidade de pacientes é o que transforma uma vaga comum numa proposta irrecusável para o dentista certo. A clínica que resolve aquisição resolve metade do recrutamento de uma vez.
Onboarding e integração: o protocolo que faz o profissional render rápido
Contratou o bom profissional. Agora não o jogue na operação sem rede, porque é nas primeiras semanas que você ganha ou perde o engajamento dele.
O onboarding bem feito acelera o ramp-up (tempo até o dentista produzir no potencial) e reduz a chance de saída precoce. Estruture em três frentes:
- Acolhimento: apresente a equipe, a cultura, os valores e o jeito da casa. Profissional que se sente parte do time desde o primeiro dia se compromete mais.
- Padronização clínica: mostre os protocolos de atendimento, os materiais, os fornecedores e o padrão de qualidade que a clínica exige. Alinhamento clínico evita retrabalho e protege a experiência do paciente.
- Período de ramp-up: dê uma rampa de adaptação com acompanhamento. Comece com casos mais simples, dê feedback, vá aumentando a complexidade. Não espere produção máxima no primeiro mês.
Quanto melhor a integração, mais rápido o profissional vira produtivo e mais ele tende a ficar. Onboarding bagunçado é a primeira semente da rotatividade.
Retenção: plano de carreira, desenvolvimento e reconhecimento
Atrair é metade do trabalho. Reter é a outra, e é onde a maioria das clínicas perde dinheiro silenciosamente. Profissional bom que vai embora leva produção, pacientes e conhecimento junto.
E o dado mais importante sobre retenção é este: depende mais de você do que você imagina.
Em pesquisa da American Dental Association (ADA), de julho de 2022, entre os profissionais que saíram voluntariamente, 52% disseram que o gestor poderia ter feito algo para mantê-los. Ou seja: mais da metade das saídas eram evitáveis.
O que segura o bom dentista, além de remuneração justa:
- Plano de carreira. Mostre para onde ele pode crescer (mais responsabilidade, coordenação, sociedade, especialização). Quem não vê futuro busca outro lugar.
- Desenvolvimento profissional. Apoie cursos, atualização e casos desafiadores. Investir no profissional sinaliza que ele importa.
- Reconhecimento. Reconhecer resultado e esforço, de forma genuína, vale muito. Profissional que se sente visto fica.
- Cultura de equipe. Ambiente saudável, comunicação clara e respeito. A cultura é o que faz a pessoa querer ficar mesmo quando aparece uma oferta um pouco maior.
Para o desenho do crescimento de longo prazo, veja como reter dentistas com plano de carreira.
Burnout e ambiente: a causa de rotatividade que ninguém vê
Há um motivo de saída que raramente entra na conversa de contratação e que mina o time por dentro: o esgotamento. Odontologia é uma profissão de alta pressão, e o ambiente de trabalho cobra.
Estudo brasileiro publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia (SciELO) encontrou prevalência de 17,0% de Síndrome de Burnout entre estudantes de Odontologia, com exaustão emocional em 47,2% e associação significativa com a intenção de abandonar o curso.
O dado é sobre estudantes, mas o sinal é claro: o esgotamento começa cedo na carreira odontológica e acompanha o profissional. Na clínica, ele se traduz em queda de qualidade, conflito de equipe e, no limite, pedido de demissão.
Reduzir o risco de burnout é, na prática, uma estratégia de retenção:
- Carga equilibrada. Agenda apertada demais, sem pausa, queima o profissional. Cheia é bom, sufocante é ruim.
- Apoio operacional. Equipe de recepção, CRC e auxiliares funcionando tiram peso do dentista, que foca no clínico.
- Clima saudável. Liderança presente, comunicação aberta e respeito reduzem a pressão psicológica.
Profissional esgotado não rende e não fica. Cuidar do ambiente não é "ser bonzinho", é proteger o seu ativo mais caro de produzir.
O custo oculto da rotatividade: o que a saída de um dentista de fato custa
Antes de contratar barato ou tolerar um ambiente ruim, faça a conta do que custa perder um profissional. O prejuízo da rotatividade é muito maior que o valor da rescisão.
Quando um dentista bom sai, você acumula custos que raramente aparecem na planilha:
- Cadeira ociosa. Enquanto você recruta e treina o substituto, a cadeira produz menos ou nada. Cada dia parado é faturamento que não volta.
- Queda de produção. O novo profissional leva semanas até render no potencial (o ramp-up). A produção total da clínica cai no intervalo.
- Prejuízo à experiência do paciente. Paciente que gostava do profissional anterior pode se sentir desamparado, remarcar ou até trocar de clínica. Tratamento em andamento que muda de mão gera atrito.
- Custo de recrutar de novo. Tempo da sua equipe, anúncios, avaliação, dia de teste. Todo o processo se repete.
