A agência separa quem busca 'implante dentário' de quem busca 'prótese fixa sobre implante zigomático' ou trata tudo como a mesma palavra-chave?
Dá para descobrir em 5 minutos se a sua agência separa o termo popular do termo técnico ou empilha os dois no mesmo grupo. Peça o Relatório de Termos de Pesquisa, leia os tipos de correspondência, cheque a página de destino de cada intenção e veja o roteiro de auditoria com resposta aceitável e resposta evasiva.
Peça o Relatório de Termos de Pesquisa dos últimos 90 dias. Se o termo popular e o técnico caem no mesmo grupo, com a mesma página de destino e o mesmo valor de conversão, a agência está empilhando intenções diferentes, não segmentando.
- Termo de pesquisa e palavra-chave são objetos diferentes na mesma conta. O Google Ads define termo de pesquisa como a palavra que a pessoa insere ao pesquisar e palavra-chave como a palavra que o anunciante adiciona a um grupo de anúncios, segundo a documentação oficial do Google Ads. Ver a lista cadastrada não prova nada sobre o que a sua verba comprou.
- A correspondência ampla não olha só a palavra-chave. Segundo a documentação oficial do Google Ads, ela considera as atividades de pesquisa recentes do usuário, o conteúdo das páginas de destino e dos recursos, e as outras palavras-chave do mesmo grupo de anúncios. É esse mecanismo que costura o termo popular e o termo técnico num único balde.
- Separar termo é só metade: o outro lado é o atendimento por origem. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results a IA responde em mediana 4,4 segundos, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial e 23% dos que respondem viram agendamento dentro do WhatsApp (mediana entre clínicas, faixa típica de 20% a 33%), dados internos da Odonto Results em 18 clínicas e 5.205 leads, janela de 25 de março a 14 de junho de 2026.
Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- Termo de pesquisa não é palavra-chave (e é aqui que a confusão começa)
- O teste de 5 minutos: peça o Relatório de Termos de Pesquisa
- Tipos de correspondência: o que ampla, frase e exata fazem com a intenção
- Variações aproximadas: o que o Google expande sozinho e você não desliga
- Por que a ampla junta 'implante dentário' com 'prótese fixa sobre implante zigomático'
- O termo técnico pode ter gerado clique e sumir do relatório
- Palavras-chave negativas: a ferramenta de separação e a armadilha dela
- Estrutura de conta: por que "um grupo para tudo" destrói a leitura
- Índice de Qualidade: o termômetro objetivo de "anúncio e página batem com a busca?"
- Página de destino por intenção: o erro mais caro e mais fácil de corrigir
- Volume e granularidade: separar demais também quebra
- Valor de conversão por procedimento: pare de contar todo lead como 1
- Planejador de Palavras-chave: por que decidir só pelo volume estimado engana
- CPL médio da conta: o número que esconde exatamente o que você quer ver
- O lead do termo técnico se comporta diferente (e o atendimento precisa saber disso)
- Implante zigomático: raro de propósito, caro de ignorar
- SEO e conteúdo: uma página não ranqueia para as duas intenções
- Roteiro de auditoria: as perguntas para fazer na próxima reunião
- Sinais de que a sua conta empilha em vez de separar
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"A agência que atende minha clínica sabe separar quem busca 'implante dentário' de quem busca 'prótese fixa sobre implante zigomático' ou trata tudo como a mesma palavra-chave?"
Você já desconfia da resposta. Senão não estaria perguntando.
O sintoma é sempre o mesmo: o painel mostra volume, o custo por lead parece razoável, e mesmo assim o caso complexo não aparece na agenda. Chega curioso de implante unitário, chega quem quer saber preço, e o paciente de reabilitação total continua indo para outra clínica.
Isso não é falta de verba. É falta de separação.
E existe uma prova documental disso, que você consegue pedir hoje e ler em cinco minutos: o Relatório de Termos de Pesquisa. Se o termo popular e o termo técnico caem no mesmo grupo de anúncios, com a mesma página de destino e o mesmo valor de conversão, sua conta está empilhando duas intenções diferentes e chamando isso de segmentação.
Neste guia você vai ver:
- A diferença operacional entre termo de pesquisa e palavra-chave (a confusão que faz o dono achar que está segmentado)
- O teste de 5 minutos que revela se a agência separa ou empilha
- Como a correspondência ampla costura o termo popular no técnico, com o mecanismo documentado pelo Google
- Por que o termo técnico pode ter gerado clique e mesmo assim sumir do relatório
- Estrutura, negativas, página de destino, valor de conversão e lance: onde a separação de fato acontece
- O roteiro de perguntas para a reunião, com resposta aceitável e resposta evasiva lado a lado
Termo de pesquisa não é palavra-chave (e é aqui que a confusão começa)
Comece pelo vocabulário, porque a maior parte das conversas ruins com agência nasce dele.
São dois objetos diferentes dentro da mesma conta. Segundo a documentação oficial do Google Ads, termo de pesquisa é "uma palavra ou um conjunto de palavras que uma pessoa insere ao pesquisar no Google ou em um dos sites da rede de pesquisa". Já palavra-chave é "uma palavra ou conjunto de palavras que os anunciantes do Google Ads podem adicionar a um determinado grupo de anúncios".
Traduzindo para a sua realidade:
- Palavra-chave é o que a agência cadastrou. É intenção dela.
- Termo de pesquisa é o que o paciente digitou. É realidade sua.
Quando a agência abre a tela e mostra "olha, temos 'implante dentário', 'prótese sobre implante' e 'reabilitação oral' cadastrados", ela está mostrando a intenção. Você continua sem saber o que a verba comprou.
Lembre: ver a lista de palavras-chave não prova segmentação. A prova está na lista de termos que os pacientes realmente digitaram e que geraram clique pago na sua conta.
O teste de 5 minutos: peça o Relatório de Termos de Pesquisa
Este é o pedido único que separa agência que opera de agência que empurra relatório bonito.
Peça exatamente isto: o Relatório de Termos de Pesquisa dos últimos 90 dias, exportado em planilha, com as colunas termo de pesquisa, grupo de anúncios, palavra-chave que acionou, tipo de correspondência, cliques, custo e conversões.
Recebeu a planilha? Ordene por custo, de cima para baixo, e faça três leituras:
- Leitura de intenção. Os termos do topo pertencem ao mesmo estágio de decisão? "Implante dentário preço" e "protocolo de arcada superior" não são o mesmo paciente.
- Leitura de grupo. Termos de intenções diferentes estão caindo no mesmo grupo de anúncios? Se a coluna de grupo repete o mesmo nome para tudo, você achou o problema.
- Leitura de destino. Todos os cliques vão para a mesma página? Se sim, sua conta trata reabilitação total e dente unitário como o mesmo produto.
Veja como fica na prática uma leitura sadia:
| Termo digitado (exemplo) | Estágio da decisão | Grupo certo | Página de destino certa |
|---|---|---|---|
| implante dentário | Descoberta, comparando preço | Implante geral | Página educativa de implante, com prova e faixa de investimento |
| implante dentário preço | Comparação ativa | Implante geral (intenção comercial) | Página de implante com orçamento e financiamento |
| protocolo arcada superior | Decisão de caso complexo | Reabilitação total | Página de reabilitação total, com casos e planejamento |
| prótese fixa sobre implante zigomático | Decisão técnica, paciente já orientado | Zigomático e casos sem osso | Página de zigomático, com equipe, centro cirúrgico e critérios |
Repare no que a tabela expõe: quatro termos, quatro páginas, quatro anúncios. Se a sua conta tem uma página só, a agência não está segmentando. Está fazendo média.