Pensa assim: contratar pelo menor salário e perder o profissional em seis meses sai muito mais caro que pagar bem e reter. A rotatividade é um vazamento contínuo que come margem sem aparecer.
Por isso o cálculo certo não é "quanto custa esse dentista", e sim "quanto custa a vaga vazia e a troca constante". A retenção é, antes de tudo, decisão financeira.
Erros comuns que sabotam a contratação (e como evitar)
Para fechar o método, conheça as armadilhas que derrubam até a clínica bem-intencionada. Quase toda contratação ruim cai em um destes erros:
- Contratar só por preço. Escolher o mais barato ignora fit, capacidade e retenção. Profissional barato que sai logo é o mais caro de todos.
- Pular a checagem técnica. Contratar por currículo e entrevista, sem caso clínico nem dia de teste, é apostar no escuro. A conta vem em retrabalho e reclamação de paciente.
- Prometer agenda que não existe. Atrair o dentista com "vai ter muito paciente" e entregar cadeira vazia destrói a confiança e gera saída rápida. Só prometa o fluxo que você de fato entrega.
- Montar contrato frágil. PJ disfarçando vínculo, sem cláusula clara de remuneração, exclusividade ou propriedade dos pacientes. O contrato mal feito vira passivo trabalhista e disputa.
- Recrutar só na emergência. Procurar dentista com a cadeira já vazia força você a contratar o que aparece. Mantenha pipeline ativo.
Lembre: o erro mais caro da contratação é tratar como sorte o que deveria ser processo. Perfil definido, avaliação técnica, contrato sólido e agenda real de pacientes transformam contratação em decisão segura, não aposta.
Seu próximo passo
- Escreva o perfil antes de abrir a vaga. Defina especialidade, fit cultural, alinhamento com o seu ticket e capacidade de fechamento na cadeira. Sem perfil, todo candidato vira chute.
- Monte o processo de avaliação e o contrato certo. Checagem no CRO, caso clínico, dia de teste assistido e referências. Defina o regime (CLT, PJ ou autônomo) com contador e advogado para evitar passivo.
- Transforme a agenda cheia no seu argumento de recrutamento. A clínica que entrega fluxo previsível de pacientes atrai e retém os melhores profissionais, porque bom dentista vai onde tem produção e previsibilidade de renda.
Quer ter o fluxo de pacientes previsível que faz o melhor dentista escolher a sua clínica? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
Por que é tão difícil contratar dentista se o Brasil tem 450 mil profissionais?
Porque o problema não é o número de dentistas, é o fit. Segundo o Conselho Federal de Odontologia, o Brasil chegou a 450 mil cirurgiões-dentistas em 2025, o maior número do mundo. O que falta é o profissional certo para a sua especialidade, ticket e cultura, e isso se resolve com processo de recrutamento, não com mais anúncio de vaga.
CLT ou PJ: qual o melhor regime para contratar dentista?
Depende da rotina real do profissional, não da sua preferência de custo. Se você define horário, exige exclusividade e subordina o dentista à rotina da clínica, o vínculo tende a ser CLT, e contratar como PJ nesse cenário expõe a clínica a reconhecimento de vínculo na Justiça. PJ ou autônomo cabe quando há autonomia real. Trate isso com seu contador e advogado antes de fechar.
Como saber se o dentista é tecnicamente bom antes de contratar?
Não confie só no currículo. Cheque a regularidade no Conselho Regional de Odontologia (CRO), peça um caso clínico para o candidato planejar e faça um dia de teste assistido, em que ele atende sob observação. Capacidade clínica real aparece na execução e no raciocínio diagnóstico, não na entrevista.
Qual o salário médio de um dentista CLT no Brasil?
Segundo o Portal Salário, com base no CAGED do Ministério do Trabalho, o salário médio de um Dentista (CBO 223208) sob CLT é de R$ 5.724,40 por mês para 33h semanais, variando de um piso de R$ 3.487,29 a um teto de R$ 9.350,86 (salário base, sem adicionais). É uma referência, não uma regra: comissão sobre produção costuma compor a renda do dentista.
Por que os dentistas não ficam na minha clínica?
Na maioria das vezes não é só dinheiro. Em pesquisa da American Dental Association, 52% dos profissionais que pediram demissão disseram que o gestor poderia ter feito algo para mantê-los. Falta de agenda cheia, ambiente ruim, ausência de plano de carreira e burnout pesam tanto quanto remuneração.
Como a quantidade de pacientes ajuda a atrair bons dentistas?
Bom dentista quer cadeira cheia. Um profissional de alto nível escolhe a clínica que entrega fluxo de pacientes e previsibilidade de renda, porque comissão sobre produção só vale com produção real. A clínica com aquisição estruturada tem um argumento de recrutamento que a concorrência sem agenda não tem.