Tipos de correspondência: o que ampla, frase e exata fazem com a intenção
Agora que você sabe o que pedir, entenda o botão que decide quanta expansão o Google pode fazer em cima da sua palavra-chave.
A documentação oficial do Google Ads sobre tipos de correspondência define os três assim:
- Ampla: "os anúncios podem aparecer em pesquisas relacionadas à sua palavra-chave, incluindo aquelas que não contêm o significado direto dela".
- Frase: "os anúncios podem aparecer em pesquisas que incluem o significado da sua palavra-chave", com alcance maior que a exata e menor que a ampla.
- Exata: "os anúncios podem aparecer em pesquisas que tenham o mesmo significado ou a mesma intenção da palavra-chave", oferecendo maior controle sobre quem vê o anúncio e alcançando menos pesquisas.
| Tipo | Sintaxe | O que faz com a intenção | Uso típico na clínica |
|---|---|---|---|
| Ampla | implante dentário | Expande para pesquisas relacionadas, inclusive sem o significado direto | Descoberta de termos novos, com negativas fortes e leitura semanal do relatório |
| Frase | "implante dentário" | Exibe em buscas que incluem o significado da palavra-chave | Meio-termo para termos comerciais de volume médio |
| Exata | [prótese fixa sobre implante zigomático] | Exibe em buscas de mesmo significado ou mesma intenção | Termo técnico, caro e raro, que você não quer diluir |
Não existe tipo "certo" universal. Existe tipo coerente com o objetivo do grupo.
O erro que aparece em auditoria não é usar ampla. É usar ampla em tudo, sem negativa, sem leitura de termo e com um único anúncio para dois públicos.
Variações aproximadas: o que o Google expande sozinho e você não desliga
Aqui está a parte que muita agência não conta para o cliente.
Mesmo em correspondência exata, o Google expande. A página oficial sobre variações aproximadas é explícita: "por padrão, todos os tipos de correspondência de palavra-chave podem ser usados com as variantes aproximadas" e "não é possível desativar esse recurso".
O que entra como variação aproximada, segundo a mesma página:
- Erros de ortografia e formas no singular ou plural.
- Variações de termos com o mesmo radical (implante, implantes, implantodontia aparecem em famílias próximas).
- Ordem das palavras quando o significado se mantém.
- Palavras implícitas, que podem ser omitidas na busca.
- Sinônimos, com o exemplo oficial de "roupas de banho" acionando "trajes de banho".
- Palavras funcionais (preposições e artigos) adicionadas ou removidas.
Pensa no seu caso: "prótese fixa sobre implante zigomático", "prótese sobre implante zigomático", "protocolo zigomático fixo" e "implante zigomático com prótese fixa" são a mesma intenção clínica escrita de quatro jeitos. Essa expansão, quando você quer o caso complexo, ajuda.
O problema é o outro lado da moeda: a mesma máquina que aproxima o técnico do técnico também aproxima o popular do técnico, se você deixar.
Por que a ampla junta 'implante dentário' com 'prótese fixa sobre implante zigomático'
Esta é a pergunta central, e ela tem resposta documentada, não opinião de agência.
A documentação oficial do Google Ads lista o que a correspondência ampla considera além da palavra-chave em si:
- "As atividades de pesquisa recentes do usuário"
- "O conteúdo das páginas de destino e dos recursos"
- "Outras palavras-chave em um grupo de anúncios para entender melhor a intenção"
Leia de novo o terceiro item. As outras palavras-chave do mesmo grupo de anúncios entram na conta.
É por isso que um grupo com "implante dentário", "implante dentário preço", "protocolo all-on-4" e "prótese fixa sobre implante zigomático" convivendo lado a lado vira um caldo: você mesmo disse ao sistema que aquelas intenções pertencem à mesma cesta.
E o segundo item explica o resto: se todos os anúncios apontam para a mesma página genérica de "implante", o conteúdo dessa página vira sinal de intenção para tudo.
Lembre: quando a agência joga tudo num grupo só, ela não está apenas organizando mal. Ela está alimentando o algoritmo com a informação de que o paciente de dente unitário e o paciente sem osso maxilar são a mesma pessoa.
O termo técnico pode ter gerado clique e sumir do relatório
Agora um detalhe que muda a forma de auditar, e que quase ninguém explica para o dono da clínica.
O Relatório de Termos de Pesquisa não é completo. A documentação oficial do Google Ads diz que "alguns termos de pesquisa que não têm atividade de consulta suficiente são omitidos do Relatório de termos de pesquisa para manter nossos padrões de privacidade de dados", e que o relatório inclui termos usados por um número significativo de pessoas.
O que isso significa na prática, para você:
- O termo ultra-específico pode ter recebido clique, custado dinheiro e não aparecer na lista.
- Quanto mais técnico o termo, maior a chance de ele cair na omissão, porque poucas pessoas digitam daquele jeito exato.
- Termo técnico quase nunca é escrito duas vezes da mesma forma. Cada paciente monta a frase do jeito dele, o que espalha o volume em dezenas de variações minúsculas.
A consequência é dura: ausência no relatório não prova ausência de busca. Se a agência responde "esse termo não tem volume, olha o relatório", ela está usando um dado incompleto como veredito.
O caminho correto é medir pelo grupo isolado. Coloque o termo técnico em grupo próprio, com correspondência exata e página específica, e leia impressões, cliques e conversões daquele grupo. O grupo aparece mesmo quando o termo individual é omitido.
Palavras-chave negativas: a ferramenta de separação e a armadilha dela
Negativa é o instrumento que impede o público popular de comer o orçamento do técnico. E vice-versa.
Mas ela tem uma limitação documentada que derruba muita estrutura montada às pressas. A página oficial sobre palavras-chave negativas afirma que "as palavras-chave negativas não fazem correspondência com variantes aproximadas ou outras expansões", e que a principal diferença em relação às palavras-chave comuns "é a necessidade de adicionar sinônimos e versões no singular ou plural". A mesma página esclarece que maiúsculas e erros de ortografia o sistema já considera automaticamente.
Ou seja: sinônimo e plural você lista na mão, um por um.
Como isso vira trabalho concreto na conta de uma clínica:
- Negative cruzada entre grupos. No grupo de implante popular, negativa os termos do universo técnico. No grupo técnico, negativa os termos genéricos de preço e de dente unitário.
- Lista de sinônimos escrita à mão. "Protocolo", "arcada", "boca toda", "todos os dentes", "dentadura fixa" e as variações no plural precisam estar escritas, uma a uma.
- Lista de desqualificação. Termos de curso, faculdade, concurso, emprego, valores de material e busca por profissional para contratar não são paciente. Cortam custo sem cortar demanda.
- Revisão semanal. Relatório novo, negativa nova. Isso é rotina, não projeto.
Se a agência não tem lista de negativas versionada e datada, você já sabe a resposta da sua pergunta original.
Estrutura de conta: por que "um grupo para tudo" destrói a leitura
O Google Ads é organizado em três camadas: conta, campanhas e grupos de anúncios, e o material oficial descreve o grupo de anúncios como o nível que "contém um conjunto de anúncios e palavras-chave semelhantes".
A palavra que importa é semelhantes.
Um grupo saudável na clínica de implante costuma ficar assim:
- Grupo 1: implante unitário. Termos populares, anúncio educativo, página de implante com faixa de investimento e financiamento.
- Grupo 2: reabilitação total. Protocolo, arcada, boca toda, all-on-x. Anúncio de transformação, página com casos e planejamento.
- Grupo 3: casos sem osso e alta complexidade. Zigomático, enxerto, levantamento de seio. Anúncio de competência técnica, página com equipe, centro cirúrgico e critérios de indicação.
- Grupo 4: marca. Nome da clínica e do dentista, separado sempre, porque mistura de marca com genérico maquia o custo por lead da conta inteira.
Quando os quatro viram um só, três coisas quebram ao mesmo tempo: o anúncio fica genérico, a página fica genérica e a leitura do relatório fica impossível. Você não consegue nem responder "quanto custou trazer um caso complexo", porque não existe recorte para isso.
A mesma lógica vale para a escolha do formato de campanha: automação sem recorte por intenção entrega exatamente o mesmo problema, um nível acima.
Índice de Qualidade: o termômetro objetivo de "anúncio e página batem com a busca?"
Você não precisa acreditar na agência nem no seu instinto. O Google publica um diagnóstico.
Segundo a documentação oficial do Índice de Qualidade, ele se apoia em três componentes: taxa de cliques esperada, relevância do anúncio ("o nível de correspondência entre seu anúncio e a intenção que motiva a pesquisa do usuário") e experiência na página de destino ("qual é a relevância e utilidade da página de destino para as pessoas que clicam no anúncio"). Cada um recebe a classificação "Acima da média", "Na média" ou "Abaixo da média".
Peça essas colunas na planilha. A leitura é direta:
- Relevância do anúncio abaixo da média no grupo técnico: seu anúncio está escrito para o público popular.
- Experiência na página abaixo da média: o clique caro cai numa página que não fala do procedimento buscado.
- Tudo na média em todos os grupos: sinal clássico de conta genérica, montada uma vez e nunca refinada.
Esse é um dos poucos indicadores em que a plataforma, não a agência, dá a nota.
Página de destino por intenção: o erro mais caro e mais fácil de corrigir
Você pode ter a estrutura perfeita e perder o caso na página.
Mandar quem busca reabilitação total de arcada para a página de implante unitário é dizer ao paciente "você não é o meu caso". E mandar quem busca implante de um dente para a página de reabilitação total assusta pelo porte do tratamento.
O paciente que digita o termo técnico já foi orientado por alguém. Ele quer ver três coisas na página: critério de indicação, quem opera e onde opera. O paciente do termo popular quer outra coisa: entender o tratamento, ver prova e saber como paga.
Uma página só não faz esses dois trabalhos. Se você precisa de referência do que sustenta o caso complexo, veja como atrair o paciente de prótese sobre implante e reabilitação oral.
Volume e granularidade: separar demais também quebra
Agora o contrapeso honesto, porque a resposta "separe tudo" seria simplista.
Separação tem custo. O material oficial sobre Lances Inteligentes explica que os algoritmos usam dados em grande escala para fazer previsões mais exatas, que algumas estratégias precisam de um volume mínimo de dados históricos de conversão e recomenda avaliar resultados em períodos mais longos.
Traduzindo para a conta da clínica: se você quebrar a conta em vinte grupos minúsculos, cada um com pouquíssima conversão, a estratégia automática de lances passa mais tempo aprendendo do que performando.
O equilíbrio prático que costuma funcionar:
- Separe por INTENÇÃO CLÍNICA (popular, reabilitação total, alta complexidade, marca), não por cada variação de palavra.
- Mantenha o volume de conversão agregado na campanha, com os grupos convivendo dentro dela.
- Só isole campanha inteira quando aquele público tiver volume próprio suficiente para sustentar o aprendizado, ou quando você quiser proteger orçamento na marra.
Granularidade é meio, não fim. O objetivo é ler e decidir, não colecionar grupos.
Valor de conversão por procedimento: pare de contar todo lead como 1
Aqui está a virada que quase nenhuma clínica faz, e que resolve boa parte do problema sem discussão de palavra-chave.
Se todo lead conta como uma conversão de valor 1, você está dizendo à plataforma que um pedido de orçamento de restauração vale o mesmo que um caso de reabilitação total. A máquina otimiza para o que é mais fácil e mais barato de conseguir. Adivinhe qual dos dois é.
O caminho é atribuir valor diferente por tipo de conversão e migrar a estratégia para retorno, não para volume. Isso exige três coisas da agência:
- Classificação do lead na origem (qual grupo, qual termo, qual página trouxe).
- Devolução do desfecho para a plataforma (agendou, compareceu, fechou), não só "virou lead".
- Estratégia de lance por retorno, com valores distintos por procedimento.
Sem isso, qualquer separação de palavra-chave é cosmética: a otimização continua puxando a conta para o lead mais barato. Vale ler também como medir se a agência traz paciente ou só lead.
Planejador de Palavras-chave: por que decidir só pelo volume estimado engana
Muita agência justifica o "vamos focar no termo popular" mostrando a estimativa de buscas do planejador. Cuidado com essa conversa.
A documentação oficial do planejador esclarece três limites importantes. A média mensal de pesquisas é "o número médio de vezes que as pessoas pesquisaram uma palavra-chave e suas variantes aproximadas". O período padrão é "a média de um período de 12 meses". E as estatísticas de volume "são aproximadas".
O que decorre disso para o termo técnico:
- O número que você vê já inclui variantes, então não é a demanda daquela frase exata.
- A média de 12 meses achata sazonalidade e esconde picos.
- Volume baixo estimado não significa receita baixa: um único caso complexo pesa muito mais na sua receita do que uma dezena de leads de baixo ticket.
Decidir orçamento só por volume estimado é otimizar para a métrica errada. O que importa é receita por caso, não frequência de busca.
CPL médio da conta: o número que esconde exatamente o que você quer ver
Enquanto os dois públicos convivem no mesmo grupo, o custo por lead médio funciona como anestesia.
Suponha, como exemplo hipotético, que a conta feche o mês com custo por lead confortável. Se dentro desse número existem muitos leads baratos de curiosidade e pouquíssimos leads caros de caso complexo, a média fica ótima e a agenda cirúrgica fica vazia. A média sobe de qualidade quando o caso complexo some, porque ele é o lead mais caro da conta.
Por isso o corte de leitura correto é por grupo e por intenção, nunca por conta:
- Custo por lead do grupo popular.
- Custo por lead do grupo de reabilitação total.
- Custo por lead do grupo de alta complexidade.
- E o número que fecha a conversa: custo por paciente que compareceu, por grupo.
Se a agência só apresenta o consolidado, o consolidado está trabalhando a favor dela. Veja como identificar métrica de vaidade no relatório da agência e o custo real por paciente de implante.
O lead do termo técnico se comporta diferente (e o atendimento precisa saber disso)
Separar a palavra-chave sem separar o atendimento resolve metade do problema.
O paciente que chega pelo termo técnico costuma vir com pergunta específica, exame na mão e comparação já feita. Ele testa a competência da clínica na primeira mensagem. Um roteiro de atendimento genérico o perde em minutos.
E existe um segundo fator, que independe do termo: quando o lead chega. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, 43,8% dos leads chegam fora do horário comercial, a IA de atendimento responde em mediana 4,4 segundos e a mediana da primeira mensagem até o agendamento dentro do WhatsApp é de 2h57 (entre quem agenda), dados internos da Odonto Results em 18 clínicas e 5.205 leads, janela de 25 de março a 14 de junho de 2026. Entre os leads que respondem, 23% viram agendamento dentro do WhatsApp (mediana entre clínicas, faixa típica de 20% a 33%), no mesmo recorte.
O que você faz com isso na prática:
- Marque a origem de cada lead (grupo e termo) e leve essa marcação para o atendimento.
- Compare por origem taxa de resposta, tempo até responder e taxa de agendamento. Se o lead do técnico responde mais e agenda mais, ele merece orçamento próprio, mesmo custando mais caro.
- Rote o caso complexo para quem sabe conduzir a conversa clínica, não para o roteiro padrão de preço.
Lembre: o dado que decide não é o custo do clique. É quanto custa colocar na cadeira o paciente de cada tipo de caso, e quanto cada caso devolve.
Implante zigomático: raro de propósito, caro de ignorar
Vale entender por que esse termo específico é tão sensível.
O implante zigomático é procedimento de alta complexidade e indicação restrita: ancoragem no osso zigomático, indicado quando falta osso na maxila e a técnica convencional não se sustenta. Não é volume. É exceção.
Isso cria uma assimetria que trabalha a seu favor, se a conta estiver separada:
- Poucas clínicas oferecem, e menos ainda comunicam com clareza.
- Quem busca já foi avaliado antes, muitas vezes recusado em outro lugar, e chega decidido a resolver.
- O ticket é dos mais altos da odontologia, então um caso paga muitos cliques caros.
Empilhar esse termo com o genérico faz você pagar o clique caro e entregar a experiência genérica. É o pior dos dois mundos. Para entender a lógica de agência que trata caso complexo como categoria própria, veja agência de nicho versus agência generalista em implante.
SEO e conteúdo: uma página não ranqueia para as duas intenções
O mesmo raciocínio vale fora da mídia paga, e por um motivo simples: as duas buscas pedem conteúdos incompatíveis.
- Termo popular pede página informativa: o que é, como funciona, quanto custa, dói, quanto tempo dura. Volume alto, conversão mais lenta.
- Termo técnico pede página de decisão: indicação, critério, equipe, estrutura, casos, próxima etapa. Volume baixo, conversão alta.
Tentar servir os dois numa página só produz um texto morno que não responde bem nenhuma das duas perguntas. Separe: a página informativa alimenta topo e autoridade, a página de decisão captura o caso. Uma linka para a outra.
Roteiro de auditoria: as perguntas para fazer na próxima reunião
Leve estas perguntas e ouça a resposta com o filtro ao lado. Não é armadilha. É diagnóstico.
| # | Pergunta | Resposta aceitável | Resposta evasiva (sinal ruim) |
|---|---|---|---|
| 1 | Me manda o Relatório de Termos de Pesquisa dos últimos 90 dias em planilha? | Envia o arquivo com termo, grupo, correspondência, custo e conversões | "Eu te mando um resumo", "o painel já mostra isso" |
| 2 | Quais grupos de anúncios existem hoje e qual a lógica de separação? | Lista os grupos por intenção clínica e explica o critério | "Está tudo numa campanha otimizada", "o Google organiza sozinho" |
| 3 | Que tipo de correspondência cada grupo usa e por quê? | Explica ampla, frase e exata por objetivo do grupo | "Usamos o padrão", "hoje isso não importa mais" |
| 4 | Onde está a lista de palavras-chave negativas e quando foi atualizada? | Mostra a lista, com data da última revisão | Não existe lista, ou "não precisa, o algoritmo filtra" |
| 5 | Cada intenção tem página de destino própria? | Mostra as URLs por grupo | Uma única página para tudo |
| 6 | Como estão relevância do anúncio e experiência na página no grupo do caso complexo? | Mostra as colunas do Índice de Qualidade | "Isso é métrica secundária" |
| 7 | O lead de caso complexo tem valor de conversão diferente do lead comum? | Explica os valores e a estratégia de lance por retorno | "Toda conversão vale igual" |
| 8 | Qual o custo por lead e por paciente que compareceu, por grupo? | Traz o recorte por grupo | Só apresenta a média da conta |
| 9 | Quantos leads de caso complexo entraram nos últimos 90 dias? | Número, com origem rastreada | "Não dá para separar" |
Se a agência responde a maior parte com o painel aberto, na sua frente, ela opera a conta. Se responde com adjetivos e promessas de enviar depois, você já tem o veredito.
Sinais de que a sua conta empilha em vez de separar
Um resumo de bolso para quando você abrir a planilha:
- Existe um grupo de anúncios com dezenas de palavras-chave de intenções diferentes.
- Todos os anúncios apontam para a mesma página.
- A lista de negativas está vazia ou nunca foi atualizada.
- Todos os componentes do Índice de Qualidade estão "na média" em todos os grupos.
- O relatório entregue a você mostra só CPL consolidado, sem recorte por grupo.
- Toda conversão vale 1, sem distinção por procedimento.
- Ninguém sabe dizer quantos casos complexos entraram no trimestre.
Três ou mais marcados: sua conta não separa público, ela faz média. E média é exatamente o que impede o caso de alto ticket de aparecer.
Seu próximo passo
- Peça hoje o Relatório de Termos de Pesquisa dos últimos 90 dias em planilha. Ordene por custo e cheque três colunas: grupo de anúncios, tipo de correspondência e página de destino. Em cinco minutos você sabe se há separação ou empilhamento.
- Leve as 9 perguntas de auditoria para a próxima reunião. Compare cada resposta com a coluna de resposta aceitável. Peça a lista de negativas com data e as colunas do Índice de Qualidade do grupo de caso complexo.
- Exija o recorte por intenção, não a média. Custo por lead e custo por paciente que compareceu, separados por grupo, com valor de conversão diferente por procedimento. É esse corte que mostra se o termo técnico está trazendo caso ou sendo engolido pelo popular.
Quer uma leitura independente da sua conta, com o recorte por intenção e o caminho para o caso de alto ticket voltar a aparecer na agenda? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
Termo de pesquisa e palavra-chave são a mesma coisa?
Não. Na definição oficial do Google Ads, termo de pesquisa é a palavra ou conjunto de palavras que uma pessoa insere ao pesquisar no Google, e palavra-chave é a palavra ou conjunto de palavras que o anunciante adiciona a um determinado grupo de anúncios. A lista de palavras-chave mostra a intenção da agência. O relatório de termos mostra a realidade do que foi comprado.
Como peço o relatório de termos de pesquisa para a minha agência?
Peça assim: "quero o Relatório de Termos de Pesquisa dos últimos 90 dias, exportado em planilha, com termo, grupo de anúncios, palavra-chave que acionou, tipo de correspondência, cliques, custo e conversões". Se a resposta vier como um resumo em slide, sem a coluna de termo, você recebeu uma interpretação, não o dado.
Dá para desativar as variações aproximadas?
Não. A documentação oficial do Google Ads afirma que, por padrão, todos os tipos de correspondência podem ser usados com as variantes aproximadas e que não é possível desativar esse recurso. Por isso a separação entre público popular e público técnico se faz com estrutura, negativas e página de destino, nunca só com a lista de palavras-chave.
Palavras-chave negativas resolvem a separação sozinhas?
Ajudam muito, mas têm uma armadilha. O Google Ads documenta que as palavras-chave negativas não fazem correspondência com variantes aproximadas ou outras expansões, e que sinônimos e versões no singular ou plural precisam ser adicionados manualmente (maiúsculas e erros de ortografia o sistema já considera). Negativa incompleta vaza público.
Vale a pena criar uma campanha só para implante zigomático?
Vale separar o grupo de anúncios e a página de destino quase sempre. Separar a campanha inteira depende do volume: como o termo técnico tem poucas buscas, isolar orçamento pode deixar a estratégia de lances sem dados de conversão suficientes. O caminho usual é grupo próprio dentro da campanha, com anúncio e página específicos.
Como sei se o problema é o anúncio ou a página de destino?
Olhe os componentes do Índice de Qualidade. O Google Ads separa relevância do anúncio (o quanto o anúncio corresponde à intenção da pesquisa) de experiência na página de destino (o quanto a página é relevante e útil para quem clica). Se a relevância do anúncio está abaixo da média, o texto não fala com o termo. Se a experiência na página está abaixo, a página é que está errada.